Da Albânia trouxe o viajante
a impressão de ser o canto mais escondido e esquecido do Mediterrâneo. O país
ainda não recuperou dos quarenta e cinco anos de isolamento forçado, imposto
pelo regime comunista radical, que fechou as fronteiras e proibia os contactos
com o exterior. Apesar disso, desde os anos noventa que a Albânia desperta
dessa letargia, abrindo as portas ao mundo e recuperando a sua história. Ela
mesma, a história, foi também banida pelo regime comunista de Enver Hodxa, em
nome da construção de um país novo, livre de classes e dos espartilhos do
passado feudal e religioso. Em nome disso foram arrasadas igrejas, mesquitas e
outros edifícios de interesse histórico.
Não obstante, desde há muito
que, em vários pontos do território albanês, são conhecidos vestígios da
antiguidade e, em particular, da antiguidade clássica – o mar Adriático, que
banha as costas do sul da Albânia, foi intensamente colonizado por gregos e
romanos, que aqui construíram portos comerciais e cidades.
Foi o caso de Apollonia, a
primeira cidade do mundo antigo a ser baptizado com o nome de Apolo: esta
colónia grega, fundada por emigrantes de Corinto, durante o século VII AC
naquela que então era a Ilíria, chegou a ter 60 mil habitantes. Nesse tempo era
inteiramente cercada por muralhas, que teriam quatro quilómetros de perímetro.
No início do primeiro milénio foi um grande centro da cultura romana –
tornou-se conhecida pela sua escola de filosofia. Aliás, por ela passou, no ano
45 AC, como estudante, Octávio, o imperador que mais tarde ficou conhecido como
César Augusto.
Porém, a cidade veio a
sofrer vários terramotos, que a destruíram. Além disso, o assoreamento do rio
Vjosa, que antes disso lhe dava acesso ao mar, isolou-a e a cidade acabou por
declinar. Perdeu-se no tempo até vir a ser descoberta, no início do século XX
pelo arqueólogo francês Leon Rey, que realizou aqui escavações durante várias
décadas (foi impedido de continuar pelo regime comunista).
Na actualidade, Apollonia é a maior estação
arqueológica da Albânia. Dizem os guias que é um dos locais mais interessantes
para visitar, neste país que não é conhecido pelo seu interesse turístico. De
facto, achou o viajante muito interessante a visita a esta estância
arqueológica. Fez-lhe recordar imagens de locais históricos em filmes italianos
dos anos 50: nas ruínas, muitas pedras, concerteza interessantes, mas nada
organizadas nem identificadas; famílias faziam piqueniques nas ruínas, como
fariam num qualquer parque; um ou dois vendedores vendiam produtos locais (mel,
artesanato de madeira de oliveira), expostos em caixas de fruta, à entrada, um
funcionário de barba por fazer, bastante mal vestido, sem uniforme nem qualquer
elemento identificador, vendia bilhetes, que trazia no bolso das calças, ao
mesmo tempo que segurava um cigarro no canto da boca – a princípio, até julgou
o viajante tratar-se de uma qualquer vigaricezita
Ultrapassada esta primeira
impressão, desfrutou o viajante da passagem por aqui. Impressionou-o o Odeon,
um pequeno teatro, originariamente grego, mas romanizado, com capacidade para
300 pessoas, que está bem recuperado. Mas também o impressionou a fachada
principal (a única sobrevivente) do Bouleuterion – a sede do Boulea, o antigo
Conselho Municipal de Apollonia. Julga-se que ambos os monumentos terão sido
construídos no século II. Ambos foram restaurados na última década. No recinto,
fica ainda o Museu de Apollonia, instalado num mosteiro ortodoxo, bizantino, do
século XI, que foi recuperado para o efeito.
O Parque Arqueológico de
Apollonia fica a cerca de 12 km de Fieri, 120 km a sul de Tirana, no centro da
Albânia. Cobre uma área de 750 hectares e foi criado em 2005. Está aberto todos
os dias, da 9 às 17 horas (nos meses de verão abre às 8 e encerra às 20 horas.
(www.apollonia.al). O bilhete para todo
o recinto, incluído o museu, custa 300 lek albaneses – pouco mais de 2 euros. O
acesso não é fácil: não há transportes públicos e as estradas, desde Fieri, são
estreitas e esburacadas, por entre aldeias pobres e degradadas. Tal como em
toda a Albânia, as placas sinalizadoras escasseiam e torna-se necessário
perguntar o caminho. Em albanês, claro…
sábado, abril 28, 2012
quarta-feira, abril 11, 2012
Serra de Aire, Portugal
A fotografia foi tirada na zona da Serra de Aire. E não é original nem única: já calhou o viajante ser surpreendido por elegantes moradias rurais em cuja frontaria pontificam dragões, irmanados com águias e leões. O que não tinha visto nunca – e aqui só com atenção depois reparou -, foi esta trindade de mascotes estar abençoada pela companhia, embora mais discreta, dos pastorinhos de Fátima.
sábado, março 31, 2012
Praga e Bruxelas
Na bíblica Babel, cada um dos povos, falando a sua língua, entendia perfeitamente os outros. Interroga-se muito o viajante sobre as razões pelas quais, depois disso, as palavras entraram em deriva e se afastaram tanto umas das outras.
Sobretudo em países de língua de famílias muito diferentes da latina, tem o viajante sido surpreendido por palavras muito parecidas a congéneres portuguesas, mas que significam algo absolutamente diferente daquilo que representam em português.
Ocorriam-lhe estas ociosas lucubrações ao viajante, quando arrumava a fotografia acima, tirada em Praga, e a de baixo, em Bruxelas. Em ambos os casos ficou sem saber o que estará por detrás daquela grafia que tão familiarmente clara se lhe apresentou.
terça-feira, março 20, 2012
Radisson Blu Royal Hotel, Copenhaga, Dinamarca
Não tem o viajante deixado por aqui muitas referências a hotéis. A verdade é que não tem frequentado hotéis que mereçam menção especial. Ocorre, porém, destacar o Radisson Blu Royal Hotel, que já foi o Hotel SAS Royal, em Copenhaga. Não é que se destaque pelo serviço, que é bom, nem pelo conforto, que é de óptimo nível: em geral, tem a qualidade e ao mesmo tempo a simplicidade típicas dos hotéis nórdicos.
