sexta-feira, setembro 14, 2007

Copacabana

O nome desta praia brasileira é mítico para qualquer viajante que se orgulhe de o ser. Invocado, nada mais é necessário adiantar para se saber que se fala de uma das referências de destino planetário de eleição.
O que actualmente é um ícone começou por ser uma longa e branca praia deserta, de águas paradas e quentes, nos arredores da antiga cidade história do Rio de Janeiro. No início do século XX, a rica burguesia do Rio, à época capital federal, escolheu estes quase cinco quilómetros de paraíso para instalar as suas casas de lazer e veraneio. Quando o clima e a placidez do local o puseram na moda, surgiram os hotéis, onde se hospedavam estrangeiros ricos. É desse tempo a construção do velho mas muito actual e charmoso Hotel Copacabana Palace, ainda hoje símbolo de glamour e sofisticação.

Actualmente já não há vestígios dos chalés do início do século passado: toda a faixa costeira está plantada de hotéis e de arranha-céus onde vivem ricos e famosos – Óscar Niemeyer, por exemplo, gosta de ser fotografado no seu apartamento com vista sobre a praia. Porém, visitar Copacabana é mais do que evocar um passado resplandecente e um presente vibrante: é mergulhar numa experiência sociológica imperdível. Copacabana é uma peça imprescindível no mosaico de sensações que compõem a visita ao Rio de Janeiro e ao Brasil. A riqueza de Copacabana está nas pessoas que aqui vivem e que frequentam a praia, às centenas de milhares, percorrendo o calçadão da Avenida Atlântica. São turistas, banhistas, habitantes do bairro e, sobretudo, pessoas das favelas da cidade, que vêm aqui ganhar a vida vendendo de tudo: comida, sumos, água de coco, toalhas de praia, fatos de banho (fios dentais e sungas) ou artesanato. Na areia, joga-se futebol de praia ou futevólei. Basta chegar, manifestar vontade de jogar e logo que houver lugar no time, pode jogar-se. De volta ao calçadão, ouve-se música dos muitos grupos de rua que aqui ganham a vida. Ou bebe-se um chôpe geladinho numa das inúmeras barraquinhas que aqui se chamam quiosques, abertos pela noite dentro.

O bairro e a praia de Copacabana ficam na chamada Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro. É nos hotéis desta zona que costumam ficar os turistas de visita à cidade, longe das maiores favelas e dos bairros violentos da zona antiga, do Flamengo e do Botafogo. Fica a uma hora de táxi dos aeroportos e é servida por uma linha de metrô, que liga ao centro histórico da cidade.

quarta-feira, setembro 05, 2007

Adega Faustino, Chaves

Actualmente, é uma tasca típica. Comem-se aqui pequenos petiscos regionais, cuja máxima sofisticação é atingida na costeleta de vitela barrosã. O vinho, é o da casa, em jarro. O sítio é castiço e vale a pena pela simplicidade dos sabores e do ambiente. E pelo preço módico, também.
O edifício onde está instalada a adega já foi uma garagem de camionagem, construída há um muitas décadas, no advento dos transportes rodoviários de mercadorias.
Quando foi construído, destinou-se a ser armazém de vinhos, com espaço suficiente para nele entrarem as camionetas que transportavam as barricas com o precioso néctar. “o Faustino” veio a ser o maior comerciante local de vinhos, abastecendo boa parte das tabernas locais, numa época em que as versões engarrafadas ainda eram pouco frequentes e esta “mercadoria” sobretudo vendida a granel.
A par deste negócio, a Casa Faustino passou também a vender vinho a copo ao balcão, a bons clientes habituais e frequentes. Nesta época ser cliente do Faustino passou a ser sinónimo de grande consumidor de vinhos a copo de baixa qualidade.

