quinta-feira, janeiro 31, 2008

Castro de Curalha, Chaves


Os castros são das mais singulares manifestações da cultura céltica e pré-romana que ficaram no norte de Portugal. Este castro, fica nas proximidades de Curalha, freguesia rural do concelho de Chaves, a apenas um quilómetro da nova auto-estrada A24, que atravessa o centro do distrito de Vila Real e liga a Espanha. Até por isso tem uma posição privilegiada, que é coisa que já herdou dos fundadores, que escolheram para ele uma localização altaneira, num monte sobranceiro ao Rio Tâmega, a mais de 400 metros de altitude.

Aquilo que o viajante pode encontrar na visita é a ruína de um povoado fortificado, com belíssimas condições de defesa. Pensa-se que será uma fortificação pré-romana, com muitas marcas de ter sido romanizada. Ainda são visíveis vestígios de três linhas de muralhas, das quais duas ainda têm a cerca completa. Para entrar, existem cinco portas de acesso e cinco rampas.
A estrutura urbana é dividida por uma rua central, ao longo da qual existem muitos vestígios de habitações. Ao contrário de outros castros, as casas de Curalha parece terem sido quadrangulares.

Fica também o viajante a saber, por painéis informativos, que aquilo que está visível hoje em dia é o resultado de intensas campanhas de escavação e restauro, que decorreram entre 1974 e 1985 e foram dirigidas por Adolfo Magalhães, Francisco Carneiro e Adérito Freitas, arqueólogos da região e também pelo professor da Universidade do Porto J.R. dos Santos Júnior.
A visita é livre, sem qualquer restrição de dia ou hora e o acesso ao local faz-se por caminhos pavimentados, propositadamente abertos. Aquilo que o viajante mais aprecia quando passa por aqui, para além do peso do significado da história do local, é a paisagem rasgada, aberta para as serranias transmontanas do Brunheiro, do Leiranco e do Alvão.
O castro fica a sete quilómetros de Chaves

domingo, janeiro 20, 2008

Vale de Aosta, Itália

É um nome mítico do turismo de montanha. Corresponde a uma pequena região italiana, encostada aos Alpes e às fronteiras francesa e suíça. A zona é bonita, com predominância de paisagem tipicamente alpina: vales fundos e picos escarpados no horizonte. Por aqui se pode aceder ao monte Cervino, a que os suíços, de Zermatt, chamam Materhorn. É uma das mais emblemáticas montanhas dos Alpes (é bem conhecida por estar representada nas caixas de lápis Caran d’Ache e por ser o logotipo e a imagem de abertura dos filmes da Paramount). Também por aqui se pode aceder ao conhecido Parco Nazionale del Gran Paradiso.
No contexto montanhoso alpino, esta vertente sul não impressiona demasiado. Como montanhas, estas são mais secas e menos verdes que as do norte. Por outro lado, anota-se alguma desordem no território, a fazer recordar que por aqui se fala italiano. Duas coisas chamaram a atenção do viajante. Por um lado, os imensos castelos roqueiros que emergem de várias cristas eriçadas, ao longo do vale do rio Dora Báltea, de Aosta até Ivrea, onde o vale se abre e o rio se espraia na planura lombarda. São marcas de um passado feudal, de tempo anterior ao reino da Sabóia e muito anterior à unificação italiana. Por outro lado, espantou-se o viajante com a densidade e persistência de plantações de vinha, na zona média e superior do vale, ao longo das margens do rio mas também subindo um pouco na encosta. São as vinhas da Denominação de Origem Vale d’Aosta, onde predominam os brancos.

sábado, janeiro 19, 2008

Lagoa dos Salgados, Pêra, Algarve

Fica entre Armação de Pêra e Albufeira, na costa, por detrás do cordão dunar da praia. Chega-se lá a partir da ligação da velha Estrada Nacional 125 a Armação, desviando para leste, três ou quatro quilómetros. Na rotunda de Alcantarilha toma-se a direcção de Armação de Pêra; depois, junto do parque de campismo de Canelas, opta-se pela estrada que segue próximo da costa para Albufeira, na direcção dos Salgados. Meio quilómetro depois desvia-se para a Praia Grande. Até aqui circula-se sempre por estrada asfaltada mas pouco depois o asfalto dá lugar à terra, durante algumas centenas de metros.