Este hotel mereceu particular atenção do viajante porque se assumiu, desde que foi projectado, por Arne Jacobsen, como um emblema da tradição dinamarquesa de design. Foi desenhado em 1956 e inaugurado em 1960 e logo se tornou numa das obras emblemáticas de Jacobsen. É até considerado o primeiro hotel-design do mundo.
De facto, tudo no edifício e no seu recheio foi meticulosamente desenhado de propósito para o hotel: além da fachada rectilínea, foram desenhadas por Jacobsen, desde as maçanetas das portas aos cinzeiros e desde as cadeiras até aos sabonetes de cortesia, que se disponibilizam na casa de banho.
Quanto às cadeiras, vieram a tornar-se num dos mais famosos ícones de Jacobsen e do design nórdico. As cadeiras Ovo e Cisne, ambas concebidas especialmente para o hotel, vieram mesmo a tornar-se verdadeiros ícones do design mundial. Assim aconteceu em particular com a cadeira Ovo, em forma oval, concebida para assegurar um ambiente privado num contexto normalmente agitado – esta peça foi especialmente idealizada para o lobby do hotel.
Arne Jacobsen (nasceu em 1902 e morreu em 1971) é considerado o pai do design nórdico. Foi arquitecto, decorador de interiores e desenhador de móveis. Cultivou um estilo muito simples e linear, que pretendeu sempre combinar a função do móvel com sua forma.
Quanto ao edifício do Radisson Blu Royal Hotel, fica no centro de Copenhaga, na Hammerichsgade, nº1, mesmo em frente dos Jardins Tivoli e muito próximo da zona comercial da rua Stroget. Além disso, fica ao lado da estação central de comboios. Um quarto duplo pode custar 200 euros por noite, mas se for reservado com muita antecedência, na Internet, o preço pode ser muitíssimo mais convidativo.
Este hotel mereceu particular atenção do viajante porque se assumiu, desde que foi projectado, por Arne Jacobsen, como um emblema da tradição dinamarquesa de design. Foi desenhado em 1956 e inaugurado em 1960 e logo se tornou numa das obras emblemáticas de Jacobsen. É até considerado o primeiro hotel-design do mundo.
De facto, tudo no edifício e no seu recheio foi meticulosamente desenhado de propósito para o hotel: além da fachada rectilínea, foram desenhadas por Jacobsen, desde as maçanetas das portas aos cinzeiros e desde as cadeiras até aos sabonetes de cortesia, que se disponibilizam na casa de banho.
Quanto às cadeiras, vieram a tornar-se num dos mais famosos ícones de Jacobsen e do design nórdico. As cadeiras Ovo e Cisne, ambas concebidas especialmente para o hotel, vieram mesmo a tornar-se verdadeiros ícones do design mundial. Assim aconteceu em particular com a cadeira Ovo, em forma oval, concebida para assegurar um ambiente privado num contexto normalmente agitado – esta peça foi especialmente idealizada para o lobby do hotel.
Arne Jacobsen (nasceu em 1902 e morreu em 1971) é considerado o pai do design nórdico. Foi arquitecto, decorador de interiores e desenhador de móveis. Cultivou um estilo muito simples e linear, que pretendeu sempre combinar a função do móvel com sua forma.
Quanto ao edifício do Radisson Blu Royal Hotel, fica no centro de Copenhaga, na Hammerichsgade, nº1, mesmo em frente dos Jardins Tivoli e muito próximo da zona comercial da rua Stroget. Além disso, fica ao lado da estação central de comboios. Um quarto duplo pode custar 200 euros por noite, mas se for reservado com muita antecedência, na Internet, o preço pode ser muitíssimo mais convidativo.
domingo, março 18, 2012
Bruges, Bélgica
A Bruges, (ou Brugge, em flamengo, língua local), deve ir-se no inverno. Claro que o verão é sempre mais bonito, sobretudo em latitudes mais a norte: o tempo é melhor, os dias são maiores e a paisagem é mais verde e menos fria. Mas Bruges é impossível no verão: está inundada de turistas e transformada numa espécie de enorme parque temático. E é pena porque - sem qualquer reserva o assume o viajante -, Bruges é das mais bonitas cidades que visitou na Europa. Aliás, é classificada como património da humanidade, pela Unesco, desde 2000. Embora haja sempre, durante todo o ano, muitos turistas pelas ruas, Bruges é também consensualmente qualificada pelos guias como um dos melhores destinos da Europa.
A melhor forma de chegar a Bruges vindo-se de Bruxelas, poiso normal na Bélgica, é o comboio. De Bruxelas, a viagem demora uma hora de comboio, a partir da estação central (Bruxelles Centrale). Há comboios de meia em meia hora e a viagem custa 11,80 €. É que, além do mais, é difícil estacionar nesta cidade antiga. E depois, Bruges é daquelas cidades onde tem que andar-se a pé.
A denominação “Bruges” terá tido origem em “bryggia”, que em flamengo antigo designaria embarcadouro. Esta será uma história do século IX, numa cidade que alcançou o seu apogeu nos séculos XIV e XV, quando fazia parte do Ducado da Borgonha e se evidenciou como um centro de letras e artes. São dessa época dois dos grandes vultos da cidade: Jan van Eyck (1390-1441) e Hans Memling (1433-1494). Na verdade, Bruges, uma poderosa cidade mercantil (no século XIV era mesmo o centro mercantil mais importante da Europa) foi uma das cidades que mais marcou o carácter da Flandres, tal como ela se inscreveu na história.
O conjunto arquitectónico que ainda hoje subsiste da cidade antiga é muito harmonioso. É formado por uma enorme rede de ruas medievais, por vezes atravessadas por canais. A cidade é injustamente chamada de Veneza do Norte: merece muito mais que a comparação e esta menoriza-a, porque com Veneza apenas tem em comum ter canais – quanto ao resto, tem identidade muito própria.
