sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Mosteiro de Lorvão, Penacova

Há poucos sítios onde o viajante se tenha sentido tão deprimido e oprimido como no lugarejo de Lorvão, a pouco mais de uma dezena de quilómetros a norte de Coimbra.

Talvez a má impressão inicial resulte de a zona ser muito acidentada e de ocupação humana desordenada. Além do vale do Mondego, que corre preguiçoso no seu vale arborizado, há por aqui vários córregos que percorrem vales fundos e muito vegetados. Em tempo, supõe-se, terá havido muitos carvalhos, mas agora a paisagem é dominada por eucaliptos e acácias, que durante o mês de Fevereiro estão cobertas de flores amarelas. Nesta paisagem, não será fácil construir estradas e por isso a chegada a Lorvão é antipática, seja vindo do Mondego e de Coimbra, seja vindo de norte, da região do Luso e do Buçaco, pelo IP3: as estradas são estreitas, íngremes e cheias de curvas e contracurvas. Numa curva da estrada, surge a aldeia, encastoada entre morros verdes e arborizados. Por estar tão encaixadinha, parece que é mínima, reduzida a uma rua que acompanha o ribeiro que corre no fundo do vale.

A má impressão tornou-se desagrado e mesmo choque dentro da aldeia: desde o década de 1950 que o Mosteiro de Lorvão foi adaptado para hospital psiquiátrico, alojando duas centenas de pacientes. Boa parte destes filhos de um deus menor deambula pela povoação, tentado interagir com os transeuntes e em particular com os turistas que vão passando. Mesmo tendo bem presentes os valores da solidariedade e do respeito pela diferença, este autêntico banho de doentes, não é das experiências mais agradáveis.
O que salva a visita é o Mosteiro em si mesmo: uma parte das suas antigas alas foi anexada ao hospital psiquiátrico; é visitável a Igreja, o antigo claustro dos monges e as sacristias.
A igreja é grande e surpreende o desalentado viajante: barroco pujante, com uma só nave mas coroada por um zimbório. Mármores a revestir as paredes e várias figuras nos altares, quase todas elas introduzidas nas reformas do edifício no século XVII e XVIII.
Ao fundo, separado da zona de acesso do público por gradeamento, o cadeiral de coro, referenciado como o maior de Portugal. É espantoso e rico, todo esculpido em jacarandá preto do Brasil e nogueira.

A fundação do Mosteiro de Lorvão poderá ter resultado da evolução da paróquia sueva de Lurbane, do século VI, o que fará dele dos mais antigos da Europa. Porém, o estatuto e a dimensão que tem serão do século XIII, altura em que para aqui vieram D. Teresa e D. Sancha, filhas de D. Sancho I e netas de D. Afonso Henriques. Desde esta época o mosteiro passou a acolher freiras beneditinas, naquela que foi a primeira comunidade da ordem de Cister em Portugal.
É monumento nacional e tem visitas guiadas. Simbolicamente, o bilhete para adultos custa 1 €.
Está aberto de terça a domingo, das 9:00 às 12:30 e das 14:00 às 18:30. Não há visitas aos domingos, às 11h30, por haver missa.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Estónia, o Báltico desconhecido

De entre os novos Estados da Europa de Leste, os bálticos salientam-se pela aproximação que já têm aos padrões de vida do resto da União Europeia. E não só.
A Estónia é um país pequeno, com cerca de metade do tamanho de Portugal e uma população de 1,3 milhões de habitantes, dos quais 400 mil na capital, Tallinn. Destes, 26 por cento são de origem russa e falam habitualmente russo. Esta circunstância é um desafio para um país que rejeita, embora sem hostilizar, a memória do passado soviético.
Os restantes, os estónios, dizem-se um dos povos mais antigos da Europa, embora somente tenham alcançado a independência política no século XX. São referidos sinais de que um povo desta etnia (da mesma dos húngaros e dos finlandeses, portanto não indo-europeus), já vivia aqui quando as pirâmides do Egipto foram construídas.
São gente muito ligada à sua terra e às suas tradições, mas que acolhe de braços abertos a modernidade. O país tem uma das mais altas taxas de penetração de Internet do mundo. Por outro, se o viajante não estiver atento aos ainda inúmeros sinais na arquitectura urbana, terá dificuldade em imaginar que a independência do ocupante soviético ocorreu há menos de duas décadas.