Se o viajante fosse turista diria que, como lagoa, o sítio desilude. É um charco grande, com grande probabilidade de secar no verão, onde não se pode tomar banho nem fazer nada mais para além de ver a paisagem e observar aves. Rapidamente perceberá o turista que no local apenas se podem observar aves. Nessa altura o viajante responderá que está num local fantástico – dos melhores locais do Algarve – para observar aves. Deixe o viajante o turista no aldeamento e disponha-se a levantar-se cedo ou a ficar até perto do fim do dia. Poderá observar esta rica zona húmida, protegida do mar pelas dunas. E assistirá à alimentação dos alfaiates, dos flamingos cor-de-rosa, das galinhas de água e, com sorte, de um ou outro caimão.

domingo, janeiro 13, 2008

Salzkammergut, Áustria

A Áustria central é uma zona de transição. Fica entre as montanhas do Tirol, último bastião, para oriente, dos Alpes, e a planície de Viena, já virada para as suaves terras do Danúbio. As suas montanhas não são tão altas e agrestes como as alpinas e os seus vales não são tão abertos e espraiados como o do grande rio que em Viena, no tempo de Strauss, era azul.
A região de Salzkammergut ocupa esta zona montanhosa, entre Salzburgo e Viena. Está rodeada de montanhas e sulcada por doces vales, onde se formaram ao longo dos séculos 70 lagos. São os lagos que marcam o seu carácter e a fazem tornar num excelente destino de férias.

O viajante descobriu o Salzkammergut de carro, a melhor maneira de o fazer. Nesta região deve passear-se de carro, para poder parar-se onde apetecer. A partir de Salzburgo, a zona central dos lagos fica a menos de uma hora de viagem. As estradas, mesmo sendo de montanha, são boas e não têm demasiado trânsito. De carro foi possível chegar a locais e recantos sem outra forma de acesso. É o caso de Hallstatt, a magnífica aldeia à beira do lago do mesmo nome, onde surgiram há três mil anos as primeiras colónias de exploradores das minas de sal. É também o caso do Mondsee, lago cujas margens o realizador norte-americano Robert Wise escolheu para rodar, em 1965, o filme “Música no Coração”. Nele, a jovenzinha Julie Andrews interpretava uma preceptora enviada por uma abadia próxima para tratar das 7 crianças filhas do viúvo capitão Von Trapp. Nas margens do lago é também visitável a abadia beneditina com o mesmo nome, que aliás deu nome ao lago. A família Von Trapp está no imaginário de toda a região. Tem até uma base verídica, porque efectivamente existiu na data a que se reporta o filme (os anos da Segunda Guerra Mundial) e existe ainda.

O perfil de região de férias de montanha já vem de longa data. Em seu tempo, o Imperador Franz Joseph, que foi senhor do Império Austro-Húngaro entre 1848 e 1916, costumava vir por aqui de veraneio. Chegou até a construir um palácio para o efeito em Bad Ischil, a capital da zona. Mais que o Imperador Francisco José (como a ele se referem os livros de história portugueses…), quem costumava ficar por aqui longas temporadas era a sua bela esposa, a Imperatriz Isabel da Baviera, que o cinema imortalizou como Sissi, por intermédio de Romy Schneider.