São visitas obrigatórias a praça do Markt, ou Grote Markt (centro nevrálgico da cidade, herdeiro do esplendor da cidade, do tempo em que o seu porto de mar era dos mais importantes do Mar do Norte – agora, há por aqui barracas onde se comem óptimas batatas fritas), os canais, o Museu Memling e a praça do Burg, coração histórico da cidade, recheado de ícones da arquitectura flamenga (destaque para a catedral do Santo Sangue, do século XII e para a catedral, do século XV).

Dizem os guias turísticos que há em Bruges cerca de 80 cervejarias em muitas das quais se vende cerveja local, por vezes mesmo fabricada na casa. Reteve o viajante o Grand Café Belfort, onde se bebe a cerveja da casa (Brugs Belfort), de travo intenso e rico, tradicional, ao estilo abadia. Mas mais reteve ainda as chocolatarias, que pululam pela cidade. Vendem chocolate artesanal, quer em formatos tradicionais, quem modelado nas mais diversas e criativas formas.
A melhor forma de chegar a Bruges vindo-se de Bruxelas, poiso normal na Bélgica, é o comboio. De Bruxelas, a viagem demora uma hora de comboio, a partir da estação central (Bruxelles Centrale). Há comboios de meia em meia hora e a viagem custa 11,80 €. É que, além do mais, é difícil estacionar nesta cidade antiga. E depois, Bruges é daquelas cidades onde tem que andar-se a pé.
A denominação “Bruges” terá tido origem em “bryggia”, que em flamengo antigo designaria embarcadouro. Esta será uma história do século IX, numa cidade que alcançou o seu apogeu nos séculos XIV e XV, quando fazia parte do Ducado da Borgonha e se evidenciou como um centro de letras e artes. São dessa época dois dos grandes vultos da cidade: Jan van Eyck (1390-1441) e Hans Memling (1433-1494). Na verdade, Bruges, uma poderosa cidade mercantil (no século XIV era mesmo o centro mercantil mais importante da Europa) foi uma das cidades que mais marcou o carácter da Flandres, tal como ela se inscreveu na história.
O conjunto arquitectónico que ainda hoje subsiste da cidade antiga é muito harmonioso. É formado por uma enorme rede de ruas medievais, por vezes atravessadas por canais. A cidade é injustamente chamada de Veneza do Norte: merece muito mais que a comparação e esta menoriza-a, porque com Veneza apenas tem em comum ter canais – quanto ao resto, tem identidade muito própria.
São visitas obrigatórias a praça do Markt, ou Grote Markt (centro nevrálgico da cidade, herdeiro do esplendor da cidade, do tempo em que o seu porto de mar era dos mais importantes do Mar do Norte – agora, há por aqui barracas onde se comem óptimas batatas fritas), os canais, o Museu Memling e a praça do Burg, coração histórico da cidade, recheado de ícones da arquitectura flamenga (destaque para a catedral do Santo Sangue, do século XII e para a catedral, do século XV).
O edifício mais alto de Bruges é o Belfry, campanário e símbolo burguês da cidade, que pretendeu, como noutras cidades flamengas, contrariar o protagonismo das catedrais – foi construído no século XIII e tem 88 metros de altura e carrilhão de sinos no topo.
Tinha o viajante muita curiosidade pelo Begijnhof, ou beatério, uma tradição dos Países Baixos, com origem no século XIII e que viu já replicado noutras cidades da Flandres (Amesterdão, por exemplo) – este Begijnhof de Bruges foi fundado em 1245. Como os outros, era uma comunidade religiosa de mulheres que, apesar disso, não pertenciam especificamente a nenhuma ordem religiosa. Viviam em pequenas casas, umas junto das outras, num espaço fechado ao exterior. Nele encontrou o viajante uma espaço muito pacato.
Dizem os guias turísticos que há em Bruges cerca de 80 cervejarias em muitas das quais se vende cerveja local, por vezes mesmo fabricada na casa. Reteve o viajante o Grand Café Belfort, onde se bebe a cerveja da casa (Brugs Belfort), de travo intenso e rico, tradicional, ao estilo abadia. Mas mais reteve ainda as chocolatarias, que pululam pela cidade. Vendem chocolate artesanal, quer em formatos tradicionais, quem modelado nas mais diversas e criativas formas.
quarta-feira, fevereiro 29, 2012
Madrid
A língua é sempre uma das dificuldades da viagem. Ou um dos aliciantes; depende do local e das circunstâncias. Há povos e países que procuram entender os viajantes e fazer-se entender e outros a quem falta a boa vontade ou o jeito. Em Espanha, por exemplo, mais vale tentar falar a língua local.
Mas mesmo assim, desta vez, a da fotografia, no Metro de Madrid, teve o viajante alguma dificuldade em encontrar o sentido certo e evitar que se perdesse algo na tradução. Mas se não está em erro, nesta “papelera” era proibido deitar papéis.
domingo, fevereiro 05, 2012
Parque Biológico de Gaia, Portugal
Tem o viajante pouca apetência por jardins zoológicos, daqueles onde os animais estão enjaulados em gaiolas todas muito iguais, com a preocupação única de que os visitantes possam vê-los e assim juntá-los à sua colecção de cromos. Os zoológicos parecem ao viajante uma espécie de McDonald’s da natureza. Talvez por isso, teve uma agradável surpresa no Parque Biológico de Gaia, um espaço natural descontraído e criteriosamente desordenado, como a natureza.
Não o fazia tão antigo o viajante, mas a sua origem remonta a 1981, quando a Câmara Municipal de Gaia comprou um primeiro pequeno terreno onde se instalaram os primeiros “equipamentos de educação ambiental”, que vieram a ter já o nome de parque biológico. Os primeiros visitantes surgiram em 1983. Actualmente, o parque estende-se por 35 hectares e emprega 120 pessoas. A ideia que lhe subjaz é muito mais ambiciosa que a de um mero zoológico: pretende, dentro de uma área de natureza, expor animais, dentro do seu ambiente próprio e com respeito pelas suas necessidades comportamentais. Por isso, pretende interpretar, mais que exibir, no contexto natural em que as espécies se inserem. Além da fauna, é também importante a vertente da flora, quer a selvagem, quer aquela que é explorada pela agricultura.
