Quarta-feira, Outubro 07, 2009

Kato Paphos, Chipre

A existência deste parque arqueológico surpreendeu o viajante. Pela área que ocupa e pelo imenso significado dos vestígios que reune. Kato Paphos é a estação arqueológica mais importante de Chipre. É também a mais popular e de fácil acesso, já que fica mesmo junto do mar e do porto de Pafos. Tem um imensop parque de estacionamento e na povoação anexa há hotéis, restaurantes e lojas de souvenirs. O recinto está aberto diariamente das 8 às 18 e o bilhete custa 3,4 €.
Kato Pafos foi uma importante cidade do baixo-império romano. No período romano foi mesmo a capital e mais importante cidade da ilha. Mas terá sido fundada muito antes, pelo século IV AC. Um século depois veio a ser incorporada no reino ptolomaico, de Alexandria, que aproveitou a sua excelente posição estratégica, dominando o Mediterrâneo oriental. É sobretudo do período romano que se conservam vestígios arqueológicos.

De facto, foram encontrados em Kato Pafhos importantíssimos vestígios de quatro “villas” romanas, todas elas abundantemente decoradas com mosaicos, espantosamente bem conservados. Uma delas é conhecida como Casa de Dionísio e foi a primeira a ser descoberta, em 1962. Visita-se sobre estrados de madeira, para que possam apreciar-se os 500 metros quadrados de mosaicos que cobrem o seu solo. A casa ficou assim apodada por abundarem nela mosaicos com motivos alusivos ao deus romano do vinho. Datará, talvez, do século II e foi destruída pelos terramotos que abalaram Chipre nos séculos IV e V.Os mosaicos desta casa deixaram ao viajante a impressão de estar perante um legado fantástico, de enormíssima dimensão e riqueza, que apenas encontra paralelo nas grandes estações arquelógicas romanas, como Pompeia.

Outra das “villas” é a casa de Teseu, talvez do período helenístico, que julga-se ter correspondido à casa do governador romano de Chipre e que foi sendo utilizada até ao século VII. Esta casa de habitação tinha uma dimensão enorme (ocupava um quadrilátero de 120 metros por 90 metros). O nome desta casa ficou a dever-se à descoberta de um mosaico, que ainda se conserva, no qual se descreve o mito clássico de Teseu e do Minotauro.

Kato Pafhos tem ainda em visita as casas de Orfeu e de Aion e o Odeon, anfiteatro bastante restaurado, actualmente utilizado em concertos de verão. São por último visitáveis os vestígios da ágora, apenas perceptível e do asklepeion, em igual condição. Dentro do recinto fica ainda o castelo bizantino Saranda Kolones que, apesar de interessante, parece desprezível depois da visita aos mosaicos romanos.
O conjunto é património classificado pela Unesco.

Quarta-feira, Agosto 26, 2009

Los Roques, Venezuela

Há muito poucos destinos onde o viajante tenha sentido vontade de ficar. É certo que há imensos paraísos desconhecidos que se vão encontrando, sem esperar, aqui e ali. Porém, nem todos os ditos paraísos deslumbram. E Los Roques foi especial. É um conjunto de ilhas de areia, acumulada sobre formações de coral, onde entretanto cresceu alguma escassa vegetação tropical, dando origem a um exuberante arquipélago de praias de areia branquíssima, onde batem águas muito quentes, que variam de entre tonalidades verdes esmeralda e azul turquesa.

Chegou o viajante, como toda a gente, de avião, vindo de Caracas. Ia dirigido a uma posada, que encontrou na Internet. Sabem bem os visitantes de Los Roques que o alojamento em Gran Roque, a única ilha povoada, é adequado ao nível de protecção ambiental do local: desde 1972 é proibido construir nas ilhas e, consequentemente, todas as posadas são antigas casas de pescadores, um pouco melhoradas, para acolher turistas. Garantem algum conforto, em alojamento familiar e hospitaleiro, mas estão muito longo dos padrões internacionais de conforto. E hotéis, não há. Esta opção teve, porém, desde logo a vantagem de garantir apoio local, desde o desembarque até à entrada no avião de volta. A posada (http://www.posada-acquamarina.com) encarregou-se de organizar programas e refeições, o que num povoado perdido numa ilha perdida no Caribe não foi nada desprezível.

Deixando os areais brancos, optou o viajante por percorrer algumas das ilhotas, a bordo de um dos muitos barcos que oferecem o transporte para as praias, parando aqui e ali. Isso permitiu-lhe ver sítios dos mais belos onde já passou: mar de tonalidades incríveis e indescritíveis, com peixes a nadar aos pés de quem tomava banho e praias de anúncio de televisão.

Los Roques são mais de 40 ilhas e duas centenas de recifes de coral, dispostos em volta de uma imensa laguna central. Ficam a um pouco menos de uma hora de voo do aeroporto de Caracas, cerca de 170 quilómetros distantes da costa da Venezuela. Vários operadores privados fazem a ligação aérea, a partir do aeroporto nacional de Caracas.

Além de Gran Roque, as ilhas de acesso mais fácil são Franciquí, Madrisquí, y Crasquí, a cinco minutos de barco. Mas o viajante menos turista deverá ir também a Espenky, com excelentes praias desertas, de água verde, a Cayo de Água, no extremo ocidental, com a praia mais bonita ou a Dos Mesquises, onde está baseada a Fundação Científica Los Roques, que desenvolve um interessante programa de protecção das tartarugas marinhas.

Los Roques tem cerca de mil habitantes permanentes, a maior parte dos quais trabalhando em actividades de turismo ou com ele relacionadas. O arquipélago é desde 1972 parque nacional, pela importância e diversidade dos seus corais, pela inúmera variedade de crustáceos (identificaram-se aqui 200 espécies diferentes), moluscos (existem aqui 140 espécies), equinodermes (45 espécies), esponjas (60 espécies) e peixes (nadam por aqui 280 espécies diferentes). Além disso, nidificam no arquipélago mais de 90 espécies de aves e quatro tipos diferentes de tartarugas marinhas, consideradas em risco.

Terça-feira, Agosto 25, 2009

Pistas de Dinossáurios da Serra de Aire

Há um pouco mais de uma década, o tema dos dinossáurios estava em moda. Depois da saga dos vários episódios de Jurassic Park, de Steven Spielberg, baseado nas histórias de Michael Crichton, surgiram imensas exposições científicas de vestígios de dinossáurios. Em Portugal, calhou descobrirem-se nessa altura vestígios de pegadas que não se conheciam antes, o que impulsionou a protecção e divulgação das outras, já antes conhecidas. Descobriu-se Carenque e a Pedreira do Galinha e ficou a saber-se mais da Lourinhã e da Praia Grande.
Passou o viajante na Pedreira do Galinha, depois destes anos todos de espera, com grande expectativa. E a expectativa foi correspondida pela grandeza do local, bem como o foi pela forma como está organizada a visita. As instalações deste Monumento Natural (assim classificado em 1996) são eficazes, embora modestas. Além da bilheteira, há uma pequena loja, com bebidas frescas e serviços sanitários. Talvez a grandeza do local merecesse renovação e modernização.

A jazida de pegadas de dinossáurios da Pedreira do Galinha foi descoberta em 1994. Calcula-se que será do período Jurássico tendo provavelmente 175 milhões de anos. Consiste no registo, na pedra calcárea, de pegadas de saurópodes, que eram dinossáurios herbívoros, quadrúpedes, com a cabeça muito pequena e a cauda muito longa. O seu corpanzil era enorme – poderia medir 30 metros de comprimento e pesar 70 toneladas! Julga-se que os saurópodes terão sido os maiores animais terrestres que já existiram.
Quanto aos trilhos da Pedreira do Galinha, são os mais antigos e mais longos trilhos de pegadas de saurópodes que se conhecem em todo o mundo. A visita consiste num percurso, de 1000 metros, em volta da antiga pedreira. A zona de laje calcária visitável tem cerca de 60 mil metros quadrados e reúne centenas de pegadas, em cerca de duas dezenas de pistas.

Supõe-se que as pegadas terão sido impressas em lama calcária, talvez no fundo de uma lagoa. Depois, essa lama terá sido coberto por outras camadas de sedimentos que, com o decurso do tempo, ao longo de milhões de anos, se converteu na pedra calcária que hoje pode observar-se.

O Monumento Natural fica na vertente oriental da Serra de Aire, virada para a bacia do rio Tejo, no concelho de Ourém, mesmo junto da localidade de Bairro, integrada no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros. A partir de Fátima, chega-se por estradas secundárias, nem sempre bem sinalizadas, e dista 10 quilómetros. De Torres Novas, dista 16 quilómetros e as estradas não são melhores.
Pode visitar-se todos os dias (com excepção das 2ªs feiras), das 10 às 18 horas, mas fecha à hora de almoço (das 12:30 às 14 horas). O bilhete de entrada custa 2 € para adultos e 1 € para crianças. Ver mais em
www.pegadasdedinossaurios.org.

Segunda-feira, Agosto 24, 2009

Palácio da Música Catalã, Barcelona

Há poucos ícones mais representativos do orgulho catalão do que o Palau de la Musica Catalana, sede do Orfeó Catalá.
O Orfeó foi fundado no fim do século XIX, como forma de dar continuidade ao tradicional canto popular catalão, cantado por músicos amadores, que na época estava em declínio. Escabeçou esta iniciativa o maestro compositor catalão Luís Millet, que conseguiu com o desenvolvimento do Orfeó renovar e dar mais vigor à música vocal regional. Mais tarde, o próprio Orfeó, já próspero, comprou um conjunto de edifícios velhos, no popular bairro de Sant Pére. Para renovaro local, encomendou ao arquitecto catalão Francesc Domenec i Muntaner o projecto de uma nova sala de espectáculos.
Este percurso está pois indelevelmente marcado pelo cunho autonomista e nada poderia dar mais voz a este orgulho que a escolha de um arquitecto de aqui e de um estilo que nasceu na Catalunha. De facto, o Palau, uma impressionante demonstração de criatividade, é uma das manifestações arquitectónicas mais exuberantes que o viajante teve oportunidade de observar. Quiçá ainda mais exuberante e colorida que qualquer das obras de Gaudí.
Impressionou o viajante, sobretudo, o detalhe: por exemplo, milhares de rosas em cerâmica revestem os tectos; colunas em vidro amarelo transparente apoiam os corrimões das escadas de acesso aos pisos superiores; as janelas, todas elas, estão decoradas com motivos florais. Depois, a sala de concertos, com a magnífica cabeceira onde está o palco. Profusa decoração, meia em terracota, meia em ladrilhos, para dar forma às musas inspiradoras. E, cereja em cima do bolo, a clarabóia de vitral colorido, no tecto central da sala, que dá imensa vida e alegria ao recinto.
É verdade que o exterior do velho Palau, as fachadas encaixadas na malha urbana de Sant Pére (e por isso extremamente difícil de fotografar…) já valem a deslocação. Mas a visita ao interior é imprescindível para bem poerceber a essência da arquitectura modernista.
Só é possível visitar o edifício em visitas guiadas, a horas fixas (das 10 às 15h30), sendo recomendável comprar o bilhete com antecedência (é possível fazê-lo na Internet – www.palaumusica.org), porque há sempre grande procura. A entrada custa 12 € (mais 1€ de taxa para marcações na Internet).
O Palau fica no centro de Barcelona, próximo da Via Layetana, a apenas 10 minutos a pé, da Plaça de Catalunya.

Domingo, Agosto 23, 2009

Marte em Agosto

Recebeu o viajante uma inflamada mensagem de correio electrónico (como provavelmente tu, leitor), apelando para o seguinte: Marte, o planeta vermelho, está a passar perto da Terra e atinge o ponto mais próximo no dia 27 de Agosto. Por isso, ficará mais brilhante e parecerá, no céu, uma segunda Lua Cheia. Dizia ainda a dita mensagem que, por razões decorrentes da sua órbita, Marte iria passar apenas a 56 milhões de quilómetros da Terra, o que já não acontecia há 60 mil anos, razão pela qual o fenómeno tinha sido visto pela última vez pelos “neandertais”. E mais: só voltaria a ser assim em 2287.
Estranhou o viajante, por não se prever Lua Cheia para esta semana. Pelo contrário, hoje mesmo, lá pelas seis da tarde, conseguiu ver que a Lua saia da fase de Lua Nova e iniciava o percurso para Quarto Crescente (estava ainda bem alta no céu, àquela hora). Por outro lado, daqui a 2287 faltam menos de 60 mil anos…
Virou o viajante o nariz para o céu e viu Marte – ou pelos menos acredita ser Marte -, um pouco acima do horizonte (a foto acima foi tirada a 22 de Agosto, pelas 10 da noite, nos campos do Ribatejo). Estava brilhante, mais que todas as estrelas do firmamento, mas parecia nenhuma segunda lua. Julga tu, leitor, pelo que consegues ver.

Uma pesquisa rápida na Internet permitiu tirar dúvidas: de facto, de vez em quando, Marte passa mais perto da Terra. Mas nem sequer é o caso de 2009. Já foi assim em 2003, ano em que passou aos tais 56 milhões de quilómetros (foi a maior aproximação desde havia muito) e voltou a ser em 2007 (passou a cerca de 88 milhões de quilómetros – o que é muito, comparado como os 100 milhões que se esperam para 2010).
Ficou o viajante com o consolo de, sem Lua, poder ver bem outras coisas: quando tirou a fotografia acima, conseguiu identificar, mesmo no centro, a constelação do Cisne e logo acima, sobre a esquerda, a constelação da Lira (e a sua brilhantíssima estrela Vega). Mais à esquerda, próximo do canto superior, a constelação da Águia. Na margem da fotografia, à esquerda, quase toda a Cassiopeia. E do lado oposto, à direita, o Golfinho. Ao fundo, parte do Dragão.
E se não é assim, assim pareceu ao viajante.

Sábado, Agosto 22, 2009

Museu da Electricidade, Lisboa

Não saindo de ao pé de casa, em visita de domingo de manhã, descobriu o viajante o Museu da Electricidade de Lisboa, na antiga Central Tejo, à beira-rio. Fica na Avenida de Brasília, entre a linha-férrea de Cascais e o Tejo. O edifício onde está instalado é incontornável, até pela sua dimensão, na frente ribeirinha da capital. O museu está aberto de terça-feira a domingo, das 10 às 18 horas.
O conjunto actual é o resultado de obras de recuperação profundas, que terminaram em 2005 e deixaram ao viajante duas fantásticas visitas: por um lado, à central eléctrica, tal como ela seria em tempos em que ali se produzia energia; por outro, à cave, onde foram instalados equipamentos didácticos, destinados aos mais novos. Estes últimos constituem um museu interactivo, dos modernos, orientado para a percepção do fenómeno da electricidade, para a segurança e para as diversas formas de produzir e de utilizar a electricidade na vida moderna.

Quanto ao edifício, tem a patine dos velhos edifícios da revolução industrial, a fazer recordar Manchester ou os subúrbios de Londres. Fachadas altas e elegantes, em tijolos, rasgadas por enormes janelas envidraçadas. O interior é imponente: grandes galerias e complexas naves, recheadas de sofisticados equipamentos – todos eles já um pouco com perfil vintage.

Sexta-feira, Agosto 21, 2009

Vale do Reno, Alemanha

Bacharach (www.bacharach.de), Junho de 2009

Quinta-feira, Agosto 20, 2009

Museu do Ar, Alverca

Aviões, cockpits, viagens aéreas e travessias épicas ou grandes combates aéreos, são temas claramente masculinos. Cheiram a óleo, a fumo e a motores ruidosos, tudo transpirando adrenalina. É este o ambiente que se encontra no Museu do Ar, da Força Aérea Portuguesa, em Alverca, às portas de Lisboa.

Revisitou-o agora o viajante, no ano em que faz 40 anos (foi oficialmente inaugurado a 1 de Julho de 1969). Aquilo que encontrou, foi um ambiente modernizado e muito acolhedor. O Museu do Ar é um museu pequeno, caseiro e familiar. Mas nem por isso modesto ou desinteressante.
Além de muita informação histórica sobre o passado da Força Aérea Portuguesa, disponibiliza vários modelos de aviões comerciais e, sobretudo, de combate. Destacam-se réplicas de modelos emblemáticos, como por exemplo o Cruzeiro do Sul (gémeo do Santa Cruz), no qual Gago Coutinho e Sacadura Cabral atingiram o Brasil, depois de atravessarem o Atlântico Sul, partindo de Lisboa.

O Museu do Ar é um destino familiar. Tem visitas das 10 às 17 horas (no verão, até às 18 horas). Está fechado às segundas-feiras, no Natal, Ano Novo e no Domingo de Páscoa.
Fica em Alverca do Ribatejo, a cerca de 15 quilómetros de Lisboa, junto da estação dos caminhos-de-ferro (Linha do Norte). De Lisboa, chega-se pela A1, derivando na saída de Alverca (
http://www.emfa.pt/www/po/musar).

Quarta-feira, Agosto 19, 2009

Pastéis de nata, República Checa

Cesky Krumlov (www.ckrumlov.cz) é uma fantástica vila medieval, no sul da República Checa, classificada como Património da Humanidade pela UNESCO. Rodeia-a o rio Vltava (que mais abaixo, no seu curso, banhará Praga), o qual contorna as antigas e altaneiras muralhas, modernizadas ao longo da sua história, que remonta ao século XIII. Estas muralhas encerram um altivo Castelo, a evocar o livro escrito por Franz Kafka (embora a propósito de uma cadeia montanhosa um pouco mas a sul, na Roménia). Em frente ao castelo, fica a vila, organizada em volta de uma praça central, como era habitual na Idade Média.

Calhou o viajante escolher um hotel nessa praça (www.dhotels.cz/hotel-grand/en), a Nam. Svornosti. E calhou também tomar o pequeno-almoço na esplanada, que dá para a praça, num radioso dia de sol, que logo lhe deu boa disposição e vontade de perguntar ao empregado checo como raio se chamava, em checo, o bolo que lhe ofereciam, para adoçar a hora matinal.
A aparência era inequivocamente a de um pastel de Belém (que fora da respectiva zona se chama pastel de nata). Mas perguntado sobre isso, em macarrónico inglês, o empregado respondeu apenas que se tratava de “crème brûlée”.

Terça-feira, Agosto 18, 2009

Obras no aeroporto da Portela, Lisboa

Com eleições à porta, em tempo de crise, andam calados os defensores da urgente construção de um novo aeroporto para Lisboa. Calados, mas não esquecidos. Bem se recorda o viajante de que, além das promessas eleitorais e outras que tais, são vários os lóbis que defendem a decisão rápida do início de esta nova obra do regime. Que será para abrir portas em 2017. Ou quando muito um ano depois.

Compreende o viajante o esmagamento em que vive o aeroporto da Portela. Na verdade, a sua localização é-lhe muitíssimo conveniente, mas percebe que está mesmo na cidade, provoca ruído e poluição e, sobretudo, dizem que está saturado. O que já não compreende, neste contexto, é a razão que terá levado à realização, neste verão de 2009, de vultosas obras de alargamento do terminal de passageiros. Fisicamente, a aparência para quem as vê é a de que duplicarão a dimensão da aerogare. E no site na ANA, nada consta. Ficam as imagens.

Sexta-feira, Agosto 14, 2009

Ilha Berlenga, Peniche

Atravessou, o viajante, o mar entre Peniche e o arquipélago das Berlengas, em dia claro de sol. Ao longe, logo após sair da barra de Peniche e depois de ter rodeado pelo sul a sua península rochosa, foi fácil avistar a ilha, com a sua cor encarniçada, dada pela proeminência do granito rosa.
Nestas condições, a chegada ao molhe de abrigo brindou o viajante com águas marinhas das mais bonitas de Portugal, de verde-esmeralda intenso e exuberante, límpidas e transparentes, a deixarem-se atravessar pelo sol que atingia o fundo de areia.


Mas isto nada significou - nem significa em geral -, quanto à bonomia da meteorologia na ilha. Na curta estadia, de meia jornada em tempo de verão, além do sol rutilante, agressivo e destemperado (não há sombras, na ilha), caiu nas orelhas do viajante uma chuva miudinha, trazida por um banco de neblina que aqui chegou, vindo do mar aberto. No mesmo dia, houve muito calor, chuva e muito frio, com poucas horas de diferença.
As visitas de turistas começam e acabam todas no molhe do Carreiro do Mosteiro, junto ao bairro dos pescadores, onde atracam os barcos que chegam de Peniche. A generalidade dos visitantes sobe o íngreme caminho cimentado até ao farol, na zona mais elevada da ilha, passando ao lado da magnífica paisagem do Carreiro dos Cações (desta espécie de fjord avista-se o outro lado da Berlenga e, ao longe, as Estelas). Os visitantes mais afoitos descerão o difícil trilho que termina na Fortaleza de São João Batista, rodeada de escolhos e pequeníssimas praias, banhadas por água verde transparente, muito limpa, onde se vêem peixes. Há sempre, claro, a possibilidade de contratar a viagem do molhe à fortaleza, utilizando os serviços de um pescador, vindo directamente pelo fotogénico Carreiro da Inês.
Na fortaleza há alojamento, bastante espartano e apoio de bar, um pouco melhor que o alojamento. Além disso, o velho edifício e a sua fantástica localização mais que justificam o percurso.
No entanto, o verdadeiro viajante não ficará por estes clichés turísticos. Poderá mergulhar nas águas costeiras, se souber e tiver como. Dizem que vale muito a pena. Ou então, de forma mais fácil e acessível, partirá para a exploração da Ilha Velha, nome que é dado ao extremo nordeste da Berlenga. Poderá assim ter os melhores panoramas sobre Peniche e o litoral que lhe fica a norte. Além disso, avistará melhor do que de qualquer outro lado as Estelas, a oeste e os Farilhões, a noroeste. No extremo norte da zona explorável, fora de zonas proibidas (sempre caminhando em trilhos marcados, portanto), poderá o viajante ver uma rara colónia de corvos marinhos, lá no fundo, junto ao mar, no Ilhéu Maldito.
Não deverá, no entanto, o viajante esperar encontrar a exuberância normalmente associadas às ilhas de águas verdes e quentes. A Berlenga é quase desértica, muito rochosa e desoladora. A única zona sempre verde é a envolvente do Carreiro do Mosteiro, quase completamente revestido pelo invasor e estranho cacto chorão. Quanto a bicharada, há que contar com a permanente, persistente e incómoda companhia dos milhares de gaivotas que povoam a ilha. Na época da nidificação, estas aves podem tornar-se mesmo agressivas e atacar, com voos rasantes, para defender os seus ninhos e crias. Além delas, dos corvos marinhos e das muitas lagartixas (há por aqui uma espécie endémica, conhecida como lagartixa de Bocage), não teve o viajante o engenho e a arte para detectar mais fauna. Sobretudo, não viu nenhuma pardela nem nenhum airo (a tal ave marinha com aspecto de pinguim, símbolo da Reserva).

Na Berlenga, há alojamento e um restaurante (Pavilhão Mar e Sol). Mas o mais recomendável, para uma visita de um dia, será mesmo levar merenda para piquenique. É possível acampar, se anteriormente se se fizer o pedido aos serviços da Câmara Municipal de Peniche.
O arquipélago das Berlengas (Berlenga, Estelas e Farilhões) integra a Reserva Natural da Berlenga e fica a cerca de 10 quilómetros ao largo de Peniche. Tem acesso por barco, em carreiras regulares, de Maio a Setembro. Recentemente, surgiram vários operadores que fazem a ligação em lanchas rápidas. Porém, a ligação mais tradicional e segura, feita duas a três vezes por dia, é a assegurada pela Viamar, no barco Cabo Avelar, de 180 lugares. A viagem de ida e volta custa 18 € (10€ para crianças até aos 12 anos). Pode ser reservada por telefone ou na página Web da Viamar (
www.viamar-berlenga.com). O barco parte do porto, junto do célebre forte de Peniche.