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Castelo de Chaves

O que resta da antiga praça-forte medieval de Chaves domina a paisagem urbana da cidade. Localizada no ponto mais alto da cidadela medieval, a torre de menagem, último vestígio medieval da antiga praça-forte, residência do alcaide, era o centro militar, político e administrativo da terra. Está construída no ponto mais elevado do antigo núcleo urbano medieval, acedendo-se a ela por uma complexa malha de ruas estreitas e nem sempre muito alinhadas.
Para além dos danos provocados pela violência das vicissitudes da história militar, as muralhas de Chaves sucumbiram também perante o crescimento da cidade, sendo absorvidas pelas novas construções. Desde 1978, a torre de menagem do castelo está ocupada por um museu militar, especialmente vocacionado para a história militar local.

A história deste castelo confunde-se com a de Chaves. Sabe-se que depois da reconquista cristã a zona ficou deserta, sendo reocupada a partir de 1258. O castelo desenvolveu-se a partir de então. Veio a ser doado a D. Beatriz, filha de Nuno Alvares Pereira, quando esta se casou com D. Afonso, o filho ilegítimo de D. João I. Deste casamento resultou o nascimento do Ducado e Casa de Bragança, que neste castelo teve o seu primeiro paço.
A torre de menagem é airosa e bonita. Nas paredes tem seteiras e na fachada leste tem varandas de madeira. O topo está rodeado de merlões e ameias, tendo nos cantos pequenos balcões, semicirculares.




quinta-feira, dezembro 20, 2007

A árvore de Natal mais alta da Europa

O Porto e Bucareste, capital da Roménia, rivalizam neste Natal de 2007 na instalação da que se arroga como a maior árvore de Natal da Europa. Estarão montadas e iluminadas durante a temporada natalícia, até 7 de Janeiro.
São ambas duas estruturas metálicas iluminadas, pagas pelo banco português Millennium BCP, que na Roménia se chama Millennium Bank. Têm 76 metros de altura e pesam 280 toneladas. A iluminá-las estão mais de 2 milhões de micro-lâmpadas, 13 mil lâmpadas bolinha, apoiadas em 28 quilómetros de magueira luminosa e 500 metros de tubos de néon.
Antes do Porto e Bucareste, as árvores foram instaladas em Lisboa, onde tinha menos um metro de altura (é daqui a fotografia superior) e Varsóvia, na Polónia, onde o banco patrocinador tem também negócios.
Ambas as árvores são mais baixas que aquelas que têm, ano a ano, aumentado um pouco o seu tamanho, rivalizando pelo título de maior do mundo: as árvores de Aracajú, no Brasil, com 86 metros e do Rio de Janeiro, instalada na Lagoa Rodrigo de Freitas, com 85 metros (na sua versão original tinha 48 metros).
Em qualquer dos casos são bastante mais altas que a maior árvore natural da Europa, em Viana do Castelo: trata-se de uma araucária com 48 metros de altura, iluminada por 12 mil lâmpadas, suportadas em 2500 metros de fio eléctrico.A árvore do Porto consumiu grande quantidade de energia eléctrica. A de Bucareste, provocou quedas de tensão na zona onde está instalada, na Piata Unitti. A do Rio de Janeiro é alimentada por geradores que funcionam a biodiesel e produzirão até ao fim da temporada natalícia a energia necessária para iluminar uma cidade de média dimensão durante uma semana.

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Palatul Parlamentului, Bucareste – a última loucura do ditador

O actual edifício do Parlamento Romeno, em Bucareste é um edifício odiado. Domina a zona sul da cidade e foi construído na década de 1980, para glorificar o nome de Nicolae Ceausecu, o último dos ditadores do leste europeu a ser deposto, em Dezembro de 1989.

Para a construção deste palácio, foi necessário arrasar um sexto da cidade de Bucareste, para que no lugar das antigas casas fosse construído o Palácio e o Bulevardul Unirii, larga avenida arborizada que se pretendia que fosse rival da Avenida dos Campos Elíseos, em Paris (aliás, de propósito, tem mais 6 metros de comprimento, para que possa dizer-se que é mais extensa…). Tem mais de três quilómetros de comprimento e para a construir foram destruídas as casas de cerca de 70 mil pessoas (além de 26 igrejas, duas sinagogas e um mosteiro).
Ao edifício, Ceausescu chamou ironicamente Casa do Povo (Casa Poporului). É visitável, entre as 10 e as 16 horas.
Além deste projecto, Ceausescu alimentou um outro, igualmente megalómano: pretendeu proceder à reorganização do mundo rural romeno, destruindo massivamente aldeias, para realojar os camponeses em prédios de apartamentos padronizados.


