domingo, dezembro 24, 2006

O Natal em Estrasburgo

Os mercados de Natal são uma tradição germânica, expandida por todo o centro da Europa. No mês que antecede o Natal, nas ruas das cidades mais importantes, organizam-se mercados, especificamente virados para produtos sazonais, embora também se vendam outras coisas. Em França são também realizados mercados de Natal nalgumas cidades (em particular em Paris), mas o mais notável deles é o de Estrasburgo.
Podem comprar-se produtos de Natal e muito artesanato. Duas coisas em particular, devem provar-se: o vin chaud (preparado e vendido nas barracas do mercado, em geral com vinho da Borgonha, laranja e especiarias, sendo aquecido ao ar livre e servido quente) e os bolinhos de Natal, com gengibre, em forma de figuras natalícias.

O Mercado de Natal de Estrasburgo costuma realizar-se na Praça Broglie e na Praça da Catedral, no centro (e zona antiga) da cidade.

segunda-feira, novembro 06, 2006

As bicicletas na Holanda

Como meio de transporte, sabe-se que a bicicleta é o mais comum nos países baixos. Não o é só na Holanda. Esta particularidade estende-se a todos os países do centro e do norte da Europa, onde as estradas são planas. Ou ao menos não tem grandes subidas. E, claro, o clima é fresco e os calores da metade quente do ano não sacrificam quem pedala.
Não obstante, foi na Holanda que a bicicleta se converteu num ícone nacional. Talvez porque aqui as há em maior número. Ou talvez porque o relevo (será apropriado chamar-lhe assim?) favorece verdadeiramente esta forma de locomoção. É à Holanda que associamos a senhora elegantemente vestida que vai para o seu escritório de bicicleta, ou o estudante que leva presa no guiador a sua mochila, ou a avozinha que transposta no cesto as suas compras. É também da Holanda que se diz ser mais interessante de visitar indo-se de bicicleta.

Talvez só se consiga perceber esta idiossincrasia holandesa quando se sai de uma estação de comboios e se depara com o parque de estacionamento especial para velocípedes. As imagens que ilustram esta anotação são da estação central da Haia.
As estações de comboios são, por sinal, locais privilegiados para alugar bicicletas.

domingo, novembro 05, 2006

The Nuremore Hotel, Carrickmacross, Irlanda

O edifício é discreto e não se dá por ele. Baixo, revela preocupação com a sua inserção no ambiente campestre. O jardim, está primorosamente cuidado, abrindo a passagem para o campo de golfe, aberto e arborizado. O ambiente é pacífico e tranquilizador. Em toda a volta o campo é ondulado, com pequenas colinas. O hotel fica no meio de verde e pouco mais: lagos, o campo de golfe, coelhos e patos.

The Nuremore Hotel fica em Carricmacross, no condado de Monaghan, na Irlanda. Fica a cerca de uma hora de Dublin. O percurso inclui, no início, próximo da capital, estradas nacionais, de trânsito fácil e rápido. A última metade é feita por vias pouco mais que rurais, muito estreitas e sinuosas.
(The Nuremore Hotel & Country Club, Carrickmacross, Co. Monaghan, Republica da Irlanda, telefone +353.42.966.14.38).

quinta-feira, novembro 02, 2006

Giralda, Sevilha

A Giralda é o ícone mais conhecido da cidade e é também o emblema da catedral de Sevilha. E, no entanto, já existia quando esta última começou a ser construída. Ficou como um dos últimos vestígios da antiga mesquita almóada de dezassete naves que aqui existia (o outro que resta é o conhecido Patio de los Naranjos), ao lado da actual catedral. A Giralda tem 97 metros, sendo assim o edifício histórico mais alto da cidade.

