quinta-feira, agosto 09, 2007

Calçada do Gigante, Irlanda do Norte

É difícil de acreditar que uma obra deste tipo não tenha sido feita por mão humana. São estes os sítios que nos obrigam a concluir que a capacidade criadora da natureza supera toda a imaginação. Na versão lendária, o mítico gigante Finn MacCumhaill, habitante da costa do condado de Antrim, querendo atravessar o estreito que separa a Irlanda da Escócia, para se encontrar com a sua amada, teve que construir uma calçada através do mar. De facto, a Calçada do Gigante abre-se da falésia para o mar, no qual entra por uma ou duas centenas de metros.
Segundo a geologia, há 60 milhões de anos, uma explosão submarina, porventura vulcânica, expeliu para a superfície da crosta terrestre uma grande massa de basalto que, pela elevada temperatura, estava líquido. Ao chocar com a água fresca do mar da Irlanda, o basalto arrefeceu lentamente, solidificando-se. Este processo levou à sua contracção e, consequentemente, à abertura de imensas fracturas na mole mineral. Ao contrário do que acontece com a terra em zonas desérticas, que quando seca abre fissuras desordenadas, o basalto arrefece e contrai-se, solidificando, dando origem a formas hexagonais que se prolongam para a profundidade em prismas. Desta forma, na vertical dá origem a colunas.
A Calçada do Gigante reúne cerca de 37 mil colunas hexagonais, de basalto escuro, oxidadas por efeito da água do mar. O local é património da Humanidade desde 1987.

A zona está vedada e o acesso apenas pode ser feito por uma única entrada. Está aberta todos os dias, das 10 às 17 horas (no Inverno fecha meia hora mais cedo). O espaço é gerido pelo National Trust e a entrada é paga. Do parque de estacionamento há que percorrer 800 metros para encontrar, junto da praia, a calçada. O passeio é fácil e muito bonito. Em alternativa, há serviço de mini autocarros, para idosos e deficientes. Apesar de o local ser visitado todos os anos por meio milhão de turistas, não se sente o peso da multidão, pela extensão do sítio.
A Calçada do Gigante fica a duas horas, de carro, a norte de Belfast, na Irlanda do Norte. Chega-se, passando por Coleraine e Portrush, na direcção de Bushmills (sim, a localidade da mais antiga destilaria de whisky do mundo, que é também a povoação mais próxima, a dois quilómetros).

quarta-feira, agosto 08, 2007

O novo Reichtag, Berlim

O Reichtag de Berlim, edifício do parlamento, nasceu associado ao poder imperial alemão. O edifício pretendeu chamar para a cidade a efectiva capitalidade do império, proclamado em 1871. O original edifício do Reichstag, na Platz der Republik, foi construído no fim do século XIX, em estilo renascentista italiano. Serviu de sede ao parlamento da República de Weimar e foi praticamente destruindo num incêndio, sabidamente provocado pelo nazis em 1933. O seu interior ficou muito danificado. Posteriormente, as suas ruínas ainda sofreram danos adicionais danificado durante a Segunda Guerra Mundial.

Este passado atribulado tornou-o num dos emblemas da nova Alemanha reunificada, resultante da queda do Muro de Berlim, em1989. Foi escolhido para alojar o novo parlamento federal, nesta cidade que voltou a ser capital nacional em 1990.
Mas o edifício só ganhou nova forma e vida após 1994. Foi reconstruído de acordo com um projecto de intervenção do britânico Sir Norman Foster. Veio a reabrir em 1999, como sede do novo parlamento federal alemão. A nova cúpula de vidro, moderno ícone do edifício, aberta para o vazio celeste, é visitável, mas em alturas de férias, sobretudo no verão, há uma grande afluência e filas imensas.