Quartier Latin, Paris

Houve tempo, há algumas décadas, em que Paris estava na moda entre os intelectuais. E também entre os intelectuais portugueses. Liam-se autores franceses por todo o mundo, procuravam-se as novidades das editoras francesas e seguiam-se com atenção os movimentos filosóficos do quartier latin. Foi o tempo dos últimos grandes pensadores, que antecederam a era globalizada, em que já não se pensa, mas se age mais. Nesse tempo, de meados do século XX, era também moda ir a Paris, frequentar os cafés de Saint-Germain-des-Prés, na margem esquerda do Sena, onde supostamente poderiam encontrar-se vultos da intelectualidade europeia. Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir foram nomes de referência, a este propósito. Mas não os únicos. Por aqui andaram também Picasso, Hemingway ou Camus. Na igreja de Saint-Germain-des-Prés está sepultado Descartes.

Os cafés, instituições tradicionais de Paris, aliás, marcam o bairro. São tradicionalmente o ponto de encontro onde se come, bebe ou se encontram amigos.
Les Deux Magots (onde um café custa 4,2 € e uma cerveja 6 €), ou o Café de Flore ficaram para a história como ícones marcantes de uma época, pela sua clientela intelectual. São agora sobretudo procurados pelas objectivas de fotógrafos japoneses.
O Quartier Latin e o bairro de Saint-Germain-des-Prés ficam na margem esquerda do rio Sena, no centro de Paris, a dois passo da Ile de la Cité, a zona de origem histórica da cidade. São fáceis de percorrer a pé e são servidos por várias estações de Metro.

domingo, dezembro 16, 2007

Portugal no seu melhor

Por mais que o viajante gire a agulha dos destinos que vai percorrendo, mesmo vivendo num país pequeno, não encontra nunca motivos de surpresa como aqueles que vai encontrando sem sair das fronteiras. Surpreende-se o viajante com a reinvenção daquilo que julgava perdido e destinado ao anedotário dos relatos de avozinhos.
Este fotoapontamento, que se recolheu na zona da Barragem da Agueira, pretende deixar um repto: se se passar em Chamadouro, Santa Comba Dão, procure-se a Associação Cultural Desportiva e Recreativa. Pode ser que esteja para se realizar um novo torneio de sueca. Além do lanche no final do torneio, sempre garantido, e das duas chouriças para cada equipa participante, existe a esperança de ganhar duas pás de porco ou dois presuntos. Se se for ambicioso e habilidoso com as cartas, pode mesmo aspirar-se a ganhar o primeiro prémio: um porco inteiro.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Praça Vermelha, Moscovo