Os tempos mudaram e com eles alterou-se o modelo do negócio do sector dos vinhos. Distribuidores como o Faustino deixaram de fazer sentido. Foi nessa altura que a família dona do espaço e do negócio decidiu reconvertê-lo e criar a Adega Fasutino.
O Faustino fica no centro histórico de Chaves, na Travessa do Olival - qualquer pessoa o saberá indicar (telefone 276.322.142). Está aberto das 12 às 24 horas, todos os dias com excepção dos domingos.

sábado, setembro 01, 2007

As vinhas de Jerez de la Frontera, Espanha

Muito se poderia dizer das vinhas de Jerez, na Andaluzia. É particularmente interessante visitar as vinhas de San Lucar de Barrameda, onde se colhem as uvas para a manzanilla, que se arroga a qualidade de ser o único vinho do mundo com nome feminino.
Os vinhos de Jerez já tiveram melhores dias. Deixaram de ser hegemónicos no mundo anglo-saxónico, como vinhos de aperitivo. Não obstante, os enólogos explicam que, sobretudo as variantes mais secas – quer a manzanilla, quer o fino, são óptimos estimulantes do apetite. A manzanilla é em geral um vinho encrespado, que cria na boca sensação de frescura, tipo água marinha. Tem até um certo travo salgado. A prova é difícil. Nas primeiras vezes, sente-se repulsa por este perfil de bebida antipática. Só com muita insistência se aprende a gostar. As vinhas têm todas um solo calcário muito branco, que reflecte a luz solar e faz atingir mais cedo a maturação das uvas. É o solo de albariza, de uma intensidade luminosa quase insuportável à vista.


Os vinhos de Jerez, como as manzanillas, nunca são datados. Não indicam o ano de colheita nem tem anos bons nem maus. Esta é uma consequência do chamado sistema de solera. Após a produção dos mostos, os vinhos são armazenados e amadurecidos no sistema de solera. Nas caves, os pipos são colocados em três camadas sobrepostas: no pipo do fundo está o vinho mais antigo, enquanto no do topo é posto o vinho mais recente. Logo que o enólogo verifica que o vinho do pipo inferior está suficientemente maduro, é-lhe retirada uma terça parte, para ser engarrafada e vendida. Depois, o espaço desse vinho é enchido com vinho do pipo que está em cima dele. Este, por sua vez, é enchido com vinho do pipo do topo, que será de seguida composto com vinho novo, recém produzido. Assim, o vinho novo vai-se acrescentando ao mais antigo, de modo a produzir-se sempre um vinho com características idênticas.
Quer em San Lucar de Barrameda, quer em Jerez de la Frontera, há muitas adegas de grandes dimensões, que estão abertas a visitas do público, que normalmente terminam com provas.

terça-feira, agosto 14, 2007

Cervejaria Augustiner, Salzburgo

Na Alemanha, e em particular na Baviera, as cervejarias são verdadeiras instituições. Um pouco a sul, na Áustria, a dimensão não é mesma, mas aproxima-se. Em Salzburgo, é incontornável a visita à Cervejaria Augustiner, ou Augustiner Bräustübl. Fica nas instalações de um antigo convento de frades agostinhos, do qual adoptou o nome.
Tem diversas salas, todas elas enormes e abobadadas, com grandes aberturas vidradas para o exterior. Durante o dia, entram jorros de luz e ao fundo vêm-se os Alpes. À noite, o ambiente aquece, pelo efeito da luz morna que dá cor aos antigos salões e, por vezes, pelo calor da música ao vivo, bávara ou tirolesa. A entrada é livre e gratuita e o consumo é personalizado, num regime pouco habitual: há vários locais para comprar comida e um balcão para comprar cerveja; compra-se e leva-se para onde houver lugar, num esquema de self-service. Há apenas que ter em atenção um detalhe importante. A cerveja é de produção local e vende-se à caneca. Durante cada dia são abertos vários novos barris de cerveja. Quando acaba o último dos barris previstos para abertura, não há nada a fazer: apenas será aberto um barril novo na tarde do dia seguinte, para que a cerveja sobrante não perca a força durante a noite.