terça-feira, agosto 07, 2007

Casa Dali, Port Lligat, Espanha

Num lugar de difícil acesso da província de Girona, Espanha, fica a Cala de Port Lligat. É uma típica baía de águas calmas da Costa Brava. Tornou-se conhecida a partir de 1930, altura em que Salvador Dali e a sua mulher Gala começaram a comprar antigas casas de pescadores, para ali se instalarem.
Gradualmente, foram comprando várias pequenas casas, mesmo junto ao mar, que vieram a formar um complexo labiríntico de velhos edifícios que Dali e Gala foram decorando, ao longo de mais de quarenta anos, sobretudo com objectos criados pelo próprio pintor. Salvador Dali e Gala viveram aqui até que esta última morreu, em 1982.Actualmente o local abriu como museu, a cargo Fundação Gala-Salvador Dali, sendo possível visitar o estúdio do pintor, a biblioteca, os quartos e o jardim. A visita é cronometrada e por isso o fluxo de visitantes é pequeno. Por isso, no verão é imprescindível reservar previamente a visita (em regra, quem chega à bilheteira não consegue marcar a entrada senão para dois ou três dias depois…).

A entrada custa 8 €. O local está aberto de 15 de Março a 14 de Junho e de 16 de Setembro a 6 de Janeiro, das 10:30 às 18 horas. De 15 de Junho a 15 de Setembro, abre das 10:30 às 21 horas.

segunda-feira, agosto 06, 2007

Parador de Bielsa, Pirineus.

O sítio é fantástico: está no meio dos Pirinéus, rodeado por um circo montanhoso, de picos de três mil e mais metros. Por outro lado, os paradores, não oferecem dúvidas: são dos mais confortáveis e requintados locais onde se pode ficar em Espanha.
Este, será uma excelente base para expedições de montanha. Mas também pode ser apenas uma paragem num qualquer percurso rodoviário por estas paragens dos Pirinéus espanhóis. Tem uma óptima esplanada para refeições ligeiras no verão e várias salas, revestidas a madeira que serão muito confortáveis no Inverno.

Este parador fica na zona de Bielsa e aparece nos guias como Parador de Ordesa (é contactável no Valle de Pineta, 22350 Huesca - telefone 974.501.011)

sexta-feira, julho 27, 2007

Museu Municipal de Arqueologia de Silves

Quem vai de férias para o Algarve, em regra, não procura erudição nem está à espera de encontrar grandes museus. Por isso, é agradavelmente surpreendente a visita ao Museu Municipal de Arqueologia de Silves. É um pequeno museu, de visita fácil e rápida, que recolhe peças arqueológicas encontradas na região, procurando ilustrar a passagem por aqui dos períodos mais marcantes da história.
Na sala de entrada reúnem-se peças da pré-história, do Paleolítico à Idade do Bronze. Podem ainda ver-se achados da Idade do Ferro e do período romano. Noutra vertente, o museu reúne algumas peças referentes à reconquista cristã de Silves, por D. Sancho I (1189) e por D. Afonso III (1242). Porém, o espólio mais interessante é o respeitante ao período muçulmano. Recorde-se que Silves foi muçulmana desde 713, tendo integrado o Emirato e depois o Califado de Córdova. Foi sede do Reino Taifa de Silves e mais tarde foi ocupada pelos almorávidas e depois pelos almóadas.

A peça central do museu é um original poço circular, construído em grés de Silves, com perto de duas dezenas de metros de profundidade. Destinava-se a armazenar e a abastecer de água potável. Terá sido construído entre os séculos XII e XIII e tem a particularidade de ter em volta uma escada circular que desce quase até ao seu fundo. Está muito bem preservado e, só ele, vale a visita.