Quarta-feira, Julho 22, 2009

Capela Dourada, Recife, Brasil

No centro da cidade do Recife, no bairro de Santo António, coração do Recife Antigo, fica a Capela Dourada, para a qual todos os guias turísticos apontam. Por essa razão, foi lá o viajante um pouco contrariado, temendo estar a fazer visita para cumprir calendário. Além disso, quando chegou, o aspecto exterior não convidava a entrar. Por fora, o edifício onde está a capela tem o aspecto de mais um dos muitos mosteiros barrocos do Recife, até para mais modesto. O próprio Museu de Arte Sacra que lhe está anexo é modesto (é até modesto no preço do bilhete de entrada, que custou 2 reais – mais ou menos 0,70 €). Tem apesar disso várias peças interessantes, quase todas de origem portuguesa ou do período colonial português. Mas só estas peças não mereceram o desvio.Na saída, porém, estava o viajante orgulhoso da obra que aqui deixaram os compatriotas lusos de há três séculos.

Visitou o viajante a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, que integra o Convento Franciscano de Santo António (de cujo conjunto faz parte a Capela Dourada). Achou-a o viajante interessante, de barroco final, parcialmente revestida a azulejos. Mas a surpresa estava reservada para a capela lateral desta igreja: é toda ela revestida de madeira, em talha dourada, por ser folheada a ouro. Em nichos, há pinturas e retábulos. Nos altares, imagens de santos. No fundo, aquilo que mais impressionou foi o facto de todas as superfícies das paredes e do tecto, com excepção dos lugares onde estão pinturas religiosas, é dourado.
Só esta capela já valeu a visita à grande capital do Estado de Pernanbuco!

Esta capela pretendeu espelhar a grandeza e riqueza de Pernanbuco na época dos ricos comerciantes e dos abastados produtores de açúcar. Pretendeu ser opulenta como o era a cidade do Recife no século XVII, altura da construção da capela – os trabalhos de construção duraram quase trinta anos e terminaram em 1724.

É visitável o conjunto da igreja, da Capela Dourada e dos respectivos claustros, juntamente com o Museu Franciscano de Arte Sacra (de segunda a sexta, das 9 às 11 e das 15 às 17 – ao sábado somente de manhã). Na entrada é fornecido um pequeno guia.

Terça-feira, Julho 21, 2009

O McDonalds de Estrasburgo, França

Em poucas cidades tem o viajante sentido tanto cosmopolitismo como na cidade francesa de Estrasburgo, capital da Alsácia e sede do Conselho da Europa e do plenário do Parlamento Europeu. A cidade até é pequena e tem perfil provinciano. Não tem excesso de habitantes, multidões nas ruas ou engarrafamentos. Aliás, espanta a eficácia como fluem, nas artérias, no tram ou nos autocarros, as pessoas e, nas ruas e avenidas, os automóveis. Como se nada as impedisse de, tranquila e firmemente, seguir o seu destino.
Além disso, os seus bairros são provincianos: a Petite France revela tudo no seu nome, a Grand Ille, centro histórico, é um dédalo medieval de ruas estreitíssimas e caseiras; a zona germânica, dos grandes edifícios públicos, da Ópera e da Universidade, da Praça da República, parece uma pequena mas digna cidade alemã, com jardins bem cuidados e palacetes nobres. Em conjunto com o bairro europeu, a cidade deu origem a um cadinho de culturas, sem perder o seu espírito pacato e tranquilo, dando origem, no conjunto, a uma diversidade espantosa.

Estrasburgo, cidade pequena, de 300 mil habitantes, é várias cidades numa só cidade. É medieval, é corporativa, é germânica, é europeísta e é internacional. Tem esta riqueza e diversidade nela mesma. É esta a origem do seu cosmopolitismo.
O resto, são os sempre muitos turistas de todas as latitudes que visitam a catedral e a Petite France, os omnipresentes grupos de estudantes italianos ou espanhóis em viagem de fim de curso ou de estudo às instituições europeias que, à noite, animam as praças da zona medieval, os cinzentos e meditabundos funcionários públicos de todos os países que deambulam pelas ruas, após as horas das reuniões da burocracia eurocrata – o resto, apenas dá mais colorido à cidade.
Estrasburgo é assim uma rosa-dos-ventos, virada para todos os pontos cardeais, que aqui convergem, fazendo da cidade uma plataforma onde o leste da Europa encontra o Oeste e onde o Sul se cruza com o Norte.
Foi, talvez, por este contexto que Estrasburgo foi a cidade escolhida para instalar o primeiro McDonalds em terras europeias, no ano de 1979.

Segunda-feira, Julho 20, 2009

Praga, República Checa

(sem comentários)

Domingo, Julho 19, 2009

As estátuas de rua de Bratislava, Eslováquia

Não são muitos os turistas que deambulam por Bratislava. Ao contrário do que acontece com as suas irmãs Budapeste, Praga e Viena, a capital eslovaca fica fora das rotas mais habituais. Teve até o viajante dificuldade em encontrar um guia do país e da cidade (e acabou por não encontrar nenhum em português). Talvez seja assim porque não encontrará o visitante nesta pequena cidade a diversidade de Praga, a monumentalidade de Viena ou a magnificência de Budapeste. Os roteiros acabam todos por aconselhar, como visitas interessantes na cidade, pequenos nadas, que apenas no conjunto justificarão o desvio.
Restou a Bratislava procura chamar a atenção de visitas por outras vias. Uma delas foi a da instalação de anónimas estátuas na rua, à laia de mobiliário urbano. Já são algumas e conquistaram o estatuto de verdadeiras curiosidades nas páginas dos diversos guias.

Entre outros, conseguiu o viajante localizar, na zona antiga, o homem da canalização, talvez a mais famosa estátua de Bratislava. Representa um comum operário municipal, meio saído de um buraco dos esgotos urbanos. Não está exactamente a sair – antes parece estar, do seu buraco, a desfrutar das vistas e a ver quem passa. Fica, no coração da zona histórica, no cruzamento das ruas Panska e Sedlarska.
A muito pouca distância, na praça Hlavné, no meio do lajeado, há um banco de jardim. Não há ali nenhum jardim nem mais bancos. Este banco está isolado e foi aqui colocado de propósito para nele poder apoiar os seus braços um soldado francês, vestido como se fosse Napoleão. Sabe-se que Napoleão passou por Bratislava após a batalha de Austerlitz e que, na cidade, em 1805, assinou um tratado de paz com o imperador Francisco I da Áustria.
A um quarteirão de distância, no cruzamento das pedonais ruas Radnica e Laurinská, escondido pela na esquina, foi instalado um fotógrafo paparazzi , com a sua enorme teleobjectiva. Ao lado abriu um lounge bar, que usa o mesmo nome da estátua.

Sexta-feira, Julho 17, 2009

Ouzeria Brettos, Atenas

O ouzo é uma bebida pouco usual no ocidente da Europa, mas bem conhecida no Mediterrâneo oriental. Poderia dizer-se que o ouzo é mais popular entre os gregos que, nestas nossas paragens do ocidente, o cheirinho do bagaço após as refeições. Na Grécia e em Chipre é muito consumido, como aperitivo ou bebida ocasional. Bebe-se em todas as partes, a todas as horas do dia.
Procurou o viajante provar ouzo em Atenas. Teve dificuldade em encontrar estabelecimentos onde se bebesse primordialmente esta beberagem tradicional. Com a excepção, claro, desta ouzeria, que se reclama como a mais antiga destilaria da cidade, cumprindo este ano, 2009, um século.
Fica no bairro da Plaka, no coração histórico da Atenas tradicional. É um estabelecimento antigo, hoje em dia, sobretudo, destinado a turistas. Mas ainda assim, um registo diferente, numa zona onde predominam as lojas de souvenirs.
A Ouzeria Brettos fica na Rua Kydathineon, 41,Plaka, Atenas (
www.brettosplaka.com).

Quinta-feira, Julho 16, 2009

Naturlandia, Andorra

Trata-se de uma espécie de parque temático, com várias diversões que têm como tema comum a neve. À primeira vista, parece ser um plano B para férias na neve, para aqueles que, por acaso do destino, por vocação ou por dinheiro (ou falta dele), nunca puderam iniciar-se nos elitistas e caríssimos desportos de inverno.
O acesso é demorado e exige carro próprio. De Andorra-la-Vella, toma-se a estrada de Espanha, por cerca de 10 quilómetros, até Santa Júlia de Loria. Daqui, inicia-se uma subida de montanha de 17 quilómetros, inicialmente por estrada sinuosa, em zonas habitadas, depois por estrada de floresta de coníferas, lindíssima. Ao longe, avistam-se inúmeros picos nevados dos Pirineos, numa fantástica paisagem aberta, de vistas rasgadas.

O acesso à Naturlandia é livre e aberto. Pelo contrário, cada uma das actividades que pretenda fazer-se será paga. Podem praticar-se variadas modalidades de neve para principiantes, desde as descidas de trenó para crianças (como as que se vêm nos noticiários quando ao fim-de-semana neva na Serra da Estrela) até ao esqui de fundo, ou às caminhadas nórdicas, com raquetes e bastões. O Campo de Neve tem 15 quilómetros de pistas de neve (sobretudo de esqui de fundo). É possível alugar equipamento completo para todas as actividades (por exemplo, botas para esquiar, esquis e bastões custam 15 euros – depois, o acesso às pistas, para esquiar por um dia, custa 12 € - para crianças, 7,5 €).

O Tobotronc é uma das principais atracções da Naturlandia. É uma espécie de montanha russa que atravessa um bosque de pinheiros, em forte descida (entre os 2050 e os 1550 metros de altitude), por um percurso que no inverno está sempre nevado. Anuncia-se como o tobogan de natureza mais comprido do mundo, com um percurso total de 5300 metros. A subida, tal como a de uma montanha russa, é mais lenta (ao longo de 1,7 quilómetros e 11 minutos) e a descida (de 3,6 quilómetros) depende da velocidade que o condutor do tobogan pretenda imprimir ao veículo. A experiência é inesquecível. Uma viagem completa custa 9 € (5,5 para crianças de 5 a 11 anos – menos que isso, não podem ir).

Quarta-feira, Julho 15, 2009

Bar Obama, Barcelona

Não se cansa o viajante de pensar e dizer que, passando por Barcelona, encontra sempre motivo de surpresa ou admiração. Sem a movida de Madrid, nem o cosmopolitismo de Londres, nem o glamour de Paris, Barcelona tem o calor mediterrânico, a riqueza multicultural de uma cidade em que metade dos habitantes são forasteiros e a patine própria da grande capital da arquitectura.
Pelo caminho, ficam desafios. Como este, com que se topou o viajante na Avinguda de las Corts Catalanas, próximo da Plaça de Catalunya. Será apenas oportunismo político ou a ideia é mais sofisticada e cavalga a onda do marketing moderno?

O local é um banal bar retro, que no seu interior reproduz um suposto ambiente colonial. Pretende apelar ao mercado de turistas anglo-saxónicos que chegam a Barcelona: decor africanista, de pendor inglesado. O próprio perfil é o de um pub inglês, onde se bebe mais do que se come, embora disponha de refeições ligeiras.
Fica a nota e referência web (
www.obamabcn.com).

Terça-feira, Julho 14, 2009

Praia do Bom Sucesso, Óbidos

(julho de 2009)

Sábado, Abril 11, 2009

Pedro e Inês em Alcobaça

A história não é a mais velha do mundo, mas é das mais belas do mundo: amor secreto, casamento proibido e sanção capital. É a história do Infante Pedro, filho do Rei D. Afonso IV e de Inês, a Castro, galega de origem, coroada rainha de Portugal depois de morta. O maior vestígio desta trágica história medieval portuguesa é o mosteiro de Alcobaça, que o infante, já depois de coroado rei D. Pedro I, escolheu para sepulcro de ambos. Ela tinha morrido às mãos dos esbirros do pai do seu amado. Ele, após a morte dela, coroou-a rainha e mandou que os seus restos fossem trasladados para Alcobaça.
Nos monumentais túmulos, mandados construir pelo rei, góticos exuberantes, sem perder a dimensão humana, encontrou o viajante gratificação para este desvio por terras do Oeste de Portugal.
Mas outras encontrou também. Este Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça está entre os maiores monumentos religiosos portugueses e é, porventura, o mais simbolicamente associado à história nacional. O rival Mosteiro da Batalha ficou umbilicalmente ligado à dinastia de Avis e o Convento de Mafra foi um produto do século dourado, pago com o ouro brasileiro. O Mosteiro de Alcobaça, pelo contrário, ficou ligado a toda a história nacional. Foi construído durante a primeira dinastia, por impulso dos reis Sancho II e Afonso III, em terrenos doados à Ordem Beneditina de Cister pelo rei D.Afonso Henriques (que tentou por esta via, como tentou por várias outras, convencer o papado a reconhecer o reino de Portugal). Depois, D.Dinis pagou a construção do claustro monumental que ainda tem o seu nome. É o chamado claustro do silêncio, que aliás impressionou o viajante, pela sua perfeição: gótico austero, do início, sem a exuberância do flamejante. No seu tempo, por aqui deambulavam os beneditinos tonsurados, em oração silenciosa. Estavam proibidos de qualquer palavra, pelo voto de silêncio. Menos silêncio tem o lugar hoje. Em tempo de Semana Santa, encontrou o viajante o mosteiro muito frequentado por turistas e outros visitantes, sobretudo os ruidosos vizinhos espanhóis, sempre muito abundantes nesta época festiva.
Mas muito depois de D.Dinis, o mosteiro manteve grandes ligações com a Casa Real. No tempo de D. Manuel os seus filhos chegaram a ser Abades do Mosteiro (primeiro D. Afonso, depois D. Henrique, o que mais tarde foi Cardeal Rei). Mais de dois séculos depois, D, Maria I inaugurou o Panteão Real, onde ainda hoje estão as sepulturas de alguns membros da Casa Real da Iª Dinastia. Um pouco por todo o lado é possível ver ícones da casa real. Este é, aliás, o único panteão real que o viajante conhece, para além do modesto e sombrio panteão real, escondido no mosteiro de São Vicente de Fora.
No resto do conjunto, apreciou o viajante o austero gótico e, nalguns casos, a evolução mais recente para o manuelino. Não ficou indiferente à solene sala do capítulo (assim chamada por aqui ouvirem, os monges, todos os dias, uma leitura de um capítulo da vida de São Bento), ou à magnífica cozinha, ou ao dormitório dos monges.Mas o viajante também recolheu boa impressão da sóbriíssima igreja do mosteiro. Irrepreensível gótico do inicial. Altas colunas e perfeitos arcos quebrados, suportando abóbadas altivas. Três naves, cortadas por um transepto em cruz, encimado por um pequeno deambulatório, de capelas hoje vazias, depois da desgraça do Matafrades. Diz-se que esta é a maior igreja de Portugal.
E no meio da cruz gótica, ladeando o altar mor, os ditos túmulos, de Pedro e Inês – ou deveria dizer-se de Inês e Pedro -, um em frente do outro, para que possam encontrar-se logo, no primeiro momento que se seguir ao juízo final, quando ambos ressuscitaram dos mortos para a vida eterna.

Domingo, Abril 05, 2009

A Suíça e os suíços

Desde há muito que o viajante se vem deslumbrando com a Suíça, a sua organização e arrumação, a sua disciplina e limpeza. Além disso, é uma constatação objectiva a de que o país é fantástico: é bem evidente a generosidade do Criador com este povo, ao escolher para ele as paisagens que aqui colocou. Sendo organizado e economicamente muito sólido, o país também tem das mais bonitas paisagens do mundo. Porém, não há bela sem senão. E a simpatia que o viajante sente pela Suíça só tem igual na antipatia que sente pelos suíços. É verdade que tem sido sempre tratado com muita educação sempre que calha passar por território helvético. No entanto, vem sempre o viajante com a impressão de que os suíços são gente fechada, opaca e muito cinzenta.

Gente muito cinzenta, de rosto inexpressivo e incaracterístico, que mesmo noutras paragens pode o viajante reconhecer. Os suíços são cinzentos no corpo e na alma. Não exteriorizam, em geral, as suas emoções ou sentimentos. Talvez sejam assim porque o seu país é tão perfeito e compostinho. Porque nele tudo funciona bem e é para ser o que é. Ocorre citar, a este propósito o Grande Eça, descrevendo a idílica ilha da deusa Calipso, onde se perdeu Ulisses: “o problema é que tudo é perfeito”, “o irreparável e supremo mal está na perfeição” (“Ulisses”, in Contos de Eça de Queirós).
Como consolação, evoca o viajante os incontornáveis símbolos helvéticos, encabeçados pelo Matterhorn, ou Monte Cervino, nas imediações de Zermatt. Esta esbelta montanha, inspiradora do Toblerone, cuja imagem se reproduz nas caixas dos lápis de cor Caran d’Ache e também da imagem genérica dos filmes da Paramount Pictures, emparelha em importância iconográfica com a igualmente célebre edelweiss (Leontopodium Alpinum), a carnuda e nobre florzinha branca dos Alpes, imortalizada por Julie Andrews em “Música no Coração” e descrita mais tarde por Goscinny e Uderzo, em “Asterix na Helvetia”.Ainda como consolação, tem o viajante verificado que os aviões suíços são os únicos de cujas janelas se podem tirar fotografias: estão limpas.

Quarta-feira, Abril 01, 2009

Sagrada Família, Barcelona

A ideia de erigir o Templo Expiatório da Sagrada Família, aquele que é hoje o ícone maior de Barcelona, teve origem em 1874, embora as suas obras tenham começado somente em 1882. Neste ano, a Associação de Devotos de São José, entidade promotora do templo, começou a construir a cripta. Decidiu ainda contratar o arquitecto Antoni Gaudí para que redesenhasse um velho projecto que existia para a construção. Este, assim fez. Afastou por completo o projecto que existia, em estilo neogótico e reformulou a própria orientação geral da obra. Deste plano original, manteve apenas a planta gótica, em cruz latina. Sobre ela, o arquitecto modernista catalão aplicou a sua criatividade e o seu estilo, dominado pelos elementos geométricos e naturalistas. Gaudí trabalhou na construção do templo até 1926, ano da sua morte, deixando nesta data desenhadas plantas das partes ainda por construir.

Começou o viajante a sua visita à Sagrada Família na entrada nascente e terminou-a a poente, na chamada Fachada da Paixão. Impressionaram ambas as fachadas – a primeira, exuberantíssima, cheia de detalhes e recortes naturalistas, a outra mais minimalista e sóbria, mas esmagadora,. É tema de ambas o tempo evangélico. Percorreu ainda o viajante a nave principal, já coberta mas inacabada. Faz claramente parecer estar-se num bosque fantasmagórico. Ao que parece, era esse o objectivo de Gaudí. A visita às torres é difícil, por ser imensamente concorrida, mesmo em épocas fora das férias de verão (tem o custo adicional de 2,5 €). Estão já construídas 12 das 18 torres previstas no projecto (todas elas votivas: 12 dedicadas aos apóstolos – são as já prontas -, outras 4 aos evangelistas, uma ainda, maior que as anteriores (125 metros), dedicada à Virgem e a mais alta delas dedicada a Jesus Cristo. Com 170 metros de altura, esta última, ainda por erguer, em forma de cúpula maior, fará da Sagrada Família a mais alta catedral europeia – mais alta que os 69 metros da Notre dame de Paris, ou os 110 metros de St. Paul de Londres, ou os 137 metros de São Pedro de Roma. Será também das maiores. Quando estiver pronta, os seus 4.500 metros quadrados albergarão14 mil pessoas.É natural esta perspectiva altiva, de construção em grande altura. Gaudí privilegiou a elevação, tal como sabia acontecer com as catedrais góticas medievais. O propósito era que o edifício se elevasse na direcção dos Céus, em louvor a Deus.

Pagou o viajante a entrada nesta igreja ainda por acabar (11 €) com a satisfação de saber que o seu contributo vai financiar o que falta por construir. Sendo concebida desde a sua origem como um templo expiatório, toda a construção tem sido erigida com o produto das contribuições e esmolas que para o efeito vão sendo deixadas (entre elas, a da compra de bilhetes) pelos visitantes, fiéis ou admiradores da obra. Já agendou o viajante nova visita a Barcelona para 2035, altura em que espera, mantendo-se ao ritmo actual, que a igreja esteja concluída.A igreja está aberta a visitas das 9 às 18 horas (de Abril a Setembro, até às 20 horas). Fecha a 25 e 26 de Dezembro e a 1 e 6 de Janeiro. As entradas ficam entre os Carrers de Provença e de Mallorca, e os de Sardenya e Marina, na zona oriental do Eixample, um pouco a norte da Avinguda Diagonal. É servida pelo metro (linhas 2 e 5).

Terça-feira, Março 24, 2009

Bratislava, Eslováquia

Em passagem anterior, há mais de 20 anos (portanto antes da queda do célebre Muro e da dissolução dos regimes ditos socialistas), reteve o viajante de Bratislava a impressão de uma cidade cinzenta e triste. Revisitada agora, manteve a impressão.
Embora capital de uma nova república, a principal cidade da Eslováquia continua a ter estrutura de pequena cidade de província: não tem grandes avenidas nem perspectivas urbanísticas rasgadas. A cidade tem imensos edifícios barrocos, dos tempos do império austro-húngaro, que lhe dão um certo ar austríaco e centro europeu. Mas nem todos estão recuperados e em bom estado. Sobretudo, a cidade antiga tem ainda muitas marcas do abandono a que foi votada durante o período socialista. O mesmo pode dizer-se das variadíssimas igrejas, quase todas também do período barroco. Dir-se-ia que a cidade ganhou maioridade no século XVIII, mas as construções nobres ficaram por aí. No horizonte, sobretudo na margem direita do Danúbio (que por sinal, nada tem de azul), ficam ainda as silhuetas dos maciços bairros de betão, ao estilo soviético.
É certo que no centro antigo proliferam os cafés de ambiente moderno, normalmente com grandes janelas vidradas para a rua. E que nas ruas desta mesma zona se vêm estacionados muitos carros de luxo e sobretudo desportivos. Estas duas são notas comuns a muitos outros países da antiga cortina de ferro que, após a respectiva abertura, aderiram ao modelo capitalista e aos respectivos extremos, bem conhecidos. Não chega, porém, Bratislava ao excesso da vizinha Praga. Talvez porque os eslovacos são muito mais conservadores e provincianos que os checos, não chegaram aqui os casinos em massa nem as casas de sexo. Além disso, os omnipresentes eléctricos e a imensa e dominante gente com ar modesto e humilde desfasem as ilusões de se estar numa cidade rica ou mesmo nova-rica. Apesar de herdar a altivez tradicional nos eslavos, a cidade é modesta e provinciana.
Ao passear pelas suas ruas, não diria o viajante que foi provisoriamente (durante três séculos, desde 1541 a 1830, após a ocupação de Budapeste pelos turcos) a capital da Hungria e que na modesta, embora elegante catedral de São Martinho, foram coroados 9 dos reis e 8 das rainhas húngaras.
Bratislava é desde 1993 a capital da República da Eslováquia, que nessa data se separou, por consenso, da República Checa (no chamado divórcio de veludo, que se seguiu à revolução igualmente de veludo, a qual depôs o regime comunista, em1989). Terá entre 400 e 500 mil habitantes – são 5 milhões e meio, os eslovacos de todo o país. Embora tenha aeroporto, há muito poucos voos para Bratislava. A melhor forma de chegar é voar para Viena e, daqui, percorrer em autocarro os 60 quilómetros que separam Bratislava do aeroporto austríaco (sempre em auto-estrada, demora um pouco menos que uma hora).

Segunda-feira, Março 23, 2009

"Avenue des Portugais", Paris

Por mais que se programem e organizem, as viagens nunca decorrem como o viajante as prepara. Em viagem, acontecem-lhe sempre surpresas. E ainda bem.
Vem esta consideração a propósito de algo que o viajante descobriu, caminhando por Paris. De mapa na mão e nariz no ar, à procura de uma determinada curiosidade, foi o viajante surpreendido pelo nome de uma pequena rua transversal ao seu percurso: Avenue des Portugais. A surpresa foi maior por estar numa das mais nobres zonas da cidade e não nos subúrbios desta que é a terceira cidade portuguesa (ou pelo menos da terceira cidade com mais habitantes portugueses…). De facto, passava o viajante na Avenue Kléber, logo à saída da Place Charles de Gaulle, quase ao lado da coquete Avenue Foch e muito próximo da Avenue des Champs-Elysées.