As três cores da bandeira nacional não foram escolhidas por acaso: o azul é do céu, onde fica o limite, o preto da terra mãe e o branco de neve da esperança. Esta bandeira pertenceu no passado a uma corporação de estudantes de Tartu, cidade que gosta de ser considerada o berço da nação.
Esta simbologia permanentemente evocada não será alheia ao choque de culturas que por aqui se foi dando.
Para rematar, diz-se até que na ilha de Saaremaa, na costa oeste, existe uma cratera com 110 metros de diâmetro (que será única na Europa) provocada pela queda do meteorito Kaali. Este meteorito, caído apenas há alguns milhares de anos, terá sido o último objecto celeste de grandes dimensões a cair na terra.

sábado, fevereiro 02, 2008

Cristo Redentor, Rio de Janeiro

É desde há muito o local mais emblemático da cidade e talvez mesmo do Brasil. É daqueles objectivos incontornáveis no percurso de qualquer viajante e também no dos turistas. Mais ainda desde que foi declarado pelo marketing uma das maravilhas do mundo moderno.

Enquanto monumento é muito simples: trata-se de uma colossal estátua pétrea de quase 40 metros de altura (a altura de um edifício de 13 andares). De resto, à sua volta há varandas em betão, sobre a cidade, onde se apinham sempre centenas de visitantes. É, aliás, a paisagem quem preenche a maior fatia da visita e assume o atractivo principal. Daqui, a mais de 700 metros de altitude, de costas voltadas para matas e rochedos impenetráveis do parque da Tijuca, vê-se a maior parte do Rio de Janeiro.
Lá do alto, há quem apele à mística tradicional da figura e para o seu significado protector e abençoador dos fiéis brasileiros. Mas não o conseguiu o viajante. Aquilo que lhe ocorreu foi que este Cristo Redentor, visível de todos os bairros desta metrópole é a única realidade comum a todos os mundos que sem se tocarem circulam lá em baixo, entre o luxo e a riqueza de Ipanema e as vidas miseráveis da Favela da Rocinha, ou entre a violência e a insegurança das rodovias e o doce amasso de Copacabana.


O projecto do monumento foi desenhado pelo engenheiro brasileiro Heitor da Silva Costa e a estátua foi concebida pelo escultor francês Paul Landowski, em estilo art déco. Foi inaugurado em 1931.
A visita não é das mais fáceis. Pode optar-se por subir no “bondinho”. Para este teleférico, esperem-se filas. Em dias de afluência podem demorar mais de uma hora. A alternativa é subir a encosta por estradas más, em táxis especialmente credenciados, mas nem por isso mais fiáveis. Custará mais caro (a preços de 2007, 40R$ por pessoa), mas a visita será muito mais rápida.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Sagres

Sagres é um local mítico para todos os portugueses. É também conhecido no mundo inteiro pelo seu papel de base operacional no arranque dos Descobrimentos Portugueses.
A Fortaleza de Sagres é monumento nacional. Foi construída no século XV e é gerida actualmente pelo IPPAR. Tem entrada paga e já esteve em estado de conservação melhor.

O conjunto monumental inclui uma pequena muralha que isola o promontório, a monumental rosa dos ventos, um centro de exposições e ainda a Igreja de Nossa Senhora da Graça, que se diz ter sido construída sobre os restos de um anterior templo, dedicado a Santa Maria, fundada pelo Infante Dom Henrique.
Na actualidade, a memória da mais dourada fase da história nacional já lá vai. Sopram agora outros ventos, que atraem surfistas e outros turistas de perfil descontraído, que dão à vila um ar pop, e um ambiente do tempo da televisão a preto e branco.



quinta-feira, janeiro 31, 2008

Castro de Curalha, Chaves


Os castros são das mais singulares manifestações da cultura céltica e pré-romana que ficaram no norte de Portugal. Este castro, fica nas proximidades de Curalha, freguesia rural do concelho de Chaves, a apenas um quilómetro da nova auto-estrada A24, que atravessa o centro do distrito de Vila Real e liga a Espanha. Até por isso tem uma posição privilegiada, que é coisa que já herdou dos fundadores, que escolheram para ele uma localização altaneira, num monte sobranceiro ao Rio Tâmega, a mais de 400 metros de altitude.

Aquilo que o viajante pode encontrar na visita é a ruína de um povoado fortificado, com belíssimas condições de defesa. Pensa-se que será uma fortificação pré-romana, com muitas marcas de ter sido romanizada. Ainda são visíveis vestígios de três linhas de muralhas, das quais duas ainda têm a cerca completa. Para entrar, existem cinco portas de acesso e cinco rampas.
A estrutura urbana é dividida por uma rua central, ao longo da qual existem muitos vestígios de habitações. Ao contrário de outros castros, as casas de Curalha parece terem sido quadrangulares.