O museu abriu ao público no início da década de 1990. Está aberto todos os dias, com excepção dos domingos e feriados, das 9 às 18 horas. A entrada custa 1,5€, sendo gratuita para crianças, estudantes, professores e reformados. Fica na entrada do recinto amuralhado da cidade, a dois passos da Câmara Municipal. Não é fácil estacionar por aqui, sobretudo no verão.

terça-feira, julho 17, 2007

Consulado de Portugal em Sevilha


Por decisão do Ministério dos Negócios Estrangeiros, espera-se para breve o encerramento do Consulado Português em Sevilha. A questão não se reconduz a uma mera decisão política, com consequências na vida das populações. É que o consulado de Sevilha é uma referência da presença portuguesa no exterior, pela cidade onde se localiza, pela história do edifício e pelo seu estilo arquitectónico.
O edifício do consulado foi construído para servir de pavilhão de Portugal na Exposição de Sevilha de 1929. Integrou-se no enorme plano de rearranjo urbanístico da cidade que então foi feito. E permaneceu, desde então, com a função de representar Portugal em terras da Andaluzia. Foi obra do arquitecto português Guilherme Rebelo de Andrade e evidencia uma traça claramente nacionalista.

O consulado fica localizado em frente do monumental edifício da antiga Fábrica do Tabaco, que agora é a Faculdade de Direito da Universidade de Sevilha, a dois passos do célebre Hotel Alfonso XIII.

domingo, dezembro 24, 2006

O Natal em Estrasburgo

Os mercados de Natal são uma tradição germânica, expandida por todo o centro da Europa. No mês que antecede o Natal, nas ruas das cidades mais importantes, organizam-se mercados, especificamente virados para produtos sazonais, embora também se vendam outras coisas. Em França são também realizados mercados de Natal nalgumas cidades (em particular em Paris), mas o mais notável deles é o de Estrasburgo.
Podem comprar-se produtos de Natal e muito artesanato. Duas coisas em particular, devem provar-se: o vin chaud (preparado e vendido nas barracas do mercado, em geral com vinho da Borgonha, laranja e especiarias, sendo aquecido ao ar livre e servido quente) e os bolinhos de Natal, com gengibre, em forma de figuras natalícias.

O Mercado de Natal de Estrasburgo costuma realizar-se na Praça Broglie e na Praça da Catedral, no centro (e zona antiga) da cidade.

segunda-feira, novembro 06, 2006

As bicicletas na Holanda

Como meio de transporte, sabe-se que a bicicleta é o mais comum nos países baixos. Não o é só na Holanda. Esta particularidade estende-se a todos os países do centro e do norte da Europa, onde as estradas são planas. Ou ao menos não tem grandes subidas. E, claro, o clima é fresco e os calores da metade quente do ano não sacrificam quem pedala.
Não obstante, foi na Holanda que a bicicleta se converteu num ícone nacional. Talvez porque aqui as há em maior número. Ou talvez porque o relevo (será apropriado chamar-lhe assim?) favorece verdadeiramente esta forma de locomoção. É à Holanda que associamos a senhora elegantemente vestida que vai para o seu escritório de bicicleta, ou o estudante que leva presa no guiador a sua mochila, ou a avozinha que transposta no cesto as suas compras. É também da Holanda que se diz ser mais interessante de visitar indo-se de bicicleta.

Talvez só se consiga perceber esta idiossincrasia holandesa quando se sai de uma estação de comboios e se depara com o parque de estacionamento especial para velocípedes. As imagens que ilustram esta anotação são da estação central da Haia.
As estações de comboios são, por sinal, locais privilegiados para alugar bicicletas.

domingo, novembro 05, 2006

The Nuremore Hotel, Carrickmacross, Irlanda

O edifício é discreto e não se dá por ele. Baixo, revela preocupação com a sua inserção no ambiente campestre. O jardim, está primorosamente cuidado, abrindo a passagem para o campo de golfe, aberto e arborizado. O ambiente é pacífico e tranquilizador. Em toda a volta o campo é ondulado, com pequenas colinas. O hotel fica no meio de verde e pouco mais: lagos, o campo de golfe, coelhos e patos.