O parque está organizado para que se faça um percurso pedestre de cerca de 3 km, ao longo dos quais se vão vendo espécies – animais e flora. E pelo meio, muita informação, em painéis espalhados pelo percurso. Além de ecossistemas selvagens, foram também mantidos ambientes humanizados, rurais – casas agrícolas e moinhos. O percurso está muito bem sinalizado e pedagogicamente orientado. Pode ainda visitar-se um Biorama, que é uma zona coberta, de exposição de interior, em que foram recriados habitats de outras zonas do globo, com plantas e animais vivos. No total, entre animais e plantas, anuncia o parque ter cerca de 700 espécies a viver aqui.
Quanto às espécies de fauna, muito agradou ao viajante ver os animais no seu ambiente – em geral, é bicharada de por aqui, ou habituada ao nosso clima. Em particular, quanto às aves, achou o viajante simpática a ideia de, quanto a muitas delas, se proporcionarem condições para que nidifiquem e para que depois vão à sua vida voltando, se quiserem, na altura certa no próximo ano. Nestas condições, o parque acolhe cerca de 40 espécies – que acabam efectivamente por voltar. É, por outro lado, interessante perceber que nenhum dos animais que aqui vivem foi comprado (muitos, são animais apreendidos a caçadores ilegais ou a traficantes) e a que filosofia do parque passa por devolvê-los, sendo possível, à natureza.
O parque está aberto todos os dias do ano, a partir das 10 horas. Fecha às 18 horas no inverno e às 19 no verão (20 horas, ao fim de semana). Dispõe de um bar, onde se podem fazer refeições ligeiras. Fica em Avintes, muito perto de Gaia e do Porto, a cerca de 1 km da Auto-estrada do Norte - saída Castelo de Paiva/Avintes.
Não o fazia tão antigo o viajante, mas a sua origem remonta a 1981, quando a Câmara Municipal de Gaia comprou um primeiro pequeno terreno onde se instalaram os primeiros “equipamentos de educação ambiental”, que vieram a ter já o nome de parque biológico. Os primeiros visitantes surgiram em 1983. Actualmente, o parque estende-se por 35 hectares e emprega 120 pessoas. A ideia que lhe subjaz é muito mais ambiciosa que a de um mero zoológico: pretende, dentro de uma área de natureza, expor animais, dentro do seu ambiente próprio e com respeito pelas suas necessidades comportamentais. Por isso, pretende interpretar, mais que exibir, no contexto natural em que as espécies se inserem. Além da fauna, é também importante a vertente da flora, quer a selvagem, quer aquela que é explorada pela agricultura.
O parque está organizado para que se faça um percurso pedestre de cerca de 3 km, ao longo dos quais se vão vendo espécies – animais e flora. E pelo meio, muita informação, em painéis espalhados pelo percurso. Além de ecossistemas selvagens, foram também mantidos ambientes humanizados, rurais – casas agrícolas e moinhos. O percurso está muito bem sinalizado e pedagogicamente orientado. Pode ainda visitar-se um Biorama, que é uma zona coberta, de exposição de interior, em que foram recriados habitats de outras zonas do globo, com plantas e animais vivos. No total, entre animais e plantas, anuncia o parque ter cerca de 700 espécies a viver aqui.
Quanto às espécies de fauna, muito agradou ao viajante ver os animais no seu ambiente – em geral, é bicharada de por aqui, ou habituada ao nosso clima. Em particular, quanto às aves, achou o viajante simpática a ideia de, quanto a muitas delas, se proporcionarem condições para que nidifiquem e para que depois vão à sua vida voltando, se quiserem, na altura certa no próximo ano. Nestas condições, o parque acolhe cerca de 40 espécies – que acabam efectivamente por voltar. É, por outro lado, interessante perceber que nenhum dos animais que aqui vivem foi comprado (muitos, são animais apreendidos a caçadores ilegais ou a traficantes) e a que filosofia do parque passa por devolvê-los, sendo possível, à natureza.
O parque está aberto todos os dias do ano, a partir das 10 horas. Fecha às 18 horas no inverno e às 19 no verão (20 horas, ao fim de semana). Dispõe de um bar, onde se podem fazer refeições ligeiras. Fica em Avintes, muito perto de Gaia e do Porto, a cerca de 1 km da Auto-estrada do Norte - saída Castelo de Paiva/Avintes.
sexta-feira, fevereiro 03, 2012
domingo, janeiro 15, 2012
Rotorua, Nova Zelândia
Tem o viajante alguma curiosidade por cidades termais, que tem visitado aqui e ali. Mas poucas o surpreenderam tanto como Rotorua, cidade que se arroga o título de capital termal da Nova Zelândia. Fica na Ilha Norte, a maior e mais povoada das ilhas do país dos kiwis, a um pouco mais de 200 quilómetros de Auckland.
Há outras nascentes termais, nas redondezas, estão em geral associadas a géisers. Próximo, fica o parque termal de Whakarewarewa, onde é possível ver um temperamental géiser, cuja erupção acontece 10 a 25 vezes por dia. Muito mais certinho é um famoso, na zona, Geyser Lady Knox, um pouco mais distante da cidade, cujo jorro chega a 20 metros de altura e cuja erupção acontece todos os dias às 10:15 minutos. Em ponto!
A zona tornou-se um destino termal a partir do fim do século XIX, acompanhando e copiado o modelo termal da Europa na época. Foi para o efeito construída uma casa para banhos, promenades, um coreto, uma casa de chá e as fontes termais foram rodeadas de jardins. Já em 1908 foi construída um enorme palacete, para casa de banhos, nos Government Gardens. Esse palacete eduardiano ainda existe, mas está agora remodelado como museu. Mais tarde, em 1931, foi aberto um novo complexo de banhos, com piscinas. Este complexo (o Blue Baths Complex) tinha não apenas em vista permitir o uso da água termal como tratamento, mas sobretudo possibilitar banhos de laser. O edifício está também remodelado e funciona com a sua missão original, como piscina de charme.