Este é daqueles locais que estão bem presentes na memória dos noticiários da televisão de quem tenha mais que 30 anos. As repetidas imagens a preto e branco de soldados a desfilar, seguidos por mísseis e carros de combate muito alinhados, com os comandantes muito hirtos a saudar os dignitários do velho regime soviético. Acontecia com particular ressonância por todo mundo em Novembro de cada ano, quando se comemorava a Revolução de Outubro.
As bancadas de betão onde se perfilavam os militares do regime para assistir ao desfile ainda lá estão, de um lado e de outro do mausoleu de Lenine, que continua a ser visitado por revivalistas do regime (e também por curiosos, que aproveitam a entrada gratuita). Este mausoleu esteve para ser demolido, no tempo de Boris Ieltsin e, diz-se, pode vir a fechar por falta de verba para conservar o cadáver do antigo mentor (recorde-se que após a morte de Lenine o seu corpo foi embalsamado e tem que sofrer manutenção periódica).
É visitável apenas entre as 10 e as 13, alguns dias por semana. Costuma ter fila e não se pode falar durante a visita nem tirar fotografias. No mesmo memorial estão também sepultados outros notáveis do regime soviético: Estaline, claro, mas também Yuri Gagarine, o primeiro cosmonauta soviético e Leonid Brezhnev, o último grande líder do Partido Comunista da União Soviética.
O Kremlin, também ainda aqui está, claro. E melhor que nunca: está bem restaurado e iluminado à noite. O mesmo se passa com a Catedral de São Basílio, igualmente bem preservada.
Porém, o espírito comunista perdeu-se. Em frente ao Kremlin abriu o fabuloso centro comercial GUM, com lojas de todas a marcas de roupas, sapatos e jóias que contam na Europa ocidental. Este centro comercial usa como meio promocional, na altura do natal, um ringue de patinagem, que coloca no meio da praça.
Por último, embora já fora da praça, mas mesmo em frente ao memorial dos mortos da IIª Guerra Mundial, abriu um Mc Donalds!
Lenine, se estivesse num túmulo, estava a revolver-se nele!
O viajante, por seu lado, pensa na mística da Praça Vermelha, ladeada das muralhas de tijolos avermelhados do Kremlin e recorda-se da sua origem na Idade Média, altura em que as primitivas muralhas foram construídas. E ocorre-lhe também que embora por esta praça tenham já passado vários regimes e vários governantes, a praça, ela mesma, continua lá, a atrair por si mesma milhares de visitantes por dia.


segunda-feira, novembro 19, 2007

Atomium, Bruxelas

Quando se vê pela primeira vez esta estrutura enorme, fica-se sem saber como a classificar; se é uma colossal escultura ou é antes uma originalíssima obra de arquitectura. Em todo o caso, a primeira impressão é sempre de deslumbramento, pela dimensão, pela imponência, pelo brilho metálico que o reveste. A sua forma corresponde à de uma molécula cristalizada de ferro, ampliado 165 biliões de vezes. Tem por isso 9 esferas, de 18 metros de diâmetro, unidas por 20 tubos, com comprimentos de 18 ou 23 metros, consoante os casos. Todo o conjunto é feito em aço, revestido de alumínio. Estima-se que pese 2400 toneladas. A esfera mais elevada atinge 102 metros de altura.
O Atomium foi desenhado pelo engenheiro belga André Waterkeyn para a Exposição Internacional de Bruxelas de 1958 e destinava-se a ser destruído após o seu encerramento. Porém, a popularidade que conquistou entre os 42 milhões de visitantes da Expo 58 e a sua singularidade acabaram por impedir a sua demolição. Na época, vivia-se em grande optimismo, cultivando-se a fantasia e a inovação na arquitectura. E a obra acabou por ficar. Naturalmente, sofreu grande envelhecimento, que obrigou à realização de obras de renovação, as quais decorreram entre 2003 e 2006.
Pode visitar-se o Atomium todos os dias do ano, das 10 às 18 horas. O bilhete de ingresso custa 9 € (7 € para estudantes e seniores), mas a entrada é gratuita para crianças menores de 12 anos. A visita incluiu a subida à esfera mais elevada, num elevador que, à data da sua construção, era o mais rápido da Europa, subindo cinco metros por segundo. Inclui ainda a visita a cinco outras esferas, por escadas (algumas delas – poucas –, rolantes, atravessando os tubos, a fazer lembrar o Espaço1999). Para subir, têm que galgar-se 80 degraus; para descer são 185!
O Atomium ficam em Bruxelas, na periferia noroeste da cidade. Próximo está o Estádio de Heysel. Chega-se lá de Metro, pela Linha 1A, saindo na estação de Heysel.