Actualmente, desde o século XV, serve de campanário da catedral. No seu topo, que é mais recente que a sua base, foi colocada uma estátua representativa da fé católica, com um estandarte. Este, o estandarte, gira ao sabor do vento, servindo como catavento. Serve portanto, em castelhano, como giraldillo. Foi esta, aliás, a origem do nome da torre.
A visita da torre é paga e, nas épocas de férias, costuma ter muita afluência de turistas.

sexta-feira, outubro 27, 2006

Trier e Karl Marx

Normalmente, o nome de Karl Marx não suscita indiferença.
Houve quem o venerasse. Há ainda quem o recorde com respeito. Outros, no passado, combateram frontalmente as suas construções teóricas e o que delas resultou.
Após a decadência (mesmo falência) do seu modelo sócio-político, Marx viu reduzido o seu estatuto e passou a ser apenas mais um dos muitos vultos da história de que se ouve falar no ensino secundário e a quem se dedicam casas museus que poucos visitam. A de Marx fica na sua cidade natal de Trier, no Estado alemão da Renânia onde, diz-se, era conhecido como grande apreciador do riesling produzido na região.

A Casa Karl Marx é, anote-se, gerida pela poderosa Friedrich-Ebert Stiftung, como bem se sabe ligada ao Partido Social Democrata da Alemanha.
O cronista destas linhas não visitou a Casa Museu, porque já tinha fechado. Foi pena, porque seria interessante ver como o actual poder político alemão interpreta o fundador do marxismo, quase duas décadas após a decadência e queda dos regimes políticos e governativos que inspirou.
Ficou porém o cronista a saber que a rua a que Marx deu nome, na sua cidade, foi a escolhida para nela se instalarem os bares de prostitutas, as sex-shop e outros estabelecimentos similares.

A Karl Marx Haus está na Brückenstrasse, 10, em Trier, Alemanha.Está aberta todos os dias das 10 às 18 horas.

terça-feira, outubro 03, 2006

Rómulo e Remo, Roma

A peça originária, do século V a. C., está num dos museus do Capitólio (Campidoglio), em Roma. Mas a mística dos personagens representados leva-os, em cópia, a vários locais da cidade.
A lenda é de todos conhecida desde os primeiros anos do liceu: dois gémeos, Rómulo e Remo, foram abandonados nas margens do rio Tibre (ou Tevere), na planuras do Lácio; terão sido amamentados por uma loba, que assim os salvou da morte. Anos mais tarde vieram a fundar a cidade de Roma, naquele local.
Supõe-se que a estátua original, em bronze, será etrusca. Sabe-se actualmente que os dois meninos foram acrescentados no início do Renascimento.
A reprodução fotografada acima pode ver-se na via de descida do Capitólio para o Foro Romano.

segunda-feira, setembro 25, 2006

Aeroporto de Prishtina, Kosovo


A um país, que ainda não é independente e que acabou de passar por uma bárbara guerra étnica, durante a qual vizinhos mataram vizinhos e antigos amigos queimaram casas de antigos amigos e mesquitas e igrejas, não se pode pedir muito. No Kosovo, as feridas da guerra ainda estão abertas e a reconstrução do país atrasa-se, em boa parte por isso.

O único aeroporto de acesso ao país foi destruído na guerra. Os sapadores e engenheiros britânicos da mítica Royal Air Force reconstruíram as pistas, de forma a que ficasse operacional. O resto, tem sido feito pela incipiente administração provisória local.
E nem tão mal, tendo em conta o contexto.


Há voos regulares, quase diários, de Prishtina para Viena (na Austrian Airlines), para Ljubliana (na Adria Airways) e para Budapeste (na Malev). Além destes, há dois ou três voos semanais para Zurique e para várias cidades alemãs, operados por micro companhias, suíças e germânicas.
A única forma viável de ir do aeroporto para a cidade é o taxi. Costuma haver quatro ou cinco taxis parados no aeroporto, na hora de chegada de cada um da meia dúzia de voos que o aeroporto recebe por dia. A viagem, se negociada previamente com o motorista, com o taxímetro desligado, custará 20 € e durará meia hora. Não valerá a pena pedir recibo, claro.

