domingo, novembro 29, 2009

Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota, Portugal

Voltou o viajante orgulhoso da visita a este novíssimo centro de interpretação.
Não é o viajante militarista nem adepto da perspectiva segundo a qual a história é uma mera sucessão de feitos guerreiros - pelo contrário. Além disso, sem reservas o diz, gosta o viajante de Espanha, onde se sente como numa segunda pátria; sente os espanhóis como aqueles que, de entre todos os povos do mundo, mais se parecem com os portugueses.
Dito isto e apesar disso, voltou o viajante orgulhoso do feito de Nuno Álvares Pereira, agora São Nuno de Santa Maria e do seu rei, João I de Portugal. Voltou também orgulhoso da tareia que os bravos portugueses deram nos invasores castelhanos, em Agosto de 1385. Mas sobretudo, voltou orgulhoso da forma como este marco incontornável da história nacional é evocado no Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota.

O Centro está instalado num edifício moderníssimo, funcional, rodeado de árvores da flora mediterrânica. Em volta, foram colocadas placas em locais chave do campo onde decorreu a batalha. É assim possível identificar no terreno o local onde o condestável do reino, Nuno Álvares, instalou o seu posto de comando e ainda alguns vestígios das trincheiras (fossos e covas dos lobos). Esta parte da visita é simbólica, porque o passar do tempo e a acção humana fizeram desaparecer a maior parte dos vestígios dos combates, eles mesmos muito modestos, já que a batalha ocorreu num campo aberto, sem construções.

No interior do centro pode visitar-se uma sala pedagógica onde se reúnem vestígios recolhidos no campo de batalha. Nesta mesma sala há uma exposição explicativa do contexto histórico em que se deu a batalha. É fantástica a ideia de apresentar o período em que se inseriu em forma de dominó, composto por factos que inexoravelmente se empurraram uns aos outros: o casamento do rei D. Fernando com Leonor Teles de Menezes (a 15 de Maio de 1372), o tratado de Salvaterra de Magos (de 2 de Abril de 1383), que previa o casamento da única herdeira de D. Fernando com D. Juan I de Castela e permitia a D. Leonor vir a ser regente do reino, caso o rei falecesse, até à maioridade da filha – o que veio a suceder a 23 de Outubro de 1383 –, a sublevação do povo de Lisboa em defesa do Mestre de Avis (a 6 de Dezembro de 1383) e, por último, as cortes de Coimbra (a 6 de Abril de 1385), nas quais D. João foi aclamado como rei de Portugal. De facto, Aljubarrota foi a inevitável consequência deste dominó de factos, que se empurraram uns aos outros.

Porém, a melhor parte da visita é a apresentação multimédia, com duração de meia hora, que decorre de hora a hora. Por ser muito realista é também um pouco violenta e crua, podendo impressionar os mais pequenos. Mas sem ultrapassar qualquer limite. Esta apresentação relata a sucessão histórica de acontecimentos que antecederam a batalha e recria esta, de uma forma notável. A obra apresentada está ao nível das superproduções da história do cinema, ganhando ainda por ser multimédia. Do melhor nível. E mais não diz o viajante para te deixar a ti, leitor fiel, entre a expectativa criada, alguma margem para surpresa e admiração.

O Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota (www.fundacao-aljubarrota.pt) fica em São Jorge, junto da antiga Estrada Nacional 1, muito próximo da Batalha, de onde dista meia dúzia de quilómetros. Está aberto das 10 às 19 horas (de Outubro a Abril encerra às 17 horas e 30 minutos). Encerra às segundas-feiras. A entrada custa 7 € (3,5 para estudantes). Aos fins-de-semana há interessantíssimas oficinas para os mais novos.