Sentiu o viajante que Rotorua é um bom destino de férias de verão, já que podem desenvolver-se aqui imensas actividades de ar livre, de montanha e de lago. Mas é também conhecida por ser uma das regiões da Nova Zelândia onde melhor sobrevive a cultura maori. Um terço dos habitantes da região são de origem maori - em toda a Nova Zelândia não são mais de 15 por cento. Viu o viajante algumas casas comunais maori, de reunião dos chefes de família, embora lhe parecessem muito modernas. São edifícios simples, que parecem tendas canadianas. Os seus elementos decorativos principais são as esculturas em madeira, que em geral representam os símbolos dos antepassados da tribo a que pertencem os ramos da família dona da casa.
De tudo ficou a impressão de uma Nova Zelândia profunda, alheia aos clichés dos fiordes e das montanhas nevadas, mas muito autêntica, na assunção da herança da colonização britânica, mas também na recuperação da quase extinta cultura dos maori, o primeiro povo que chegou às ilhas.
Surpreendeu o viajante a quantidade de nascentes termais. Na verdade, a cidade está construída na beira de um lago (o Lago de Rotorua), que mais não é do que a cratera extinta de um antigo vulcão. Por isso, em qualquer lugar em que se abra um buraco no chão, nasce água quente, borbulhante. Aliás, espontaneamente, todos os dias nascem novas fontes de água quente, com grandes teores de bicarbonato e de sílica.
Há nascentes termais por toda a cidade, mas na zona conhecida como campo termal (o Kuirau Park) há dúzias delas! Na prática, são buracos no chão – alguns deles, com dezenas de metros de diâmetro, que formam fumarolas e piscinas naturais de água borbulhante. Chegou o viajante a Rotorua numa manhã fresca de inverno e o espectáculo foi impressionante: o vapor da água quente que se formava no ar frio dava à terra – em particular às nascentes –, um ar místico, de outro mundo.Há outras nascentes termais, nas redondezas, estão em geral associadas a géisers. Próximo, fica o parque termal de Whakarewarewa, onde é possível ver um temperamental géiser, cuja erupção acontece 10 a 25 vezes por dia. Muito mais certinho é um famoso, na zona, Geyser Lady Knox, um pouco mais distante da cidade, cujo jorro chega a 20 metros de altura e cuja erupção acontece todos os dias às 10:15 minutos. Em ponto!
A zona tornou-se um destino termal a partir do fim do século XIX, acompanhando e copiado o modelo termal da Europa na época. Foi para o efeito construída uma casa para banhos, promenades, um coreto, uma casa de chá e as fontes termais foram rodeadas de jardins. Já em 1908 foi construída um enorme palacete, para casa de banhos, nos Government Gardens. Esse palacete eduardiano ainda existe, mas está agora remodelado como museu. Mais tarde, em 1931, foi aberto um novo complexo de banhos, com piscinas. Este complexo (o Blue Baths Complex) tinha não apenas em vista permitir o uso da água termal como tratamento, mas sobretudo possibilitar banhos de laser. O edifício está também remodelado e funciona com a sua missão original, como piscina de charme.
Sentiu o viajante que Rotorua é um bom destino de férias de verão, já que podem desenvolver-se aqui imensas actividades de ar livre, de montanha e de lago. Mas é também conhecida por ser uma das regiões da Nova Zelândia onde melhor sobrevive a cultura maori. Um terço dos habitantes da região são de origem maori - em toda a Nova Zelândia não são mais de 15 por cento. Viu o viajante algumas casas comunais maori, de reunião dos chefes de família, embora lhe parecessem muito modernas. São edifícios simples, que parecem tendas canadianas. Os seus elementos decorativos principais são as esculturas em madeira, que em geral representam os símbolos dos antepassados da tribo a que pertencem os ramos da família dona da casa.
De tudo ficou a impressão de uma Nova Zelândia profunda, alheia aos clichés dos fiordes e das montanhas nevadas, mas muito autêntica, na assunção da herança da colonização britânica, mas também na recuperação da quase extinta cultura dos maori, o primeiro povo que chegou às ilhas.
quarta-feira, janeiro 04, 2012
Varsóvia
É uma cidade de contrastes: convivem o antigo e o moderno, o muito comum e profundo sentimento religioso com as manifestações mais fúteis e materialistas do mundo actual, a herança comunista com os modernos edifícios de hotéis e bancos internacionais. Porém, são contrastes pacíficos, que coexistem tranquilamente, enquanto o país progride e se desenvolve a uma enorme velocidade. Bom exemplo é o antigo edifício do Partido Comunista polaco, no Rondo De Gaulle’a (cruzamento da Nowy Swiat com a avenida Jerozolimskie: depois da queda do regime comunista, o edifício ficou abandonado; veio a ser utilizado para sede da Bolsa de Valores (vade retro comunismo…) e depois passou a edifício de escritórios, ocupado com bancos e sociedades financeiras; no rés do chão abriram entretanto lojas de artigos de luxo (o stand Ferrari, por exemplo).
O contraste é também grande entre as largas avenidas, ladeadas ainda em muito grande número por velhos e degradados prédios em estilo estalinista (cada vez mais substituídos por edifícios modernos, em vidro e aço) e as ruas mais estreitas da zona antiga, onde se sucedem os palacetes, palácios, edifícios nobres e igrejas. Nas zonas modernas, do centro, as distâncias são muito grandes e, mesmo sendo o viajante convicto caminhante, tornou-se necessário andar de transportes públicos. Pelo contrário, na cidade antiga, as distâncias são curtas, há zonas pedonais e é muito agradável passear.
Calhou o viajante passar em Varsóvia com sol e a cidade revelou cores lindíssimas, nas fachadas maioritariamente barrocas dos bairros antigos. Trouxe na memória os magníficos palácios reconstruídos na segunda metade do século XX. Diz-se que 80 a 90 por cento de Varsóvia foi destruída no decurso da Segunda Guerra Mundial, sendo o núcleo antigo do centro reconstruído com o auxílio de pinturas e gravuras antigas. Viu o viajante na rua, em zonas mais turísticas, reproduções de detalhados óleo de Canaletto (Giovanni Canal, o pintor veneziano do século XVIII que se tornou famoso pelos pinturas representando Veneza).