sábado, agosto 19, 2006

Vinhos do Condado de Huelva, Espanha


Bollullos del Condado, cidade a meio caminho entre Huelva e Sevilha, é o centro de uma antiquíssima região produtora de vinhos – há registo de que teriam muita fama no século XIV. Porém, a partir do século XVII o sucesso decaiu, com a expansão mundial dos vinhos de Jerez, muito mais sofisticados. Com a crise aqui e a expansão dos vinhos vizinhos, a produção do Condado passou a ser vendida para fazer Jerez. E nunca mais recuperou a sua identidade específica.
Actualmente existe uma Denominação de Origem Condado de Huelva. As vinhas da região estão quase todas localizadas em zonas planas e muito baixas. Apesar de não estarem demasiado próximas do mar, boa parte dos solos é constituído por areias. O clima é aqui caracterizado por verões muito quentes e secos (com frequência as temperaturas ultrapassam os 40 graus, no verão).
Em geral, os vinhos que se produzem são compostos por zalema, uma casta branca fresca e muito frutada, que dá origem ao Vino Dulce, que se vende ao litro nas casas de comidas. Também se produz Pedro Ximenez, muito mais pastoso e concentrado. E, claro, há blends, a que por aqui se chama Mistela (!). Em qualquer dos casos, a granel, este vinho é normalmente muito barato (o preço de referência será 2 € por litro e o vendedor oferece o garrafãozito de plástico). Propicia, ele mesmo, geladinho, uma excelente sobremesa de verão.
Esta é, talvez, a única anotação que vale a pena reter desta velha senhora cidade andaluza produtora de vinho.


quarta-feira, agosto 16, 2006

Castelo de São João do Arade, Ferragudo, Algarve

Fica junto da praia, na boca do rio Arade, em frente a Portimão. Terá tido origem no século XV, embora o seu perfil romanesco seja o resultado de obras de adaptação a palacete residencial, no início do século XX. Para trás ficaram obras de fortificação militar, sobretudo dos séculos XVII e XVIII.
Diz-se que é propriedade de um empresário de Lisboa, que o tem andado a recuperar. Comparado o seu estado com o de há meia dúzia de anos, nota-se-lhe a beneficiação.
Lamentavelmente, não tem visitas.

sexta-feira, julho 14, 2006

Barcelona, Junho de 2006


Não, não são lamentáveis erros de grafia nem é ignorância presunçosa.
É a fotografia de uma livraria de Barcelona, onde fazem questão de falar e escrever em catalão. Correcto, dizem entendidos.

terça-feira, julho 04, 2006

O centro histórico de Varsóvia


Varsóvia foi uma das cidades mais martirizadas pelos horrores da IIª Guerra Mundial. A desgraça maior aconteceu em 1944, quando a heróica população polaca se sublevou, desafiando a ocupação dos nazis que, em resposta, pura e simplesmente arrasaram a cidade.
Por isso, o que resta do tempo anterior à guerra são apenas ruínas. Ou então meticulosas reconstruções dos edifícios originais. É o que acontece com a Praça do Castelo, centro principal de acolhimento de turistas, de visita à cidade antiga (imagem acima), onde se destaca o "castelo", pintado em cores avermelhadas.


A cidade antiga é uma rede bem organizada de ruas, encaixadas numa cintura de muralhas de tijolos, do século XVI, bem visível, embora arruinada. Todas as ruas da cidade antiga convergem na Praça do Mercado, coração do bairro desde que foi construída na sua versão original, no início do século XV (imagem em baixo).
A zona está muito bem conservada, o que não admira, porque foi toda ela reconstruída nos últimos 60 anos, pedra sobre pedra, como é explicado aos turistas, utilizando como referência fotografias e gravuras antigas.

quinta-feira, junho 08, 2006

Varna, Bulgária


As cidades do sul da Europa costumam ser vivas e movimentadas. E Varna não foge à regra. Porém, o conceito de cidade de férias foi adaptado aos despojos do velho leste europeu. É uma cidade suja e desordenada. As suas avenidas não são muito amplas e o trânsito é pouco intenso. Pelas ruas há centenas de bancas de venda de produtos falsificados: óculos italianos por 10 lev (5 euros), t-shirts do Cristiano Ronaldo por 15 ou perfumes de marcas internacionais por 20 (mas na compra de 2 oferecem o terceiro).

Em visita, vale a pena respirar o ar da cidade e ver dois ou três museus que sobraram do período soviético (sobretudo o Museu de Arqueologia – e em particular as peças encontradas na Trácia). Além disso, apenas vale a pena deter-se na Igreja da Assunção da Virgem, a maior de Varna, construída no fim do século XIX).