Avenue des Portugais, ou Avenida dos Portugueses. Ao lado, uma lápide esclarece que o nome da artéria foi escolhido pelas autoridades municipais de Paris, em 1918, como homenagem aos 30.000 soldados portugueses que combateram do lado das forças aliadas na libertação de França. Portanto, os portugais são os membros do Corpo Expedicionário Português que, entre 1917 e 1918 intervieram na Grande Guerra, mas tarde conhecida como Iª Guerra Mundial.
É certo que a avenida é curta – terá talvez cem metros de extensão. E é também certo que entre um hotel, num dos lados e um edifício público no outro, ambos com fachadas viradas para a Avenue Kleber, não há nenhum edifício com portas para esta avenida – é uma via para onde dão apenas janelas de edifícios.
Mas é elegante e está numa zona chiquérrima de Paris. O gesto do município parisiense foi bonito e o viajante não conseguir evitar orgulho ao passar por aqui.

Sexta-feira, Março 13, 2009

Cerveja na Alsácia

Questiona-se o viajante sobre se verdadeiramente há uma cerveja típica da Alsácia ou, pelo contrário, se a cerveja que se produz nesta região do leste de França é apenas uma manifestação regional de um perfil de uma bebida pouco menos que globalizada. Recorda o viajante, de memória, a Kanterbrau, cerveja do mestre Kanter e a Kronenbourg (do bairro de Cronenbourg), ambas produzidas nos subúrbios de Estrasburgo. Mas ainda a Fisher e a Mützig. Além da 1664, a topo de gama da Kronenbourg e das inúmeras artesanais, que surgem localmente, aqui e ali nas bierstub de Estrasburgo e Colmar.

Na Alsácia produzem-se cervejas industriais, vendidas em todo o mundo. Mas também cervejas blanches (weiss) caseiras e ambrées excepcionais. Algumas são engarrafas, enquanto outras são apenas conhecidas no bairro onde são produzidas. Ou mesmo na bierstub onde se bebem.

Cogitava o viajante sobre estas coisas, debaixo da gelada chuva miudinha de Estrasburgo, nestes dias do início de Março, percorrendo as ruelas da Grande Ilha, a zona medieval circundante da catedral, quando se deparou com uma loja que, à falta de melhor, qualificou como bieroteca. Vende cervejas. Apenas cervejas. Mas muitas. De todo o mundo, muitas marcas conhecidas. Mas também de França, tipos desconhecidos, ao menos do viajante. Reteve na memória uma cerveja de castanhas, que fez recordar o “Asterix na Córsega” e os javalis que se alimentavam das ditas.

Por fora, esta loja não tem rótulo ou anúncio. Mas na verdade o local tem nome, que o viajante anotou: Village de la Biére. E fica na Rue des Fréres, nº 22, no cruzamento com a Rue du Faisan, em Estrasburgo (telefone +351.03.88.36.90.04). Verificou depois que está aberta de terça a sexta, das 10:00 às 12:30 e das 14:30 às 19:30.

Quinta-feira, Março 12, 2009

Viajar para a Rússia

O longínquo norte da Europa oriental é um destino misterioso, pouco divulgado e fora das páginas das revistas de viagens que se vendem nos quiosques. Com excepção de rápidas excursões a São Petersburgo, a partir da Finlândia, não estão divulgadas viagens organizadas para o extenso território russo. Terá o viajante que preparar, ele mesmo, a aventura. Ou então recorrer a agências de viagem de vão de escada, frequentadas por emigrantes russos, que recorrem aos seus serviços para planear viagens para voltar ao seu país.
E a aventura começa ainda antes da saída de Lisboa, quando se tenta obter o visto de entrada no consulado da Federação Russa, na Rua Visconde de Santarém, 57, nas proximidades do Instituto Superior Técnico. Apenas está aberto às segundas, quartas, quintas e sextas, das 9h30 às 12h30, mas mal andará o turista se não chegar muito antes da hora de abertura. É que, fora da porta, com chuva ou sol, forma-se uma fila invariavelmente demorada que, quando muito, avança à razão de meia dúzia de pessoas por hora.
Não é fácil entrar no consulado à primeira. E depois disso, continua a não ser fácil obter o visto de entrada. Não é fácil e supõe várias dores de cabeça. Calhou ao viajante ir a Moscovo visitar uma instituição pública da Federação Russa. Só lhe foi permitido obter visto porque tinha recebido um convite da dita instituição (em russo, claro…). Se o não tivesse recebido, pura e simplesmente o visto não lhe era concedido: na Rússia moderna só se admitem aqueles visitantes que a Federação Russa quer admitir. No tempo dos soviéticos dizia-se que o rigor no controle da entrada de estrangeiros era necessário para que os miseráveis que viviam no ocidente da Europa não emigrassem todos para lá. Agora, não se sabe qual é a razão oficial.
Estando-se disposto a frequentar vãos de escada, pode sempre comprar-se um visto turístico a uma agência de viagens. Quem ganha com isso, não o sabe o viajante. A verdade é que cumprir as formalidades necessárias à viagem será difícil para quem viaje isoladamente.

A Rússia é um país enigmático mas simultaneamente romântico. Só aqui poderia ter acontecido a histórica do Dr. Jivago, tal como só aqui poderia ter tido real força o movimento bolchevique. Por outro lado, os russos são por definição burocráticos, com um inacreditável convicção. O país tem uma dimensão fora de toda a proporção, com um tamanho descomunal e 147 milhões de habitantes. Manifesta-se pelos extremos, até no clima, rigorosíssimo no Inverno. Tem uma história conturbada e brutalmente violenta, desde a idade média às chamadas depurações estalinistas, que eliminaram milhões de adversários do regime comunista. Moscovo é uma digna capital deste império, com majestosos edifícios públicos e degradadíssimos e infindáveis bairros de prédios habitacionais, onde vivem a maioria esmagadora e pobre dos seus 10 milhões de habitantes. Os russos, eles mesmos, justificam a reputação de ensimesmados, deprimidos e nada amigáveis. Em geral não se riem, porque o sorriso é sinal de idiotia ou menoridade intelectual. Só depois de os compreender percebeu o viajante alguns dos clichés associados aos antigos dirigentes dos países comunistas ou marxistas-leninistas, igualmente tidos, ao menos nos filmes da série 007, como frios, desprovidos de emoções e de sentido de humor. Porém, se se ignorarem as referências do passado recente e se tiver espírito aberto a novas perspectivas, a experiência russa pode revelar-se agradavelmente surpreendente.

Sexta-feira, Fevereiro 20, 2009

Neve em Andorra

As estâncias de férias de inverno sempre deram ao viajante a impressão de lugares tranquilos, mesmo sendo plenos de actividade. Mas além disso – e sobretudo -, a forte convicção de que são locais de charme, frequentados por gente sofisticada e endinheirada. Compreende por isso o viajante a expressão “país do ouro branco”, aplicada a regiões que exploram a neve e as actividades desportivas e de lazer a ela associadas. Será o caso de Andorra.

Porém, não encontrou o viajante em Andorra essa tal realidade charmosa e sofisticada. Este micro país, com o título de Principado, fica encravado entre Espanha e França, no coração dos Pirineos. No mapa, tem de largura máxima 29 quilómetros, de leste a oeste, e de altura máxima, de norte a sul, 25 quilómetros. Todo ele é alta montanha (os seus picos atingem 2946 metros e a altitude mínima, à saída para Espanha, é um pouco mais de 800 metros…) No entanto, não encontrou aqui o viajante nada que lhe recordasse aquela aura distinta das férias de Inverno. Há neve, é certo, e com ela há toda a mística poesia da brancura luminosa. Há também muitas e boas instalações e equipamentos para desportos de Inverno. Não faltam quilómetros e quilómetros de pistas, classificadas de todas as cores e graus de dificuldade. Há confortáveis equipamentos de apoio. Telecadeiras, telecabines, esplanadas e bares em altitude. Escolas de esqui e várias estâncias especialmente preparadas para debutantes e inexperientes nestas práticas.
Mas falta a Andorra o polimento. Falta-lhe charme e até mesmo compostura. As montanhas são bonitas. A neve também. Mas o urbanismo é caótico e a arquitectura dos lugares, em geral, é muito plebeia e pobre. Em concordância, nas estradas abundam carros “artilhados” (de tunning). Os milhares de portugueses que trabalham nos hotéis (há 9000 portugueses em Andorra, numa população total de 60000 mil habitantes) não estranharão o sempre presente cheiro a fritos no ar, a fazer recordar o ar do Albufeira. Aliás, ocorreu ao viajante que, de certa forma, Andorra está para as estâncias de inverno como o Algarve está para as estâncias balneares do mediterrâneo. Sem ofensa.

Este Principado de Andorra só tem nobreza no nome. Enquanto estado independente, chamar-lhe país de opereta é elevar demasiado elogiosamente o termo comparativo. Vale-lhe, claro, ficar a uma distância aceitável de Portugal e ter uma boa oferta hoteleira a preço abordáveis.
De Portugal a Andorra, dependendo do ponto de partida, a distância por estrada é de 1000 a 1200 quilómetros. Faz-se, embora não seja demasiado fácil, num dia de viagem, graças à rede de autovias espanholas. Será opção mais confortável e rápida a viagem de avião até Barcelona (a 220 quilómetros) ou Toulouse (a 190 quilómetros) – ambas as ligações, de carro, tomarão menos de três horas. Para Barcelona, há cerca de 10 voos por dia, a partir de Lisboa. Para Toulouse, apenas um.

Sexta-feira, Fevereiro 13, 2009

Em Paris com Eça

Apresentado por Eça de Queirós, conhece o viajante desde os bancos do Liceu (a que hoje se chama Escola Secundária), o palacete do nº 202 dos Campos Elíseos, em Paris. Sabe que se trata de um digno e velho palácio comprado pelo avô de Jacinto (A Cidade e as Serras) a um príncipe polaco que depois da tomada de Varsóvia se meteu a frade capucho. Em tal palácio se entra por uma “álea bem areada”, ladeada de “uma relva mais lisa e varrida que a lã de um tapete”. No interior, “ouro pesado nos seus estuques e ramalhudas sedas”. Das suas varandas, abertas sobre os lilases (que Charles Aznavour dizia terem acabado há vinte anos), vê-se a eternamente chic Avenue des Champs-Elysées.
Quis o destino que o viajante desaguasse na Place de L’Etoile, agora oficialmente Charles de Gaulle, no topo da elísia avenida. Por aqui, não faltam palacetes como o do 202: solenes, com dignas fachadas de pedra trabalhada e jardins pequenos mas altivos. Entre eles estaria, concerteza, o 202.
Em vão o viajante o procurou. Rapidamente verificou que, do lado dos números pares, a numeração da avenida termina no nº 156 que, por sinal, é a embaixada de um país do petróleo do golfo.
Teve assim que confiar na imaginação do grande Eça para descobrir o prodigioso 202. E o seu elevador, do rés-do-chão para o primeiro andar (“era espaçoso, tapetado e oferecia, para aquela jornada de sete segundos, confortos numerosos: um divã, uma pele de urso, um roteiro das ruas de Paris, prateleiras gradeadas com charutos e livros”)
Também só pela imaginação de Eça logrou o viajante visitar o ambiente do palácio, de “temperatura macia e tépida. Um criado, mais atento ao termómetro que um piloto à agulha, regulava destramente a boca dourada do calorífero. E perfumadores entre palmeiras, como num terraço santo de Benares, esparziam um vapor aromatizado e salutarmente humedecendo aquele ar delicado e superfino”.

Quarta-feira, Fevereiro 11, 2009

O aeroporto de Paris encerrou

Calhou ao viajante, neste Inverno rigoroso, ficar impedido de voltar a casa e perder um voo, por os aeroportos de Paris terem sido encerrados, por causa do mau tempo, a 9 de Fevereiro de 2009.
Na ocasião, não deixou o viajante de recordar o mau tempo na epopeia, narrada por Eça de Queirós, da viagem de Jacinto e do seu amigo Zé Fernandes, de Paris para o Douro, de comboio, através de Espanha (A Cidade e as Serras). Recordou o viajante a terrível tempestade que se abateu sobre o percurso ferroviário e, em particular, sobre Medina del Campo, a qual atrasou o comboio de Paris e por pouco não fez perder aos nossos heróis o comboio de Portugal. Quem o perdeu foi o fiel e dedicado Grilo, criado de Jacinto, que com eles viajava, transportando todas as suas 23 malas.
Sem malas chegou Jacinto, o Príncipe da Grã-Ventura, à estação de Tormes, tendo como única bagagem uma bengala e um exemplar, já lido, do “Jornal do Comércio”.

Ainda a propósito, anotou o viajante o caótico balanço das viagens de Zé Fernandes: “viajei; trinta e quatro vezes, à pressa, desfiz e refiz a mala. Onze vezes passei o dia num vagão, envolto em poeirada e fumo, sufocado, a escorrer suor. Catorze vezes subi, derreadamente, a escadaria desconhecida de um hotel; e espalhei o olhar incerto por um quarto desconhecido; e estranhei uma cama desconhecida, donde me erguia, estremunhado, para pedir, em línguas desconhecidas, um café com leite que sabia a fava. Perdi uma chapeleira, quinze lenços, três ceroulas e duas botas, uma branca e outra envernizada, ambas do pé direito. Percorri, com pé respeitoso e abafado, vinte e nove catedrais. Trilhei molemente, com uma dor surda na nuca, em catorze museus, cento e quarenta salas…. Gastei seis mil francos. Tinha viajado!” (A Cidade e as Serras, Eça de Queirós, Ed. Livros do Brasil, página 102)

No episódio da segunda-feira passada, em Paris, a sorte do viajante foi melhor. Conseguiu voo para casa na tarde do dia seguinte, jantou tranquilamente um entrecôte numa brasserie de Saint Germain-des-Prés e a parte menos interessante foi ter que contentar-se com um hotelzito de esquina no Quartier Latin.

Domingo, Dezembro 07, 2008

Brasília e Niemeyer

No próximo dia 15 de Dezembro, Óscar Niemeyer completará 101 anos. O nome dispensa mais comentários biográficos e a idade e vivacidade, que tem confirmado na televisão, deixam o viajante cheio de respeito e parado no terreno. Mora em Copacabana, em cujos morros, segundo o próprio, o arquitecto do mundo nascido no Brasil se inspirou para encontrar as linhas curvas intermináveis que marcam a generalidade das suas criações.

Quando o tema de conversa é a capital federal brasileira, mesmo o viajante mais desatento pensa logo no génio de Niemeyer. É universal a imagem de alguns dos mais emblemáticos edifícios de Brasília. É o caso do Palácio da Alvorada, construído entre 1956 e 1958 para ser residência oficial do presidente da República, um dos mais emblemáticos da cidade e da carreira de Niemeyer. Impressiona a sua simplicidade e discrição. Recorda bem o viajante os vários edifícios da Praça dos Três Poderes, desenhada por Lúcio Costa, logo na elaboração do plano piloto da cidade e cheia de simbolismo. Está delimitada por três edifícios desenhados por Óscar Niemeyer: o Palácio do Planalto, onde funciona a Presidência da República, poder executivo, o Congresso Nacional, sede do poder legislativo e o Supremo Tribunal Federal, emblema do poder judicial. O Congresso, um dos modernos emblemas de Brasília, é um só edifício, com duas torres paralelas e duas cúpulas, de sentido invertido, encimando uma delas o Senado e a outra a Câmara dos Deputados. O Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal partilham o estilo, de arcos investidos e larguíssimas coberturas.

Porém, o edifício que mais marcou o viajante na sua passagem na capital do planalto foi a Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Aparecida, construída entre 1958 e 1971. A sua silhueta é ainda hoje motivo de especulação. Niemeyer é e era ateu, mas a igreja revela profunda compreensão da fé católica. Pretende quebrar com a tradicional traça das grandes catedrais, com escuras e compridas naves em frente de um altar. Pelo contrário, é vagamente arredondada e está inundada de luz, projectando-se para o céu. A entrada faz-se pela penumbra de um túnel, intimando à preparação para a meditação. Dentro, pendentes do tecto, estão os três arcanjos; antecedendo a entrada, no exterior, estão os quatro apóstolos evangelistas. Em poucas igrejas modernas encontrou o viajante tanta consonância entre a fé a sua representação. É notável, para uma igreja projectada por um comunista, numa cidade que pretendia servir ideais socialistas. Ficou o viajante com vontade de ver também a primeira grande obra de Niemeyer, curiosamente também um templo religioso: a Igreja São Francisco de Assis de Belo Horizonte, em Minas Gerais, também conhecida por Igrejinha da Pampulha, que pelas suas linhas não usuais ficou por muito tempo por benzer pela Igreja Católica.

Sábado, Dezembro 06, 2008

Igreja de Santo António de Pádua, Roma

É notícia destes dias a próxima inauguração, na Igreja de Santo António dos Portugueses, em Roma, de um novo órgão de tubos, que motivou referências da agência católica Ecclesia e da Radio Vaticana, por ser considerado um instrumento único na capital italiana. Para uma próxima ida a Roma, deixou o viajante a Chiesa di Sant’Antonio dei Portoghesi, templo barroco mas com origem no século XV (a construção ficou a dever-se a D. Antão Martins de Chaves, mas essa é outra história), que tem o estatuto de igreja da comunidade portuguesa que vive em Roma.
Mas passou e entrou o viajante na Chiesa Sant’Antonio da Padova, que fica próxima da Catedral de São João de Latrão, na zona oriental da cidade eterna.
Já antes, em Pádua, revelando mau feitio, o viajante tinha ficado incomodado com a facilidade com que o nosso popular santo de Lisboa foi adoptado pela gente daquelas paragens, como se fosse dali. E aqui, em Roma, a incomodidade repetiu-se. Concerteza que o mesmo teria acontecido em vários outros locais de Itália, se o acaso ali tivesse levado o viajante: há igrejas e basílicas evocativas de Santo António de Pádua em Milão, Bolonha e muitas cidades.


Ficou o viajante incomodado, mas sem razão. Deveria ter ficado feliz com a difusão do culto a Santo António, pelo que isso significa. Esta Igreja de Santo António de Pádua, em Roma, fica na Via Merulana, nº 21. É um templo de finais do século XIX, construído para ser a sede romana da Ordem dos Frades Menores de São Francisco. Tem uma escadaria dupla, que dá acesso a um majestoso pórtico, onde está uma estátua de Santo António, com o menino. Tem interior de três naves e uma capela lateral dedicada ao santo. Tudo visto, porém, em Roma, entre tantos e tão grandiosos templos, não fora a devoção lusitana e não seria este um local que chamasse a atenção.

Terça-feira, Dezembro 02, 2008

O outro Kremlin, Moscovo

Kremlin é um sinistro nome do tempo da guerra-fria, símbolo do mal e da intriga em todos os filmes do agente 007. Agora, que está parcialmente aberto ao público, a sua beleza e magnificência transformaram-no num marco incontornável quando se visita Moscovo, a capital da Federação Russa. As suas catedrais, tão inesperadas como surpreendentes, são jóias magníficas da arte religiosa russa. O actual formato da cidadela (cidadela é o significado, em russo, de ”kremlin”), vem do século XV, altura em que foram construídas as muralhas avermelhadas que a cercam. Aqui se instalou a corte russa e aqui ficou também a sede da Igreja Ortodoxa Russa. O Kremlin foi o coração do poderio dos csares, antes de ser a sede do império soviético. Sem dúvida, esteve à altura das suas funções.
Entrando no Kremlin, imediatamente o viajante respirou muito poder no ar. Não pode deixar de reparar no grande número de militares a patrulhar todo o sítio, ordenando as zonas de visita. Nem nos luxuosos veículos escuros que constantemente circulam a alta velocidade, não se sabe de onde nem para onde. Talvez de, ou para, algum dos enormíssimos edifícios não visitáveis, com gigantescas fachadas, com que se deparou em cada canto.

Só as igrejas estão todas visitáveis. A Catedral da Assunção (Uspensky Sobor), construída entre 1475 e 1479, destinou-se a ser a igreja privada dos grandes príncipes de Moscovo e dos Czares da Rússia. Na Catedral do Arcanjo (Arkhangelsky Sobor), do início do século XVIII, estão os restos mortais dos príncipes e dos Czares. Era, aliás aqui que costumavam fazer-se as cerimónias de casamento, coroação e funeral dos czares. Ambas as catedrais estão fantasticamente decoradas. Os topos estão revestidos de incunábulos, em madeira pintada, ornados de prata, como moldura. O resto, as paredes laterais e as altíssimas colunas, estão cobertas de frescos. Ainda é visitável a Catedral da Anunciação (Blagoveshchensky Sobor) e a pequena igreja de Nossa Senhora do Santo (Tserkov Risopolozheniya), destinada a ser a igreja privativa dos patriarcas da igreja ortodoxa.













A torre sineira de Ivan o Grande (Kolokolnya Ivana Velikogo), construída no século XVI, está encimada, como as catedrais, pelas tradicionais cúpulas douradas, em forma de cebola. É o edifício mais alto do Kremlin, mas apenas pode visitar-se a sala térrea. Nunca foi colocado no seu lugar o célebre sino do Czar (Tsar-kolokol), que foi deixado ao lado, no chão. É, diz-se, o maior sino do mundo, mas nunca chegou a tocar, porque se partiu ainda antes que isso tivesse acontecido. É um objecto monstruoso, construído em 1735. Mede mais de seis metros quer de altura, quer de largura. Pesará, julga-se, 200 toneladas. Não está longe outra peça construída para ser a maior do mundo no seu género: o canhão do Czar (Tsar-Pushka), que mede 5,34 metros de comprimento e pesará 40 toneladas. Também nunca disparou um tiro.

O Kremlin está aberto para visitas todos os dias, com excepção das quintas-feiras, das 10 às 17 horas. O bilhete custa 300 rublos (cerca de 8,5 euros, ao câmbio de Dezembro de 2008). Servem-no várias estações de metro, a melhor forma de transporte em Moscovo, e fica no centro do centro da capital russa.

Segunda-feira, Dezembro 01, 2008

Vale de Ventos, Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros

Já andou por aqui o viajante a pé, trilhando percursos marcados pelo PNSAC. Próximo da povoação de Vale de Ventos há uma antiga casa-abrigo do Parque Natural, agora abandonada, O que não está abandonado é o dito percurso pedestre, de dois quilómetros e meio de extensão, que se percorre em pouco mais de uma hora, que o viajante recomenda que se faça, sobretudo, no fim da primavera, quando as plantas aromáticas estão pujantes. Nessa altura correm pela serra, trazidos pelo vento, aromas dos sabores da cozinha mediterrânica, que não vêm enlatados nem liofilizados. Pelo chão encontram-se tufos de orégãos e largas extensões de alecrim. No fim do Outono, a zona é agreste. Fazendo justiça ao topónimo, há sempre ventania fria e desagradável. Havendo sol, mesmo assim, o passeio é muito agradável. Vale, nesse caso, a paisagem aberta, desde os limites do pinhal, para o interior, até ao mar, para oeste. Em dia claro, do alto da Serra, já viu o viajante, lá ao longe, a Berlenga!A ventania persistente foi concerteza a razão que levou à escolha da serra para instalação de um enorme parque eólico, com mais de 30 aerogeradores.
A serra de Candeeiros é encimada por uma crista regular, que pode percorrer-se no sentido sul/norte. Graças à necessidade de acesso aos locais de construção dos aerogeradores, foi construída uma estrada em terra, que atravessa toda a crista da serra, entre Vale de Ventos e o Alto da Serra. Esta última povoação, sobranceira a Rio Maior, fica na antiga Estrada Nacional nº 1, a partir da qual se acede à serra. A antiga Nacional 1 tem na actualidade ar abandonado, em particular ao fim-de-semana, altura em que quase não tem trânsito. De alguma forma, faz lembrar a mística Route 66, na versão “Cars”, em desenhos animados.
Os aerogeradores do alto da serra são torres com 110 metros de altura e 300 toneladas de peso. Cada um deles pode custar 2,5 milhões de euros e produz energia eléctrica suficiente para alimentar de electricidade 400 casas. As pás dos hélices têm 40 metros de comprimento e, com vento forte, vê-las passar, girando, na base da torre, é toda uma experiência.