sexta-feira, novembro 27, 2009

Bolonha, Itália

Chegou o viajante a Bolonha com duas recordações que retirou do seu imaginário de sempre: a do spaghetti à bolonhesa e a da universidade. O prato de massa é conhecido em todo o mundo, mas não o encontrou aqui o viajante, embora o procurasse. Quanto à universidade, essa sim está presente. Há muitos estudantes pelas ruas e várias escolas universitárias. Há, sobretudo, a memória. Tem o nome de Bolonha o actual modelo de formação universitária europeu, o que não terá acontecido por acaso. A cidade tem uma das universidades mais antigas da Europa – e nela a mais antiga escola de direito, fundada em finais do século XII. Diz-se que no século XIII já tinha mais de 10 mil alunos e o seu ensino de direito (na época, romano…) gozava de uma excelente reputação! Foi nesta universidade que estudou direito o Doutor João das Regras, um dos mais insignes juristas portugueses de sempre, personagem fulcral das Cortes de Coimbra de 1385, nas quais foi aclamado rei D. João I.

Em tempos idos, a cidade foi independente, sendo governada, como muitas outras cidades italianas, por poderosas famílias de comerciantes. É talvez por isso que abundam em todas as ruas do centro antigo majestosos palácios com origem, sobretudo, no período do renascimento. Bolonha é, de facto, uma cidade de palácios, porta si, porta sim, no centro histórico. É também uma cidade de arcadas. As ruas e praças principais da zona antiga – a Via dell’ Independenza, a Via Ugo Bassi, a via Farini, entre várias outras, são integralmente bordejadas por arcadas, por debaixo dos palacetes, onde há lojas e onde os transeuntes podem passar abrigados do sol e da chuva. Além disso, destas marcas importantes, notou o viajante que todos os edifícios do centro antigo estão revestidos das mesmas tonalidades, entre o ocre e a cor de tijolo. Não há variações, o que dá ao núcleo histórico uma enorme harmonia.

Na zona do centro antigo ficou o viajante muito impressionado com o Palazzo del Podestá e com a Basílica de San Petronio, ambos na Piazza Maggiore. Aliás, a própria Piazza Maggiore é ela mesma muito bonita. O ambiente é todo renascentista, começando no Pallazo del Podestá, com origem no século XIII e acabando no Pallazo Comunalle (construído entre o século XIII e o século XVI). Pelo meio, fica sobretudo a imponente Basílica de San Petronio (começada no séculoXIV, mas sobretudo marcada pelo século XV). Sem a finura decorativa de outros templos italianos da mesma época, é enorme e imponente. Não longe, reteve também o viajante o Pallazo dell’ Archiginnasio, onde está instalada a biblioteca universitária e as incríveis torres inclinadas da Piazza di Porta Ravegnana. Estas últimas, são duas insólitas construções do início do século XII, muito esbeltas e altas, pertencentes em tempos a duas poderosas famílias locais que, com elas pretendiam demonstrar o seu poder, ao mesmo tempo que na sua altura representavam as causas que defendiam. Uma delas tem cerca de 50 metros de altura e a outra cerca do dobro disso. Para subir ao topo da mais alta delas há que vencer 486 degraus. Não o fez o viajante: as torres estão há muito inclinadas, como a célebre congénere de Pisa e por isso instáveis (em particular a mais pequena delas). Decorrem trabalhos de recuperação e de consolidação.

Bolonha é actualmente um importante centro industrial e comercial e isso é visível na cidade. É também um centro de feiras e exposições, por ficar no centro geográfico da bota italiana: por aqui passam as grandes ligações ferroviárias e rodoviárias entre o norte e o sul.
Talvez por isso, a cidade é conhecida como referência gastronómica. Mesmo não tendo o viajante provado o spaghetti que trazia na lembrança, provou outras muitas coisas – massas, entre elas -, talvez menos familiares para quem não é daqui, mas nem por isso menos saborosas.Bolonha tem ligação diária da TAP e por isso é de muito fácil acesso a partir de Lisboa. A melhor forma de chegar ao centro histórico, a partir do aeroporto, é apanhar o Aerobus, no próprio terminal. A viagem até à estação central de comboios dura meia hora e custa 5 euros.

quarta-feira, novembro 25, 2009

Rossio,Lisboa

..."prefira a lotaria Casa Travassos..."
..."e terá dinheiro aos maços..."
(sem mais comentários)