Fica também o viajante a saber, por painéis informativos, que aquilo que está visível hoje em dia é o resultado de intensas campanhas de escavação e restauro, que decorreram entre 1974 e 1985 e foram dirigidas por Adolfo Magalhães, Francisco Carneiro e Adérito Freitas, arqueólogos da região e também pelo professor da Universidade do Porto J.R. dos Santos Júnior.
A visita é livre, sem qualquer restrição de dia ou hora e o acesso ao local faz-se por caminhos pavimentados, propositadamente abertos. Aquilo que o viajante mais aprecia quando passa por aqui, para além do peso do significado da história do local, é a paisagem rasgada, aberta para as serranias transmontanas do Brunheiro, do Leiranco e do Alvão.
O castro fica a sete quilómetros de Chaves

domingo, janeiro 20, 2008

Vale de Aosta, Itália

É um nome mítico do turismo de montanha. Corresponde a uma pequena região italiana, encostada aos Alpes e às fronteiras francesa e suíça. A zona é bonita, com predominância de paisagem tipicamente alpina: vales fundos e picos escarpados no horizonte. Por aqui se pode aceder ao monte Cervino, a que os suíços, de Zermatt, chamam Materhorn. É uma das mais emblemáticas montanhas dos Alpes (é bem conhecida por estar representada nas caixas de lápis Caran d’Ache e por ser o logotipo e a imagem de abertura dos filmes da Paramount). Também por aqui se pode aceder ao conhecido Parco Nazionale del Gran Paradiso.
No contexto montanhoso alpino, esta vertente sul não impressiona demasiado. Como montanhas, estas são mais secas e menos verdes que as do norte. Por outro lado, anota-se alguma desordem no território, a fazer recordar que por aqui se fala italiano. Duas coisas chamaram a atenção do viajante. Por um lado, os imensos castelos roqueiros que emergem de várias cristas eriçadas, ao longo do vale do rio Dora Báltea, de Aosta até Ivrea, onde o vale se abre e o rio se espraia na planura lombarda. São marcas de um passado feudal, de tempo anterior ao reino da Sabóia e muito anterior à unificação italiana. Por outro lado, espantou-se o viajante com a densidade e persistência de plantações de vinha, na zona média e superior do vale, ao longo das margens do rio mas também subindo um pouco na encosta. São as vinhas da Denominação de Origem Vale d’Aosta, onde predominam os brancos.

sábado, janeiro 19, 2008

Lagoa dos Salgados, Pêra, Algarve

Fica entre Armação de Pêra e Albufeira, na costa, por detrás do cordão dunar da praia. Chega-se lá a partir da ligação da velha Estrada Nacional 125 a Armação, desviando para leste, três ou quatro quilómetros. Na rotunda de Alcantarilha toma-se a direcção de Armação de Pêra; depois, junto do parque de campismo de Canelas, opta-se pela estrada que segue próximo da costa para Albufeira, na direcção dos Salgados. Meio quilómetro depois desvia-se para a Praia Grande. Até aqui circula-se sempre por estrada asfaltada mas pouco depois o asfalto dá lugar à terra, durante algumas centenas de metros.


Se o viajante fosse turista diria que, como lagoa, o sítio desilude. É um charco grande, com grande probabilidade de secar no verão, onde não se pode tomar banho nem fazer nada mais para além de ver a paisagem e observar aves. Rapidamente perceberá o turista que no local apenas se podem observar aves. Nessa altura o viajante responderá que está num local fantástico – dos melhores locais do Algarve – para observar aves. Deixe o viajante o turista no aldeamento e disponha-se a levantar-se cedo ou a ficar até perto do fim do dia. Poderá observar esta rica zona húmida, protegida do mar pelas dunas. E assistirá à alimentação dos alfaiates, dos flamingos cor-de-rosa, das galinhas de água e, com sorte, de um ou outro caimão.

domingo, janeiro 13, 2008

Salzkammergut, Áustria

A Áustria central é uma zona de transição. Fica entre as montanhas do Tirol, último bastião, para oriente, dos Alpes, e a planície de Viena, já virada para as suaves terras do Danúbio. As suas montanhas não são tão altas e agrestes como as alpinas e os seus vales não são tão abertos e espraiados como o do grande rio que em Viena, no tempo de Strauss, era azul.
A região de Salzkammergut ocupa esta zona montanhosa, entre Salzburgo e Viena. Está rodeada de montanhas e sulcada por doces vales, onde se formaram ao longo dos séculos 70 lagos. São os lagos que marcam o seu carácter e a fazem tornar num excelente destino de férias.