Não obstante, Varsóvia é actualmente uma cidade moderna, que vive menos do passado do que para o futuro. No presente, prepara-se o campeonato Europeu de futebol, do verão de 2012. Não obstante, sentiu o viajante que o Solidariedade (“Solidarnosc”), o antigo sindicato que, a partir de 1980 inspirou as movimentações sociais que culminariam com a queda do regime comunista, ainda está na memória de todos. Aliás, o seu logótipo inspirou directamente o símbolo da presidência polaca da União Europeia, que agora terminou.
O contraste é também grande entre as largas avenidas, ladeadas ainda em muito grande número por velhos e degradados prédios em estilo estalinista (cada vez mais substituídos por edifícios modernos, em vidro e aço) e as ruas mais estreitas da zona antiga, onde se sucedem os palacetes, palácios, edifícios nobres e igrejas. Nas zonas modernas, do centro, as distâncias são muito grandes e, mesmo sendo o viajante convicto caminhante, tornou-se necessário andar de transportes públicos. Pelo contrário, na cidade antiga, as distâncias são curtas, há zonas pedonais e é muito agradável passear.
Calhou o viajante passar em Varsóvia com sol e a cidade revelou cores lindíssimas, nas fachadas maioritariamente barrocas dos bairros antigos. Trouxe na memória os magníficos palácios reconstruídos na segunda metade do século XX. Diz-se que 80 a 90 por cento de Varsóvia foi destruída no decurso da Segunda Guerra Mundial, sendo o núcleo antigo do centro reconstruído com o auxílio de pinturas e gravuras antigas. Viu o viajante na rua, em zonas mais turísticas, reproduções de detalhados óleo de Canaletto (Giovanni Canal, o pintor veneziano do século XVIII que se tornou famoso pelos pinturas representando Veneza).
Não obstante, Varsóvia é actualmente uma cidade moderna, que vive menos do passado do que para o futuro. No presente, prepara-se o campeonato Europeu de futebol, do verão de 2012. Não obstante, sentiu o viajante que o Solidariedade (“Solidarnosc”), o antigo sindicato que, a partir de 1980 inspirou as movimentações sociais que culminariam com a queda do regime comunista, ainda está na memória de todos. Aliás, o seu logótipo inspirou directamente o símbolo da presidência polaca da União Europeia, que agora terminou.
quarta-feira, dezembro 28, 2011
Os portugueses no Luxemburgo
“Ó Horácio: há limas?” Foi isto que o viajante teve como resposta à pergunta que fez, depois de entrar no Hotel La Ville de Bruxelles, em Vianden, nos confins das Ardenas, no Luxemburgo. Logo ao passar a porta de entrada, tinha visto na parede um papel manuscrito onde se dizia “há caipirinha”. Em português, pediu uma. E o seu cálculo não foi errado, porque logo de seguida a empregada de mesa, com claro sotaque do nordeste transmontano, fez a pergunta ao rapaz moreno e baixo, de t-shirt de mangas cavas, que estava por detrás do balcão.
E sim, havia limas. “Sabe”, explicou a rapariga, “estive de congée e só voltei hoje e por isso não sabia se havia”. O que também havia era sopa de cenoura, abóbora e couve galega – aliás bastante melhor que a caipirinha. E só mais tarde o viajante reparou que na porta do bar estava pendurada uma bandeira portuguesa e que a ementa era bilingue: em português e francês. E também que a ementa era verdadeiramente de cozinha de fusão, com grande densidade de specialités portuguaises. Já depois de sair ficou com pena de não ter provado o croque monsieur de salpicão.
Já ocorreram ao viajante várias outras histórias deste teor, quando tem passado pelo Luxemburgo. Foi o Café Chaves, na estrada de saída da cidade do Luxemburgo para o norte, ou o restaurante Bom Petisco II – Chez Cândido e Cristina, em Echternach. Ou ainda o anúncio que dizia haver “castanhas de Carrazedo de Montenegro” no Mini-Market de Bereldange. É bem sabido que neste pequeno país do centro da Europa, cerca de 100 mil dos 400 mil habitantes são portugueses ou descendentes de portugueses. Há muitas associações e colectividades lusas que, mais intensamente que em qualquer outro destino da diáspora, mantém vivos os laços a Portugal.
Mas nalguns casos vão mesmo mais longe: estão mesmo a mudar a face e a alma do Luxemburgo: não esquece o viajante Clervaux, no norte, encostada às Ardenas; nesta graciosa vilória, na tranquilidade de um domingo de manhã, ouviu o viajante o carrilhão da igreja a dar as horas e, não sem espanto, reconheceu a treze de Maio, na Cova da Iria...
E sim, havia limas. “Sabe”, explicou a rapariga, “estive de congée e só voltei hoje e por isso não sabia se havia”. O que também havia era sopa de cenoura, abóbora e couve galega – aliás bastante melhor que a caipirinha. E só mais tarde o viajante reparou que na porta do bar estava pendurada uma bandeira portuguesa e que a ementa era bilingue: em português e francês. E também que a ementa era verdadeiramente de cozinha de fusão, com grande densidade de specialités portuguaises. Já depois de sair ficou com pena de não ter provado o croque monsieur de salpicão.
Já ocorreram ao viajante várias outras histórias deste teor, quando tem passado pelo Luxemburgo. Foi o Café Chaves, na estrada de saída da cidade do Luxemburgo para o norte, ou o restaurante Bom Petisco II – Chez Cândido e Cristina, em Echternach. Ou ainda o anúncio que dizia haver “castanhas de Carrazedo de Montenegro” no Mini-Market de Bereldange. É bem sabido que neste pequeno país do centro da Europa, cerca de 100 mil dos 400 mil habitantes são portugueses ou descendentes de portugueses. Há muitas associações e colectividades lusas que, mais intensamente que em qualquer outro destino da diáspora, mantém vivos os laços a Portugal.