The Nuremore Hotel fica em Carricmacross, no condado de Monaghan, na Irlanda. Fica a cerca de uma hora de Dublin. O percurso inclui, no início, próximo da capital, estradas nacionais, de trânsito fácil e rápido. A última metade é feita por vias pouco mais que rurais, muito estreitas e sinuosas.
(The Nuremore Hotel & Country Club, Carrickmacross, Co. Monaghan, Republica da Irlanda, telefone +353.42.966.14.38).

quinta-feira, novembro 02, 2006

Giralda, Sevilha

A Giralda é o ícone mais conhecido da cidade e é também o emblema da catedral de Sevilha. E, no entanto, já existia quando esta última começou a ser construída. Ficou como um dos últimos vestígios da antiga mesquita almóada de dezassete naves que aqui existia (o outro que resta é o conhecido Patio de los Naranjos), ao lado da actual catedral. A Giralda tem 97 metros, sendo assim o edifício histórico mais alto da cidade.

Actualmente, desde o século XV, serve de campanário da catedral. No seu topo, que é mais recente que a sua base, foi colocada uma estátua representativa da fé católica, com um estandarte. Este, o estandarte, gira ao sabor do vento, servindo como catavento. Serve portanto, em castelhano, como giraldillo. Foi esta, aliás, a origem do nome da torre.
A visita da torre é paga e, nas épocas de férias, costuma ter muita afluência de turistas.

sexta-feira, outubro 27, 2006

Trier e Karl Marx

Normalmente, o nome de Karl Marx não suscita indiferença.
Houve quem o venerasse. Há ainda quem o recorde com respeito. Outros, no passado, combateram frontalmente as suas construções teóricas e o que delas resultou.
Após a decadência (mesmo falência) do seu modelo sócio-político, Marx viu reduzido o seu estatuto e passou a ser apenas mais um dos muitos vultos da história de que se ouve falar no ensino secundário e a quem se dedicam casas museus que poucos visitam. A de Marx fica na sua cidade natal de Trier, no Estado alemão da Renânia onde, diz-se, era conhecido como grande apreciador do riesling produzido na região.

A Casa Karl Marx é, anote-se, gerida pela poderosa Friedrich-Ebert Stiftung, como bem se sabe ligada ao Partido Social Democrata da Alemanha.
O cronista destas linhas não visitou a Casa Museu, porque já tinha fechado. Foi pena, porque seria interessante ver como o actual poder político alemão interpreta o fundador do marxismo, quase duas décadas após a decadência e queda dos regimes políticos e governativos que inspirou.
Ficou porém o cronista a saber que a rua a que Marx deu nome, na sua cidade, foi a escolhida para nela se instalarem os bares de prostitutas, as sex-shop e outros estabelecimentos similares.

A Karl Marx Haus está na Brückenstrasse, 10, em Trier, Alemanha.Está aberta todos os dias das 10 às 18 horas.

terça-feira, outubro 03, 2006

Rómulo e Remo, Roma

A peça originária, do século V a. C., está num dos museus do Capitólio (Campidoglio), em Roma. Mas a mística dos personagens representados leva-os, em cópia, a vários locais da cidade.
A lenda é de todos conhecida desde os primeiros anos do liceu: dois gémeos, Rómulo e Remo, foram abandonados nas margens do rio Tibre (ou Tevere), na planuras do Lácio; terão sido amamentados por uma loba, que assim os salvou da morte. Anos mais tarde vieram a fundar a cidade de Roma, naquele local.
Supõe-se que a estátua original, em bronze, será etrusca. Sabe-se actualmente que os dois meninos foram acrescentados no início do Renascimento.
A reprodução fotografada acima pode ver-se na via de descida do Capitólio para o Foro Romano.

segunda-feira, setembro 25, 2006

Aeroporto de Prishtina, Kosovo


A um país, que ainda não é independente e que acabou de passar por uma bárbara guerra étnica, durante a qual vizinhos mataram vizinhos e antigos amigos queimaram casas de antigos amigos e mesquitas e igrejas, não se pode pedir muito. No Kosovo, as feridas da guerra ainda estão abertas e a reconstrução do país atrasa-se, em boa parte por isso.

O único aeroporto de acesso ao país foi destruído na guerra. Os sapadores e engenheiros britânicos da mítica Royal Air Force reconstruíram as pistas, de forma a que ficasse operacional. O resto, tem sido feito pela incipiente administração provisória local.
E nem tão mal, tendo em conta o contexto.