O viajante descobriu o Salzkammergut de carro, a melhor maneira de o fazer. Nesta região deve passear-se de carro, para poder parar-se onde apetecer. A partir de Salzburgo, a zona central dos lagos fica a menos de uma hora de viagem. As estradas, mesmo sendo de montanha, são boas e não têm demasiado trânsito. De carro foi possível chegar a locais e recantos sem outra forma de acesso. É o caso de Hallstatt, a magnífica aldeia à beira do lago do mesmo nome, onde surgiram há três mil anos as primeiras colónias de exploradores das minas de sal. É também o caso do Mondsee, lago cujas margens o realizador norte-americano Robert Wise escolheu para rodar, em 1965, o filme “Música no Coração”. Nele, a jovenzinha Julie Andrews interpretava uma preceptora enviada por uma abadia próxima para tratar das 7 crianças filhas do viúvo capitão Von Trapp. Nas margens do lago é também visitável a abadia beneditina com o mesmo nome, que aliás deu nome ao lago. A família Von Trapp está no imaginário de toda a região. Tem até uma base verídica, porque efectivamente existiu na data a que se reporta o filme (os anos da Segunda Guerra Mundial) e existe ainda.

O perfil de região de férias de montanha já vem de longa data. Em seu tempo, o Imperador Franz Joseph, que foi senhor do Império Austro-Húngaro entre 1848 e 1916, costumava vir por aqui de veraneio. Chegou até a construir um palácio para o efeito em Bad Ischil, a capital da zona. Mais que o Imperador Francisco José (como a ele se referem os livros de história portugueses…), quem costumava ficar por aqui longas temporadas era a sua bela esposa, a Imperatriz Isabel da Baviera, que o cinema imortalizou como Sissi, por intermédio de Romy Schneider.

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Castelo de Chaves

O que resta da antiga praça-forte medieval de Chaves domina a paisagem urbana da cidade. Localizada no ponto mais alto da cidadela medieval, a torre de menagem, último vestígio medieval da antiga praça-forte, residência do alcaide, era o centro militar, político e administrativo da terra. Está construída no ponto mais elevado do antigo núcleo urbano medieval, acedendo-se a ela por uma complexa malha de ruas estreitas e nem sempre muito alinhadas.
Para além dos danos provocados pela violência das vicissitudes da história militar, as muralhas de Chaves sucumbiram também perante o crescimento da cidade, sendo absorvidas pelas novas construções. Desde 1978, a torre de menagem do castelo está ocupada por um museu militar, especialmente vocacionado para a história militar local.

A história deste castelo confunde-se com a de Chaves. Sabe-se que depois da reconquista cristã a zona ficou deserta, sendo reocupada a partir de 1258. O castelo desenvolveu-se a partir de então. Veio a ser doado a D. Beatriz, filha de Nuno Alvares Pereira, quando esta se casou com D. Afonso, o filho ilegítimo de D. João I. Deste casamento resultou o nascimento do Ducado e Casa de Bragança, que neste castelo teve o seu primeiro paço.
A torre de menagem é airosa e bonita. Nas paredes tem seteiras e na fachada leste tem varandas de madeira. O topo está rodeado de merlões e ameias, tendo nos cantos pequenos balcões, semicirculares.




quinta-feira, dezembro 20, 2007

A árvore de Natal mais alta da Europa

O Porto e Bucareste, capital da Roménia, rivalizam neste Natal de 2007 na instalação da que se arroga como a maior árvore de Natal da Europa. Estarão montadas e iluminadas durante a temporada natalícia, até 7 de Janeiro.
São ambas duas estruturas metálicas iluminadas, pagas pelo banco português Millennium BCP, que na Roménia se chama Millennium Bank. Têm 76 metros de altura e pesam 280 toneladas. A iluminá-las estão mais de 2 milhões de micro-lâmpadas, 13 mil lâmpadas bolinha, apoiadas em 28 quilómetros de magueira luminosa e 500 metros de tubos de néon.
Antes do Porto e Bucareste, as árvores foram instaladas em Lisboa, onde tinha menos um metro de altura (é daqui a fotografia superior) e Varsóvia, na Polónia, onde o banco patrocinador tem também negócios.
Ambas as árvores são mais baixas que aquelas que têm, ano a ano, aumentado um pouco o seu tamanho, rivalizando pelo título de maior do mundo: as árvores de Aracajú, no Brasil, com 86 metros e do Rio de Janeiro, instalada na Lagoa Rodrigo de Freitas, com 85 metros (na sua versão original tinha 48 metros).
Em qualquer dos casos são bastante mais altas que a maior árvore natural da Europa, em Viana do Castelo: trata-se de uma araucária com 48 metros de altura, iluminada por 12 mil lâmpadas, suportadas em 2500 metros de fio eléctrico.A árvore do Porto consumiu grande quantidade de energia eléctrica. A de Bucareste, provocou quedas de tensão na zona onde está instalada, na Piata Unitti. A do Rio de Janeiro é alimentada por geradores que funcionam a biodiesel e produzirão até ao fim da temporada natalícia a energia necessária para iluminar uma cidade de média dimensão durante uma semana.