Mas nalguns casos vão mesmo mais longe: estão mesmo a mudar a face e a alma do Luxemburgo: não esquece o viajante Clervaux, no norte, encostada às Ardenas; nesta graciosa vilória, na tranquilidade de um domingo de manhã, ouviu o viajante o carrilhão da igreja a dar as horas e, não sem espanto, reconheceu a treze de Maio, na Cova da Iria...
terça-feira, dezembro 20, 2011
Nova Zelândia – os antípodas próximos
Literalmente do outro lado
do mundo, geográfica e fisicamente, a Nova Zelândia é o país que fica mais
distante de Portugal. Não obstante, encontrou lá o viajante um familiar porto
de abrigo, do lado de lá da imensidão das culturas asiáticas e oceânicas que
têm que se atravessar até lá chegar.
Este espírito britânico, com um toque mais solto e colonial, sente-se aliás na Nova Zelândia, que é um país muito civilizado, com grandes preocupações sociais. Aliás, foi o primeiro do mundo a, em 1893, permitir o voto universal às senhoras. Por outro lado, tem ensino primário obrigatório e gratuito desde 1877. Após 1939, passou a contar com um sistema de segurança social especialmente vocacionado para os cuidados de saúde e as pensões de reforma – foi também o primeiro país do mundo a tê-lo.
Passou o viajante, em trânsito, pela ilha norte, que das duas maiores da Nova Zelândia é a mais povoada. Talvez por ser menos inóspita, dizem, porque a terra dos fiordes e das neves, dos vales selvagens e despovoados é a ilha sul. Portanto, não teve o viajante a visão de cliché do país, porque apenas apercebeu a parte “mais normal” e vulgar, menos exótica. Pelo contrário, viu muitas vacas e muitos carneiros. E também campos e quintas, muito arranjadas, à inglesa. E pequenas vilas, com uma rua central, com lojas, e igrejas de madeira e telhados pontiagudos
Mas também se surpreendeu com campos termais, porque a Nova Zelândia é um país geologicamente activo e instável. Recorda o viajante Rotorua, a cidade termal, cujas dezenas de nascentes são enormes buracos onde fumega água borbulhante e sulfurosa. É também na ilha norte que fica Auckland, a cidade maior e mais cosmopolita do país, onde se fundem culturas. Aqui vivem um quarto dos habitantes da Nova Zelândia, que aqui se misturam com emigrados de todo o sudoeste asiático e do Pacífico.
Apesar do seu tamanho enorme
– tem 270 mil quilómetros quadrados, o que equivale, mais ou menos, ao tamanho
das ilhas britânicas –, a Nova Zelândia é um dos países mais isolados do globo.
A próxima massa de terra (a Austrália) fica a 1600 km de distância de mar
austral e navegação difícil. Além disso, geologicamente, as ilhas são novas:
têm origem vulcânica e bem pode dizer-se que ainda estão em construção.
Desta juventude geológica resultou que, verdadeiramente,
fosse das últimas terra do mundo a ser ocupadas e colonizada por humanos.
Sabe-se que os seus primeiros ocupantes (o povo maori, originário das ilhas
polinésias de Tonga e Samoa), apenas chegaram aqui há cerca de 1000 anos. Os
europeus, por seu lado, chegaram no século XVII – o holandês Abel Tasman passou
por aqui em 1642, mas não chegou a desembarcar, porque alguns dos seus
marinheiros, que o fizeram, logo foram mortos em confronto com maoris. E só 100
anos depois o lendário Capitão James Cook desembarcou e tomou posse das ilhas.
Politicamente, o estatuto da Nova Zelândia ficou resolvido quando, em 1840, a
Inglaterra celebrou com os chefes das tribos locais o tratado de Waitangi, hoje
em dia considerado o documento fundador do país. Desde essa altura, chegaram às
ilhas muitos colonos ingleses e escoceses, cujos descendentes, ainda actualmente,
compõem a maior parte dos mais de 4 milhões de habitantesEste espírito britânico, com um toque mais solto e colonial, sente-se aliás na Nova Zelândia, que é um país muito civilizado, com grandes preocupações sociais. Aliás, foi o primeiro do mundo a, em 1893, permitir o voto universal às senhoras. Por outro lado, tem ensino primário obrigatório e gratuito desde 1877. Após 1939, passou a contar com um sistema de segurança social especialmente vocacionado para os cuidados de saúde e as pensões de reforma – foi também o primeiro país do mundo a tê-lo.
Passou o viajante, em trânsito, pela ilha norte, que das duas maiores da Nova Zelândia é a mais povoada. Talvez por ser menos inóspita, dizem, porque a terra dos fiordes e das neves, dos vales selvagens e despovoados é a ilha sul. Portanto, não teve o viajante a visão de cliché do país, porque apenas apercebeu a parte “mais normal” e vulgar, menos exótica. Pelo contrário, viu muitas vacas e muitos carneiros. E também campos e quintas, muito arranjadas, à inglesa. E pequenas vilas, com uma rua central, com lojas, e igrejas de madeira e telhados pontiagudos
Mas também se surpreendeu com campos termais, porque a Nova Zelândia é um país geologicamente activo e instável. Recorda o viajante Rotorua, a cidade termal, cujas dezenas de nascentes são enormes buracos onde fumega água borbulhante e sulfurosa. É também na ilha norte que fica Auckland, a cidade maior e mais cosmopolita do país, onde se fundem culturas. Aqui vivem um quarto dos habitantes da Nova Zelândia, que aqui se misturam com emigrados de todo o sudoeste asiático e do Pacífico.
segunda-feira, dezembro 12, 2011
El Calafate, Patagónia, Argentina
Calhou ao viajante passar em El Calafate, a caminho para o glaciar Perito Moreno, no Parque Nacional de Los Glaciares, na Patagónia, no sul da Argentina. Esta desconhecida terriola, com apenas algumas dezenas de anos, surgida quando surgiu o interesse na visita aos glaciares, está em pujante expansão. Não há muito, era apenas um lugarejo – pouco mais que uma quinta, como outras quintas ganadeiras que há na região. Actualmente, há aqui hotéis para todos os gostos e preços, restaurantes, bares, agências de viagens, bancos e imensas lojas, sobretudo de equipamento de montanha e para caminhar.