A Augustiner Bräustübl fica no centro de Salzburgo, na zona ocidental da cidade, próxima da margem esquerda do rio Salzach. Está aberta das 15 às 23 horas (aos sábados, domingos e feriados abre às 14.30). Mas, recorde-se, quando mais se aproxima a hora de fecho, mais provável é que o barril de cerveja esteja para terminar, pelo que convém tomar providências com antecedência.

domingo, agosto 12, 2007

Salinas de Rio Maior

Rio Maior é uma cidade incaracterística, sem notas que chamem em especial a atenção. Se o viajante tiver mais que 40 anos e tiver vivido os tempos agitados de 1975, encontrará na memória um corte de estrada, dinamizado por agricultores da reacção, que dividiram o país em dois, apoiados naquela que ficou desde então conhecida como moca de rio maior.

Neste contexto, não estranha que a cidade invoque as salinas como um dos seus símbolos municipais. Este fenómeno muito pouco corrente em Portugal tem exploração muito antiga, dizendo-se que remonta ao século XII.
Trata-se de uma zona baixa, no fundo de um vale calcário, onde existe um rico filão de sal gema, irrigado por um curso de água, que desemboca num poço. A água que aqui se reúne tem uma densidade de sal que se calcula ser sete vezes superior à da água do mar. Depois, é só retirar a água do poço e despejá-la em salinas, como as da beira-mar, esperando que o sol do verão faça evaporar o líquido, deixando cloreto de sódio.
Além da curiosidade da existência de salinas longe do mar, chama também a atenção o aglomerado de casas que as envolvem, destinadas a armazenar o sal recolhido (que ronda as 1000 toneladas por ano), todas elas num estilo muito rústico, completamente construídas em madeira, para evitar a corrosão salina.

As salinas ficam localizadas um quilómetro a norte de Rio Maior, na direcção das serras de Aire e Candeeiros. Têm acesso fácil e podem percorrer-se livremente. Na aldeia das salinas há vários locais onde se pode petiscar, por preços módicos.

sábado, agosto 11, 2007

Monumentos Megalíticos de Alcalar, Portimão

Portugal é rico em vestígios megalíticos, sobretudo no Norte. São conhecidas várias antas e outro tipo de túmulos. No Algarve, não está identificado nenhum outro vestígio deste tipo para além dos de Alcalar.
Este conjunto de vestígios funerário é muito vasto, mas apenas está disponível para visita, em recinto gerido pelo IPPAR, o conjunto dos chamados túmulos nº 7 e nº 9. O recinto, aberto em 2000, é de visita agradável, ocupado por vegetação mediterrânica. O espólio encontrado no local está espalhado por vários museus, em Lisboa, Figueira da Foz, Lagos e Portimão.
Trata-se de dois conjuntos funerários, do período calcolítico (3000 a 2500 a.C.). Num deles, decorrem presentemente escavações.
O outro está completamente reconstruído: é um conjunto religioso e tumular, com uma grande aglomeração de pedras a cobri-lo e protegê-lo. No centro tem uma pequeníssima câmara, completamente restaurada, de topo aberto, a qual seria de acesso reservado a druidas. Nela se procederia a sacrifícios e, sobretudo, talvez, à incineração de mortos de estratos socialmente superiores. Acede-se ao interior desta câmara por um corredor apto para Indiana Jones, muito baixo e estreito, onde um adulto tem dificuldade em passar. Fica orientado para o sol nascente.

Os túmulos são monumento nacional desde 23 de Junho de 1910.
Ficam localizados cerca de 4 quilómetros a norte da Mexilhoeira Grande, entre Portimão e Lagos. O acesso faz-se pela antiga EN125, da qual se desvia para norte, por alturas do hotel e do campo de golfe da Penina.
A entrada custa 2 €, mas há descontos para jovens, reformados e famílias – é gratuita aos domingos de manhã. O horário é o normal para os monumentos nacionais. O conjunto está aberto todos os dias, das 10 horas às 16:30 (no verão, até às 18:30). Fecha, como habitual, às segundas-feiras e feriados.