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Palatul Parlamentului, Bucareste – a última loucura do ditador

O actual edifício do Parlamento Romeno, em Bucareste é um edifício odiado. Domina a zona sul da cidade e foi construído na década de 1980, para glorificar o nome de Nicolae Ceausecu, o último dos ditadores do leste europeu a ser deposto, em Dezembro de 1989.

Para a construção deste palácio, foi necessário arrasar um sexto da cidade de Bucareste, para que no lugar das antigas casas fosse construído o Palácio e o Bulevardul Unirii, larga avenida arborizada que se pretendia que fosse rival da Avenida dos Campos Elíseos, em Paris (aliás, de propósito, tem mais 6 metros de comprimento, para que possa dizer-se que é mais extensa…). Tem mais de três quilómetros de comprimento e para a construir foram destruídas as casas de cerca de 70 mil pessoas (além de 26 igrejas, duas sinagogas e um mosteiro).
Ao edifício, Ceausescu chamou ironicamente Casa do Povo (Casa Poporului). É visitável, entre as 10 e as 16 horas.
Além deste projecto, Ceausescu alimentou um outro, igualmente megalómano: pretendeu proceder à reorganização do mundo rural romeno, destruindo massivamente aldeias, para realojar os camponeses em prédios de apartamentos padronizados.


Quartier Latin, Paris

Houve tempo, há algumas décadas, em que Paris estava na moda entre os intelectuais. E também entre os intelectuais portugueses. Liam-se autores franceses por todo o mundo, procuravam-se as novidades das editoras francesas e seguiam-se com atenção os movimentos filosóficos do quartier latin. Foi o tempo dos últimos grandes pensadores, que antecederam a era globalizada, em que já não se pensa, mas se age mais. Nesse tempo, de meados do século XX, era também moda ir a Paris, frequentar os cafés de Saint-Germain-des-Prés, na margem esquerda do Sena, onde supostamente poderiam encontrar-se vultos da intelectualidade europeia. Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir foram nomes de referência, a este propósito. Mas não os únicos. Por aqui andaram também Picasso, Hemingway ou Camus. Na igreja de Saint-Germain-des-Prés está sepultado Descartes.

Os cafés, instituições tradicionais de Paris, aliás, marcam o bairro. São tradicionalmente o ponto de encontro onde se come, bebe ou se encontram amigos.
Les Deux Magots (onde um café custa 4,2 € e uma cerveja 6 €), ou o Café de Flore ficaram para a história como ícones marcantes de uma época, pela sua clientela intelectual. São agora sobretudo procurados pelas objectivas de fotógrafos japoneses.
O Quartier Latin e o bairro de Saint-Germain-des-Prés ficam na margem esquerda do rio Sena, no centro de Paris, a dois passo da Ile de la Cité, a zona de origem histórica da cidade. São fáceis de percorrer a pé e são servidos por várias estações de Metro.

domingo, dezembro 16, 2007

Portugal no seu melhor

Por mais que o viajante gire a agulha dos destinos que vai percorrendo, mesmo vivendo num país pequeno, não encontra nunca motivos de surpresa como aqueles que vai encontrando sem sair das fronteiras. Surpreende-se o viajante com a reinvenção daquilo que julgava perdido e destinado ao anedotário dos relatos de avozinhos.
Este fotoapontamento, que se recolheu na zona da Barragem da Agueira, pretende deixar um repto: se se passar em Chamadouro, Santa Comba Dão, procure-se a Associação Cultural Desportiva e Recreativa. Pode ser que esteja para se realizar um novo torneio de sueca. Além do lanche no final do torneio, sempre garantido, e das duas chouriças para cada equipa participante, existe a esperança de ganhar duas pás de porco ou dois presuntos. Se se for ambicioso e habilidoso com as cartas, pode mesmo aspirar-se a ganhar o primeiro prémio: um porco inteiro.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Praça Vermelha, Moscovo