Varna é a terceira cidade da Bulgária, em tamanho (tem um pouco mais de 300 mil habitantes). Tem um voo por dia, a partir de Sófia, e meia dúzia de outros, a partir da Áustria e de várias cidades da antiga Alemanha de leste (80 por cento dos turistas que passam por aqui são originários da antiga RDA, vá lá saber-se porquê…).
Na estâncias balneares da costa há muitos hotéis, maioritariamente do período soviético, onde é possível fazer férias baratas, embora modestas.

segunda-feira, abril 24, 2006

Munique


A capital da Baviera é uma das maiores cidades da moderna Alemanha unificada.
Fica a sul, muito a sul, já próximo da Áustria e a devastadora destruição da última guerra mundial, não a esmagou tanto. Por isso, tem um centro histórico um pouquito menos pobre que o das outras grandes cidades alemãs.
Durante muito anos, uma das grandes atracções da cidade foi o Estádio dos Jogos Olímpicos de 1972, palco da primeiro grande acto do violento terrorismo moderno. Agora, foi reformado, com a chegada do Campeonato do Mundial de Futebol de 2006.
No século XXI, a cidade preferiria ser conhecida pelas colecções de arte dos seus museus e pelas suas manifestações de arte, sobretudo a música, o teatro e o bailado.
Porém, incontornavelmente, Munique é sobretudo sinónimo das canecas de cerveja de um litro, que aos milhões se bebem na Festa de Outubro. Não será fácil passar nessa altura do calendário pela cidade. Porém, em qualquer outra altura do ano é interessante beber uma caneca ao fim da tarde numa das enormes cervejarias tradicionais da cidade (a Hofbrau ou a Paulaner). Costuma haver música típica ao vivo (aqueles calções tiroleses e os chapéus com penas…) e comida ligeira. A

sábado, abril 22, 2006

Mosteiro de São Vicente de Fora, Lisboa

E tudo começou com um par de corvos, porventura abundantes nos campos ingleses, mas estranhos nos habitats de Lisboa. São Vicente morreu em Valência (a do arroz à valenciana), no século IV A.C., portanto ainda no tempo do Império Romano. Só no século XII os seus restos (concerteza em estado deplorável), foram transportados para Lisboa, num barco onde viajaram, simbolicamente, dois corvos que – evidentemente - não sabiam que iriam ser um dos grandes ícones de Lisboa. O actual mosteiro começou a ser construído no século XVI e foi inaugurado em 1629.

Além da igreja, são visitáveis os claustros e os panteões da Casa de Bragança e dos patriarcas. É imperdível a sacristia, fantasticamente decorada com revestimento de mármores policromos embutidos. Das torres, a vista é imensa.
O mosteiro de São Vicente de Fora é um daqueles gigantes adormecidos, que poucos conhecem, mas que valem a pena. Está aberto de terça-feira a domingo, das 10 às 18 horas. O bilhete custa 4 euros, para adultos.

quinta-feira, abril 20, 2006

O novo aeroporto de Madrid

Em Fevereiro último abriu ao serviço o novo terminal 4 do Aeroporto de Madrid. Reclamam, as autoridades, que será mais ágil e moderno, permitirá servir mais destinos e ter mais frequência de voos. O aeroporto ficou agora dotado de mais pistas, novos acessos por estrada e muitos serviços adicionais. A par disso, o edifício é vanguardista com desenho moderno e muita tecnologia incorporada.


Não obstante, enquanto ponto de passagem de passageiros, tornou-se num edifício descomunal, desumanizado e com percursos longuíssimos para fazer entre avião e avião (o percurso entre duas portas pode chegar a demorar, dentro do mesmo terminal, meia hora). É um monumento ao passado imperial espanhol. Nada é perfeito.

segunda-feira, abril 17, 2006

Hotel Vintage House, Douro Superior

O charme é o de um velho hotel inglês do countryside. Mas a amabilidade dos empregados, essa não podia ser mais transmontana. Deguste-se o vinho do Porto, na mesa da recepção e as laranjas. Valerá a pena beber um copo na biblioteca/bar e jogar uma partidinha na sala de bilhar. Ao levantar, há que disfrutar do pequeno almoço rico e do ambiente calmo, by the river.
O hotel tem restaurante próprio, com ementa cuidada e piscina. A loja de vinhos está bem guarnecida, mas tem preços um pouco expandidos.