Há voos regulares, quase diários, de Prishtina para Viena (na Austrian Airlines), para Ljubliana (na Adria Airways) e para Budapeste (na Malev). Além destes, há dois ou três voos semanais para Zurique e para várias cidades alemãs, operados por micro companhias, suíças e germânicas.
A única forma viável de ir do aeroporto para a cidade é o taxi. Costuma haver quatro ou cinco taxis parados no aeroporto, na hora de chegada de cada um da meia dúzia de voos que o aeroporto recebe por dia. A viagem, se negociada previamente com o motorista, com o taxímetro desligado, custará 20 € e durará meia hora. Não valerá a pena pedir recibo, claro.

sábado, agosto 19, 2006

Vinhos do Condado de Huelva, Espanha


Bollullos del Condado, cidade a meio caminho entre Huelva e Sevilha, é o centro de uma antiquíssima região produtora de vinhos – há registo de que teriam muita fama no século XIV. Porém, a partir do século XVII o sucesso decaiu, com a expansão mundial dos vinhos de Jerez, muito mais sofisticados. Com a crise aqui e a expansão dos vinhos vizinhos, a produção do Condado passou a ser vendida para fazer Jerez. E nunca mais recuperou a sua identidade específica.
Actualmente existe uma Denominação de Origem Condado de Huelva. As vinhas da região estão quase todas localizadas em zonas planas e muito baixas. Apesar de não estarem demasiado próximas do mar, boa parte dos solos é constituído por areias. O clima é aqui caracterizado por verões muito quentes e secos (com frequência as temperaturas ultrapassam os 40 graus, no verão).
Em geral, os vinhos que se produzem são compostos por zalema, uma casta branca fresca e muito frutada, que dá origem ao Vino Dulce, que se vende ao litro nas casas de comidas. Também se produz Pedro Ximenez, muito mais pastoso e concentrado. E, claro, há blends, a que por aqui se chama Mistela (!). Em qualquer dos casos, a granel, este vinho é normalmente muito barato (o preço de referência será 2 € por litro e o vendedor oferece o garrafãozito de plástico). Propicia, ele mesmo, geladinho, uma excelente sobremesa de verão.
Esta é, talvez, a única anotação que vale a pena reter desta velha senhora cidade andaluza produtora de vinho.


quarta-feira, agosto 16, 2006

Castelo de São João do Arade, Ferragudo, Algarve

Fica junto da praia, na boca do rio Arade, em frente a Portimão. Terá tido origem no século XV, embora o seu perfil romanesco seja o resultado de obras de adaptação a palacete residencial, no início do século XX. Para trás ficaram obras de fortificação militar, sobretudo dos séculos XVII e XVIII.
Diz-se que é propriedade de um empresário de Lisboa, que o tem andado a recuperar. Comparado o seu estado com o de há meia dúzia de anos, nota-se-lhe a beneficiação.
Lamentavelmente, não tem visitas.

sexta-feira, julho 14, 2006

Barcelona, Junho de 2006


Não, não são lamentáveis erros de grafia nem é ignorância presunçosa.
É a fotografia de uma livraria de Barcelona, onde fazem questão de falar e escrever em catalão. Correcto, dizem entendidos.

terça-feira, julho 04, 2006

O centro histórico de Varsóvia


Varsóvia foi uma das cidades mais martirizadas pelos horrores da IIª Guerra Mundial. A desgraça maior aconteceu em 1944, quando a heróica população polaca se sublevou, desafiando a ocupação dos nazis que, em resposta, pura e simplesmente arrasaram a cidade.
Por isso, o que resta do tempo anterior à guerra são apenas ruínas. Ou então meticulosas reconstruções dos edifícios originais. É o que acontece com a Praça do Castelo, centro principal de acolhimento de turistas, de visita à cidade antiga (imagem acima), onde se destaca o "castelo", pintado em cores avermelhadas.