O nome da terra é o mesmo de um arbusto baixo e espinhoso que cresce em grande abundância pela estepe e nas encostas das faldas dos Andes. Este arbusto modesto dá flores amarelas na primavera, que depois se transformam em bagas que parecem uvas. Tão emblemático como o calafate, são as lengas, árvores enormes, com estrutura parecida às das faias, onde crescem folhas carnudas, de tonalidade verde clara. Povoam as encostas nevadas das zonas de mais altitude, tal como os nodos, outro arbusto, embora com mais envergadura que o calafate, que dá exuberantes flores vermelhas no fim da primavera.
Ficou o viajante com a impressão de que o ambiente de El Calafate deverá ser parecido ao de uma antiga cidade do faroeste, que cresceu muito e depressa, sem grandes rasgos de ordenamento urbano – embora tenha uma estrutura viária moderna, geométrica. No centro, há muitas instalações comerciais, que vão desaparecendo quando se caminha para a periferia. É também na periferia que fica a maior parte dos hotéis. Apesar de a maior parte dos habitantes locais andar sempre de carro, é agradável passear por aqui, respirando o ar sempre fresco desta cidade quase no fim do mundo.
Da cidade, não se pode dizer que tenha propriamente locais de interesse que mereçam visita. Mas há uma excepção: a cerca de dois quilómetros do centro, com acesso por caminhos de terra perfeitamente caminháveis, fica uma reserva municipal, na Laguna Nimez. É uma reserva natural próxima do Lago Argentino onde nidificam dezenas de espécies de aves. Esta foi, aliás, uma das surpresas do viajante em terras patagónicas: há um enorme número de aves por estas paragens, que vão e vêem, ao sabor das estações. Os flamingos, por exemplo. A entrada na reserva da Laguna Nimez é controlada na temporada alta. Mas o posto de orientação está fechado e a entrada é livre na temporada baixa (há uma placa que pede aos visitantes que tenham cuidado com as espécies nidificantes e recomenda alguns comportamentos).
l Calafate tem aeroporto, a cerca de vinte quilómetros. É um aeroporto novo e moderno, onde chegam meia dúzia de aviões por dia, 3 a 4 dos quais de Buenos Aires – os restantes, ligam El Calafate a Rio Gallegos, capital da província. Por estrada, Buenos Aires dista 2800 quilómetros. Ouviu o viajante dizer que a viagem é penosa, por estradas nem sempre boas. Também por estrada se chega a Rio Gallegos, a 300 km. Tudo visto, na prática, a terra é apenas usada como base para a visita aos glaciares (em particular ao Perito Moreno) e o resto é acessório. Porém, partem daqui outras excursões muito interessantes, a outros glaciares (em particular ao glaciar Uppsala, o maior da América do Sul), a El Chaltén, a capital argentina do trekking (nas imediações do pico Fitz Roy) ou ainda ao parque chileno de Torres del Paine.
O nome da terra é o mesmo de um arbusto baixo e espinhoso que cresce em grande abundância pela estepe e nas encostas das faldas dos Andes. Este arbusto modesto dá flores amarelas na primavera, que depois se transformam em bagas que parecem uvas. Tão emblemático como o calafate, são as lengas, árvores enormes, com estrutura parecida às das faias, onde crescem folhas carnudas, de tonalidade verde clara. Povoam as encostas nevadas das zonas de mais altitude, tal como os nodos, outro arbusto, embora com mais envergadura que o calafate, que dá exuberantes flores vermelhas no fim da primavera.
Ficou o viajante com a impressão de que o ambiente de El Calafate deverá ser parecido ao de uma antiga cidade do faroeste, que cresceu muito e depressa, sem grandes rasgos de ordenamento urbano – embora tenha uma estrutura viária moderna, geométrica. No centro, há muitas instalações comerciais, que vão desaparecendo quando se caminha para a periferia. É também na periferia que fica a maior parte dos hotéis. Apesar de a maior parte dos habitantes locais andar sempre de carro, é agradável passear por aqui, respirando o ar sempre fresco desta cidade quase no fim do mundo.
Da cidade, não se pode dizer que tenha propriamente locais de interesse que mereçam visita. Mas há uma excepção: a cerca de dois quilómetros do centro, com acesso por caminhos de terra perfeitamente caminháveis, fica uma reserva municipal, na Laguna Nimez. É uma reserva natural próxima do Lago Argentino onde nidificam dezenas de espécies de aves. Esta foi, aliás, uma das surpresas do viajante em terras patagónicas: há um enorme número de aves por estas paragens, que vão e vêem, ao sabor das estações. Os flamingos, por exemplo. A entrada na reserva da Laguna Nimez é controlada na temporada alta. Mas o posto de orientação está fechado e a entrada é livre na temporada baixa (há uma placa que pede aos visitantes que tenham cuidado com as espécies nidificantes e recomenda alguns comportamentos).
l Calafate tem aeroporto, a cerca de vinte quilómetros. É um aeroporto novo e moderno, onde chegam meia dúzia de aviões por dia, 3 a 4 dos quais de Buenos Aires – os restantes, ligam El Calafate a Rio Gallegos, capital da província. Por estrada, Buenos Aires dista 2800 quilómetros. Ouviu o viajante dizer que a viagem é penosa, por estradas nem sempre boas. Também por estrada se chega a Rio Gallegos, a 300 km. Tudo visto, na prática, a terra é apenas usada como base para a visita aos glaciares (em particular ao Perito Moreno) e o resto é acessório. Porém, partem daqui outras excursões muito interessantes, a outros glaciares (em particular ao glaciar Uppsala, o maior da América do Sul), a El Chaltén, a capital argentina do trekking (nas imediações do pico Fitz Roy) ou ainda ao parque chileno de Torres del Paine.
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