Este é daqueles locais que estão bem presentes na memória dos noticiários da televisão de quem tenha mais que 30 anos. As repetidas imagens a preto e branco de soldados a desfilar, seguidos por mísseis e carros de combate muito alinhados, com os comandantes muito hirtos a saudar os dignitários do velho regime soviético. Acontecia com particular ressonância por todo mundo em Novembro de cada ano, quando se comemorava a Revolução de Outubro.
As bancadas de betão onde se perfilavam os militares do regime para assistir ao desfile ainda lá estão, de um lado e de outro do mausoleu de Lenine, que continua a ser visitado por revivalistas do regime (e também por curiosos, que aproveitam a entrada gratuita). Este mausoleu esteve para ser demolido, no tempo de Boris Ieltsin e, diz-se, pode vir a fechar por falta de verba para conservar o cadáver do antigo mentor (recorde-se que após a morte de Lenine o seu corpo foi embalsamado e tem que sofrer manutenção periódica).
É visitável apenas entre as 10 e as 13, alguns dias por semana. Costuma ter fila e não se pode falar durante a visita nem tirar fotografias. No mesmo memorial estão também sepultados outros notáveis do regime soviético: Estaline, claro, mas também Yuri Gagarine, o primeiro cosmonauta soviético e Leonid Brezhnev, o último grande líder do Partido Comunista da União Soviética.
O Kremlin, também ainda aqui está, claro. E melhor que nunca: está bem restaurado e iluminado à noite. O mesmo se passa com a Catedral de São Basílio, igualmente bem preservada.
Porém, o espírito comunista perdeu-se. Em frente ao Kremlin abriu o fabuloso centro comercial GUM, com lojas de todas a marcas de roupas, sapatos e jóias que contam na Europa ocidental. Este centro comercial usa como meio promocional, na altura do natal, um ringue de patinagem, que coloca no meio da praça.
Por último, embora já fora da praça, mas mesmo em frente ao memorial dos mortos da IIª Guerra Mundial, abriu um Mc Donalds!
Lenine, se estivesse num túmulo, estava a revolver-se nele!
O viajante, por seu lado, pensa na mística da Praça Vermelha, ladeada das muralhas de tijolos avermelhados do Kremlin e recorda-se da sua origem na Idade Média, altura em que as primitivas muralhas foram construídas. E ocorre-lhe também que embora por esta praça tenham já passado vários regimes e vários governantes, a praça, ela mesma, continua lá, a atrair por si mesma milhares de visitantes por dia.


segunda-feira, novembro 19, 2007

Atomium, Bruxelas

Quando se vê pela primeira vez esta estrutura enorme, fica-se sem saber como a classificar; se é uma colossal escultura ou é antes uma originalíssima obra de arquitectura. Em todo o caso, a primeira impressão é sempre de deslumbramento, pela dimensão, pela imponência, pelo brilho metálico que o reveste. A sua forma corresponde à de uma molécula cristalizada de ferro, ampliado 165 biliões de vezes. Tem por isso 9 esferas, de 18 metros de diâmetro, unidas por 20 tubos, com comprimentos de 18 ou 23 metros, consoante os casos. Todo o conjunto é feito em aço, revestido de alumínio. Estima-se que pese 2400 toneladas. A esfera mais elevada atinge 102 metros de altura.
O Atomium foi desenhado pelo engenheiro belga André Waterkeyn para a Exposição Internacional de Bruxelas de 1958 e destinava-se a ser destruído após o seu encerramento. Porém, a popularidade que conquistou entre os 42 milhões de visitantes da Expo 58 e a sua singularidade acabaram por impedir a sua demolição. Na época, vivia-se em grande optimismo, cultivando-se a fantasia e a inovação na arquitectura. E a obra acabou por ficar. Naturalmente, sofreu grande envelhecimento, que obrigou à realização de obras de renovação, as quais decorreram entre 2003 e 2006.
Pode visitar-se o Atomium todos os dias do ano, das 10 às 18 horas. O bilhete de ingresso custa 9 € (7 € para estudantes e seniores), mas a entrada é gratuita para crianças menores de 12 anos. A visita incluiu a subida à esfera mais elevada, num elevador que, à data da sua construção, era o mais rápido da Europa, subindo cinco metros por segundo. Inclui ainda a visita a cinco outras esferas, por escadas (algumas delas – poucas –, rolantes, atravessando os tubos, a fazer lembrar o Espaço1999). Para subir, têm que galgar-se 80 degraus; para descer são 185!
O Atomium ficam em Bruxelas, na periferia noroeste da cidade. Próximo está o Estádio de Heysel. Chega-se lá de Metro, pela Linha 1A, saindo na estação de Heysel.