domingo, novembro 18, 2007

Rio de Janeiro

É incontornável. É uma referência para todo o viajante. Da cidade, disse Le Corbusier que os morros, as praias e as baías e enseadas têm uma geografia tão perfeita que nunca será superada por nenhum arquitecto. Tinha o bem conhecido arquitecto suíço em mente, senão em vista, o morro da Urca, o Corcovado e o Pão de Açúcar, enquadrados por Ipanema e por Copacabana.
O nome Rio de Janeiro foi-lhe dado por Américo Vespúcio, o florentino piloto-mor de Gonçalo Coelho, comandante da esquadra portuguesa que aqui chegou a 1 de Janeiro de 1502. Ficou como Rio porque era uma foz aquilo que os navegadores julgavam ter encontrado ao chegar à entrada da baía da Guanabara.

Desde então, o Rio passou por tudo: foi abrigo de piratas, porto de escoamento do ouro e da chegada dos escravos, magnífica cidade imperial, onde a corte metropolitana haveria de exilar-se. Foi entretanto capital do Brasil, entre 1640 e 1960, data em que o presidente Juscelino Kubischek transferiu oficialmente a capital para Brasília. Já no século XX, entre artistas de todo o mundo tornou-se moda ir ao Rio. A cidade era exuberante e descontraída. Foi a descontracção que atraiu os foragidos da justiça que aqui acorreram, em busca de sol. Tornou-se muito conhecido o caso dos criminosos de guerra nazis. Porém, o mais romântico dos exilados que aqui acabou por ser encontrado foi Ronald Biggs, o famoso inglês que assaltou o comboio-correio de Glasgow.
Rio de Janeiro é também a cidade onde vivem os mais ricos brasileiros e é, talvez, também aquela onde vivem mais pobres – e os mais pobres. Para mal de todos, a cidade tornou-se símbolo da violência desumana e indiscriminada.

Com a mente a recordar as imagens de “A cidade de Deus”, chegou o viajante ao Rio vindo de outra cidade do Brasil e a leitura das primeiras páginas dos jornais do avião revelou-lhe que só no dia anterior tinha ocorrido na cidade maravilhosa um tiroteio entre a polícia e “bandidos” que tinham acabado de assaltar vários veículos automóveis numa via rápida, um assassinato a sangue frio de um vigilante de uma loja e um assalto a todos os passageiros de um “ônibus” a caminho de uma favela, os quais ficaram despojados de tudo com excepção, nalguns casos, da roupa interior – só nalguns casos; noutros nem esta sobrou. Passeou o viajante com algum medo a sua máquina fotográfica. Acabou por perceber que a violência é sobretudo uma realidade dos morros e das chamadas vias expressas, em particular em horas mais tardias. Percebeu nessa altura porque a auto-estrada que seguiu do aeroporto para o hotel tinha muitos carros patrulha da Polícia Militar estacionados nas bermas.

Mas não foi essa a imagem que ficou. Ficou antes a fotografia de corpos cuidados, a apanhar sol em Ipanema, ao som de músicos ambulantes, que prescindem da moeda com simpatia e saúdam se o viajante lhes disser que não dá nada porque a vida está difícil. Ficou o sabor da inigualável frescura da água de coco, sorvida do próprio fruto, acabado de abrir a golpe de facalhão, na beira da praia. Ficou também a descontracção e a simpatia dos cariocas, que facilmente conversam com o vizinho de corrida, ao longo do calçadão de Copacabana como se o conhecessem de toda a vida.

segunda-feira, outubro 29, 2007

Torre Agbar, Barcelona

A silhueta urbana de Barcelona – o viajante já o sabe -, é dominada pela torres esbeltas da Sagrada Família. Porém, na última visita, o viajante foi surpreendido pela também esbelta Torre Agbar, que igualmente desponta por cima dos telhados da cidade condal e faz concorrência à inacabada catedral de Gaudí na disputa do horizonte.

