Apresentado por Eça de Queirós, conhece o viajante desde os bancos do Liceu (a que hoje se chama Escola Secundária), o palacete do nº 202 dos Campos Elíseos, em Paris. Sabe que se trata de um digno e velho palácio comprado pelo avô de Jacinto (A Cidade e as Serras) a um príncipe polaco que depois da tomada de Varsóvia se meteu a frade capucho. Em tal palácio se entra por uma “álea bem areada”, ladeada de “uma relva mais lisa e varrida que a lã de um tapete”. No interior, “ouro pesado nos seus estuques e ramalhudas sedas”. Das suas varandas, abertas sobre os lilases (que Charles Aznavour dizia terem acabado há vinte anos), vê-se a eternamente chic Avenue des Champs-Elysées.
Quis o destino que o viajante desaguasse na Place de L’Etoile, agora oficialmente Charles de Gaulle, no topo da elísia avenida. Por aqui, não faltam palacetes como o do 202: solenes, com dignas fachadas de pedra trabalhada e jardins pequenos mas altivos. Entre eles estaria, concerteza, o 202.
Em vão o viajante o procurou. Rapidamente verificou que, do lado dos números pares, a numeração da avenida termina no nº 156 que, por sinal, é a embaixada de um país do petróleo do golfo.
Teve assim que confiar na imaginação do grande Eça para descobrir o prodigioso 202. E o seu elevador, do rés-do-chão para o primeiro andar (“era espaçoso, tapetado e oferecia, para aquela jornada de sete segundos, confortos numerosos: um divã, uma pele de urso, um roteiro das ruas de Paris, prateleiras gradeadas com charutos e livros”)Também só pela imaginação de Eça logrou o viajante visitar o ambiente do palácio, de “temperatura macia e tépida. Um criado, mais atento ao termómetro que um piloto à agulha, regulava destramente a boca dourada do calorífero. E perfumadores entre palmeiras, como num terraço santo de Benares, esparziam um vapor aromatizado e salutarmente humedecendo aquele ar delicado e superfino”.


Sem malas chegou Jacinto, o Príncipe da Grã-Ventura, à estação de Tormes, tendo como única bagagem uma bengala e um exemplar, já lido, do “Jornal do Comércio”.










Só as igrejas estão todas visitáveis. A Catedral da Assunção (Uspensky Sobor), construída entre 1475 e 1479, destinou-se a ser a igreja privada dos grandes príncipes de Moscovo e dos Czares da Rússia. Na Catedral do Arcanjo (Arkhangelsky Sobor), do início do século XVIII, estão os restos mortais dos príncipes e dos Czares. Era, aliás aqui que costumavam fazer-se as cerimónias de casamento, coroação e funeral dos czares. Ambas as catedrais estão fantasticamente decoradas. Os topos estão revestidos de incunábulos, em madeira pintada, ornados de prata, como moldura. O resto, as paredes laterais e as altíssimas colunas, estão cobertas de frescos. Ainda é visitável a Catedral da Anunciação (Blagoveshchensky Sobor) e a pequena igreja de Nossa Senhora do Santo (Tserkov Risopolozheniya), destinada a ser a igreja privativa dos patriarcas da igreja ortodoxa.





