sexta-feira, agosto 10, 2007

A nostalgia romântica de Biarritz

Em meados do século XIX Biarritz era uma modesta aldeia de pescadores, na costa atlântica da Aquitânia, muito próxima da fronteira espanhola. Foi então descoberta por intelectuais parisienses (os guias turísticos locais referem habitualmente Victor Hugo). Mais tarde, quando veranear no mar passou a ser moda, esta praia de águas calmas e quentes (para os parâmetros daquela zona da Europa), tornou-se sinónimo das férias de verão: hotéis requintados, um casino, um passeio marítimo e muito glamour.
A mobilidade e a grande facilidade de viajar para paragens mais distantes fizeram de Biarritz uma velha senhora, nobre e empobrecida mas orgulhosa dos seus edifícios e do seu passado. Efectivamente, tem razões de orgulho no seu passeio marítimo, no Hotel du Palais, no palacete Miramar, no Port-Vieux e nos rochedos que o delimitam.
Conta-se por aqui que na Plage des Basques, em plena zona urbana, foi pela primeira vez utilizada uma prancha de surf em águas europeias.


Em Biarritz é muito fácil circular, quer a pé, quer de automóvel e é fácil estacionar nos vários parques subterrâneos do centro. Há muitos hotéis (além, claro, do caríssimo e exclusivo Hotel du Palais, da rede Relais et Chateaux) e inúmeros cafés e restaurantes.

quinta-feira, agosto 09, 2007

Calçada do Gigante, Irlanda do Norte

É difícil de acreditar que uma obra deste tipo não tenha sido feita por mão humana. São estes os sítios que nos obrigam a concluir que a capacidade criadora da natureza supera toda a imaginação. Na versão lendária, o mítico gigante Finn MacCumhaill, habitante da costa do condado de Antrim, querendo atravessar o estreito que separa a Irlanda da Escócia, para se encontrar com a sua amada, teve que construir uma calçada através do mar. De facto, a Calçada do Gigante abre-se da falésia para o mar, no qual entra por uma ou duas centenas de metros.
Segundo a geologia, há 60 milhões de anos, uma explosão submarina, porventura vulcânica, expeliu para a superfície da crosta terrestre uma grande massa de basalto que, pela elevada temperatura, estava líquido. Ao chocar com a água fresca do mar da Irlanda, o basalto arrefeceu lentamente, solidificando-se. Este processo levou à sua contracção e, consequentemente, à abertura de imensas fracturas na mole mineral. Ao contrário do que acontece com a terra em zonas desérticas, que quando seca abre fissuras desordenadas, o basalto arrefece e contrai-se, solidificando, dando origem a formas hexagonais que se prolongam para a profundidade em prismas. Desta forma, na vertical dá origem a colunas.
A Calçada do Gigante reúne cerca de 37 mil colunas hexagonais, de basalto escuro, oxidadas por efeito da água do mar. O local é património da Humanidade desde 1987.

A zona está vedada e o acesso apenas pode ser feito por uma única entrada. Está aberta todos os dias, das 10 às 17 horas (no Inverno fecha meia hora mais cedo). O espaço é gerido pelo National Trust e a entrada é paga. Do parque de estacionamento há que percorrer 800 metros para encontrar, junto da praia, a calçada. O passeio é fácil e muito bonito. Em alternativa, há serviço de mini autocarros, para idosos e deficientes. Apesar de o local ser visitado todos os anos por meio milhão de turistas, não se sente o peso da multidão, pela extensão do sítio.
A Calçada do Gigante fica a duas horas, de carro, a norte de Belfast, na Irlanda do Norte. Chega-se, passando por Coleraine e Portrush, na direcção de Bushmills (sim, a localidade da mais antiga destilaria de whisky do mundo, que é também a povoação mais próxima, a dois quilómetros).

quarta-feira, agosto 08, 2007

O novo Reichtag, Berlim

O Reichtag de Berlim, edifício do parlamento, nasceu associado ao poder imperial alemão. O edifício pretendeu chamar para a cidade a efectiva capitalidade do império, proclamado em 1871. O original edifício do Reichstag, na Platz der Republik, foi construído no fim do século XIX, em estilo renascentista italiano. Serviu de sede ao parlamento da República de Weimar e foi praticamente destruindo num incêndio, sabidamente provocado pelo nazis em 1933. O seu interior ficou muito danificado. Posteriormente, as suas ruínas ainda sofreram danos adicionais danificado durante a Segunda Guerra Mundial.