Esta Torre Agbar, construída a noroeste da cidade, na Plaça de Les Glories Catalanes, no fim da Avenida Diagonal, foi desenhada por Jean Nouvel, o arquitecto francês que mais recentemente (em 2006) deu forma ao Museu Quai Branly, nas margens do Sena, em Paris – é um edifício com estrutura em vidro onde encaixam 28 cubos coloridos e se destina a alojar peças representativas das artes e civilizações de Africa, das Américas, da Ásia e da Oceânia. Em Paris, Jean Nouvel já tinha desenhado, no final do consulado do Presidente François Miterrand, o edifício do Instituto do Mundo Árabe, construído na rive gauche, próximo do Quartier Latin, em 1987.

Quanto à torre Agbar, tem 142 metros de altura e 34 andares, com estrutura de betão. Por fora, é flamejante, por ter revestimento de alumínio lacado e de placas de vidro colorido, que vão variando na tonalidade, produzindo uma multitude de efeitos ópticos. Tem o formato de uma bala, pretendendo evocar os píncaros rochedos de Montserrat, na Catalunha Central. Vê-se de toda a cidade. Está ocupada por escritórios. À noite está iluminada.

sábado, outubro 27, 2007

O porto de Marselha, França

O viajante chegou a Marselha com a memória dos livros do Asterix. Naquele tempo, a Massilia era uma cidade romana, virada para o mar. Já nessa altura ,a velha Massalia fundada pelos fenícios tinha o estatuto do maior porto do Mediterrâneo ocidental. Mais tarde, no fim do século XVI, os comerciantes da cidade criaram aqui a primeira Câmara de Comércio de França. Marselha sempre foi no passado uma cidade de comerciantes. E ainda hoje é.
Não é de estranhar por isso que o ponto nevrálgico da cidade seja “Le Vieux Port”, uma embocadura de mar que entra pela cidade, formando um enclave natural óptimo para o estabelecimento de um porto de mar fácil e atractivo para os comerciantes.
Hoje em dia o local parece mais uma supermarina. E na verdade, o porto velho é isso mesmo: uma marina rodeada de bares e hotéis, que constitui um oásis numa cidade dividida pelos conflitos étnicos, sobretudo nos bairros dominados por população magrebina. De um lado e do outro, fortalezas de origem medieval dão romantismo ao sítio.

Marselha tem voo directo de Lisboa, pela TAP, em aviões da Portugália, que antes assegurava a linha. O voo tem a duração de duas horas e percorre, no troço final, a costa mediterrânica francesa, sobrevoando o delta do Ródano. O aeroporto fica a 28 quilómetros da cidade, mas tem ligação, por autocarro rápido, ao centro da cidade.

quarta-feira, outubro 10, 2007

Oslo, uma capital tranquila

A Noruega é um país tranquilo, onde a população vive confortavelmente, com segurança e liberdade. Os seus habitantes são até conhecidos por serem pouco expressivos e não manifestarem os seus sentimentos e emoções. Vivem pacatamente instalados num país rico e moderno, financiado pelas jazidas petrolíferas do Mar do Norte.
Oslo é uma cidade de fusão, onde o passado guerreiro viking se cruza com imponentes manifestações de arte e arquitectura moderna, sobretudo na renovada orla costeira. A sua localização é estupenda, entre bosques de coníferas e plácidas águas do fiorde. A cidade é pequena e pouco movimentada. O trânsito, fácil e fluído, deixa uma certa impressão provinciana.
A partir do molhe Aker Brygge, a zona mais moderna e in da cidade, o viajante terá que passar pelo moderno e austero edifício da Câmara Municipal, construído em 1950 para comemorar os 900 anos da fundação da cidade. Depois, deverá percorrer a Karl Johans Gate, a única verdadeira grande avenida de Oslo, com um jardim a separar as duas faixas de trânsito. No topo, visitará o viajante o Palácio Real de Oslo, sóbrio e elegante edifício neoclássico, na parte mais alta de um parque arborizado. Ao fundo, verá o edifício do Parlamento Nacional Norueguês.