Mesmo na época baixa, os preços por quarto duplo serão sempre superiores a 100 €. O hotel fica na vila do Pinhão, concelho de Alijó, nas margens do Rio Douro (telefone 254.730.230), a cerca de 4 horas de viagem de Lisboa (via IP 3 – Viseu) e a cerca de 2 horas do Porto (via IP 4 – Vila Real, Régua).


domingo, abril 16, 2006

A Semana Santa de Sevilha

As fotografias não são da Semana Santa, mas podiam ser. Sevilha tem festas santas durante todo o ano. Há centenas de igrejas e dezenas de confrarias religiosas, cada uma com o seu padroeiro e dia de festa. E rivalizam na dimensão das suas procissões pelas ruas do seu bairro.

quinta-feira, abril 13, 2006

Exército Chinês do Imperador Qin

Em 1974, perto de cidade de Xiuan, na China central, agricultores que escavavam um poço descobriram acidentalmente o maior monumento funerário do mundo: uma cidade inteira, construída em terracota, reproduzindo as riquezas e exércitos do cruel e poderoso Imperador Qin Shi Huang.
Esta cidade, construída no século III antes de Cristo, foi depois enterrada, conjuntamente com o imperador, que acreditava ser imortal e, portanto, queria ter onde viver após a morte, devendo esse sítio ser o mais parecido possível com o sítio onde viveu.
No sítio foi construído o Museu dos Guerreiros de Terracota, cobrindo cerca de 25 quilómetros quadrados e albergando cerca de seis mil soldados, todos diferentes uns dos outros. Apesar de terem mais de 2000 anos, a maioria deles está em perfeito estado de conservação.

Uma exposição itinerante tem percorrido a Europa, mostrando mil do total das cerca de 7000 peças exemplares de guerreiros, cavalos, carros e armas.
Estas fotografias foram tiradas em Berlim.

terça-feira, abril 11, 2006

Tapas

Não se sabe bem qual a origem das tapas nem do seu nome. Em Espanha são uma instituição, já exportada para outros países. Sevilha reclama a sua invenção, explicando-se a expressão por na sua origem estar o uso de servir uma fatia de pão com presunto ou chouriço a acompanhar (sendo colocada em cima, tapando) as pequenas taças de vinho (fino, amontillado ou manzanilla) nas tascas locais.

sexta-feira, março 17, 2006

Estufa Fria, Lisboa

Há sítios na grande cidade onde nos sentimos exploradores de mundos desconhecidos. Ficamos com a impressão de que somos os primeiros a passar num local e de que fomos nós os descobridores do pormenor das folhas de uma planta exótica. E, não obstante, estamos no meio de Lisboa, num sítio de entrada controlada Os passeios são de gravilha cuidada e as plantas são cuidadosamente regadas e adubadas, para que não mirrem.
É um espaço único na capital, onde as crianças se sentem Indiana Jones e os adultos exultam, pela capacidade municipal de manter um espaço tão valioso.

A Estufa Fria fica nas franjas laterais do Parque Eduardo VII, no lado ocidental e tem fácil estacionamento. A entrada custa 1,5€ para adultos e é gratuita para crianças até aos 12 anos. O espaço está aberto das 9 às 17 horas (18 horas, no verão).

Trás-os-Montes no Inverno

No Inverno, em Trás-os-Montes, o tempo força o ritmo do calendário. Está mau tempo e por isso não se pode sair de casa. Chove, por vezes, mas o que marca mais os dias é o frio cortante, que deixa o nariz a pingar e faz deixar de sentir as orelhas. No campo, não se vive, sobrevive-se. Procura-se aguentar o menos mal possível o inverno, esperando que as primeiras andorinhas cheguem depressa.


De manhã cedo e ao entardecer a humidade transforma-se em neblina e nas zonas mais baixas, ou ao longo dos rios, formam-se densos mantos de nevoeiro, que transplantam os lugares e as pessoas para um opaco limbo sereno, onde as preocupações de cada momento terminam um palmo à frente do nariz.


segunda-feira, março 06, 2006

Panteão Nacional – Igreja de Santa Engrácia, Lisboa


A magnífica igreja (para Reynaldo dos Santos o grande monumento barroco de Lisboa) que actualmente existe é a terceira que foi construída no mesmo local, depois das duas anteriores ruírem.
A primeira pedra deste enorme templo foi lançada em 1682, impulsionada por uma irmandade de fidalgos, dos melhores do reino (a Irmandade dos Escravos do Santíssimo Sacramento) que nunca teve rendimentos próprios e por isso atravessou sérias dificuldades para ir desenvolvendo a obra. Trinta anos depois do início, morreu o arquitecto autor do projecto (um tal João Antunes) e a abóbada ainda não estava fechada, tendo as obras parado. Mais de 150 anos depois, quando as ordens e confrarias religiosas foram extintas, em 1834, a igreja ainda não estava acabada e veio a servir de depósito de material militar.