domingo, novembro 18, 2007

Rio de Janeiro

É incontornável. É uma referência para todo o viajante. Da cidade, disse Le Corbusier que os morros, as praias e as baías e enseadas têm uma geografia tão perfeita que nunca será superada por nenhum arquitecto. Tinha o bem conhecido arquitecto suíço em mente, senão em vista, o morro da Urca, o Corcovado e o Pão de Açúcar, enquadrados por Ipanema e por Copacabana.
O nome Rio de Janeiro foi-lhe dado por Américo Vespúcio, o florentino piloto-mor de Gonçalo Coelho, comandante da esquadra portuguesa que aqui chegou a 1 de Janeiro de 1502. Ficou como Rio porque era uma foz aquilo que os navegadores julgavam ter encontrado ao chegar à entrada da baía da Guanabara.

Desde então, o Rio passou por tudo: foi abrigo de piratas, porto de escoamento do ouro e da chegada dos escravos, magnífica cidade imperial, onde a corte metropolitana haveria de exilar-se. Foi entretanto capital do Brasil, entre 1640 e 1960, data em que o presidente Juscelino Kubischek transferiu oficialmente a capital para Brasília. Já no século XX, entre artistas de todo o mundo tornou-se moda ir ao Rio. A cidade era exuberante e descontraída. Foi a descontracção que atraiu os foragidos da justiça que aqui acorreram, em busca de sol. Tornou-se muito conhecido o caso dos criminosos de guerra nazis. Porém, o mais romântico dos exilados que aqui acabou por ser encontrado foi Ronald Biggs, o famoso inglês que assaltou o comboio-correio de Glasgow.
Rio de Janeiro é também a cidade onde vivem os mais ricos brasileiros e é, talvez, também aquela onde vivem mais pobres – e os mais pobres. Para mal de todos, a cidade tornou-se símbolo da violência desumana e indiscriminada.

Com a mente a recordar as imagens de “A cidade de Deus”, chegou o viajante ao Rio vindo de outra cidade do Brasil e a leitura das primeiras páginas dos jornais do avião revelou-lhe que só no dia anterior tinha ocorrido na cidade maravilhosa um tiroteio entre a polícia e “bandidos” que tinham acabado de assaltar vários veículos automóveis numa via rápida, um assassinato a sangue frio de um vigilante de uma loja e um assalto a todos os passageiros de um “ônibus” a caminho de uma favela, os quais ficaram despojados de tudo com excepção, nalguns casos, da roupa interior – só nalguns casos; noutros nem esta sobrou. Passeou o viajante com algum medo a sua máquina fotográfica. Acabou por perceber que a violência é sobretudo uma realidade dos morros e das chamadas vias expressas, em particular em horas mais tardias. Percebeu nessa altura porque a auto-estrada que seguiu do aeroporto para o hotel tinha muitos carros patrulha da Polícia Militar estacionados nas bermas.

Mas não foi essa a imagem que ficou. Ficou antes a fotografia de corpos cuidados, a apanhar sol em Ipanema, ao som de músicos ambulantes, que prescindem da moeda com simpatia e saúdam se o viajante lhes disser que não dá nada porque a vida está difícil. Ficou o sabor da inigualável frescura da água de coco, sorvida do próprio fruto, acabado de abrir a golpe de facalhão, na beira da praia. Ficou também a descontracção e a simpatia dos cariocas, que facilmente conversam com o vizinho de corrida, ao longo do calçadão de Copacabana como se o conhecessem de toda a vida.

segunda-feira, outubro 29, 2007

Torre Agbar, Barcelona

A silhueta urbana de Barcelona – o viajante já o sabe -, é dominada pela torres esbeltas da Sagrada Família. Porém, na última visita, o viajante foi surpreendido pela também esbelta Torre Agbar, que igualmente desponta por cima dos telhados da cidade condal e faz concorrência à inacabada catedral de Gaudí na disputa do horizonte.