Este passado atribulado tornou-o num dos emblemas da nova Alemanha reunificada, resultante da queda do Muro de Berlim, em1989. Foi escolhido para alojar o novo parlamento federal, nesta cidade que voltou a ser capital nacional em 1990.
Mas o edifício só ganhou nova forma e vida após 1994. Foi reconstruído de acordo com um projecto de intervenção do britânico Sir Norman Foster. Veio a reabrir em 1999, como sede do novo parlamento federal alemão. A nova cúpula de vidro, moderno ícone do edifício, aberta para o vazio celeste, é visitável, mas em alturas de férias, sobretudo no verão, há uma grande afluência e filas imensas.

terça-feira, agosto 07, 2007

Casa Dali, Port Lligat, Espanha

Num lugar de difícil acesso da província de Girona, Espanha, fica a Cala de Port Lligat. É uma típica baía de águas calmas da Costa Brava. Tornou-se conhecida a partir de 1930, altura em que Salvador Dali e a sua mulher Gala começaram a comprar antigas casas de pescadores, para ali se instalarem.
Gradualmente, foram comprando várias pequenas casas, mesmo junto ao mar, que vieram a formar um complexo labiríntico de velhos edifícios que Dali e Gala foram decorando, ao longo de mais de quarenta anos, sobretudo com objectos criados pelo próprio pintor. Salvador Dali e Gala viveram aqui até que esta última morreu, em 1982.Actualmente o local abriu como museu, a cargo Fundação Gala-Salvador Dali, sendo possível visitar o estúdio do pintor, a biblioteca, os quartos e o jardim. A visita é cronometrada e por isso o fluxo de visitantes é pequeno. Por isso, no verão é imprescindível reservar previamente a visita (em regra, quem chega à bilheteira não consegue marcar a entrada senão para dois ou três dias depois…).

A entrada custa 8 €. O local está aberto de 15 de Março a 14 de Junho e de 16 de Setembro a 6 de Janeiro, das 10:30 às 18 horas. De 15 de Junho a 15 de Setembro, abre das 10:30 às 21 horas.

segunda-feira, agosto 06, 2007

Parador de Bielsa, Pirineus.

O sítio é fantástico: está no meio dos Pirinéus, rodeado por um circo montanhoso, de picos de três mil e mais metros. Por outro lado, os paradores, não oferecem dúvidas: são dos mais confortáveis e requintados locais onde se pode ficar em Espanha.
Este, será uma excelente base para expedições de montanha. Mas também pode ser apenas uma paragem num qualquer percurso rodoviário por estas paragens dos Pirinéus espanhóis. Tem uma óptima esplanada para refeições ligeiras no verão e várias salas, revestidas a madeira que serão muito confortáveis no Inverno.

Este parador fica na zona de Bielsa e aparece nos guias como Parador de Ordesa (é contactável no Valle de Pineta, 22350 Huesca - telefone 974.501.011)

sexta-feira, julho 27, 2007

Museu Municipal de Arqueologia de Silves

Quem vai de férias para o Algarve, em regra, não procura erudição nem está à espera de encontrar grandes museus. Por isso, é agradavelmente surpreendente a visita ao Museu Municipal de Arqueologia de Silves. É um pequeno museu, de visita fácil e rápida, que recolhe peças arqueológicas encontradas na região, procurando ilustrar a passagem por aqui dos períodos mais marcantes da história.
Na sala de entrada reúnem-se peças da pré-história, do Paleolítico à Idade do Bronze. Podem ainda ver-se achados da Idade do Ferro e do período romano. Noutra vertente, o museu reúne algumas peças referentes à reconquista cristã de Silves, por D. Sancho I (1189) e por D. Afonso III (1242). Porém, o espólio mais interessante é o respeitante ao período muçulmano. Recorde-se que Silves foi muçulmana desde 713, tendo integrado o Emirato e depois o Califado de Córdova. Foi sede do Reino Taifa de Silves e mais tarde foi ocupada pelos almorávidas e depois pelos almóadas.