Apesar disso, a igreja veio a ser declarada Monumento Nacional, em 1910. Já na República foi decido convertê-la em Panteão Nacional. Veio a ser inaugurada, como tal, em 1966. É bem adequada a expressão vulgar “obras de santa Engrácia”, aplicável a qualquer processo desmesuradamente demorado.

À parte isso, a visita do Panteão é emocionante, pela grandiosidade e magnificência do edifício. A meio do dia, quando o sol começa a descer e atravessa as entradas de luz da fachada, a cor do interior explode em variações muito harmoniosas. Vale então a pena subir ao coro alto, para ver o conjunto. E vale também a pena continuar a subida, até ao zimbório, e daqui sair para o terraço exterior, de onde a dimensão do edifício se projecta na paisagem de Lisboa.
A entrada custa 2€, mas é gratuita para crianças. É também gratuita para todos aos domingos e feriados, durante a manhã.

Parlamento Autonómico Andaluz, Sevilla

É um óptimo exemplo de recuperação e “reciclagem” de um edifício antigo: era uma igreja abandonada, no imenso pátio de um antigo hospício barroco sevilhano, da época da prata americana. O edifício do hospital, que tinha outros nove pátios, alberga serviços da Região Autónoma da Andaluzia. O amplo espaço do templo serve de hemiciclo ao parlamento autonómico.

A igreja está hoje dessacralizada. Já não tem culto nem nada que se pareça. Mas o lindíssimo altar de madeira policromada continua lá, com representações de figuras evocativas dos evangelhos. É engraçado o pormenor de ter um enorme telão na base, que sobe quando há sessões do órgão representativo do povo. A ideia é cobrir, de forma a ocultar o altar e as suas figuras enquanto decorre a sessão. Em nome da laicidade do Estado e coisas dessas.
Recorde-se que neste órgão colectivo, o Partido Socialista Operário Espanhol ocupa 61 dos 109 lugares…

domingo, março 05, 2006

Gamla Stan, Estocolmo

A Gamla Stan, ou cidade velha de Estocolmo, está construída sobre uma ilha, separada de outras ilhas próximas por canais e braços de mar. É a zona mais antiga e castiça da cidade, com ruelas estreitas e velhos palacetes, revelando ser esta a alma de uma velha capital do mundo. O edifício que mais sobressai na ilha é o do Palácio Real (ou Kungliga Slottet), do qual se diz ter 600 salas. A família real sueca já não vive aqui, mas no pátio ainda se faz um cerimonial de render da guarda.
Além disso, a visita ao bairro, sem trânsito automóvel, com excepção para os moradores, é agradável. Aqui se encontram lojas de artesanato e antiguidades. E também muitos restaurantes com bom ambiente, onde se pode pagar em coroas suecas ou euros.

Museu Guggenheim, Bilbao

Conhecido projecto de Frank Gerry, a escultura vagamente em forma de peixe do edifício deste museu correu o mundo, como símbolo da arquitectura moderna e globalizada. É também o símbolo duma reconversão urbana, que transformou uma velha cidade estrangulada por um degradado e envelhecido passado marinheiro, numa metrópole da Europa.
Construído em vidro e aço, o edifício foi inaugurado em 1997. Marca-o o brilho das 30 mil placas de titânio que o revestem, simulando escamas de peixe.


Na praça da entrada a atracção mais chamativa é o Puppy, uma escultura viva, de plantas e flores em forma de cão, que foi criado como manifestação temporária e acabou por ficar.
O exterior do edifício é livremente visitável. A entrada, que é paga, é muito concorrida, sobretudo em alturas de férias e pode supor esperar uma hora na fila.