A capital da Noruega é uma cidade cara, onde tudo custa muito dinheiro. Os hotéis não são muitos e os restaurantes menos. Há algumas cervejarias onde se bebe bastante, sobretudo ao fim de semana. A solução de sobrevivência mais fácil e barata é recorrer às lojas de conveniência.
O aeroporto fica a quase uma hora da cidade, em autocarros directos, que atravessam o centro da cidade. Tem ligações a Lisboa, algumas das quais directas, embora na maior parte das vezes seja necessário fazer escala em Copenhaga.

terça-feira, setembro 25, 2007

Itapuã, Bahia, Brasil

O viajante chegou a Itapuã ao anoitecer e foi embora de manhãzinha cedo. Não teve por isso oportunidade de passar uma tarde em Itapuã, ao sol que arde em Itapuã, ouvindo o mar de Itapuã, falar de amor em Itapuã, como na velha canção de Vinicius, cantada por Toquinho e Djaban. Sentiu o arrepio do vento que a noite traz e o diz-que-diz-que macio que brota dos coqueirais, a banhar um mar que não tem tamanho e um arco-íris no ar.

O tempo estava incerto, a chamar o pau, a pedra, e o fim do caminho, um pouco sozinho. Com a inspiração de Tom Jobim, eram as águas de Março fechando o verão. Eram as promessas de vida no teu coração.

Itapuã fica uma dezana de quilómetros a norte de Salvador, no Estado da Bahia, na direcção do Aeroporto Internacional. A partir do centro da cidade, de taxi, é fácil chegar. A oferta hoteleira não é muito abundante, mas pode socorrer-se sempre o viajante da oferta de Salvador, rica e variada.

domingo, setembro 23, 2007

Vale de Chamonix, Alpes Franceses

É um clássico vale glaciário, em forma de U, como muitos outros desta região da Savoy, a que os portugueses se habituaram a chamar Sabóia. A paisagem do vale é feita de montanhas altas, de cenário espectacular. Há glaciares, alguns com vários quilómetros de comprimento. No horizonte, picos gelados e agulhas escarpadas, rodeando o Monte Branco, o mais alto do vale, a 3800 acima dele. No inverno esquia-se, no verão há imensas actividades de ar livre. Sobretudo caminhadas pelos vários trilhos marcados. Durante todo o ano funcionam as subidas mecânicas para os picos das montanhas vizinhas.

No lado oriental do vale há um conjunto alinhado de agulhas e glaciares que culminam a 4808 metros de altitude, no Monte Branco. Do lado ocidental o vale é delimitado por um maciço rochoso, menos nevado que o outro e mais apto a caminhadas de tempo quente. É a cadeia das Aiguilles Rouges, actualmente reserva natural, cujo pico mais alto é o Le Brevént, com 2525 metros de altitude. Este é um dos melhores miradouros do vale, com panorama para o Monte Branco a leste e ainda melhores vistas para oeste e para sul.
O vale de Chamonix é um dos mais emblemáticos dos Alpes franceses. Fica próximo da fronteira da Suíça e tem como melhor acesso o aeroporto de Genebra.


sábado, setembro 22, 2007

Teatro Alla Scala, Milão

O nome é bem conhecido dos que seguem os grandes recitais. O Teatro alla Scala, conhecido tradicionalmente em português como o Scala de Milão, é um templo internacional da música clássica. É talvez, o grande herdeiro da tradição lírica italiana. Foi construído no século XVIII e fica na Piazza della Scala, a dois passos do Duomo, a elegantíssima catedral da capital italiana da moda. Separa os dois edifícios a Galleria Vittorio Emanuele II, o mais antigo centro comercial do mundo.

Ao viajante não causou tanta emoção ver a linha austera de teatro clássico como vem impressionando, desde há muitos anos, o peso do nome e da história do local. Como registo de viagem, fica a nota, evocando, in memoriam, Luciano Pavarotti (1935-2007), o tenor que quis um dia ser guarda-redes numa equipa de futebol, falecido em Modena, que era também a sua cidade natal, a 6 de Setembro.