A peça central do museu é um original poço circular, construído em grés de Silves, com perto de duas dezenas de metros de profundidade. Destinava-se a armazenar e a abastecer de água potável. Terá sido construído entre os séculos XII e XIII e tem a particularidade de ter em volta uma escada circular que desce quase até ao seu fundo. Está muito bem preservado e, só ele, vale a visita.

O museu abriu ao público no início da década de 1990. Está aberto todos os dias, com excepção dos domingos e feriados, das 9 às 18 horas. A entrada custa 1,5€, sendo gratuita para crianças, estudantes, professores e reformados. Fica na entrada do recinto amuralhado da cidade, a dois passos da Câmara Municipal. Não é fácil estacionar por aqui, sobretudo no verão.

terça-feira, julho 17, 2007

Consulado de Portugal em Sevilha


Por decisão do Ministério dos Negócios Estrangeiros, espera-se para breve o encerramento do Consulado Português em Sevilha. A questão não se reconduz a uma mera decisão política, com consequências na vida das populações. É que o consulado de Sevilha é uma referência da presença portuguesa no exterior, pela cidade onde se localiza, pela história do edifício e pelo seu estilo arquitectónico.
O edifício do consulado foi construído para servir de pavilhão de Portugal na Exposição de Sevilha de 1929. Integrou-se no enorme plano de rearranjo urbanístico da cidade que então foi feito. E permaneceu, desde então, com a função de representar Portugal em terras da Andaluzia. Foi obra do arquitecto português Guilherme Rebelo de Andrade e evidencia uma traça claramente nacionalista.

O consulado fica localizado em frente do monumental edifício da antiga Fábrica do Tabaco, que agora é a Faculdade de Direito da Universidade de Sevilha, a dois passos do célebre Hotel Alfonso XIII.

domingo, dezembro 24, 2006

O Natal em Estrasburgo

Os mercados de Natal são uma tradição germânica, expandida por todo o centro da Europa. No mês que antecede o Natal, nas ruas das cidades mais importantes, organizam-se mercados, especificamente virados para produtos sazonais, embora também se vendam outras coisas. Em França são também realizados mercados de Natal nalgumas cidades (em particular em Paris), mas o mais notável deles é o de Estrasburgo.
Podem comprar-se produtos de Natal e muito artesanato. Duas coisas em particular, devem provar-se: o vin chaud (preparado e vendido nas barracas do mercado, em geral com vinho da Borgonha, laranja e especiarias, sendo aquecido ao ar livre e servido quente) e os bolinhos de Natal, com gengibre, em forma de figuras natalícias.

O Mercado de Natal de Estrasburgo costuma realizar-se na Praça Broglie e na Praça da Catedral, no centro (e zona antiga) da cidade.

segunda-feira, novembro 06, 2006

As bicicletas na Holanda

Como meio de transporte, sabe-se que a bicicleta é o mais comum nos países baixos. Não o é só na Holanda. Esta particularidade estende-se a todos os países do centro e do norte da Europa, onde as estradas são planas. Ou ao menos não tem grandes subidas. E, claro, o clima é fresco e os calores da metade quente do ano não sacrificam quem pedala.
Não obstante, foi na Holanda que a bicicleta se converteu num ícone nacional. Talvez porque aqui as há em maior número. Ou talvez porque o relevo (será apropriado chamar-lhe assim?) favorece verdadeiramente esta forma de locomoção. É à Holanda que associamos a senhora elegantemente vestida que vai para o seu escritório de bicicleta, ou o estudante que leva presa no guiador a sua mochila, ou a avozinha que transposta no cesto as suas compras. É também da Holanda que se diz ser mais interessante de visitar indo-se de bicicleta.

