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sexta-feira, maio 25, 2012

Igreja Monumento de S. Francisco, Porto

  O viajante tem corrido montes e vales de países distantes, ou avenidas e vielas de cidades enormes, para encontrar e visitar aquilo a que os guias de viagem chamam “uma jóia da arquitectura…”, ou “um excelente exemplar de…”. E nem sempre lhe ocorre que há muitas destas “jóias” ou “exemplares” aqui ao pé da porta, ou numa cidade próxima, mesmo à mão para uma visita de fim de semana.
Não conseguiu evitar esta conclusão quando calhou passar, muitos anos depois da última vez, na Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, no Porto. É um monumento exuberantíssimo, que impressiona pela riqueza da talha dourada, ao melhor nível mundial. Tão deslumbrante como esta, apenas conhece o viajante a Capela Dourada, no Recife, Brasil.
Todavia, esta igreja de raiz românica, como qualquer jóia, tem que ser descoberta. Parece um enorme cristal de ametista, cinzento feiote por fora, mas muito brilhante por dentro.
Na verdade, o exterior muito discreto desta igreja, deve a sua modéstia à raiz românica, depois corrigida com o advento do gótico – o templo teve origem no século XIII e ficou pronta no século XV. Mais tarde, no decurso dos séculos XVII e XVIII, o interior foi remodelado, para acertar passo com a riqueza e exuberância que atravessava o Porto nessa época. Foi então todo o seu interior revestido com madeira trabalhada, dourada. Esta talha dourada veio a ser continuadamente enriquecida, ao longo do tempo, dando origem a um dos mais vistosos exemplares de talha dourada em Portugal.
Impressionou o viajante a imensa luz que entra pelas frestas e que reverbera no dourado das paredes e dos altares. Mas impressionou-o também a riqueza dos trabalhos escultóricos. Toda a igreja está cheia de esculturas em madeira, nem sempre dourada: há vários trabalhos riquíssimos de madeira policromada.
Talvez por isso, este discreto templo tenha sido classificado como monumento nacional em 1910, vindo depois a ser integrado no património mundial classificado pela Unesco, em 1996. O monumento está aberto todos os dias a partir das 9 horas (no verão fecha às 20 horas e no inverno às 17:30). Fica muito perto da Ribeira, no Porto, na Rua do Infante D. Henrique, logo a seguir ao Mercado Ferreira Borges e ao Palácio da Bolsa. Há estacionamento próximo e fácil.

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Recife Velho, Pernambuco, Brasil