Quarta-feira, Novembro 26, 2008

Lisboa, 29 de Janeiro de 2006

Os invernos de antigamente traziam chuva e frio a Lisboa. Agora, parece que o aquecimento global desceu ao contexto local e amenizou o inverno da capital. Não é vulgar viver-se em Lisboa um Outono tão pouco frio e molhado como tem sido o deste fim de Novembro.
Esta constatação fez recordar ao viajante uma data de há quase três anos, quando cumprindo um ciclo de 50 anos, nevou em Lisboa, como não nevava havia meio século. Era domingo e o dia estava escuro e frio. Os poucos bravos que se atreveram a procurar almoço de fim-de-semana fora de casa rapidamente perceberam que tinham que sair agasalhados. A meio do dia, parecia que a noite chegava.

Sem o esperar, os corajosos que saíram à rua foram brindados, pouco depois das 3 da tarde, por generosos flocos de neve, frios e húmidos, que afagaram risonhas faces domingueiras e rapidamente encharcaram o chão. Ao pousar, desfaziam-se em água, mas na queda suave deixavam no ar a mágica poesia de um fenómeno raro nestas paragens.
Aos mais afoitos ainda ocorreu, aproveitando ser tarde de domingo, sair da cidade e procurar lugares altos, nos arredores, onde a neve pousasse e fizesse cama. Ganharam com isso o prazer de pisar a fofa manta branca, que aos poucos lhes humedeceu os sapatos urbanos.
Meia hora depois tudo tinha passado e as histórias desta tarde de domingo ingressaram no baú das memórias, de onde irão sair, provavelmente, na próxima nevada na capital, lá para 2050
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Domingo, Novembro 23, 2008

Deutsches Eck, Koblenz, Alemanha

Chegou o viajante ao Deutsches Eck sem saber muito bem ao que ia. Koblenz nas margens do Reno (a que, em português, tradicionalmente chamávamos Coblença), é um dos ícones do romantismo alemão. A paisagem é vinhateira e isso agradou ao viajante, que aqui passou num Outono seco e dourado pelo sol. É nesta cidade que se encontram os dois mais românticos rios do mundo: o Reno e o Mosela. No encontro de ambos, forma-se um canto de terra, onde na idade média os cavaleiros teutónicos tiveram instalações. Ao que parece, desde essa altura o local passou a ser o “Canto da Alemanha”, ou Deutsches Eck.
Os nacionalistas germânicos do século XIX embarcaram na mística e erigiram aqui um monumento à grandeza e unidade alemã, simbolizando também a refundação, por essa altura, do império germânico. Na altura, a ideia era projectar a unificação de todas as regiões germano-falantes. A ideia permaneceu até ao século XX. Soube o viajante que ainda no início da década de 1980 a TV alemã encerrava as emissões, ao fim da noite, com imagens do Deutsches Eck, enquanto tocava o hino nacional.

O que sobra, hoje em dia, é um monumental memorial ao Imperador Guilherme I, representado em estátua equestre, de 14 metros de altura, o qual é visitado anualmente por dois milhões de turistas. Vale a pena pelo pitoresco e pela paisagem, sobre os rios Reno e Mosela.
Koblenz fica no vale do Reno, a 80 quilómetros a sul de Colónia e outro tanto a norte de Frankfurt (ou se preferires, leitor, de Francoforte…)

Terça-feira, Novembro 18, 2008

Areópago, Atenas

O viajante - sabe-lo bem, leitor -, tem levado os seus cadernos mais por caminhos que por estradas e mais por estradas que auto-estradas. Nas cidades, tem relatado mais o que descobriu nos capítulos finais dos guias turísticos e menos o que vem nas capas. Tem o viajante cá as suas coisas.
Talvez tenha sido essa a razão que, em Atenas, o levou a abandonar a fila imensa, de centenas de pessoas, que pretendiam comprar o bilhete de entrada na Acrópole. Optou o viajante por descer a colina, não mais que cem metros, até à rocha do Areópago. É um morro calcário, de dimensão modesta. Sobe-se a ele por uma escada gasta e polida, podendo também usar-se uma escada metálica, colocada para turistas que optem pela segurança. Lá em cima, não há nada. Apenas a vista (fantástica, aliás) sobre Atenas, com os seus cinco milhões de habitantes. E mais de vinte e cinco séculos de história.

O Areópago era na antiga Atenas, no tempo de Sólon, na génese da democracia (século VI AC) o local de reunião da assembleia dos aristocratas, que democraticamente comandava os destinos da cidade. Com o tempo, as funções desta assembleia passaram a ser, sobretudo, de tribunal. A tragédia grega diz que foram aqui julgados os dramáticos assassinatos da mitologia e do teatro, das histórias de mortes de filhos por pais, ou de mães por filhos. O Areópago foi, portanto, a sede do mais antigo tribunal criminal do mundo antigo de que hoje se tem notícia. Dele, no topo da rocha, nada resta, além destes mais de vinte e cinco séculos de história.

Com muita pena, teve o viajante alguma dificuldade em captar esta atmosfera no local, enxameado de turistas orientais e de adolescentes do norte da Europa em viagens de finalistas, os primeiros muito ocupados com a captação de instantâneos, os segundos concentrados nas músicas dos seus leitores de MP3.
Na base do rochedo, uma placa de bronze anota outro marco importante: reproduz o livro dos Actos dos Apóstolos (capítulo 17,versículos 22 a 32), na parte em que nele se descreve o discurso de São Paulo aos atenienses: “levaram-no até ao Areópago e disseram-lhe: «podemos saber que nova doutrina é essa que ensinas? O que nos dizes é muito estranho e gostaríamos de saber o que isso quer dizer».Ora, tanto os atenienses como os estrangeiros residentes em Atenas não passavam o tempo noutra coisa senão a dizer ou a escutar as últimas novidades”. Paulo passou em Atenas, no ano 51 depois de Cristo, no percurso de Tessalónica para Corinto.

Segunda-feira, Novembro 17, 2008

São Martinho de Anta, Trás-os-Montes

A escola onde fiz os meus primeiros exames”, dizia dela Miguel Torga. Veio aqui o viajante em romagem, um ano após as comemorações da data do centenário do nascimento de Adolfo Correia da Rocha, neste cruzamento transmontano onde acaba o Doiro e começa a Montanha.

A escola onde fiz os meus primeiros exames, e um rancho de crianças à porta, à espera de fazer os seus. Pacoviozitos, como eu fui, que desceram da serra e vieram pagar o seu ingénuo tributo à cultura. Alguns, viram hoje estradas e automóveis pela primeira vez(…). E pus-me a pensar na barbaridade que vai abandonar aqueles espíritos à pedagogia das pedras. Dos meus companheiros de classe, alguns finos como corais, poucos assinam hoje o nome. A mão amoldou-se de tal maneira ao cabo da enxada, foi tanta a negrura e a fome que os rodeou, que esqueceram de todo que havia letras e pensamento” – Miguel Torga, Diário.

Na escola de São Martinho de Anta, em Setembro de 2008 um anúncio avisava que as aulas começariam, após as férias do verão, a 12. Informava também dos manuais escolares. Como no resto do país. Com excepção de uma deslocada placa, mandada colocar por saudosistas de Coimbra, nada mais a distinguia de outras escolas, por aí fora.
A visita foi para o viajante o cumprimento de um tributo torguiano, com devoção mas sem conseguir ter emoção. Torga construiu um universo interior de enorme dimensão, estruturando-o de forma muito composta. Dotou-o de tantos detalhes tão ricos e delicados. Porém, as referências terrenas deste universo esfumaram-se logo que os dias do médico-escritor terminaram. O mundo virtual de Miguel Torga já não existe em lado nenhum. Se calhar, já não existia quando foi criado e foi apenas um fantástico exercício de memória analítica.
São Martinho de Anta fica no concelho de Sabrosa, a 20 quilómetros de Vila Real, por estradas sofríveis. A Vila Real chega-se, por vias rápidas, em três horas e meia desde Lisboa e em pouco mais de uma hora a partir do Porto. Quanto á escola, fica logo á entrada da povoação, antes do casario, quando se chega vindo de Vila Real.

Domingo, Novembro 16, 2008

Parque da Pena, Sintra

Não se cansa nunca o viajante deste local, declarado Paisagem Cultural Património da Humanidade, pela UNESCO em 1995.
Noutros tempos, a Serra de Sintra estava isolada da civilização e apenas foi conhecido por monges e reis: os monges, procuravam aqui recolhimento, na natureza exuberante; os reis de tempos antigos da nacionalidade, a quem não faltava tempo para caçadas demoradas em zonas distantes da capital, souberam apreciar a beleza da zona e o seu clima suave.
No lugar que hoje é o Palácio da Pena, talvez logo no século XII, altura em que a região foi pacificamente reconquistada aos Mouros, surgiu um pequeno edifício religioso. No seu lugar veio a ser construído um mosteiro, três séculos mais tarde, que no século XIX, com a extinção das ordens religiosas, passou para o Estado. Foi nessa altura, 1838, comprado por D. Fernando II, o príncipe consorte que veio a construir aqui, a partir da década seguinte, o magnífico palácio romântico.

A par do palácio, quis também D. Fernando construir um parque botânico, onde fosse possível encontrar árvores e outras espécies vegetais de todo o planeta. Este parque acolhe sempre tranquilamente o viajante, a quem de todas as vezes conta novos segredos, revelando recantos desconhecidos e árvores de que não sabia.
Gosta o viajante de passar na Fonte dos Passarinhos (pavilhão de estilo árabe, que fica na transição da encosta para a zona baixa do parque) e emociona-o subir à Cruz Alta, colocada no local mais alto da Serra de Sintra, a 529 metros de altitude. Daqui se vê a Estátua do Guerreiro, esculpida em bronze, a dominar a serra e o parque, da qual se diz-se ter sido mandada fazer pelo próprio D. Fernando II como representação dele próprio, a velar pela sua obra.
Mas, já ficou dito, o que mais impressiona no interior do parque, é a abundância e exuberância de espécies arbóreas raras em Portugal. Aqui viu o viajante sequóias, originárias da América do Norte, algumas das quais com perto de cem metros de altitude, ou Gingko Biloba, árvores antiquíssimas, trazidas da China, talvez as últimas representantes da flora anterior às glaciações, ou fetos arbóreos, vindos da Nova Zelândia, que diferem dos comuns por terem porte de árvore e chegarem a atingir 10 metros de altura (é notável o lugar conhecido como “feteira da rainha”). Impressionam qualquer um as túias, (thuja plicata), também oriundas da América do Norte, cujos ramos baixos são curvos, em forma de J ou as magnólias.

O Parque da Pena tem uma área de oitenta hectares, completamente arborizados e é visitável durante todo o ano, das 10 às 18 horas (no verão, das 9h30 às 20). O acesso faz-se a partir da vila de Sintra (duas dezenas de quilómetros a oeste de Lisboa), pela estrada nacional 247-3, numa subida íngreme, de dois ou três quilómetros. Pode subir-se de automóvel (o estacionamento é difícil no verão), de autocarro ou a pé (neste caso, exige-se preparação e boa resistência).

Sábado, Agosto 16, 2008

Praia do Bom Sucesso, Costa Oeste, 22h40m

O jornal dizia que o eclipse seria total. Durante a tarde, a improvável chuva de Agosto fez temer que o fenómeno se eclipsasse. À noite, as nuvens não permitiram confirmar a amplitude da coisa. Felizmente abriram ainda um pouco e deixaram perceber a estranheza da escuridão da noite em tempo de lua cheia.



Sexta-feira, Agosto 15, 2008

Estádio Sansiro, Milão

Acaba o viajante de ouvir nas notícias que Lisboa vai hoje ser visitada pela equipa de futebol treinada pelo Special One José Mourinho. Luís Figo, o super craque intemporal virá também ao Estádio da Luz, defrontar o Benfica. Serviu esta informação de mote ao viajante para recordar a visita ao Estádio de Sansiro, também conhecido por Giuseppe Meazza, em Milão.

Fica na zona ocidental da cidade e tem acesso pela linha 1 do Metro (estação Piazzale Lotto). O estádio teve origem em 1926, altura em que foi construído, por vontade e impulso de um rico industrial da cidade, Piero Pirelli, fabricante de pneus, à época presidente do A.C.Milan. Foi o estádio do clube até 1939, início da Segunda Guerra Mundial. Depois do conflito, que atravessou dramaticamente a cidade, a propriedade do estádio passou para a Comune di Milano. Nessa altura, o local passou também a ser usado em competição pelo F.C.Internazionalle (o Inter). O actual formato do edifício data de 1990, altura em que foi renovado para o Campeonato do Mundo Itália ’90. Comporta 85 mil espectadores, o que faz dele um dos maiores da Europa. Adoptou o nome de Giuseppe Meazza, em homenagem ao melhor futebolista italiano de todos os tempos, que assim se chamava. Actualmente, jogam no estádio o A.C.Milan (fundado em 1899) e o Inter (fundado em 1908). É portanto um excelente exemplo de partilha por dois clubes rivais.

Pode visitar-se o seu museu, que reúne documentos e objectos desportivos da histórias dos dois clubes. Os bilhetes custam 12,5 € (crianças 10€). Está aberto todos os dias, das 10 às 17 horas, embora haja condicionantes nos dias de jogo.

Quinta-feira, Agosto 14, 2008

A nova Potsdamerplatz, Berlim

Sente o viajante algum fascínio pela nova capital da Alemanha. Diz nova, porque em pequeno se habituou a Bona, a capital federal, por contraponto com Berlim, a dividida cidade da ignonímia, da qual só se conheciam as bolas. É por isso conhecimento recente a Potsdamerplatz, local obscuro durante a guerra fria e agora recuperado para os roteiros.

Desde sempre este local, no centro geográfico de Berlim, foi símbolo da sua modernidade. Assim aconteceu na louca década de 1930; nessa época ficavam aqui os cruzamentos das tendências da moda. Pelo caminho, depois de 1963, a zona foi durante décadas um descampado, terra de ninguém, entre as duas partes separadas da cidade, atravessada pelo muro da vergonha.
Nos dias de hoje, a Potsdamerplatz voltou a ser o emblema do progresso de Berlim do século XXI: aqui se encontram actualmente os edifícios de perfil mais reputado da cidade, desenhados pelos mais conceituados arquitectos do momento. Aqui está a sede da Daimler Benz (um edifício de tijolos nus, a evocar o mediterrâneo, inspirado por Renzo Piano, Richard Rogers e Christoph Kohlbecker) a sede dos Deutschbanh e os escritórios da Sony para a Europa (edifício de vidro e aço, desenhado por Helmut Jahn).O conjunto é muito vivo, estando sempre animado por ciclistas e passeantes, que circulam pelas muitas lojas, cinemas e cafés (no complexo de entretenimento Sony Center, há um enorme conjunto de cinemas e outras instalações de lazer, das quais se destaca o cinema tridimensional).


Quarta-feira, Agosto 13, 2008

Bodegas Barbadillo, San Lucar de Barrameda, Cadiz

Viagens e vinhos são dois temas na moda: viaja-se e aproveita-se para provar os vinhos da região; ou então, procuram-se provas de vinhos e aproveita-se para viajar e conhecer a região. Promete o viajante voltar ao tema, puro e duro, com notas mais substanciais. Ficam agora estas, que não se querem perder.
Na Andaluzia reproduzem-se todos os mais conhecidos ícones de Espanha: touros, guitarras e o flamenco, os pátios frescos e floridos e, claro, o vinho. Que ainda por cima, nesta zona, é verdadeiramente señorito: tem um forte carácter e é seco. Está agora o viajante a pensar no vinho feito da casta palomino fino, que dá origem a um branco de aperitivo, que deve beber-se gelado: a manzanilla de Sanlúcar.
O solo calcário da região, a que chamam albariza – é permeável à água, que armazena na altura das poucas chuvas e depois alimenta as vides. Por outro lado, ao ser quase branca, a albariza sofre menos evaporação – o sol aquece menos a terra que assim acumula mais a humidade – sobretudo o orvalho que todo o ano a proximidade do mar faz formar.
Além disso, ainda provoca um melhor amadurecimento das uvas, porque o branco do solo reflecte a luz solar, amadurando também os cachos escondidos da luz directa pela folhagem.


A manzanilla é o único vinho do mundo que tem um nome feminino. É mais seco, leve e delicado que o restante vinho de Jerez. Provou-o o viajante – e depois bebeu-o abundantemente -, em Sanlucar de Barrameda, junto da foz do Guadalquivir, na Andaluzia, nas Bodegas Barbadillo, que têm visitas para o público.

Segunda-feira, Julho 07, 2008

Capela da Granjinha, Chaves

Conhece o viajante o românico de inspiração visigótica das Astúrias, bem como o românico pirenaico, do qual já deu conta por aqui.
Não sabe, porém, como enquadrar neste contexto, do românico rural antigo, a capela da Granjinha, uma das mais antigas igrejas católicas da região de Chaves, em Trás-os-Montes. É um templo muito pequeno, situado no termo da freguesia de Valdanta, a cerca de dois quilómetros a sudoeste de Chaves, que ganhou a classificação de imóvel de interesse público. É pequena e acanhada, toda construída em granito. Julga-se que teve origem visigótica, mas o seu aspecto actual é românico.

Mereceu especial atenção do viajante a traça muito simples e sóbria, apenas cortada na sua singeleza pelo arco da porta principal. Este arco, de volta inteira, como sempre nas igrejas românicas, tem três arquivoltas muito decoradas, apoiadas em colunas cujas bases e capitéis estão também ricamente trabalhados.
Soube o viajante que na zona foram feitas escavações arqueológicas e que, por debaixo do próprio altar da capela foi descoberta uma ara romana. Apontaram então os arqueólogos para a forte possibilidade de, antes da capela, ter aqui havido uma villa romana, de cujo templo faria parte esta ara.
A capela da Granjinha está habitualmente fechada e pode ser complicado visitar o seu interior. Já a visita exterior é mais fácil. Basta ir lá. Chega-se, a partir de Chaves, tomando a estrada de Casas dos Montes e, depois, de Valdanta. Um pouco antes desta povoação deriva-se para sul, na direcção de granjinha, onde fica a capela.

Sábado, Julho 05, 2008

Catedral de São Pedro, Roma

Esta é daquelas visitas que podem significar muito ou nada. Para o turista de castelos e igrejas, é o maior templo cristão do mundo. É grande, de facto. E majestoso: mármores exuberantes, dimensões esmagadoras e estatuária de dignidade avassaladora. Porém, tudo visto, é mais uma igreja. Ou não. Noutra altura dará o viajante conta de como gostou do edifício, na sua dimensão e majestade.

Desta vez, na visita, tinha o viajante na memória as palavras de um blogger discreto (http://www.cronicasdaboavida.blogspot.com/), que dizia que “a 2 de Abril de 2005 morreu um dos Grandes do nosso tempo. Mudou o Mundo e o Mundo mudou com ele. Seguiu os passos de Cristo. Sempre. Totus Tuus.”
Foi o viajante, como já bem se viu, à procura da memória de Karol Wojtila, que enquanto chefe da Igreja usou João Paulo II.
Rapidamente concluiu que em Roma há mais japoneses do que peregrinos e mais turistas que crentes. A magnífica catedral está cheia de voyeurs de clichés, que vão para tirar fotografias. E o túmulo do Santo Padre, próximo da entrada da basílica, vale tanto como uma estrela num qualquer passeio da fama. Valeu aquela pequena capela, do lado oeste do templo. Um velho padre dizia missa para uns quantos sul-americanos, que respondiam em espanhol do novo mundo, enquanto alguns passantes correspondiam lendo as orações escritas em várias línguas e agrafadas aos espaldares das cadeiras de madeira.

Domingo, Junho 08, 2008

Praia do Bom Sucesso, Óbidos

Está por pouco tempo esta praia ainda bastante preservada da selvajaria do turismo moderno. Em breve, várias urbanizações, já em construção, vão despejar aqui o chamado progresso dos guarda-sóis de praia, dos bares com música do Caribe e das loiraças nórdicas encharcadas de protector solar.
Por isso, já não sobra muito tempo para que o viajante continue a imaginar por aqui a inspiração para a “ocidental praia”, de mar revoltado e céu brumoso, a que não falta, ao longe, a miragem da Berlenga, em dias mais claros.

A Praia do Bom Sucesso, em rigor, fica apenas confinada à margem esquerda da Lagoa de Óbidos, entre a água da lagoa e o mar. Porém, onde ela acaba, começa uma das últimas linhas de falésia a que ainda se pode chamar esse nome, na costa portuguesa. Daqui, sem qualquer povoação ou empreendimento turístico, subsiste ainda uma linha de praia, a bordejar a arriba costeira calcária e por vezes o cordão dunar, ao longo de vários quilómetros. A este troço não pode aceder-se por estrada nem ao longo dele se topa com qualquer perturbação humana. É dos últimos sítios que o viajante conhece, em Portugal, para passear longamente na beira do mar selvagem.
Na ponta, na Praia do Bom Sucesso, há lojas de abastecimento e bares. É também aqui que fica o acesso rodoviário, que vem de Caldas da Rainha ou de Óbidos, por uma estrada secundária que deriva da antiga Nacional de Peniche um pouco depois de A-da-Gorda.

Terça-feira, Junho 03, 2008

Universidade de Harvard, Boston, Estados Unidos da América

Já foi há algum tempo que o viajante foi em peregrinação a Harvard, no Estado norte-americano de Massachusetts. Peregrinação porque calcorreou a pé os três quilómetros que separam Cambridge, na periferia de Boston, do centro da grande capital da Nova Inglaterra. E peregrinação também porque - não esconde -, foi com emoção que procurou uma de entre a meia dúzia de mais prestigiadas universidades do mundo. O percurso de Boston para Cambridge, onde fica Harvard, revela subúrbios muito civilizados de uma das menos antipáticas cidades americanas. O ambiente é quase europeu.

Já a universidade, sem deixar de impressionar, mostrou-se muito diferente daquilo que o viajante, pouco familiarizado com os padrões transatlânticos, esperava de um tão importante nome. Na verdade, a universidade é toda ela formada por um conjunto de pequenos e até discretos edifícios, cor de tijolo, rodeados de jardins e árvores frondosas, sem que deste conjunto se destaque demasiado qualquer deles. Nenhum é solene, imponente ou sequer muito maior que os restantes. O ambiente é por isso marcado pela discrição e pela harmonia. Sem estar à espera de tanta quase modéstia, descobriu aqui o viajante a verdadeira essência da nação americana: para nada importa ter edifícios grandiosos ou obras de fachada imponente. A verdadeira riqueza está no Homem e na sua obra.
A esta filosofia, a mais antiga universidade dos Estados Unidos junta a procura do progresso pelo desenvolvimento do conhecimento, na literatura, nas artes e na ciência, pondo todas ao serviço da educação da juventude, de espírito aberto à inovação e com liberdade de criação e expressão.
Em Harvard confere-se uma vasta gama de graduações universitárias, do direito à medicina, passando pela engenharia ou pela gestão.


Em 1636, John Harvard, um pastor protestante, doou a sua biblioteca e metade das suas propriedades para a criação de um colégio, à imagem dos colégios universitários ingleses da época. Este tomou então o nome de Harvard College, em homenagem ao benemérito fundador. Ocorreu esta fundação apenas 16 anos após o estabelecimento no Massachusetts da segunda colónia de europeus em terras norte-americanas (o primeiro estabelecimento fixo de colonos data de 1607 e ocorreu na Virgínia). A história de Harvard é por isso inseparável da própria história dos Estados Unidos da América.
Aliás, desde então, é possível encontrar antigos estudantes de Harvard em todos os grandes momentos da história do país. Sete dos seus antigos presidentes (com destaque para John Fitzgerald Kennedy) estudaram aqui. De Harvard saíram também, até agora, mais de 40 laureados com Prémio Nobel.
A vida real, em Harvard, não é igual à dos clássicos filmes sobre os elitistas universitários da costa leste e o campus universitário não é tão edílico como se mostra no cinema. Mas não está muito longe.