A cidade antiga é uma rede bem organizada de ruas, encaixadas numa cintura de muralhas de tijolos, do século XVI, bem visível, embora arruinada. Todas as ruas da cidade antiga convergem na Praça do Mercado, coração do bairro desde que foi construída na sua versão original, no início do século XV (imagem em baixo).
A zona está muito bem conservada, o que não admira, porque foi toda ela reconstruída nos últimos 60 anos, pedra sobre pedra, como é explicado aos turistas, utilizando como referência fotografias e gravuras antigas.

quinta-feira, junho 08, 2006

Varna, Bulgária


As cidades do sul da Europa costumam ser vivas e movimentadas. E Varna não foge à regra. Porém, o conceito de cidade de férias foi adaptado aos despojos do velho leste europeu. É uma cidade suja e desordenada. As suas avenidas não são muito amplas e o trânsito é pouco intenso. Pelas ruas há centenas de bancas de venda de produtos falsificados: óculos italianos por 10 lev (5 euros), t-shirts do Cristiano Ronaldo por 15 ou perfumes de marcas internacionais por 20 (mas na compra de 2 oferecem o terceiro).

Em visita, vale a pena respirar o ar da cidade e ver dois ou três museus que sobraram do período soviético (sobretudo o Museu de Arqueologia – e em particular as peças encontradas na Trácia). Além disso, apenas vale a pena deter-se na Igreja da Assunção da Virgem, a maior de Varna, construída no fim do século XIX).

Varna é a terceira cidade da Bulgária, em tamanho (tem um pouco mais de 300 mil habitantes). Tem um voo por dia, a partir de Sófia, e meia dúzia de outros, a partir da Áustria e de várias cidades da antiga Alemanha de leste (80 por cento dos turistas que passam por aqui são originários da antiga RDA, vá lá saber-se porquê…).
Na estâncias balneares da costa há muitos hotéis, maioritariamente do período soviético, onde é possível fazer férias baratas, embora modestas.

segunda-feira, abril 24, 2006

Munique


A capital da Baviera é uma das maiores cidades da moderna Alemanha unificada.
Fica a sul, muito a sul, já próximo da Áustria e a devastadora destruição da última guerra mundial, não a esmagou tanto. Por isso, tem um centro histórico um pouquito menos pobre que o das outras grandes cidades alemãs.
Durante muito anos, uma das grandes atracções da cidade foi o Estádio dos Jogos Olímpicos de 1972, palco da primeiro grande acto do violento terrorismo moderno. Agora, foi reformado, com a chegada do Campeonato do Mundial de Futebol de 2006.
No século XXI, a cidade preferiria ser conhecida pelas colecções de arte dos seus museus e pelas suas manifestações de arte, sobretudo a música, o teatro e o bailado.
Porém, incontornavelmente, Munique é sobretudo sinónimo das canecas de cerveja de um litro, que aos milhões se bebem na Festa de Outubro. Não será fácil passar nessa altura do calendário pela cidade. Porém, em qualquer outra altura do ano é interessante beber uma caneca ao fim da tarde numa das enormes cervejarias tradicionais da cidade (a Hofbrau ou a Paulaner). Costuma haver música típica ao vivo (aqueles calções tiroleses e os chapéus com penas…) e comida ligeira. A

sábado, abril 22, 2006

Mosteiro de São Vicente de Fora, Lisboa

E tudo começou com um par de corvos, porventura abundantes nos campos ingleses, mas estranhos nos habitats de Lisboa. São Vicente morreu em Valência (a do arroz à valenciana), no século IV A.C., portanto ainda no tempo do Império Romano. Só no século XII os seus restos (concerteza em estado deplorável), foram transportados para Lisboa, num barco onde viajaram, simbolicamente, dois corvos que – evidentemente - não sabiam que iriam ser um dos grandes ícones de Lisboa. O actual mosteiro começou a ser construído no século XVI e foi inaugurado em 1629.