Talvez só se consiga perceber esta idiossincrasia holandesa quando se sai de uma estação de comboios e se depara com o parque de estacionamento especial para velocípedes. As imagens que ilustram esta anotação são da estação central da Haia.
As estações de comboios são, por sinal, locais privilegiados para alugar bicicletas.

domingo, novembro 05, 2006

The Nuremore Hotel, Carrickmacross, Irlanda

O edifício é discreto e não se dá por ele. Baixo, revela preocupação com a sua inserção no ambiente campestre. O jardim, está primorosamente cuidado, abrindo a passagem para o campo de golfe, aberto e arborizado. O ambiente é pacífico e tranquilizador. Em toda a volta o campo é ondulado, com pequenas colinas. O hotel fica no meio de verde e pouco mais: lagos, o campo de golfe, coelhos e patos.

The Nuremore Hotel fica em Carricmacross, no condado de Monaghan, na Irlanda. Fica a cerca de uma hora de Dublin. O percurso inclui, no início, próximo da capital, estradas nacionais, de trânsito fácil e rápido. A última metade é feita por vias pouco mais que rurais, muito estreitas e sinuosas.
(The Nuremore Hotel & Country Club, Carrickmacross, Co. Monaghan, Republica da Irlanda, telefone +353.42.966.14.38).

quinta-feira, novembro 02, 2006

Giralda, Sevilha

A Giralda é o ícone mais conhecido da cidade e é também o emblema da catedral de Sevilha. E, no entanto, já existia quando esta última começou a ser construída. Ficou como um dos últimos vestígios da antiga mesquita almóada de dezassete naves que aqui existia (o outro que resta é o conhecido Patio de los Naranjos), ao lado da actual catedral. A Giralda tem 97 metros, sendo assim o edifício histórico mais alto da cidade.

Actualmente, desde o século XV, serve de campanário da catedral. No seu topo, que é mais recente que a sua base, foi colocada uma estátua representativa da fé católica, com um estandarte. Este, o estandarte, gira ao sabor do vento, servindo como catavento. Serve portanto, em castelhano, como giraldillo. Foi esta, aliás, a origem do nome da torre.
A visita da torre é paga e, nas épocas de férias, costuma ter muita afluência de turistas.

sexta-feira, outubro 27, 2006

Trier e Karl Marx

Normalmente, o nome de Karl Marx não suscita indiferença.
Houve quem o venerasse. Há ainda quem o recorde com respeito. Outros, no passado, combateram frontalmente as suas construções teóricas e o que delas resultou.
Após a decadência (mesmo falência) do seu modelo sócio-político, Marx viu reduzido o seu estatuto e passou a ser apenas mais um dos muitos vultos da história de que se ouve falar no ensino secundário e a quem se dedicam casas museus que poucos visitam. A de Marx fica na sua cidade natal de Trier, no Estado alemão da Renânia onde, diz-se, era conhecido como grande apreciador do riesling produzido na região.

A Casa Karl Marx é, anote-se, gerida pela poderosa Friedrich-Ebert Stiftung, como bem se sabe ligada ao Partido Social Democrata da Alemanha.
O cronista destas linhas não visitou a Casa Museu, porque já tinha fechado. Foi pena, porque seria interessante ver como o actual poder político alemão interpreta o fundador do marxismo, quase duas décadas após a decadência e queda dos regimes políticos e governativos que inspirou.
Ficou porém o cronista a saber que a rua a que Marx deu nome, na sua cidade, foi a escolhida para nela se instalarem os bares de prostitutas, as sex-shop e outros estabelecimentos similares.