Segunda-feira, Junho 02, 2008

Jacarandás em Lisboa

Tal como Garrett, viajando sem sair de casa, faz o viajante todos os anos uma viagem imaginária aos trópicos, levado pela cor magnética dos jacarandás floridos. Ao chegarem os calores generosos da primavera, as muitas árvores desta espécie plantadas nas avenidas de Lisboa, explodem em flores lilás azulado. Estas flores têm vida muito efémera, como o tempo primaveril e rapidamente caem, deixando no chão um tapete vegetal. Esta explosão de cor é, talvez, na paisagem urbana, o mais claro sinal da chegada da primavera.

Uma consulta rápida permitiu perceber que os jacarandás são árvores da família das Bignoniáceas, com origem na América do Sul, embora tenham sido regularmente exportadas e plantadas em todo o mundo desde há mais de 100 anos. À Europa, a existências dos jacarandás terá chegado após as explorações do alemão Alexander Von Humbolt, em meados do século XIX.

Quarta-feira, Maio 28, 2008

Sarajevo, (ainda) cidade ferida

Teve o viajante dificuldade em recuperar da sua memória uma cidade com um percurso tão difícil como o de Sarajevo. Desde a antiguidade, a zona da capital da Bósnia foi zona de conflitos: por aqui passou a fronteira que dividiu os impérios romanos do Oriente e do Ocidente. Este detalhe veio a definir, quando o Império do Oriente foi ocupado pelos turcos, o limite máximo da expansão do islamismo na Europa. Esta expansão foi, talvez, a maior marca de fricção que a história deixou para as gerações modernas. Ainda hoje passa por aqui o conflito religioso mais aceso da Europa.
Mais tarde, após a passagem por aqui dos turcos, em 1908 o império austro-húngaro ocupou a Bósnia-Herzegovina. Pouco depois, em 28 de Junho de 1914, um bósnio de etnia sérvia, de Sarajevo, assassinou, a tiro, o Arquiduque Francisco Fernando, herdeiro dos Haugsburgos, imperadores austríacos. Este foi o motivo imediato invocado pela Áustria para declarar guerra á Sérvia e, com isto, despoletar a Grande Guerra, mais tarde conhecida por Iª Guerra Mundial. Desde esse tiro, na entrada para a rude Ponte Latina, nas margens do rio Miljacka, não mais a Bósnia teve paz e liberdade, em simultâneo, até á fase de tranquila tensa que vive hoje.

O território passou a ser uma das repúblicas da federação da Jugoslávia, após a II Guerra Mundial. Quando a Jugoslávia se desmantelou, no início da década de 1990, houve por aqui eleições livres – as primeiras – em Novembro de 1990. Logo então a parte sérvia da população se manifestou contra as partes croata e muçulmana (estas últimas queriam que o país se tornasse independente, como uma nação multiétnica). A independência foi declarada em 15 de Outubro de 1991. Apesar disso, o partido sérvio decidiu formar o seu próprio governo em Pale, a 20km de Sarajevo. Mais tarde, transferiu-se para Banja Luka, onde ainda agora funciona a governo da República Sérvia, uma das duas entidades que compõe a moderna Federação da Bósnia-Herzegovina (a outra é o Distrito Bósnio).

Duas marcas reteve o viajante da sua chegada a Sarajevo. Uma, muito intensa, ficou logo na chegada ao hotel. Abrindo a porta da varanda, foi surpreendido pelos orifícios de dois balásios, que atravessaram o gradeamento. Mais tarde, percorrendo a cidade, viu o viajante muitos outros vestígios dramáticos de guerra urbana. Chamaram-lhe particularmente a atenção os buracos de balas na torre da velha igreja ortodoxa. A outra marca foi a da omnipresença que sentiu de templos e sinais religiosos. Em cada esquina se encontra uma igreja católica, ou uma igreja ortodoxa, ou até mesmo uma sinagoga. Em todo o lado se avistam as torres esguias e elegantes das mesquitas, aqui construídas “à turca”. As religiões, marcas distintivas e agregadora de cada uma das comunidades locais, parecem ter sido ao longo da história desviadas para motivo de conflito entre essas comunidades. Mas este tema fica para outro registo.

Quinta-feira, Maio 22, 2008

Estes romanos são loucos!


Deve haver poucos que conheçam tão bem os “romanos” como Asterix e Obelix. E se eles diziam que os romanos são loucos, lá saberiam porquê.
Os romanos, comummente identificados com a generalidade dos italianos, são gente à parte. Sabem que na sua língua “romano” significa habitante da capital e não gostam de ser confundidos com os seus restantes compatriotas. Recordam-se do tempo em que eram donos da Europa e do Mediterrâneo e desdenham dos povos que então ocuparam. E dos restantes, que consideram bárbaros, ainda mais.
Em regra, os romanos são exuberantes, mas secos. Transbordam de orgulho. Talvez por isso tenha sido impossível ao viajante, nas suas três ou quatro visitas nos últimos 20 anos, encontrar um romano simpático, naqueles que o atenderam no hotel, ou nos cafés, ou nos restaurantes, ou em qualquer outro lado.

Depois, há a desorganização. Nada é como previsto e a previsão é apenas uma hipotética suposição. É normal ver motoristas de autocarro a falar ao telemóvel enquanto conduzem, ou ver automobilistas a violarem flagrantemente as regras de trânsito.
Apesar disso, em público todos gostam de fazer boa figura. A imagem conta muito para os romanos. Mesmo a bordo de uma Vespa, espere-se desta gente estilo e sofisticação.Se é certo que em Roma há mais turistas que romanos, não é menos certo que é este detalhe que torna a cidade menos antipática.

Domingo, Maio 04, 2008

Sveti Stefan, Montenegro

Bem sabe o viajante que as máfias internacionais – em particular a russa –, têm escolhido a nova e independente República de Montenegro, para lavar o seu dinheiro sujo. Bem sabe também o viajante que o negócio imobiliário e hoteleiro é dos melhores para quem tem propósitos desta natureza. Consabidamente, Montenegro é desde o tempo da monarquia (de ambos os países) um tradicional aliado da Rússia. Conta-se até a anedota de alguém que pretendia que um cidadão local lhe dissesse, afinal, quantos montenegrinos havia. A resposta terá sido uma pergunta: “com russos ou sem russos”?
Nada disto tem que ver com Sveti Stefan (traduzido em português por Santo Estêvão), uma pequena ilha na costa adriática de Montenegro, que ainda há meia dúzia de décadas era uma aldeia piscatória. Durante o “titismo”, ainda no tempo da antiga Jugoslávia, todas as casas foram expropriadas e reconstruídas, para dar origem a um hotel de luxo. Portanto, toda a ilha é hotel. Dizem os guias que entretanto se degradou e o serviço não corresponde ao estatuto que deveria ter, razão pela qual o governo montenegrino decidiu conceder a exploração do local a um novo concessionário, ligado a um grupo económico asiático.
A ilha-hotel de Sveti Stefan (www.budvanska-rivijera.co.yu) fica cinco quilómetros a sul de Budva, próxima da estrada costeira que liga esta cidade a Bar. O acesso à ilha, em tempos apenas possível na maré baixa, está agora cimentado e regularizado. Não se sendo hóspede do hotel, o acesso à ilha é pago (7€). O alojamento no hotel custará entre 100 e 300 € por noite.

Domingo, Abril 20, 2008

Catedral de Estrasburgo, França

Estrasburgo é uma cidade emblemática da nova Europa, da paz e da democracia. Já foi francesa, depois alemã e de novo francesa. Agora é uma cidade da Europa dos povos. Na cidade cruzam-se as religiões e os respectivos templos, num bom exemplo de coabitação religiosa. A maior comunidade é a católica, logo seguida da protestante. A judaica é a terceira comunidade religiosa. Os novos ventos da emigração trouxeram também para aqui grandes núcleos de muçulmanos.Não obstante, a catedral católica, de Notre-Dame de Estrasburgo, é uma referência destacada e necessária no horizonte desta cidade de edifícios baixos. Vê-se de toda a cidade, com a sua flecha pontiaguda dirigida a o céu.

Teve origem numa anterior igreja românica, da qual subsistem a cripta e a abside do coro. O que hoje existe foi construído entre 1277 e 1439, em estilo gótico francês puro. A nave principal é majestosa, com 32 metros de altura. Notou o viajante os maravilhosos vitrais coloridos. E notou também uma das grandes atracções para os turistas que visitam a catedral: o relógio astronómico da catedral, construído entre 1838 e 1842, no lugar um outro do século XVI. Esta fantástica máquina, além de medir o tempo, calcula ainda as festas móveis e os eclipses da lua e do sol. Uma das grandes curiosidades do relógio é o desfile de autómatos que assinala todos os quartos de hora, meias horas e horas – ao meio-dia e meia o desfile é dos doze apóstolos, que passam em frente de Cristo, que os benze.

Porém, aquilo que mais impressionou o viajante foi a subida à torre da catedral. Para se chegar à plataforma superior, na base da única agulha, teve o esfalfado viajante que montar 326 degraus - algo como um edifício de vinte e tantos andares. Mas valeu a pena: lá no cimo, domina-se toda a cidade. Vê-se a cidade medieval e as casas de “colombage”, que parecem formar um imenso presépio urbano. Ao lado, vê-se a “petite france”, com os seus canais. Do lado oposto, vêm-se as germânicas praças magestáticas do século XVIII, a leste da cidade e, ao fundo, avistam-se os novos edifícios das instituições europeias, no “quartier européen”.

A entrada na catedral é gratuita. O acesso à torre custa 4,6 €. O edifício está aberto das 9 às 19 horas (mais cedo no Inverno). Mais informações, aqui.

Terça-feira, Abril 15, 2008

Castelo de Aguiar, Trás-os-Montes

Com o desenvolvimento das vilas e das cidades, no fim da Idade Média, os castelos roqueiros, outrora poderosos pelo controlo territorial que asseguravam, perderam importância. Foram sendo todos abandonados. Foi isso que aconteceu ao castelo de Aguiar, implantado numa mole caótica de granito, sobranceira ao vale de Aguiar. Actualmente, restam apenas ruínas do que parece ter sido uma alcáçova fortificadíssima e inexpugnável.
Diz-se ter sido um castro, talvez romanizado. Não longe daqui os romanos estabeleceram-se e exploraram as minas de ouro de Jales. Depois, quando os leoneses reconquistaram esta zona, o castelo terá sido construído sobre as ruínas do castro. Foi propriedade da casa real, até que D. João I o doou a um tal D.João Beça, que com ele combateu em Aljubarrota. Este último vem referenciado na qualidade de morgado do lugar por Aquilino Ribeiro, em “A Casa Grande de Romarigães”.
O castelo de Aguiar está localizado nos contrafortes da Serra do Alvão, junto da aldeia de Castelo, na freguesia de Telões, Vila Pouca de Aguiar. Fica 5 quilómetros a leste da Estrada Nacional 2, sempre por estrada asfaltada. A partir da A24, fica a cerca de 10 quilómetros, devendo sair-se na saída de Vila Pouca de Aguiar.
A visita ao castelo supõe deixar o carro a algumas centenas de metros e seguir por veredas estreitas e túneis naturais, formados pela vegetação e pelas rochas. Há escadas metálicas colocadas para facilitar a visita mas, mesmo assim, o acesso não é para todos. Vale a aventura e a silenciosa vista rasgada que se encontra no topo da fortificação.

Quinta-feira, Abril 10, 2008

As máquinas de Leonardo, Forte do Bom Sucesso, Lisboa

Às vezes, é o viajante surpreendido sem sair de casa. Foi o que aconteceu na visita à exposição “O inventor”, onde se exibem modelos de máquinas desenhadas por Leonardo da Vinci, registadas nos seus muitos cadernos de anotações.
É um conjunto de 20 mecanismos, em madeira, com funções específicas na vida quotidiana. De alguns deles – ou ao menos do seu princípio –, saíram mecanismos e utensílios usados na vida moderna.
Sobre estas linhas, elevadores de obras, em baixo, o escafandro e a máquina voadora.

É banal e pouco imaginativo dizê-lo, mas Leonardo foi um dos maiores génios de todos os tempos. Nasceu em 1452, no advento do renascimento italiano. Durante a sua vida (morreu em 1519), foi pintor, arquitecto, matemático, engenheiro. É esta última faceta que se explora nesta exposição, onde se reproduzem os seus projectos de máquinas, ferramentas, instrumentos de medição, barcos, máquinas voadoras, instrumentos musicais e outros.

Agora em Lisboa, a exposição pode visitar-se no Forte do Bom Sucesso, mesmo ao lado da Torre de Belém, em Lisboa, todos os dias, das 10 às 19 horas.
Abriu em 7 de Fevereiro e fechará a 25 de Maio de 2008. O bilhete de entrada custa 5 € (3,5€ para jovens e grupos).

Sexta-feira, Março 28, 2008

Mosteiro de Gracanica, Kosovo

Vivem-se dias conturbados no jovem país. As comunidades étnicas e religiosas não se entendem. As igrejas ortodoxas de Pristina foram abandonadas e depois devastadas e pilhadas. A norte, nos enclaves sérvios, as mesquitas estão policiadas e cercadas por arame farpado. As comunidades sérvias foram transferidas da capital para subúrbios rurais, onde tinham algum apoio em comunidades locais. Tudo transpira conflito, deixando os nervos à flor da pele.

O viajante não passou tranquilo pelos arrabaldes de Pristina, quando foi visitar o Mosteiro ortodoxo de Gracanica. É um tempo cristão que está no activo, servindo para culto, localizado numa comunidade sérvia a uma dúzia de quilómetros a sul da capital do Kosovo. Fez o viajante este percurso de 15 minutos em táxi, a partir de Pristina, conduzido por um albanês muçulmano, que rapidamente cobrou 5 € e retirou do local. A estrada era fraca, muito fraca, irregular e de mau piso. Junto dela, ao longo dela, muitas casas inacabadas e muitas outras de muito mau gosto. Ao chegar ao mosteiro, deparou-se o viajante com um muro, protegido do lado de fora por rolos de arame farpado. Na única porta, ao lado de uma bandeira sueca, um loiro soldado gigante com uma farda azul da KFOR, a força de paz das Nações Unidas, guardava a entrada.

O Mosteiro de Gracanica vem referido nos guias turísticos locais pela exuberância da sua decoração interior. As paredes interiores estão completamente cobertas por frescos. É um pequeno edifício de planta bizantina, em cruz de quatro braços iguais, coberto por cinco cúpulas. Terá sido construído no tempo do rei sérvio Milutin, no século XIV, altura em que terão sido também pintados os fantásticos frescos que, só por eles, valem a visita. O recinto murado é relvado e tem árvores seculares. No meio, fica o pequeno e simples edifício do mosteiro, construído em tijolos.Encontrou aqui o viajante a paz que lhe tinha sido retirada ao entrar no Kosovo.

Domingo, Março 23, 2008

Portugal dos Pequenitos, Coimbra

Para quem foi criança há 30 anos, o Portugal dos Pequenitos era uma referência de visita em família. Na era dos grandes atracções franchisadas por todo o globo, pelas grandes companhias de entretenimento, a popularidade deste específico local de Coimbra caiu a pique. Por curiosidade, anotou recentemente o viajante a curiosa tradução inglesa do sítio, nos guias: “Portugal for the little ones”.

Esta espécie de parque temático foi inaugurada em 1940. A iniciativa da sua realização foi do médico Bissaya Barreto e o projecto do arquitecto Cassiano Branco. No recinto estão representadas em miniatura três realidades diferentes: num primeiro ambiente, estão representados ícones das antigas colónias ultramarinas portuguesas; noutro, estão reproduzidos, em miniatura, os mais significativos monumentos históricos portugueses; na última parte, foram construídas casas representando a arquitectura regional de cada uma das regiões portuguesas. Tudo muito puro e singelo. Com a benção do Estado Novo, claro.

Ainda agora, porém, a visita é interessante. Para miúdos, é como visitar uma cidade de bonecas. O local não é bem igual ao que conhecem da realidade, mas tem traços parecidos. Para graúdos, é um shot de monumentos nacionais, de estilos arquitectónicos regionais e de revivalismo das antigas colónias. Tudo, num ápice.
O Portugal dos Pequenitos fica no Rossio de Santa Clara, 3040-256 Coimbra (telefone 239.801.170 e site web www.fbb.pt). Está aberto das 10 às 17 horas (de Março a Maio, até às 19h e no verão, até às 20h). A entrada custa para adultos, 7 € (6 € na época baixa) e para crianças 3,5 €(3 € na época baixa). É grátis para crianças até aos 5 anos.
O local está sinalizado, à saída do centro de Coimbra, para sul. A não ser em dias de confusão, o estacionamento é razoavelmente fácil.

Quinta-feira, Março 20, 2008

Parque Nacional de Königsee, Alpes Alemães

A zona faz parte do Parque Nacional Berchtesgaden, nos Alpes. Descobriu-a o viajante em passagem pela ponta sueste da Alemanha, muito próximo de Salzburgo, na Áustria.
Königssee, o lago, é comprido e estreito e está ladeado de montanhas muito altas, algumas das quais chegam próximo dos três mil metros. A zona envolvente do lago, por ser muito escarpada, não permite qualquer acesso rodoviário. Apenas tem acesso pelo lago, em carreiras de barco, que por sua vez dão acesso a trilhos pedestres. Aquilo que por aqui se faz, portanto, será sobretudo passear a pé, subindo as escarpadas margens ou explorando as pequenas povoações aninhadas num ou outro local mais plano. É particularmente procurada a pitoresca St. Bartholoma.
Deixou-se seduzir o viajante pelo ambiente romântico, quase intemporal, a fazer recordar os mais recentes livros do Tintim, passados em zonas montanhosas. Há grande restrição à circulação de carros e os barcos são dos tradicionais modelos, de madeira envernizada. Os hotéis – onde ficam também os restaurantes, como é tradicional na Alemanha rural – são pequenos e familiares. Este não é ambiente de pizzarias nem análogos, mas é possível beber cerveja caseira. Ficou portanto a impressão de Alpes à antiga, tradicionais e desconhecidos. Para voltar um dia.

Quarta-feira, Março 19, 2008

Reales Alcazares de Sevilha, Espanha

Dizem, os locais, que este é o mais antigo palácio real da Europa, ainda em uso. Ao que parece, a família real espanhola ainda se aloja neste histórico conjunto de edifícios quando visita Sevilha. E a sua origem é anterior à ocupação cristã da cidade, porque remonta ao tempo do califado de Córdova, cujos representantes aqui moravam. O nome original do local é Al-Qsar-al-Mubarak, alcácer da bendição de Al-Mutamid, último rei de Sevilha. Deste monarca se diz ter sido um poeta que, apaixonado por uma florista, fez plantar de amendoeiras as encostas de Córdoba, para que a sua amada não sentisse falta dos montanhosos cumes nevados de Granada.


Os Reales Alcazares são um labirinto de palácios e jardins, que foram sendo edificados ao longo dos tempos, sobretudo entre os séculos IX e XIV, com estilos diferenciados, consoante a época em que foram construídos. Predomina o gosto arabizante e muçulmano. Porém, o conjunto é muito exuberante, com mistura de estilos islâmicos e hispânicos-cristãos. Alguns destes espaços estão abertos ao público e são uma visita impressionante, pela beleza exuberante da arquitectura.

Domingo, Março 16, 2008

Ponte 25 de Abril, Lisboa

16 de Março de 2008, 10 horas e 30 minutos.
Tem o viajante alguma dificuldade em descrever o que o leva, ano após ano, a correr a mini-maratona da Ponte. Pode ser a vontade de fazer exercício. Pode ser a festa. Pode ser o espectáculo. Será da aventura? Ou da possibilidade – única – de poder ver a cidade, lá do alto, com a tranquilidade e a perspectiva que a passagem de carro normalmente não dão?

Em 2008 percorreram a ponte 30 mil pessoas, que esgotaram o número máximo de inscrições permitido. Galraram o seu tabuleiro metálico de 2.300 metros e as vias de acesso rodoviário a partir de Alcântara, segundo depois para o Mosteiro dos Jerónimos.

Poucos terão recordado a construção da ponte, então uma das maiores do mundo, entre 1962 e 1966. E ainda menos recordarão a inauguração, com o nome Ponte Salazar, a 6 de Agosto de 1966, pelo então Presidente da República, Almirante Américo Tomás.

Terça-feira, Março 11, 2008

Estação de Atocha, Madrid

Em memória das vítimas
11 de Março de 2004:
191 mortos
1841 feridos.

Terça-feira, Março 04, 2008

Restaurante D.O.C., Douro

O viajante não é muito frequentador de restaurantes gourmet. Não é que não gostasse, mas na estrada o orçamento recomenda refeições em locais mais abordáveis.
Não obstante, tem o viajante por vezes que reconhecer a sua agradável surpresa e o gosto que tem ao experimentar parar em locais supostamente mais caros.


Foi isso que aconteceu no D.O.C.. DOC, é para os enófilos o acrónimo tradicionalmente usado para Denominação de Origem Certificada. Neste caso, embarca como Degustação de Origem Certificada. Este D.O.C. é nome de um bar e restaurante aberto desde Abril de 2007, por iniciativa do chefe Rui Paula e do seu irmão Pedro Cardoso.
Chegando já fora de horas, em cima das 22h30m, foi ainda permitido ao viajante jantar com calma. Tenha-se em conta que isto aconteceu na pacata região duriense. De entrada, foi servida uma terrina de foie-gras, com tostas de centeio e doce de noz. Depois, seguiu um bacalhau com migas de milho de bacalhau e batatinhas no forno. Culminou a refeição numas bochechas de porco bísaro com legumes estufados e alheira. De sobremesa, um misto de doce de abóbora com requeijão e folhado de chèvre, cortado com gelado de mel.
Os vinhos, evidentemente foram da região.

O edifício onde está instalado o restaurante é novo e de traça modernaça.Foi construído literalmente dentro de água. Aqui, o Douro é um rio de águas calmas, entre a Barragem da Valeira e a de Bagaúste. A paisagem é rasgada e, só ela, valeria a viagem. O D.O.C. é fácil de encontrar. Fica em Folgosa, no concelho de Armamar. Está logo ao lado da Estrada Nacional 222, que liga o Peso da Régua ao Pinhão (telefone 254.858.123), pela margem sul do Douro. No Inverno, fecha ao domingo à noite e segunda-feira todo o dia. No verão não encerra nunca. Abre ao almoço e ao jantar.

Domingo, Março 02, 2008

Torre de Oro, Sevilha

Por aqui, nesta zona andou Cipião, o general romano que ficou conhecido por o Africano. Mas só muitos séculos depois (no século XII) foi construída aquela que veio a ser revestida a azulejos dourados e por isso a ser conhecida por torre de ouro.
A sua função original era a de ser mais um dos torreões que compunham a muralha da Sevilha. Tem a originalidade de ter doze faces. Actualmente alberga o Museu Naval da cidade.
Fica nas margens do rio Guadalquivir e é uma visita incontornável. O seu contorno exterior, de jardim fluvial, oferece, em regra, bom ambiente para passeio ao fim da tarde.Ficou o viajante maravilhado com a cor do pôr do sol numa tarde de Outubro.

Quinta-feira, Fevereiro 28, 2008

Quinta do Vale Meão, Douro

Vale Meão é um nome mítico no moderno vinho português. Desde que surgiu, como unidade autonomizada da histórica casa Ferreirinha, afirmou-se como um dos nomes mais consistentes da produção enológica nacional. O néctar é de excepção e a marca é uma aposta sempre segura. É notável, para um nome que apenas surgiu em 1999!
Meão é o U formado pelo Rio Douro por alturas do Pocinho, qual enorme meandro (o número dois dos vinhos da casa chama-se precisamente Meandro). A quinta fica nas margens do rio, em zona de microclima, muito seco e quente no verão.


A nota histórica mais interessante sobre a quinta diz que esta foi a única verdadeira realização da lendária Ferreirinha, D. Antónia Adelaide Ferreira. De facto, esta emblemática Senhora do Douro, em seu tempo comprou muitas quintas; esta foi a única que construiu de raiz. Aqui não havia nada quando a Ferreirinha comprou o terreno, em 1877. Talvez seja por isso que a adega é enorme e tem uma traça marcada, de paredes de granito e telhado de vigamento de castanho. Igualmente enormes são os lagares, em granito, onde ainda se faz a pisa a pé do vinho.