 Modelou o viajante na sua memória as cidades do hemisfério sul, sobretudo do Novo Mundo, como imensos aglomerados de pessoas, algumas das quais trabalham em altíssimas torres de escritórios no centro e vivem em condomínios fechados, enquanto a esmagadora maioria da população vivem em bairros pobres e em favelas, que crescem nos morros próximos. Neste tipo de cidades, não tem o viajante encontrado propriamente um centro, no sentido europeu – costumam ter algumas ruas comerciais, com caríssimas lojas de marcas internacionais globalizadas, uma zona com altas torres de bancos e consultoras financeiras, por vezes, uma zona de hotéis e embaixadas. Tudo muito compartimentado e isolado, sem aparente ligação.
 Muito menos tem o viajante encontrado nestas cidades aquilo a que habitualmente se chama um centro histórico – aquela zona mais antiga e cuidada, onde terá estado a sua origem. Têm, é certo, zonas mais polarizadoras de interesse, que vão variando ao longo do tempo, com a construção de novos edifícios de escritórios, hotéis e restaurantes.
 Foi por isso uma surpresa verificar que em Recife, capital do brasileiro Estado de Pernambuco, a herança portuguesa (e - vá lá -, também alguma holandesa), deixaram na malha urbana um conjunto grande de quarteirões antigos, sucessivamente renovados e remodelados sem que ficasse prejudicada a sua traça e o ambiente de contexto. Na zona conhecida como Recife Antigo, zona mais interessante desta megacidade de 3 milhões de habitantes, implantada em ilhas que separam o mar da foz do rio Capibaribe, encontram-se edifícios dos séculos XVIII e XIX, igrejas barrocas e maneiristas e ainda fortes militares construídos para defender a cidade na época colonial.
 Merece particular visita o Forte das Cinco Pontas. A versão actual, após a reconstrução portuguesa, tem planta quadrangular e quatro bastiões em forma de ponta, mas quando os holandeses o edificaram, em 1630, durante a ocupação espanhola, teria de facto uma original forma, de estrela com cinco pontas. Foi construído para defender o Recife de ataques vindos do mar e para proteger o seu acesso ao Atlântico – começava na altura a exportação do açúcar, a grande riqueza da região.
 Algumas das suas ruas fizerem o viajante julgar estar num Portugal tropical. Foi o caso da muito fotografada Rua da Aurora ou da Rua do Bom Jesus, onde fica a antiga sinagoga Kahal Zur Israel, a primeira que foi construída na América do Sul, em 1642, período de alguma distensão e tolerância, sob domínio holandês. Não longe, fica a Igreja da Madre de Deus, construída no século XVII, em estilo por aqui conhecido como colonial e que se diria ser barroco. Ainda na zona, não pode o viajante deixar de visitar o Convento Franciscano de Santo António, que inclui a sua igreja, do século XIX e uma capela lateral, do século XVIII, conhecida como Capela Dourada (da qual já deu aqui o viajante conta), por ser folheada a ouro.
Este património religioso foi a resposta com que os portugueses do século XVII (conhecidos como Mascates) quiseram marcar a expulsão dos holandeses destas paragens, que ocorreu por essa altura.

quarta-feira, julho 22, 2009

Capela Dourada, Recife, Brasil

No centro da cidade do Recife, no bairro de Santo António, coração do Recife Antigo, fica a Capela Dourada, para a qual todos os guias turísticos apontam. Por essa razão, foi lá o viajante um pouco contrariado, temendo estar a fazer visita para cumprir calendário. Além disso, quando chegou, o aspecto exterior não convidava a entrar. Por fora, o edifício onde está a capela tem o aspecto de mais um dos muitos mosteiros barrocos do Recife, até para mais modesto. O próprio Museu de Arte Sacra que lhe está anexo é modesto (é até modesto no preço do bilhete de entrada, que custou 2 reais – mais ou menos 0,70 €). Tem apesar disso várias peças interessantes, quase todas de origem portuguesa ou do período colonial português. Mas só estas peças não mereceram o desvio.Na saída, porém, estava o viajante orgulhoso da obra que aqui deixaram os compatriotas lusos de há três séculos.

Visitou o viajante a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, que integra o Convento Franciscano de Santo António (de cujo conjunto faz parte a Capela Dourada). Achou-a o viajante interessante, de barroco final, parcialmente revestida a azulejos. Mas a surpresa estava reservada para a capela lateral desta igreja: é toda ela revestida de madeira, em talha dourada, por ser folheada a ouro. Em nichos, há pinturas e retábulos. Nos altares, imagens de santos. No fundo, aquilo que mais impressionou foi o facto de todas as superfícies das paredes e do tecto, com excepção dos lugares onde estão pinturas religiosas, é dourado.
Só esta capela já valeu a visita à grande capital do Estado de Pernanbuco!

Esta capela pretendeu espelhar a grandeza e riqueza de Pernanbuco na época dos ricos comerciantes e dos abastados produtores de açúcar. Pretendeu ser opulenta como o era a cidade do Recife no século XVII, altura da construção da capela – os trabalhos de construção duraram quase trinta anos e terminaram em 1724.

É visitável o conjunto da igreja, da Capela Dourada e dos respectivos claustros, juntamente com o Museu Franciscano de Arte Sacra (de segunda a sexta, das 9 às 11 e das 15 às 17 – ao sábado somente de manhã). Na entrada é fornecido um pequeno guia.