A Karl Marx Haus está na Brückenstrasse, 10, em Trier, Alemanha.Está aberta todos os dias das 10 às 18 horas.

terça-feira, outubro 03, 2006

Rómulo e Remo, Roma

A peça originária, do século V a. C., está num dos museus do Capitólio (Campidoglio), em Roma. Mas a mística dos personagens representados leva-os, em cópia, a vários locais da cidade.
A lenda é de todos conhecida desde os primeiros anos do liceu: dois gémeos, Rómulo e Remo, foram abandonados nas margens do rio Tibre (ou Tevere), na planuras do Lácio; terão sido amamentados por uma loba, que assim os salvou da morte. Anos mais tarde vieram a fundar a cidade de Roma, naquele local.
Supõe-se que a estátua original, em bronze, será etrusca. Sabe-se actualmente que os dois meninos foram acrescentados no início do Renascimento.
A reprodução fotografada acima pode ver-se na via de descida do Capitólio para o Foro Romano.

segunda-feira, setembro 25, 2006

Aeroporto de Prishtina, Kosovo


A um país, que ainda não é independente e que acabou de passar por uma bárbara guerra étnica, durante a qual vizinhos mataram vizinhos e antigos amigos queimaram casas de antigos amigos e mesquitas e igrejas, não se pode pedir muito. No Kosovo, as feridas da guerra ainda estão abertas e a reconstrução do país atrasa-se, em boa parte por isso.

O único aeroporto de acesso ao país foi destruído na guerra. Os sapadores e engenheiros britânicos da mítica Royal Air Force reconstruíram as pistas, de forma a que ficasse operacional. O resto, tem sido feito pela incipiente administração provisória local.
E nem tão mal, tendo em conta o contexto.


Há voos regulares, quase diários, de Prishtina para Viena (na Austrian Airlines), para Ljubliana (na Adria Airways) e para Budapeste (na Malev). Além destes, há dois ou três voos semanais para Zurique e para várias cidades alemãs, operados por micro companhias, suíças e germânicas.
A única forma viável de ir do aeroporto para a cidade é o taxi. Costuma haver quatro ou cinco taxis parados no aeroporto, na hora de chegada de cada um da meia dúzia de voos que o aeroporto recebe por dia. A viagem, se negociada previamente com o motorista, com o taxímetro desligado, custará 20 € e durará meia hora. Não valerá a pena pedir recibo, claro.

sábado, agosto 19, 2006

Vinhos do Condado de Huelva, Espanha


Bollullos del Condado, cidade a meio caminho entre Huelva e Sevilha, é o centro de uma antiquíssima região produtora de vinhos – há registo de que teriam muita fama no século XIV. Porém, a partir do século XVII o sucesso decaiu, com a expansão mundial dos vinhos de Jerez, muito mais sofisticados. Com a crise aqui e a expansão dos vinhos vizinhos, a produção do Condado passou a ser vendida para fazer Jerez. E nunca mais recuperou a sua identidade específica.
Actualmente existe uma Denominação de Origem Condado de Huelva. As vinhas da região estão quase todas localizadas em zonas planas e muito baixas. Apesar de não estarem demasiado próximas do mar, boa parte dos solos é constituído por areias. O clima é aqui caracterizado por verões muito quentes e secos (com frequência as temperaturas ultrapassam os 40 graus, no verão).
Em geral, os vinhos que se produzem são compostos por zalema, uma casta branca fresca e muito frutada, que dá origem ao Vino Dulce, que se vende ao litro nas casas de comidas. Também se produz Pedro Ximenez, muito mais pastoso e concentrado. E, claro, há blends, a que por aqui se chama Mistela (!). Em qualquer dos casos, a granel, este vinho é normalmente muito barato (o preço de referência será 2 € por litro e o vendedor oferece o garrafãozito de plástico). Propicia, ele mesmo, geladinho, uma excelente sobremesa de verão.
Esta é, talvez, a única anotação que vale a pena reter desta velha senhora cidade andaluza produtora de vinho.


quarta-feira, agosto 16, 2006

Castelo de São João do Arade, Ferragudo, Algarve

Fica junto da praia, na boca do rio Arade, em frente a Portimão. Terá tido origem no século XV, embora o seu perfil romanesco seja o resultado de obras de adaptação a palacete residencial, no início do século XX. Para trás ficaram obras de fortificação militar, sobretudo dos séculos XVII e XVIII.
Diz-se que é propriedade de um empresário de Lisboa, que o tem andado a recuperar. Comparado o seu estado com o de há meia dúzia de anos, nota-se-lhe a beneficiação.
Lamentavelmente, não tem visitas.