Mas não se iludam os visitantes: para além dos centenários lagares de granito há outros equipamentos que tratam das uvas e do vinho. Hoje em dia, as uvas que entram na adega sofrem um choque térmico, para que sejam vinificadas à temperatura conveniente. Depois, são pisadas a pé, mas brevemente: logo de seguida são maceradas por um robô e conduzidas para cubas de inox, com temperatura controlada. Mais tarde os mostos serão colocados em cascos de carvalho francês novos, para que o vinho apure adquirindo o travo adstringente da madeira verde. Na quinta produzem-se vinhos tintos e vinhos do Porto.

Em visita à quinta passou o viajante pela adega e pela sala de provas. Mas também pelas vinhas, plantadas em declive suave mas com muita tecnologia. Terminou no edifício da quinta, construído no século XIX, com a traça de mansão senhorial, com capela.
A quinta e a empresa que a exploram têm estrutura familiar. O pater familiae é Francisco Javier de Olazabal, de origem basca. Quem faz o vinho é o seu filho Francisco, enólogo de profissão e residente na quinta. As relações públicas – e não só -, são asseguradas pela Luísa, que abandonou uma carreira na área das relações internacionais para se dedicar à quinta. Esta dimensão encantou particularmente o viajante, que no Douro já viu demasiadas propriedades pertencentes a bancos, companhias de seguros e outras multinacionais, que as compram e vendem ao ritmo da subida ou descida do euro face ao dólar.


A quinta do Vale Meão fica próxima do Pocinho, no concelho de Vila Nova de Foz Côa. É também contactável para a Rua das Macárias, 61, 4410-149 São Félix da Marinha. Por estrada, o acesso pode fazer-se pelo IP2, que vem de Macedo de Cavaleiros na direcção de Foz Côa. Nesse caso, a quinta fica a 10 minutos do Pocinho. De comboio (o acesso mais romântico) o acesso pode fazer-se a partir da estação do Pocinho, terminal da linha do Douro, que tem cinco ligações diárias a partir da Régua (quatro aos fins de semana).

Sexta-feira, Fevereiro 22, 2008

Mosteiro de Lorvão, Penacova

Há poucos sítios onde o viajante se tenha sentido tão deprimido e oprimido como no lugarejo de Lorvão, a pouco mais de uma dezena de quilómetros a norte de Coimbra.

Talvez a má impressão inicial resulte de a zona ser muito acidentada e de ocupação humana desordenada. Além do vale do Mondego, que corre preguiçoso no seu vale arborizado, há por aqui vários córregos que percorrem vales fundos e muito vegetados. Em tempo, supõe-se, terá havido muitos carvalhos, mas agora a paisagem é dominada por eucaliptos e acácias, que durante o mês de Fevereiro estão cobertas de flores amarelas. Nesta paisagem, não será fácil construir estradas e por isso a chegada a Lorvão é antipática, seja vindo do Mondego e de Coimbra, seja vindo de norte, da região do Luso e do Buçaco, pelo IP3: as estradas são estreitas, íngremes e cheias de curvas e contracurvas. Numa curva da estrada, surge a aldeia, encastoada entre morros verdes e arborizados. Por estar tão encaixadinha, parece que é mínima, reduzida a uma rua que acompanha o ribeiro que corre no fundo do vale.

A má impressão tornou-se desagrado e mesmo choque dentro da aldeia: desde o década de 1950 que o Mosteiro de Lorvão foi adaptado para hospital psiquiátrico, alojando duas centenas de pacientes. Boa parte destes filhos de um deus menor deambula pela povoação, tentado interagir com os transeuntes e em particular com os turistas que vão passando. Mesmo tendo bem presentes os valores da solidariedade e do respeito pela diferença, este autêntico banho de doentes, não é das experiências mais agradáveis.
O que salva a visita é o Mosteiro em si mesmo: uma parte das suas antigas alas foi anexada ao hospital psiquiátrico; é visitável a Igreja, o antigo claustro dos monges e as sacristias.
A igreja é grande e surpreende o desalentado viajante: barroco pujante, com uma só nave mas coroada por um zimbório. Mármores a revestir as paredes e várias figuras nos altares, quase todas elas introduzidas nas reformas do edifício no século XVII e XVIII.
Ao fundo, separado da zona de acesso do público por gradeamento, o cadeiral de coro, referenciado como o maior de Portugal. É espantoso e rico, todo esculpido em jacarandá preto do Brasil e nogueira.

A fundação do Mosteiro de Lorvão poderá ter resultado da evolução da paróquia sueva de Lurbane, do século VI, o que fará dele dos mais antigos da Europa. Porém, o estatuto e a dimensão que tem serão do século XIII, altura em que para aqui vieram D. Teresa e D. Sancha, filhas de D. Sancho I e netas de D. Afonso Henriques. Desde esta época o mosteiro passou a acolher freiras beneditinas, naquela que foi a primeira comunidade da ordem de Cister em Portugal.
É monumento nacional e tem visitas guiadas. Simbolicamente, o bilhete para adultos custa 1 €.
Está aberto de terça a domingo, das 9:00 às 12:30 e das 14:00 às 18:30. Não há visitas aos domingos, às 11h30, por haver missa.

Sexta-feira, Fevereiro 15, 2008

Estónia, o Báltico desconhecido

De entre os novos Estados da Europa de Leste, os bálticos salientam-se pela aproximação que já têm aos padrões de vida do resto da União Europeia. E não só.
A Estónia é um país pequeno, com cerca de metade do tamanho de Portugal e uma população de 1,3 milhões de habitantes, dos quais 400 mil na capital, Tallinn. Destes, 26 por cento são de origem russa e falam habitualmente russo. Esta circunstância é um desafio para um país que rejeita, embora sem hostilizar, a memória do passado soviético.
Os restantes, os estónios, dizem-se um dos povos mais antigos da Europa, embora somente tenham alcançado a independência política no século XX. São referidos sinais de que um povo desta etnia (da mesma dos húngaros e dos finlandeses, portanto não indo-europeus), já vivia aqui quando as pirâmides do Egipto foram construídas.
São gente muito ligada à sua terra e às suas tradições, mas que acolhe de braços abertos a modernidade. O país tem uma das mais altas taxas de penetração de Internet do mundo. Por outro, se o viajante não estiver atento aos ainda inúmeros sinais na arquitectura urbana, terá dificuldade em imaginar que a independência do ocupante soviético ocorreu há menos de duas décadas.

As três cores da bandeira nacional não foram escolhidas por acaso: o azul é do céu, onde fica o limite, o preto da terra mãe e o branco de neve da esperança. Esta bandeira pertenceu no passado a uma corporação de estudantes de Tartu, cidade que gosta de ser considerada o berço da nação.
Esta simbologia permanentemente evocada não será alheia ao choque de culturas que por aqui se foi dando.
Para rematar, diz-se até que na ilha de Saaremaa, na costa oeste, existe uma cratera com 110 metros de diâmetro (que será única na Europa) provocada pela queda do meteorito Kaali. Este meteorito, caído apenas há alguns milhares de anos, terá sido o último objecto celeste de grandes dimensões a cair na terra.

Sábado, Fevereiro 02, 2008

Cristo Redentor, Rio de Janeiro

É desde há muito o local mais emblemático da cidade e talvez mesmo do Brasil. É daqueles objectivos incontornáveis no percurso de qualquer viajante e também no dos turistas. Mais ainda desde que foi declarado pelo marketing uma das maravilhas do mundo moderno.

Enquanto monumento é muito simples: trata-se de uma colossal estátua pétrea de quase 40 metros de altura (a altura de um edifício de 13 andares). De resto, à sua volta há varandas em betão, sobre a cidade, onde se apinham sempre centenas de visitantes. É, aliás, a paisagem quem preenche a maior fatia da visita e assume o atractivo principal. Daqui, a mais de 700 metros de altitude, de costas voltadas para matas e rochedos impenetráveis do parque da Tijuca, vê-se a maior parte do Rio de Janeiro.
Lá do alto, há quem apele à mística tradicional da figura e para o seu significado protector e abençoador dos fiéis brasileiros. Mas não o conseguiu o viajante. Aquilo que lhe ocorreu foi que este Cristo Redentor, visível de todos os bairros desta metrópole é a única realidade comum a todos os mundos que sem se tocarem circulam lá em baixo, entre o luxo e a riqueza de Ipanema e as vidas miseráveis da Favela da Rocinha, ou entre a violência e a insegurança das rodovias e o doce amasso de Copacabana.


O projecto do monumento foi desenhado pelo engenheiro brasileiro Heitor da Silva Costa e a estátua foi concebida pelo escultor francês Paul Landowski, em estilo art déco. Foi inaugurado em 1931.
A visita não é das mais fáceis. Pode optar-se por subir no “bondinho”. Para este teleférico, esperem-se filas. Em dias de afluência podem demorar mais de uma hora. A alternativa é subir a encosta por estradas más, em táxis especialmente credenciados, mas nem por isso mais fiáveis. Custará mais caro (a preços de 2007, 40R$ por pessoa), mas a visita será muito mais rápida.

Sexta-feira, Fevereiro 01, 2008

Sagres

Sagres é um local mítico para todos os portugueses. É também conhecido no mundo inteiro pelo seu papel de base operacional no arranque dos Descobrimentos Portugueses.
A Fortaleza de Sagres é monumento nacional. Foi construída no século XV e é gerida actualmente pelo IPPAR. Tem entrada paga e já esteve em estado de conservação melhor.

O conjunto monumental inclui uma pequena muralha que isola o promontório, a monumental rosa dos ventos, um centro de exposições e ainda a Igreja de Nossa Senhora da Graça, que se diz ter sido construída sobre os restos de um anterior templo, dedicado a Santa Maria, fundada pelo Infante Dom Henrique.
Na actualidade, a memória da mais dourada fase da história nacional já lá vai. Sopram agora outros ventos, que atraem surfistas e outros turistas de perfil descontraído, que dão à vila um ar pop, e um ambiente do tempo da televisão a preto e branco.



Quinta-feira, Janeiro 31, 2008

Castro de Curalha, Chaves


Os castros são das mais singulares manifestações da cultura céltica e pré-romana que ficaram no norte de Portugal. Este castro, fica nas proximidades de Curalha, freguesia rural do concelho de Chaves, a apenas um quilómetro da nova auto-estrada A24, que atravessa o centro do distrito de Vila Real e liga a Espanha. Até por isso tem uma posição privilegiada, que é coisa que já herdou dos fundadores, que escolheram para ele uma localização altaneira, num monte sobranceiro ao Rio Tâmega, a mais de 400 metros de altitude.

Aquilo que o viajante pode encontrar na visita é a ruína de um povoado fortificado, com belíssimas condições de defesa. Pensa-se que será uma fortificação pré-romana, com muitas marcas de ter sido romanizada. Ainda são visíveis vestígios de três linhas de muralhas, das quais duas ainda têm a cerca completa. Para entrar, existem cinco portas de acesso e cinco rampas.
A estrutura urbana é dividida por uma rua central, ao longo da qual existem muitos vestígios de habitações. Ao contrário de outros castros, as casas de Curalha parece terem sido quadrangulares.

Fica também o viajante a saber, por painéis informativos, que aquilo que está visível hoje em dia é o resultado de intensas campanhas de escavação e restauro, que decorreram entre 1974 e 1985 e foram dirigidas por Adolfo Magalhães, Francisco Carneiro e Adérito Freitas, arqueólogos da região e também pelo professor da Universidade do Porto J.R. dos Santos Júnior.
A visita é livre, sem qualquer restrição de dia ou hora e o acesso ao local faz-se por caminhos pavimentados, propositadamente abertos. Aquilo que o viajante mais aprecia quando passa por aqui, para além do peso do significado da história do local, é a paisagem rasgada, aberta para as serranias transmontanas do Brunheiro, do Leiranco e do Alvão.
O castro fica a sete quilómetros de Chaves

Domingo, Janeiro 20, 2008

Vale de Aosta, Itália

É um nome mítico do turismo de montanha. Corresponde a uma pequena região italiana, encostada aos Alpes e às fronteiras francesa e suíça. A zona é bonita, com predominância de paisagem tipicamente alpina: vales fundos e picos escarpados no horizonte. Por aqui se pode aceder ao monte Cervino, a que os suíços, de Zermatt, chamam Materhorn. É uma das mais emblemáticas montanhas dos Alpes (é bem conhecida por estar representada nas caixas de lápis Caran d’Ache e por ser o logotipo e a imagem de abertura dos filmes da Paramount). Também por aqui se pode aceder ao conhecido Parco Nazionale del Gran Paradiso.
No contexto montanhoso alpino, esta vertente sul não impressiona demasiado. Como montanhas, estas são mais secas e menos verdes que as do norte. Por outro lado, anota-se alguma desordem no território, a fazer recordar que por aqui se fala italiano. Duas coisas chamaram a atenção do viajante. Por um lado, os imensos castelos roqueiros que emergem de várias cristas eriçadas, ao longo do vale do rio Dora Báltea, de Aosta até Ivrea, onde o vale se abre e o rio se espraia na planura lombarda. São marcas de um passado feudal, de tempo anterior ao reino da Sabóia e muito anterior à unificação italiana. Por outro lado, espantou-se o viajante com a densidade e persistência de plantações de vinha, na zona média e superior do vale, ao longo das margens do rio mas também subindo um pouco na encosta. São as vinhas da Denominação de Origem Vale d’Aosta, onde predominam os brancos.

Sábado, Janeiro 19, 2008

Lagoa dos Salgados, Pêra, Algarve

Fica entre Armação de Pêra e Albufeira, na costa, por detrás do cordão dunar da praia. Chega-se lá a partir da ligação da velha Estrada Nacional 125 a Armação, desviando para leste, três ou quatro quilómetros. Na rotunda de Alcantarilha toma-se a direcção de Armação de Pêra; depois, junto do parque de campismo de Canelas, opta-se pela estrada que segue próximo da costa para Albufeira, na direcção dos Salgados. Meio quilómetro depois desvia-se para a Praia Grande. Até aqui circula-se sempre por estrada asfaltada mas pouco depois o asfalto dá lugar à terra, durante algumas centenas de metros.


Se o viajante fosse turista diria que, como lagoa, o sítio desilude. É um charco grande, com grande probabilidade de secar no verão, onde não se pode tomar banho nem fazer nada mais para além de ver a paisagem e observar aves. Rapidamente perceberá o turista que no local apenas se podem observar aves. Nessa altura o viajante responderá que está num local fantástico – dos melhores locais do Algarve – para observar aves. Deixe o viajante o turista no aldeamento e disponha-se a levantar-se cedo ou a ficar até perto do fim do dia. Poderá observar esta rica zona húmida, protegida do mar pelas dunas. E assistirá à alimentação dos alfaiates, dos flamingos cor-de-rosa, das galinhas de água e, com sorte, de um ou outro caimão.

Domingo, Janeiro 13, 2008

Salzkammergut, Áustria

A Áustria central é uma zona de transição. Fica entre as montanhas do Tirol, último bastião, para oriente, dos Alpes, e a planície de Viena, já virada para as suaves terras do Danúbio. As suas montanhas não são tão altas e agrestes como as alpinas e os seus vales não são tão abertos e espraiados como o do grande rio que em Viena, no tempo de Strauss, era azul.
A região de Salzkammergut ocupa esta zona montanhosa, entre Salzburgo e Viena. Está rodeada de montanhas e sulcada por doces vales, onde se formaram ao longo dos séculos 70 lagos. São os lagos que marcam o seu carácter e a fazem tornar num excelente destino de férias.

O viajante descobriu o Salzkammergut de carro, a melhor maneira de o fazer. Nesta região deve passear-se de carro, para poder parar-se onde apetecer. A partir de Salzburgo, a zona central dos lagos fica a menos de uma hora de viagem. As estradas, mesmo sendo de montanha, são boas e não têm demasiado trânsito. De carro foi possível chegar a locais e recantos sem outra forma de acesso. É o caso de Hallstatt, a magnífica aldeia à beira do lago do mesmo nome, onde surgiram há três mil anos as primeiras colónias de exploradores das minas de sal. É também o caso do Mondsee, lago cujas margens o realizador norte-americano Robert Wise escolheu para rodar, em 1965, o filme “Música no Coração”. Nele, a jovenzinha Julie Andrews interpretava uma preceptora enviada por uma abadia próxima para tratar das 7 crianças filhas do viúvo capitão Von Trapp. Nas margens do lago é também visitável a abadia beneditina com o mesmo nome, que aliás deu nome ao lago. A família Von Trapp está no imaginário de toda a região. Tem até uma base verídica, porque efectivamente existiu na data a que se reporta o filme (os anos da Segunda Guerra Mundial) e existe ainda.

O perfil de região de férias de montanha já vem de longa data. Em seu tempo, o Imperador Franz Joseph, que foi senhor do Império Austro-Húngaro entre 1848 e 1916, costumava vir por aqui de veraneio. Chegou até a construir um palácio para o efeito em Bad Ischil, a capital da zona. Mais que o Imperador Francisco José (como a ele se referem os livros de história portugueses…), quem costumava ficar por aqui longas temporadas era a sua bela esposa, a Imperatriz Isabel da Baviera, que o cinema imortalizou como Sissi, por intermédio de Romy Schneider.

Sexta-feira, Dezembro 21, 2007

Castelo de Chaves

O que resta da antiga praça-forte medieval de Chaves domina a paisagem urbana da cidade. Localizada no ponto mais alto da cidadela medieval, a torre de menagem, último vestígio medieval da antiga praça-forte, residência do alcaide, era o centro militar, político e administrativo da terra. Está construída no ponto mais elevado do antigo núcleo urbano medieval, acedendo-se a ela por uma complexa malha de ruas estreitas e nem sempre muito alinhadas.
Para além dos danos provocados pela violência das vicissitudes da história militar, as muralhas de Chaves sucumbiram também perante o crescimento da cidade, sendo absorvidas pelas novas construções. Desde 1978, a torre de menagem do castelo está ocupada por um museu militar, especialmente vocacionado para a história militar local.

A história deste castelo confunde-se com a de Chaves. Sabe-se que depois da reconquista cristã a zona ficou deserta, sendo reocupada a partir de 1258. O castelo desenvolveu-se a partir de então. Veio a ser doado a D. Beatriz, filha de Nuno Alvares Pereira, quando esta se casou com D. Afonso, o filho ilegítimo de D. João I. Deste casamento resultou o nascimento do Ducado e Casa de Bragança, que neste castelo teve o seu primeiro paço.
A torre de menagem é airosa e bonita. Nas paredes tem seteiras e na fachada leste tem varandas de madeira. O topo está rodeado de merlões e ameias, tendo nos cantos pequenos balcões, semicirculares.




Quinta-feira, Dezembro 20, 2007

A árvore de Natal mais alta da Europa

O Porto e Bucareste, capital da Roménia, rivalizam neste Natal de 2007 na instalação da que se arroga como a maior árvore de Natal da Europa. Estarão montadas e iluminadas durante a temporada natalícia, até 7 de Janeiro.
São ambas duas estruturas metálicas iluminadas, pagas pelo banco português Millennium BCP, que na Roménia se chama Millennium Bank. Têm 76 metros de altura e pesam 280 toneladas. A iluminá-las estão mais de 2 milhões de micro-lâmpadas, 13 mil lâmpadas bolinha, apoiadas em 28 quilómetros de magueira luminosa e 500 metros de tubos de néon.
Antes do Porto e Bucareste, as árvores foram instaladas em Lisboa, onde tinha menos um metro de altura (é daqui a fotografia superior) e Varsóvia, na Polónia, onde o banco patrocinador tem também negócios.
Ambas as árvores são mais baixas que aquelas que têm, ano a ano, aumentado um pouco o seu tamanho, rivalizando pelo título de maior do mundo: as árvores de Aracajú, no Brasil, com 86 metros e do Rio de Janeiro, instalada na Lagoa Rodrigo de Freitas, com 85 metros (na sua versão original tinha 48 metros).
Em qualquer dos casos são bastante mais altas que a maior árvore natural da Europa, em Viana do Castelo: trata-se de uma araucária com 48 metros de altura, iluminada por 12 mil lâmpadas, suportadas em 2500 metros de fio eléctrico.A árvore do Porto consumiu grande quantidade de energia eléctrica. A de Bucareste, provocou quedas de tensão na zona onde está instalada, na Piata Unitti. A do Rio de Janeiro é alimentada por geradores que funcionam a biodiesel e produzirão até ao fim da temporada natalícia a energia necessária para iluminar uma cidade de média dimensão durante uma semana.

Segunda-feira, Dezembro 17, 2007

Palatul Parlamentului, Bucareste – a última loucura do ditador

O actual edifício do Parlamento Romeno, em Bucareste é um edifício odiado. Domina a zona sul da cidade e foi construído na década de 1980, para glorificar o nome de Nicolae Ceausecu, o último dos ditadores do leste europeu a ser deposto, em Dezembro de 1989.

Para a construção deste palácio, foi necessário arrasar um sexto da cidade de Bucareste, para que no lugar das antigas casas fosse construído o Palácio e o Bulevardul Unirii, larga avenida arborizada que se pretendia que fosse rival da Avenida dos Campos Elíseos, em Paris (aliás, de propósito, tem mais 6 metros de comprimento, para que possa dizer-se que é mais extensa…). Tem mais de três quilómetros de comprimento e para a construir foram destruídas as casas de cerca de 70 mil pessoas (além de 26 igrejas, duas sinagogas e um mosteiro).
Ao edifício, Ceausescu chamou ironicamente Casa do Povo (Casa Poporului). É visitável, entre as 10 e as 16 horas.
Além deste projecto, Ceausescu alimentou um outro, igualmente megalómano: pretendeu proceder à reorganização do mundo rural romeno, destruindo massivamente aldeias, para realojar os camponeses em prédios de apartamentos padronizados.


Quartier Latin, Paris

Houve tempo, há algumas décadas, em que Paris estava na moda entre os intelectuais. E também entre os intelectuais portugueses. Liam-se autores franceses por todo o mundo, procuravam-se as novidades das editoras francesas e seguiam-se com atenção os movimentos filosóficos do quartier latin. Foi o tempo dos últimos grandes pensadores, que antecederam a era globalizada, em que já não se pensa, mas se age mais. Nesse tempo, de meados do século XX, era também moda ir a Paris, frequentar os cafés de Saint-Germain-des-Prés, na margem esquerda do Sena, onde supostamente poderiam encontrar-se vultos da intelectualidade europeia. Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir foram nomes de referência, a este propósito. Mas não os únicos. Por aqui andaram também Picasso, Hemingway ou Camus. Na igreja de Saint-Germain-des-Prés está sepultado Descartes.

Os cafés, instituições tradicionais de Paris, aliás, marcam o bairro. São tradicionalmente o ponto de encontro onde se come, bebe ou se encontram amigos.
Les Deux Magots (onde um café custa 4,2 € e uma cerveja 6 €), ou o Café de Flore ficaram para a história como ícones marcantes de uma época, pela sua clientela intelectual. São agora sobretudo procurados pelas objectivas de fotógrafos japoneses.
O Quartier Latin e o bairro de Saint-Germain-des-Prés ficam na margem esquerda do rio Sena, no centro de Paris, a dois passo da Ile de la Cité, a zona de origem histórica da cidade. São fáceis de percorrer a pé e são servidos por várias estações de Metro.

Domingo, Dezembro 16, 2007

Portugal no seu melhor

Por mais que o viajante gire a agulha dos destinos que vai percorrendo, mesmo vivendo num país pequeno, não encontra nunca motivos de surpresa como aqueles que vai encontrando sem sair das fronteiras. Surpreende-se o viajante com a reinvenção daquilo que julgava perdido e destinado ao anedotário dos relatos de avozinhos.
Este fotoapontamento, que se recolheu na zona da Barragem da Agueira, pretende deixar um repto: se se passar em Chamadouro, Santa Comba Dão, procure-se a Associação Cultural Desportiva e Recreativa. Pode ser que esteja para se realizar um novo torneio de sueca. Além do lanche no final do torneio, sempre garantido, e das duas chouriças para cada equipa participante, existe a esperança de ganhar duas pás de porco ou dois presuntos. Se se for ambicioso e habilidoso com as cartas, pode mesmo aspirar-se a ganhar o primeiro prémio: um porco inteiro.