Além da igreja, são visitáveis os claustros e os panteões da Casa de Bragança e dos patriarcas. É imperdível a sacristia, fantasticamente decorada com revestimento de mármores policromos embutidos. Das torres, a vista é imensa.
O mosteiro de São Vicente de Fora é um daqueles gigantes adormecidos, que poucos conhecem, mas que valem a pena. Está aberto de terça-feira a domingo, das 10 às 18 horas. O bilhete custa 4 euros, para adultos.

quinta-feira, abril 20, 2006

O novo aeroporto de Madrid

Em Fevereiro último abriu ao serviço o novo terminal 4 do Aeroporto de Madrid. Reclamam, as autoridades, que será mais ágil e moderno, permitirá servir mais destinos e ter mais frequência de voos. O aeroporto ficou agora dotado de mais pistas, novos acessos por estrada e muitos serviços adicionais. A par disso, o edifício é vanguardista com desenho moderno e muita tecnologia incorporada.


Não obstante, enquanto ponto de passagem de passageiros, tornou-se num edifício descomunal, desumanizado e com percursos longuíssimos para fazer entre avião e avião (o percurso entre duas portas pode chegar a demorar, dentro do mesmo terminal, meia hora). É um monumento ao passado imperial espanhol. Nada é perfeito.

segunda-feira, abril 17, 2006

Hotel Vintage House, Douro Superior

O charme é o de um velho hotel inglês do countryside. Mas a amabilidade dos empregados, essa não podia ser mais transmontana. Deguste-se o vinho do Porto, na mesa da recepção e as laranjas. Valerá a pena beber um copo na biblioteca/bar e jogar uma partidinha na sala de bilhar. Ao levantar, há que disfrutar do pequeno almoço rico e do ambiente calmo, by the river.
O hotel tem restaurante próprio, com ementa cuidada e piscina. A loja de vinhos está bem guarnecida, mas tem preços um pouco expandidos.


Mesmo na época baixa, os preços por quarto duplo serão sempre superiores a 100 €. O hotel fica na vila do Pinhão, concelho de Alijó, nas margens do Rio Douro (telefone 254.730.230), a cerca de 4 horas de viagem de Lisboa (via IP 3 – Viseu) e a cerca de 2 horas do Porto (via IP 4 – Vila Real, Régua).


domingo, abril 16, 2006

A Semana Santa de Sevilha

As fotografias não são da Semana Santa, mas podiam ser. Sevilha tem festas santas durante todo o ano. Há centenas de igrejas e dezenas de confrarias religiosas, cada uma com o seu padroeiro e dia de festa. E rivalizam na dimensão das suas procissões pelas ruas do seu bairro.

quinta-feira, abril 13, 2006

Exército Chinês do Imperador Qin

Em 1974, perto de cidade de Xiuan, na China central, agricultores que escavavam um poço descobriram acidentalmente o maior monumento funerário do mundo: uma cidade inteira, construída em terracota, reproduzindo as riquezas e exércitos do cruel e poderoso Imperador Qin Shi Huang.
Esta cidade, construída no século III antes de Cristo, foi depois enterrada, conjuntamente com o imperador, que acreditava ser imortal e, portanto, queria ter onde viver após a morte, devendo esse sítio ser o mais parecido possível com o sítio onde viveu.
No sítio foi construído o Museu dos Guerreiros de Terracota, cobrindo cerca de 25 quilómetros quadrados e albergando cerca de seis mil soldados, todos diferentes uns dos outros. Apesar de terem mais de 2000 anos, a maioria deles está em perfeito estado de conservação.

Uma exposição itinerante tem percorrido a Europa, mostrando mil do total das cerca de 7000 peças exemplares de guerreiros, cavalos, carros e armas.
Estas fotografias foram tiradas em Berlim.

terça-feira, abril 11, 2006

Tapas

Não se sabe bem qual a origem das tapas nem do seu nome. Em Espanha são uma instituição, já exportada para outros países. Sevilha reclama a sua invenção, explicando-se a expressão por na sua origem estar o uso de servir uma fatia de pão com presunto ou chouriço a acompanhar (sendo colocada em cima, tapando) as pequenas taças de vinho (fino, amontillado ou manzanilla) nas tascas locais.