Esta Torre Agbar, construída a noroeste da cidade, na Plaça de Les Glories Catalanes, no fim da Avenida Diagonal, foi desenhada por Jean Nouvel, o arquitecto francês que mais recentemente (em 2006) deu forma ao Museu Quai Branly, nas margens do Sena, em Paris – é um edifício com estrutura em vidro onde encaixam 28 cubos coloridos e se destina a alojar peças representativas das artes e civilizações de Africa, das Américas, da Ásia e da Oceânia. Em Paris, Jean Nouvel já tinha desenhado, no final do consulado do Presidente François Miterrand, o edifício do Instituto do Mundo Árabe, construído na rive gauche, próximo do Quartier Latin, em 1987.

Quanto à torre Agbar, tem 142 metros de altura e 34 andares, com estrutura de betão. Por fora, é flamejante, por ter revestimento de alumínio lacado e de placas de vidro colorido, que vão variando na tonalidade, produzindo uma multitude de efeitos ópticos. Tem o formato de uma bala, pretendendo evocar os píncaros rochedos de Montserrat, na Catalunha Central. Vê-se de toda a cidade. Está ocupada por escritórios. À noite está iluminada.

sábado, outubro 27, 2007

O porto de Marselha, França

O viajante chegou a Marselha com a memória dos livros do Asterix. Naquele tempo, a Massilia era uma cidade romana, virada para o mar. Já nessa altura ,a velha Massalia fundada pelos fenícios tinha o estatuto do maior porto do Mediterrâneo ocidental. Mais tarde, no fim do século XVI, os comerciantes da cidade criaram aqui a primeira Câmara de Comércio de França. Marselha sempre foi no passado uma cidade de comerciantes. E ainda hoje é.
Não é de estranhar por isso que o ponto nevrálgico da cidade seja “Le Vieux Port”, uma embocadura de mar que entra pela cidade, formando um enclave natural óptimo para o estabelecimento de um porto de mar fácil e atractivo para os comerciantes.
Hoje em dia o local parece mais uma supermarina. E na verdade, o porto velho é isso mesmo: uma marina rodeada de bares e hotéis, que constitui um oásis numa cidade dividida pelos conflitos étnicos, sobretudo nos bairros dominados por população magrebina. De um lado e do outro, fortalezas de origem medieval dão romantismo ao sítio.

Marselha tem voo directo de Lisboa, pela TAP, em aviões da Portugália, que antes assegurava a linha. O voo tem a duração de duas horas e percorre, no troço final, a costa mediterrânica francesa, sobrevoando o delta do Ródano. O aeroporto fica a 28 quilómetros da cidade, mas tem ligação, por autocarro rápido, ao centro da cidade.

quarta-feira, outubro 10, 2007

Oslo, uma capital tranquila

A Noruega é um país tranquilo, onde a população vive confortavelmente, com segurança e liberdade. Os seus habitantes são até conhecidos por serem pouco expressivos e não manifestarem os seus sentimentos e emoções. Vivem pacatamente instalados num país rico e moderno, financiado pelas jazidas petrolíferas do Mar do Norte.
Oslo é uma cidade de fusão, onde o passado guerreiro viking se cruza com imponentes manifestações de arte e arquitectura moderna, sobretudo na renovada orla costeira. A sua localização é estupenda, entre bosques de coníferas e plácidas águas do fiorde. A cidade é pequena e pouco movimentada. O trânsito, fácil e fluído, deixa uma certa impressão provinciana.
A partir do molhe Aker Brygge, a zona mais moderna e in da cidade, o viajante terá que passar pelo moderno e austero edifício da Câmara Municipal, construído em 1950 para comemorar os 900 anos da fundação da cidade. Depois, deverá percorrer a Karl Johans Gate, a única verdadeira grande avenida de Oslo, com um jardim a separar as duas faixas de trânsito. No topo, visitará o viajante o Palácio Real de Oslo, sóbrio e elegante edifício neoclássico, na parte mais alta de um parque arborizado. Ao fundo, verá o edifício do Parlamento Nacional Norueguês.

A capital da Noruega é uma cidade cara, onde tudo custa muito dinheiro. Os hotéis não são muitos e os restaurantes menos. Há algumas cervejarias onde se bebe bastante, sobretudo ao fim de semana. A solução de sobrevivência mais fácil e barata é recorrer às lojas de conveniência.
O aeroporto fica a quase uma hora da cidade, em autocarros directos, que atravessam o centro da cidade. Tem ligações a Lisboa, algumas das quais directas, embora na maior parte das vezes seja necessário fazer escala em Copenhaga.