Quarta-feira, Dezembro 12, 2007

Praça Vermelha, Moscovo

Este é daqueles locais que estão bem presentes na memória dos noticiários da televisão de quem tenha mais que 30 anos. As repetidas imagens a preto e branco de soldados a desfilar, seguidos por mísseis e carros de combate muito alinhados, com os comandantes muito hirtos a saudar os dignitários do velho regime soviético. Acontecia com particular ressonância por todo mundo em Novembro de cada ano, quando se comemorava a Revolução de Outubro.
As bancadas de betão onde se perfilavam os militares do regime para assistir ao desfile ainda lá estão, de um lado e de outro do mausoleu de Lenine, que continua a ser visitado por revivalistas do regime (e também por curiosos, que aproveitam a entrada gratuita). Este mausoleu esteve para ser demolido, no tempo de Boris Ieltsin e, diz-se, pode vir a fechar por falta de verba para conservar o cadáver do antigo mentor (recorde-se que após a morte de Lenine o seu corpo foi embalsamado e tem que sofrer manutenção periódica).
É visitável apenas entre as 10 e as 13, alguns dias por semana. Costuma ter fila e não se pode falar durante a visita nem tirar fotografias. No mesmo memorial estão também sepultados outros notáveis do regime soviético: Estaline, claro, mas também Yuri Gagarine, o primeiro cosmonauta soviético e Leonid Brezhnev, o último grande líder do Partido Comunista da União Soviética.
O Kremlin, também ainda aqui está, claro. E melhor que nunca: está bem restaurado e iluminado à noite. O mesmo se passa com a Catedral de São Basílio, igualmente bem preservada.
Porém, o espírito comunista perdeu-se. Em frente ao Kremlin abriu o fabuloso centro comercial GUM, com lojas de todas a marcas de roupas, sapatos e jóias que contam na Europa ocidental. Este centro comercial usa como meio promocional, na altura do natal, um ringue de patinagem, que coloca no meio da praça.
Por último, embora já fora da praça, mas mesmo em frente ao memorial dos mortos da IIª Guerra Mundial, abriu um Mc Donalds!
Lenine, se estivesse num túmulo, estava a revolver-se nele!
O viajante, por seu lado, pensa na mística da Praça Vermelha, ladeada das muralhas de tijolos avermelhados do Kremlin e recorda-se da sua origem na Idade Média, altura em que as primitivas muralhas foram construídas. E ocorre-lhe também que embora por esta praça tenham já passado vários regimes e vários governantes, a praça, ela mesma, continua lá, a atrair por si mesma milhares de visitantes por dia.


Segunda-feira, Novembro 19, 2007

Atomium, Bruxelas

Quando se vê pela primeira vez esta estrutura enorme, fica-se sem saber como a classificar; se é uma colossal escultura ou é antes uma originalíssima obra de arquitectura. Em todo o caso, a primeira impressão é sempre de deslumbramento, pela dimensão, pela imponência, pelo brilho metálico que o reveste. A sua forma corresponde à de uma molécula cristalizada de ferro, ampliado 165 biliões de vezes. Tem por isso 9 esferas, de 18 metros de diâmetro, unidas por 20 tubos, com comprimentos de 18 ou 23 metros, consoante os casos. Todo o conjunto é feito em aço, revestido de alumínio. Estima-se que pese 2400 toneladas. A esfera mais elevada atinge 102 metros de altura.
O Atomium foi desenhado pelo engenheiro belga André Waterkeyn para a Exposição Internacional de Bruxelas de 1958 e destinava-se a ser destruído após o seu encerramento. Porém, a popularidade que conquistou entre os 42 milhões de visitantes da Expo 58 e a sua singularidade acabaram por impedir a sua demolição. Na época, vivia-se em grande optimismo, cultivando-se a fantasia e a inovação na arquitectura. E a obra acabou por ficar. Naturalmente, sofreu grande envelhecimento, que obrigou à realização de obras de renovação, as quais decorreram entre 2003 e 2006.
Pode visitar-se o Atomium todos os dias do ano, das 10 às 18 horas. O bilhete de ingresso custa 9 € (7 € para estudantes e seniores), mas a entrada é gratuita para crianças menores de 12 anos. A visita incluiu a subida à esfera mais elevada, num elevador que, à data da sua construção, era o mais rápido da Europa, subindo cinco metros por segundo. Inclui ainda a visita a cinco outras esferas, por escadas (algumas delas – poucas –, rolantes, atravessando os tubos, a fazer lembrar o Espaço1999). Para subir, têm que galgar-se 80 degraus; para descer são 185!
O Atomium ficam em Bruxelas, na periferia noroeste da cidade. Próximo está o Estádio de Heysel. Chega-se lá de Metro, pela Linha 1A, saindo na estação de Heysel.

Domingo, Novembro 18, 2007

Rio de Janeiro

É incontornável. É uma referência para todo o viajante. Da cidade, disse Le Corbusier que os morros, as praias e as baías e enseadas têm uma geografia tão perfeita que nunca será superada por nenhum arquitecto. Tinha o bem conhecido arquitecto suíço em mente, senão em vista, o morro da Urca, o Corcovado e o Pão de Açúcar, enquadrados por Ipanema e por Copacabana.
O nome Rio de Janeiro foi-lhe dado por Américo Vespúcio, o florentino piloto-mor de Gonçalo Coelho, comandante da esquadra portuguesa que aqui chegou a 1 de Janeiro de 1502. Ficou como Rio porque era uma foz aquilo que os navegadores julgavam ter encontrado ao chegar à entrada da baía da Guanabara.

Desde então, o Rio passou por tudo: foi abrigo de piratas, porto de escoamento do ouro e da chegada dos escravos, magnífica cidade imperial, onde a corte metropolitana haveria de exilar-se. Foi entretanto capital do Brasil, entre 1640 e 1960, data em que o presidente Juscelino Kubischek transferiu oficialmente a capital para Brasília. Já no século XX, entre artistas de todo o mundo tornou-se moda ir ao Rio. A cidade era exuberante e descontraída. Foi a descontracção que atraiu os foragidos da justiça que aqui acorreram, em busca de sol. Tornou-se muito conhecido o caso dos criminosos de guerra nazis. Porém, o mais romântico dos exilados que aqui acabou por ser encontrado foi Ronald Biggs, o famoso inglês que assaltou o comboio-correio de Glasgow.
Rio de Janeiro é também a cidade onde vivem os mais ricos brasileiros e é, talvez, também aquela onde vivem mais pobres – e os mais pobres. Para mal de todos, a cidade tornou-se símbolo da violência desumana e indiscriminada.

Com a mente a recordar as imagens de “A cidade de Deus”, chegou o viajante ao Rio vindo de outra cidade do Brasil e a leitura das primeiras páginas dos jornais do avião revelou-lhe que só no dia anterior tinha ocorrido na cidade maravilhosa um tiroteio entre a polícia e “bandidos” que tinham acabado de assaltar vários veículos automóveis numa via rápida, um assassinato a sangue frio de um vigilante de uma loja e um assalto a todos os passageiros de um “ônibus” a caminho de uma favela, os quais ficaram despojados de tudo com excepção, nalguns casos, da roupa interior – só nalguns casos; noutros nem esta sobrou. Passeou o viajante com algum medo a sua máquina fotográfica. Acabou por perceber que a violência é sobretudo uma realidade dos morros e das chamadas vias expressas, em particular em horas mais tardias. Percebeu nessa altura porque a auto-estrada que seguiu do aeroporto para o hotel tinha muitos carros patrulha da Polícia Militar estacionados nas bermas.

Mas não foi essa a imagem que ficou. Ficou antes a fotografia de corpos cuidados, a apanhar sol em Ipanema, ao som de músicos ambulantes, que prescindem da moeda com simpatia e saúdam se o viajante lhes disser que não dá nada porque a vida está difícil. Ficou o sabor da inigualável frescura da água de coco, sorvida do próprio fruto, acabado de abrir a golpe de facalhão, na beira da praia. Ficou também a descontracção e a simpatia dos cariocas, que facilmente conversam com o vizinho de corrida, ao longo do calçadão de Copacabana como se o conhecessem de toda a vida.

Segunda-feira, Outubro 29, 2007

Torre Agbar, Barcelona

A silhueta urbana de Barcelona – o viajante já o sabe -, é dominada pela torres esbeltas da Sagrada Família. Porém, na última visita, o viajante foi surpreendido pela também esbelta Torre Agbar, que igualmente desponta por cima dos telhados da cidade condal e faz concorrência à inacabada catedral de Gaudí na disputa do horizonte.

Esta Torre Agbar, construída a noroeste da cidade, na Plaça de Les Glories Catalanes, no fim da Avenida Diagonal, foi desenhada por Jean Nouvel, o arquitecto francês que mais recentemente (em 2006) deu forma ao Museu Quai Branly, nas margens do Sena, em Paris – é um edifício com estrutura em vidro onde encaixam 28 cubos coloridos e se destina a alojar peças representativas das artes e civilizações de Africa, das Américas, da Ásia e da Oceânia. Em Paris, Jean Nouvel já tinha desenhado, no final do consulado do Presidente François Miterrand, o edifício do Instituto do Mundo Árabe, construído na rive gauche, próximo do Quartier Latin, em 1987.

Quanto à torre Agbar, tem 142 metros de altura e 34 andares, com estrutura de betão. Por fora, é flamejante, por ter revestimento de alumínio lacado e de placas de vidro colorido, que vão variando na tonalidade, produzindo uma multitude de efeitos ópticos. Tem o formato de uma bala, pretendendo evocar os píncaros rochedos de Montserrat, na Catalunha Central. Vê-se de toda a cidade. Está ocupada por escritórios. À noite está iluminada.

Sábado, Outubro 27, 2007

O porto de Marselha, França

O viajante chegou a Marselha com a memória dos livros do Asterix. Naquele tempo, a Massilia era uma cidade romana, virada para o mar. Já nessa altura ,a velha Massalia fundada pelos fenícios tinha o estatuto do maior porto do Mediterrâneo ocidental. Mais tarde, no fim do século XVI, os comerciantes da cidade criaram aqui a primeira Câmara de Comércio de França. Marselha sempre foi no passado uma cidade de comerciantes. E ainda hoje é.
Não é de estranhar por isso que o ponto nevrálgico da cidade seja “Le Vieux Port”, uma embocadura de mar que entra pela cidade, formando um enclave natural óptimo para o estabelecimento de um porto de mar fácil e atractivo para os comerciantes.
Hoje em dia o local parece mais uma supermarina. E na verdade, o porto velho é isso mesmo: uma marina rodeada de bares e hotéis, que constitui um oásis numa cidade dividida pelos conflitos étnicos, sobretudo nos bairros dominados por população magrebina. De um lado e do outro, fortalezas de origem medieval dão romantismo ao sítio.

Marselha tem voo directo de Lisboa, pela TAP, em aviões da Portugália, que antes assegurava a linha. O voo tem a duração de duas horas e percorre, no troço final, a costa mediterrânica francesa, sobrevoando o delta do Ródano. O aeroporto fica a 28 quilómetros da cidade, mas tem ligação, por autocarro rápido, ao centro da cidade.

Quarta-feira, Outubro 10, 2007

Oslo, uma capital tranquila

A Noruega é um país tranquilo, onde a população vive confortavelmente, com segurança e liberdade. Os seus habitantes são até conhecidos por serem pouco expressivos e não manifestarem os seus sentimentos e emoções. Vivem pacatamente instalados num país rico e moderno, financiado pelas jazidas petrolíferas do Mar do Norte.
Oslo é uma cidade de fusão, onde o passado guerreiro viking se cruza com imponentes manifestações de arte e arquitectura moderna, sobretudo na renovada orla costeira. A sua localização é estupenda, entre bosques de coníferas e plácidas águas do fiorde. A cidade é pequena e pouco movimentada. O trânsito, fácil e fluído, deixa uma certa impressão provinciana.
A partir do molhe Aker Brygge, a zona mais moderna e in da cidade, o viajante terá que passar pelo moderno e austero edifício da Câmara Municipal, construído em 1950 para comemorar os 900 anos da fundação da cidade. Depois, deverá percorrer a Karl Johans Gate, a única verdadeira grande avenida de Oslo, com um jardim a separar as duas faixas de trânsito. No topo, visitará o viajante o Palácio Real de Oslo, sóbrio e elegante edifício neoclássico, na parte mais alta de um parque arborizado. Ao fundo, verá o edifício do Parlamento Nacional Norueguês.

A capital da Noruega é uma cidade cara, onde tudo custa muito dinheiro. Os hotéis não são muitos e os restaurantes menos. Há algumas cervejarias onde se bebe bastante, sobretudo ao fim de semana. A solução de sobrevivência mais fácil e barata é recorrer às lojas de conveniência.
O aeroporto fica a quase uma hora da cidade, em autocarros directos, que atravessam o centro da cidade. Tem ligações a Lisboa, algumas das quais directas, embora na maior parte das vezes seja necessário fazer escala em Copenhaga.

Terça-feira, Setembro 25, 2007

Itapuã, Bahia, Brasil

O viajante chegou a Itapuã ao anoitecer e foi embora de manhãzinha cedo. Não teve por isso oportunidade de passar uma tarde em Itapuã, ao sol que arde em Itapuã, ouvindo o mar de Itapuã, falar de amor em Itapuã, como na velha canção de Vinicius, cantada por Toquinho e Djaban. Sentiu o arrepio do vento que a noite traz e o diz-que-diz-que macio que brota dos coqueirais, a banhar um mar que não tem tamanho e um arco-íris no ar.

O tempo estava incerto, a chamar o pau, a pedra, e o fim do caminho, um pouco sozinho. Com a inspiração de Tom Jobim, eram as águas de Março fechando o verão. Eram as promessas de vida no teu coração.

Itapuã fica uma dezana de quilómetros a norte de Salvador, no Estado da Bahia, na direcção do Aeroporto Internacional. A partir do centro da cidade, de taxi, é fácil chegar. A oferta hoteleira não é muito abundante, mas pode socorrer-se sempre o viajante da oferta de Salvador, rica e variada.

Domingo, Setembro 23, 2007

Vale de Chamonix, Alpes Franceses

É um clássico vale glaciário, em forma de U, como muitos outros desta região da Savoy, a que os portugueses se habituaram a chamar Sabóia. A paisagem do vale é feita de montanhas altas, de cenário espectacular. Há glaciares, alguns com vários quilómetros de comprimento. No horizonte, picos gelados e agulhas escarpadas, rodeando o Monte Branco, o mais alto do vale, a 3800 acima dele. No inverno esquia-se, no verão há imensas actividades de ar livre. Sobretudo caminhadas pelos vários trilhos marcados. Durante todo o ano funcionam as subidas mecânicas para os picos das montanhas vizinhas.

No lado oriental do vale há um conjunto alinhado de agulhas e glaciares que culminam a 4808 metros de altitude, no Monte Branco. Do lado ocidental o vale é delimitado por um maciço rochoso, menos nevado que o outro e mais apto a caminhadas de tempo quente. É a cadeia das Aiguilles Rouges, actualmente reserva natural, cujo pico mais alto é o Le Brevént, com 2525 metros de altitude. Este é um dos melhores miradouros do vale, com panorama para o Monte Branco a leste e ainda melhores vistas para oeste e para sul.
O vale de Chamonix é um dos mais emblemáticos dos Alpes franceses. Fica próximo da fronteira da Suíça e tem como melhor acesso o aeroporto de Genebra.


Sábado, Setembro 22, 2007

Teatro Alla Scala, Milão

O nome é bem conhecido dos que seguem os grandes recitais. O Teatro alla Scala, conhecido tradicionalmente em português como o Scala de Milão, é um templo internacional da música clássica. É talvez, o grande herdeiro da tradição lírica italiana. Foi construído no século XVIII e fica na Piazza della Scala, a dois passos do Duomo, a elegantíssima catedral da capital italiana da moda. Separa os dois edifícios a Galleria Vittorio Emanuele II, o mais antigo centro comercial do mundo.

Ao viajante não causou tanta emoção ver a linha austera de teatro clássico como vem impressionando, desde há muitos anos, o peso do nome e da história do local. Como registo de viagem, fica a nota, evocando, in memoriam, Luciano Pavarotti (1935-2007), o tenor que quis um dia ser guarda-redes numa equipa de futebol, falecido em Modena, que era também a sua cidade natal, a 6 de Setembro.

Sexta-feira, Setembro 21, 2007

La Défense, Paris

A capital de França tem em vigor rigorosos regulamentos de protecção da sua tradicional malha urbana. Por isso, procurou expandir-se e dar liberdade à criatividade urbanística em zonas periféricas. Ou então em zonas degradadas, a precisar de renovação. Esta circunstância potenciou o desenvolvimento de núcleos localizados de edifícios e conjuntos modernos, que se destacam do contexto envolvente. É o caso de La Défense, a noroeste da cidade, no alinhamento da Avenue Foch e do Arco do Triunfo.

É um conjunto de grandes edifícios, de arquitectura moderna, organizados em volta de uma esplanada central. Fecha esta esplanada o grande arco de La Defense, que está alinhado com o Louvre e o Arco do Triunfo. É um gigantesco cubo oco, em cujas paredes laterais há escritórios, onde funcionam serviços públicos. No topo, há um miradouro visitável, que tem acesso por um fantástico elevador de vidro.
A zona tem serviço de metropolitano (estação “Grand Arche”).

Quinta-feira, Setembro 20, 2007

Lisboa, 20 de Setembro de 2007, 22h30m

Como se dizia nas crónicas jornalísticas do século XIX, abateu-se sobre a cidade uma violenta tempestade de raios e relâmpagos, seguidos de trovões e varridos por pesadas bátegas de água puxada a vento. A trovoada durou uma hora.

Já alguém se lembrou de aproveitar a energia descarregada pelos raios?




Segunda-feira, Setembro 17, 2007

Catedral de Sevilha

A Catedral de Sevilla é uma genial e deliberada raridade, dizia Camilo José Cela (em "Vagabundo ao Serviço de Espanha"). Os clérigos que decidiram levantar a catedral sonharam passar por loucos perante as gerações vindouras. Conclui por isso que descrever a catedral de Sevilha, perante a qual a Notre Dame de Paris é quase ridícula e sem importância, é um infantil intento.
Assumido isso, o viajante sempre dirá que a catedral é um dos inevitáveis pontos de visita para quem vai a Sevilha. É um edifício enorme, gigantesco, mesmo, como aliás o pretendiam os seus construtores. Na sua origem esteve uma decisão declarada: construir uma igreja tão deslumbrante que nenhuma outra se lhe comparasse. Estava-se no início do século XV e Sevilha apenas tinha velhas igrejas arruinadas, depois de vários séculos de cultura muçulmana. A verdade é que o resultado foi – e ainda é – a maior igreja gótica do mundo e o terceiro maior templo da cristandade (logo a seguir à Catedral de São Pedro, em Roma e à Catedral de São Paulo, em Londres). Ergue-se sobre as ruínas de uma mesquita almohada-mudejar mandada construir pelo emir Abu Yacub Yussuf, em 1184. Por isso, sobre a porta do Perdão, continua escrito “o poder pertence a Alá!”


A arquitectura interior é majestosa: tem cinco naves, com mais de 120 metros de comprimento. As abóbadas são polinervadas e muito trabalhadas. É particularmente imponente o coro, de final do século XV, em talha dourada. Para completar uma qualquer visita rápida, impor-se-á ver o túmulo de Cristóvão Colombo (estão ainda aqui os túmulos dos reis Fernando III e Afonso X) e a sacristia dos Cálices, onde estão representadas, em várias pinturas (uma das quais do grande Francisco de Goya), as santas Justina e Rufina, padroeiras da cidade.

A zona tem difícil estacionamento, mas há vários parques pagos próximos.

Sexta-feira, Setembro 14, 2007

Stresa, Lago Maggiore, Itália

O destino é tão clássico e referenciado por ter interesse turístico que o viajante fica logo desconfiado. Sem ter chegado, a impressão vinda das leituras e pesquisas é a de um conjunto de sucedâneos de praias, outrora chiques e agora decadentes, destino de veraneio de italianos do norte, que têm o mar muito longe.

Quando se chega a Stresa, a má impressão desfaz-se. O lago, é bonito, bordejado por povoações arranjadinhas e envolvido por montanhas sempre verdejantes. As águas são tranquilas. Não há muitos banhistas, mas há muitos barcos de recreio. Na cidade, nas mansões coloridas, está bem representada a imponência clássica. Chalés de férias e hotéis de época, magnificamente conservados e bem frequentados, mantendo a sua imponência majestosa.
Ao largo de Stressa, as ilhas Borromeas (Isola Bella, Isola dei Pescatori e Isola Madre), igualmente cobertas de villas e outras edificações antigas e imponentes. A elas se chega de vaporetto, uma espécie de cacilheiro antigo, do tempo do vapor, a fazer lembrar os livros do Tintim.
Quando se deixa a cidade, leva-se a impressão de ter visitado uma velha senhora, serena na sua dignidade. Não passam por aqui as últimas correntes das modas, mas isso não impede Stressa de continuar a exibir, orgulhosa, as suas jóias. Sem stress.

Esta capital lacustre fica na margem ocidental do Lago Maggiore, a cerca de 80 quilómetros de Milão e a 60 da fronteira da Suíça. De Milão, tem acesso por auto-estrada (E-62) e depois por estrada nacional (SS-33), ambas de trânsito muito intenso.

Copacabana

O nome desta praia brasileira é mítico para qualquer viajante que se orgulhe de o ser. Invocado, nada mais é necessário adiantar para se saber que se fala de uma das referências de destino planetário de eleição.
O que actualmente é um ícone começou por ser uma longa e branca praia deserta, de águas paradas e quentes, nos arredores da antiga cidade história do Rio de Janeiro. No início do século XX, a rica burguesia do Rio, à época capital federal, escolheu estes quase cinco quilómetros de paraíso para instalar as suas casas de lazer e veraneio. Quando o clima e a placidez do local o puseram na moda, surgiram os hotéis, onde se hospedavam estrangeiros ricos. É desse tempo a construção do velho mas muito actual e charmoso Hotel Copacabana Palace, ainda hoje símbolo de glamour e sofisticação.

Actualmente já não há vestígios dos chalés do início do século passado: toda a faixa costeira está plantada de hotéis e de arranha-céus onde vivem ricos e famosos – Óscar Niemeyer, por exemplo, gosta de ser fotografado no seu apartamento com vista sobre a praia. Porém, visitar Copacabana é mais do que evocar um passado resplandecente e um presente vibrante: é mergulhar numa experiência sociológica imperdível. Copacabana é uma peça imprescindível no mosaico de sensações que compõem a visita ao Rio de Janeiro e ao Brasil. A riqueza de Copacabana está nas pessoas que aqui vivem e que frequentam a praia, às centenas de milhares, percorrendo o calçadão da Avenida Atlântica. São turistas, banhistas, habitantes do bairro e, sobretudo, pessoas das favelas da cidade, que vêm aqui ganhar a vida vendendo de tudo: comida, sumos, água de coco, toalhas de praia, fatos de banho (fios dentais e sungas) ou artesanato. Na areia, joga-se futebol de praia ou futevólei. Basta chegar, manifestar vontade de jogar e logo que houver lugar no time, pode jogar-se. De volta ao calçadão, ouve-se música dos muitos grupos de rua que aqui ganham a vida. Ou bebe-se um chôpe geladinho numa das inúmeras barraquinhas que aqui se chamam quiosques, abertos pela noite dentro.

O bairro e a praia de Copacabana ficam na chamada Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro. É nos hotéis desta zona que costumam ficar os turistas de visita à cidade, longe das maiores favelas e dos bairros violentos da zona antiga, do Flamengo e do Botafogo. Fica a uma hora de táxi dos aeroportos e é servida por uma linha de metrô, que liga ao centro histórico da cidade.

Quarta-feira, Setembro 05, 2007

Adega Faustino, Chaves

Actualmente, é uma tasca típica. Comem-se aqui pequenos petiscos regionais, cuja máxima sofisticação é atingida na costeleta de vitela barrosã. O vinho, é o da casa, em jarro. O sítio é castiço e vale a pena pela simplicidade dos sabores e do ambiente. E pelo preço módico, também.
O edifício onde está instalada a adega já foi uma garagem de camionagem, construída há um muitas décadas, no advento dos transportes rodoviários de mercadorias.
Quando foi construído, destinou-se a ser armazém de vinhos, com espaço suficiente para nele entrarem as camionetas que transportavam as barricas com o precioso néctar. “o Faustino” veio a ser o maior comerciante local de vinhos, abastecendo boa parte das tabernas locais, numa época em que as versões engarrafadas ainda eram pouco frequentes e esta “mercadoria” sobretudo vendida a granel.
A par deste negócio, a Casa Faustino passou também a vender vinho a copo ao balcão, a bons clientes habituais e frequentes. Nesta época ser cliente do Faustino passou a ser sinónimo de grande consumidor de vinhos a copo de baixa qualidade.

Os tempos mudaram e com eles alterou-se o modelo do negócio do sector dos vinhos. Distribuidores como o Faustino deixaram de fazer sentido. Foi nessa altura que a família dona do espaço e do negócio decidiu reconvertê-lo e criar a Adega Fasutino.
O Faustino fica no centro histórico de Chaves, na Travessa do Olival - qualquer pessoa o saberá indicar (telefone 276.322.142). Está aberto das 12 às 24 horas, todos os dias com excepção dos domingos.

Sábado, Setembro 01, 2007

As vinhas de Jerez de la Frontera, Espanha

Muito se poderia dizer das vinhas de Jerez, na Andaluzia. É particularmente interessante visitar as vinhas de San Lucar de Barrameda, onde se colhem as uvas para a manzanilla, que se arroga a qualidade de ser o único vinho do mundo com nome feminino.
Os vinhos de Jerez já tiveram melhores dias. Deixaram de ser hegemónicos no mundo anglo-saxónico, como vinhos de aperitivo. Não obstante, os enólogos explicam que, sobretudo as variantes mais secas – quer a manzanilla, quer o fino, são óptimos estimulantes do apetite. A manzanilla é em geral um vinho encrespado, que cria na boca sensação de frescura, tipo água marinha. Tem até um certo travo salgado. A prova é difícil. Nas primeiras vezes, sente-se repulsa por este perfil de bebida antipática. Só com muita insistência se aprende a gostar. As vinhas têm todas um solo calcário muito branco, que reflecte a luz solar e faz atingir mais cedo a maturação das uvas. É o solo de albariza, de uma intensidade luminosa quase insuportável à vista.


Os vinhos de Jerez, como as manzanillas, nunca são datados. Não indicam o ano de colheita nem tem anos bons nem maus. Esta é uma consequência do chamado sistema de solera. Após a produção dos mostos, os vinhos são armazenados e amadurecidos no sistema de solera. Nas caves, os pipos são colocados em três camadas sobrepostas: no pipo do fundo está o vinho mais antigo, enquanto no do topo é posto o vinho mais recente. Logo que o enólogo verifica que o vinho do pipo inferior está suficientemente maduro, é-lhe retirada uma terça parte, para ser engarrafada e vendida. Depois, o espaço desse vinho é enchido com vinho do pipo que está em cima dele. Este, por sua vez, é enchido com vinho do pipo do topo, que será de seguida composto com vinho novo, recém produzido. Assim, o vinho novo vai-se acrescentando ao mais antigo, de modo a produzir-se sempre um vinho com características idênticas.
Quer em San Lucar de Barrameda, quer em Jerez de la Frontera, há muitas adegas de grandes dimensões, que estão abertas a visitas do público, que normalmente terminam com provas.

Terça-feira, Agosto 14, 2007

Cervejaria Augustiner, Salzburgo

Na Alemanha, e em particular na Baviera, as cervejarias são verdadeiras instituições. Um pouco a sul, na Áustria, a dimensão não é mesma, mas aproxima-se. Em Salzburgo, é incontornável a visita à Cervejaria Augustiner, ou Augustiner Bräustübl. Fica nas instalações de um antigo convento de frades agostinhos, do qual adoptou o nome.
Tem diversas salas, todas elas enormes e abobadadas, com grandes aberturas vidradas para o exterior. Durante o dia, entram jorros de luz e ao fundo vêm-se os Alpes. À noite, o ambiente aquece, pelo efeito da luz morna que dá cor aos antigos salões e, por vezes, pelo calor da música ao vivo, bávara ou tirolesa. A entrada é livre e gratuita e o consumo é personalizado, num regime pouco habitual: há vários locais para comprar comida e um balcão para comprar cerveja; compra-se e leva-se para onde houver lugar, num esquema de self-service. Há apenas que ter em atenção um detalhe importante. A cerveja é de produção local e vende-se à caneca. Durante cada dia são abertos vários novos barris de cerveja. Quando acaba o último dos barris previstos para abertura, não há nada a fazer: apenas será aberto um barril novo na tarde do dia seguinte, para que a cerveja sobrante não perca a força durante a noite.

A Augustiner Bräustübl fica no centro de Salzburgo, na zona ocidental da cidade, próxima da margem esquerda do rio Salzach. Está aberta das 15 às 23 horas (aos sábados, domingos e feriados abre às 14.30). Mas, recorde-se, quando mais se aproxima a hora de fecho, mais provável é que o barril de cerveja esteja para terminar, pelo que convém tomar providências com antecedência.

Domingo, Agosto 12, 2007

Salinas de Rio Maior

Rio Maior é uma cidade incaracterística, sem notas que chamem em especial a atenção. Se o viajante tiver mais que 40 anos e tiver vivido os tempos agitados de 1975, encontrará na memória um corte de estrada, dinamizado por agricultores da reacção, que dividiram o país em dois, apoiados naquela que ficou desde então conhecida como moca de rio maior.

Neste contexto, não estranha que a cidade invoque as salinas como um dos seus símbolos municipais. Este fenómeno muito pouco corrente em Portugal tem exploração muito antiga, dizendo-se que remonta ao século XII.
Trata-se de uma zona baixa, no fundo de um vale calcário, onde existe um rico filão de sal gema, irrigado por um curso de água, que desemboca num poço. A água que aqui se reúne tem uma densidade de sal que se calcula ser sete vezes superior à da água do mar. Depois, é só retirar a água do poço e despejá-la em salinas, como as da beira-mar, esperando que o sol do verão faça evaporar o líquido, deixando cloreto de sódio.
Além da curiosidade da existência de salinas longe do mar, chama também a atenção o aglomerado de casas que as envolvem, destinadas a armazenar o sal recolhido (que ronda as 1000 toneladas por ano), todas elas num estilo muito rústico, completamente construídas em madeira, para evitar a corrosão salina.

As salinas ficam localizadas um quilómetro a norte de Rio Maior, na direcção das serras de Aire e Candeeiros. Têm acesso fácil e podem percorrer-se livremente. Na aldeia das salinas há vários locais onde se pode petiscar, por preços módicos.

Sábado, Agosto 11, 2007

Monumentos Megalíticos de Alcalar, Portimão

Portugal é rico em vestígios megalíticos, sobretudo no Norte. São conhecidas várias antas e outro tipo de túmulos. No Algarve, não está identificado nenhum outro vestígio deste tipo para além dos de Alcalar.
Este conjunto de vestígios funerário é muito vasto, mas apenas está disponível para visita, em recinto gerido pelo IPPAR, o conjunto dos chamados túmulos nº 7 e nº 9. O recinto, aberto em 2000, é de visita agradável, ocupado por vegetação mediterrânica. O espólio encontrado no local está espalhado por vários museus, em Lisboa, Figueira da Foz, Lagos e Portimão.
Trata-se de dois conjuntos funerários, do período calcolítico (3000 a 2500 a.C.). Num deles, decorrem presentemente escavações.
O outro está completamente reconstruído: é um conjunto religioso e tumular, com uma grande aglomeração de pedras a cobri-lo e protegê-lo. No centro tem uma pequeníssima câmara, completamente restaurada, de topo aberto, a qual seria de acesso reservado a druidas. Nela se procederia a sacrifícios e, sobretudo, talvez, à incineração de mortos de estratos socialmente superiores. Acede-se ao interior desta câmara por um corredor apto para Indiana Jones, muito baixo e estreito, onde um adulto tem dificuldade em passar. Fica orientado para o sol nascente.

Os túmulos são monumento nacional desde 23 de Junho de 1910.
Ficam localizados cerca de 4 quilómetros a norte da Mexilhoeira Grande, entre Portimão e Lagos. O acesso faz-se pela antiga EN125, da qual se desvia para norte, por alturas do hotel e do campo de golfe da Penina.
A entrada custa 2 €, mas há descontos para jovens, reformados e famílias – é gratuita aos domingos de manhã. O horário é o normal para os monumentos nacionais. O conjunto está aberto todos os dias, das 10 horas às 16:30 (no verão, até às 18:30). Fecha, como habitual, às segundas-feiras e feriados.

Sexta-feira, Agosto 10, 2007

A nostalgia romântica de Biarritz

Em meados do século XIX Biarritz era uma modesta aldeia de pescadores, na costa atlântica da Aquitânia, muito próxima da fronteira espanhola. Foi então descoberta por intelectuais parisienses (os guias turísticos locais referem habitualmente Victor Hugo). Mais tarde, quando veranear no mar passou a ser moda, esta praia de águas calmas e quentes (para os parâmetros daquela zona da Europa), tornou-se sinónimo das férias de verão: hotéis requintados, um casino, um passeio marítimo e muito glamour.
A mobilidade e a grande facilidade de viajar para paragens mais distantes fizeram de Biarritz uma velha senhora, nobre e empobrecida mas orgulhosa dos seus edifícios e do seu passado. Efectivamente, tem razões de orgulho no seu passeio marítimo, no Hotel du Palais, no palacete Miramar, no Port-Vieux e nos rochedos que o delimitam.
Conta-se por aqui que na Plage des Basques, em plena zona urbana, foi pela primeira vez utilizada uma prancha de surf em águas europeias.


Em Biarritz é muito fácil circular, quer a pé, quer de automóvel e é fácil estacionar nos vários parques subterrâneos do centro. Há muitos hotéis (além, claro, do caríssimo e exclusivo Hotel du Palais, da rede Relais et Chateaux) e inúmeros cafés e restaurantes.

Quinta-feira, Agosto 09, 2007

Calçada do Gigante, Irlanda do Norte

É difícil de acreditar que uma obra deste tipo não tenha sido feita por mão humana. São estes os sítios que nos obrigam a concluir que a capacidade criadora da natureza supera toda a imaginação. Na versão lendária, o mítico gigante Finn MacCumhaill, habitante da costa do condado de Antrim, querendo atravessar o estreito que separa a Irlanda da Escócia, para se encontrar com a sua amada, teve que construir uma calçada através do mar. De facto, a Calçada do Gigante abre-se da falésia para o mar, no qual entra por uma ou duas centenas de metros.
Segundo a geologia, há 60 milhões de anos, uma explosão submarina, porventura vulcânica, expeliu para a superfície da crosta terrestre uma grande massa de basalto que, pela elevada temperatura, estava líquido. Ao chocar com a água fresca do mar da Irlanda, o basalto arrefeceu lentamente, solidificando-se. Este processo levou à sua contracção e, consequentemente, à abertura de imensas fracturas na mole mineral. Ao contrário do que acontece com a terra em zonas desérticas, que quando seca abre fissuras desordenadas, o basalto arrefece e contrai-se, solidificando, dando origem a formas hexagonais que se prolongam para a profundidade em prismas. Desta forma, na vertical dá origem a colunas.
A Calçada do Gigante reúne cerca de 37 mil colunas hexagonais, de basalto escuro, oxidadas por efeito da água do mar. O local é património da Humanidade desde 1987.

A zona está vedada e o acesso apenas pode ser feito por uma única entrada. Está aberta todos os dias, das 10 às 17 horas (no Inverno fecha meia hora mais cedo). O espaço é gerido pelo National Trust e a entrada é paga. Do parque de estacionamento há que percorrer 800 metros para encontrar, junto da praia, a calçada. O passeio é fácil e muito bonito. Em alternativa, há serviço de mini autocarros, para idosos e deficientes. Apesar de o local ser visitado todos os anos por meio milhão de turistas, não se sente o peso da multidão, pela extensão do sítio.
A Calçada do Gigante fica a duas horas, de carro, a norte de Belfast, na Irlanda do Norte. Chega-se, passando por Coleraine e Portrush, na direcção de Bushmills (sim, a localidade da mais antiga destilaria de whisky do mundo, que é também a povoação mais próxima, a dois quilómetros).

Quarta-feira, Agosto 08, 2007

O novo Reichtag, Berlim

O Reichtag de Berlim, edifício do parlamento, nasceu associado ao poder imperial alemão. O edifício pretendeu chamar para a cidade a efectiva capitalidade do império, proclamado em 1871. O original edifício do Reichstag, na Platz der Republik, foi construído no fim do século XIX, em estilo renascentista italiano. Serviu de sede ao parlamento da República de Weimar e foi praticamente destruindo num incêndio, sabidamente provocado pelo nazis em 1933. O seu interior ficou muito danificado. Posteriormente, as suas ruínas ainda sofreram danos adicionais danificado durante a Segunda Guerra Mundial.

Este passado atribulado tornou-o num dos emblemas da nova Alemanha reunificada, resultante da queda do Muro de Berlim, em1989. Foi escolhido para alojar o novo parlamento federal, nesta cidade que voltou a ser capital nacional em 1990.
Mas o edifício só ganhou nova forma e vida após 1994. Foi reconstruído de acordo com um projecto de intervenção do britânico Sir Norman Foster. Veio a reabrir em 1999, como sede do novo parlamento federal alemão. A nova cúpula de vidro, moderno ícone do edifício, aberta para o vazio celeste, é visitável, mas em alturas de férias, sobretudo no verão, há uma grande afluência e filas imensas.

Terça-feira, Agosto 07, 2007

Casa Dali, Port Lligat, Espanha

Num lugar de difícil acesso da província de Girona, Espanha, fica a Cala de Port Lligat. É uma típica baía de águas calmas da Costa Brava. Tornou-se conhecida a partir de 1930, altura em que Salvador Dali e a sua mulher Gala começaram a comprar antigas casas de pescadores, para ali se instalarem.
Gradualmente, foram comprando várias pequenas casas, mesmo junto ao mar, que vieram a formar um complexo labiríntico de velhos edifícios que Dali e Gala foram decorando, ao longo de mais de quarenta anos, sobretudo com objectos criados pelo próprio pintor. Salvador Dali e Gala viveram aqui até que esta última morreu, em 1982.Actualmente o local abriu como museu, a cargo Fundação Gala-Salvador Dali, sendo possível visitar o estúdio do pintor, a biblioteca, os quartos e o jardim. A visita é cronometrada e por isso o fluxo de visitantes é pequeno. Por isso, no verão é imprescindível reservar previamente a visita (em regra, quem chega à bilheteira não consegue marcar a entrada senão para dois ou três dias depois…).

A entrada custa 8 €. O local está aberto de 15 de Março a 14 de Junho e de 16 de Setembro a 6 de Janeiro, das 10:30 às 18 horas. De 15 de Junho a 15 de Setembro, abre das 10:30 às 21 horas.

Segunda-feira, Agosto 06, 2007

Parador de Bielsa, Pirineus.

O sítio é fantástico: está no meio dos Pirinéus, rodeado por um circo montanhoso, de picos de três mil e mais metros. Por outro lado, os paradores, não oferecem dúvidas: são dos mais confortáveis e requintados locais onde se pode ficar em Espanha.
Este, será uma excelente base para expedições de montanha. Mas também pode ser apenas uma paragem num qualquer percurso rodoviário por estas paragens dos Pirinéus espanhóis. Tem uma óptima esplanada para refeições ligeiras no verão e várias salas, revestidas a madeira que serão muito confortáveis no Inverno.

Este parador fica na zona de Bielsa e aparece nos guias como Parador de Ordesa (é contactável no Valle de Pineta, 22350 Huesca - telefone 974.501.011)

Sexta-feira, Julho 27, 2007

Museu Municipal de Arqueologia de Silves

Quem vai de férias para o Algarve, em regra, não procura erudição nem está à espera de encontrar grandes museus. Por isso, é agradavelmente surpreendente a visita ao Museu Municipal de Arqueologia de Silves. É um pequeno museu, de visita fácil e rápida, que recolhe peças arqueológicas encontradas na região, procurando ilustrar a passagem por aqui dos períodos mais marcantes da história.
Na sala de entrada reúnem-se peças da pré-história, do Paleolítico à Idade do Bronze. Podem ainda ver-se achados da Idade do Ferro e do período romano. Noutra vertente, o museu reúne algumas peças referentes à reconquista cristã de Silves, por D. Sancho I (1189) e por D. Afonso III (1242). Porém, o espólio mais interessante é o respeitante ao período muçulmano. Recorde-se que Silves foi muçulmana desde 713, tendo integrado o Emirato e depois o Califado de Córdova. Foi sede do Reino Taifa de Silves e mais tarde foi ocupada pelos almorávidas e depois pelos almóadas.

A peça central do museu é um original poço circular, construído em grés de Silves, com perto de duas dezenas de metros de profundidade. Destinava-se a armazenar e a abastecer de água potável. Terá sido construído entre os séculos XII e XIII e tem a particularidade de ter em volta uma escada circular que desce quase até ao seu fundo. Está muito bem preservado e, só ele, vale a visita.

O museu abriu ao público no início da década de 1990. Está aberto todos os dias, com excepção dos domingos e feriados, das 9 às 18 horas. A entrada custa 1,5€, sendo gratuita para crianças, estudantes, professores e reformados. Fica na entrada do recinto amuralhado da cidade, a dois passos da Câmara Municipal. Não é fácil estacionar por aqui, sobretudo no verão.

Terça-feira, Julho 17, 2007

Consulado de Portugal em Sevilha


Por decisão do Ministério dos Negócios Estrangeiros, espera-se para breve o encerramento do Consulado Português em Sevilha. A questão não se reconduz a uma mera decisão política, com consequências na vida das populações. É que o consulado de Sevilha é uma referência da presença portuguesa no exterior, pela cidade onde se localiza, pela história do edifício e pelo seu estilo arquitectónico.
O edifício do consulado foi construído para servir de pavilhão de Portugal na Exposição de Sevilha de 1929. Integrou-se no enorme plano de rearranjo urbanístico da cidade que então foi feito. E permaneceu, desde então, com a função de representar Portugal em terras da Andaluzia. Foi obra do arquitecto português Guilherme Rebelo de Andrade e evidencia uma traça claramente nacionalista.

O consulado fica localizado em frente do monumental edifício da antiga Fábrica do Tabaco, que agora é a Faculdade de Direito da Universidade de Sevilha, a dois passos do célebre Hotel Alfonso XIII.

Domingo, Dezembro 24, 2006

O Natal em Estrasburgo

Os mercados de Natal são uma tradição germânica, expandida por todo o centro da Europa. No mês que antecede o Natal, nas ruas das cidades mais importantes, organizam-se mercados, especificamente virados para produtos sazonais, embora também se vendam outras coisas. Em França são também realizados mercados de Natal nalgumas cidades (em particular em Paris), mas o mais notável deles é o de Estrasburgo.
Podem comprar-se produtos de Natal e muito artesanato. Duas coisas em particular, devem provar-se: o vin chaud (preparado e vendido nas barracas do mercado, em geral com vinho da Borgonha, laranja e especiarias, sendo aquecido ao ar livre e servido quente) e os bolinhos de Natal, com gengibre, em forma de figuras natalícias.

O Mercado de Natal de Estrasburgo costuma realizar-se na Praça Broglie e na Praça da Catedral, no centro (e zona antiga) da cidade.

Segunda-feira, Novembro 06, 2006

As bicicletas na Holanda

Como meio de transporte, sabe-se que a bicicleta é o mais comum nos países baixos. Não o é só na Holanda. Esta particularidade estende-se a todos os países do centro e do norte da Europa, onde as estradas são planas. Ou ao menos não tem grandes subidas. E, claro, o clima é fresco e os calores da metade quente do ano não sacrificam quem pedala.
Não obstante, foi na Holanda que a bicicleta se converteu num ícone nacional. Talvez porque aqui as há em maior número. Ou talvez porque o relevo (será apropriado chamar-lhe assim?) favorece verdadeiramente esta forma de locomoção. É à Holanda que associamos a senhora elegantemente vestida que vai para o seu escritório de bicicleta, ou o estudante que leva presa no guiador a sua mochila, ou a avozinha que transposta no cesto as suas compras. É também da Holanda que se diz ser mais interessante de visitar indo-se de bicicleta.

Talvez só se consiga perceber esta idiossincrasia holandesa quando se sai de uma estação de comboios e se depara com o parque de estacionamento especial para velocípedes. As imagens que ilustram esta anotação são da estação central da Haia.
As estações de comboios são, por sinal, locais privilegiados para alugar bicicletas.

Domingo, Novembro 05, 2006

The Nuremore Hotel, Carrickmacross, Irlanda

O edifício é discreto e não se dá por ele. Baixo, revela preocupação com a sua inserção no ambiente campestre. O jardim, está primorosamente cuidado, abrindo a passagem para o campo de golfe, aberto e arborizado. O ambiente é pacífico e tranquilizador. Em toda a volta o campo é ondulado, com pequenas colinas. O hotel fica no meio de verde e pouco mais: lagos, o campo de golfe, coelhos e patos.

The Nuremore Hotel fica em Carricmacross, no condado de Monaghan, na Irlanda. Fica a cerca de uma hora de Dublin. O percurso inclui, no início, próximo da capital, estradas nacionais, de trânsito fácil e rápido. A última metade é feita por vias pouco mais que rurais, muito estreitas e sinuosas.
(The Nuremore Hotel & Country Club, Carrickmacross, Co. Monaghan, Republica da Irlanda, telefone +353.42.966.14.38).

Quinta-feira, Novembro 02, 2006

Giralda, Sevilha

A Giralda é o ícone mais conhecido da cidade e é também o emblema da catedral de Sevilha. E, no entanto, já existia quando esta última começou a ser construída. Ficou como um dos últimos vestígios da antiga mesquita almóada de dezassete naves que aqui existia (o outro que resta é o conhecido Patio de los Naranjos), ao lado da actual catedral. A Giralda tem 97 metros, sendo assim o edifício histórico mais alto da cidade.

Actualmente, desde o século XV, serve de campanário da catedral. No seu topo, que é mais recente que a sua base, foi colocada uma estátua representativa da fé católica, com um estandarte. Este, o estandarte, gira ao sabor do vento, servindo como catavento. Serve portanto, em castelhano, como giraldillo. Foi esta, aliás, a origem do nome da torre.
A visita da torre é paga e, nas épocas de férias, costuma ter muita afluência de turistas.

Sexta-feira, Outubro 27, 2006

Trier e Karl Marx

Normalmente, o nome de Karl Marx não suscita indiferença.
Houve quem o venerasse. Há ainda quem o recorde com respeito. Outros, no passado, combateram frontalmente as suas construções teóricas e o que delas resultou.
Após a decadência (mesmo falência) do seu modelo sócio-político, Marx viu reduzido o seu estatuto e passou a ser apenas mais um dos muitos vultos da história de que se ouve falar no ensino secundário e a quem se dedicam casas museus que poucos visitam. A de Marx fica na sua cidade natal de Trier, no Estado alemão da Renânia onde, diz-se, era conhecido como grande apreciador do riesling produzido na região.

A Casa Karl Marx é, anote-se, gerida pela poderosa Friedrich-Ebert Stiftung, como bem se sabe ligada ao Partido Social Democrata da Alemanha.
O cronista destas linhas não visitou a Casa Museu, porque já tinha fechado. Foi pena, porque seria interessante ver como o actual poder político alemão interpreta o fundador do marxismo, quase duas décadas após a decadência e queda dos regimes políticos e governativos que inspirou.
Ficou porém o cronista a saber que a rua a que Marx deu nome, na sua cidade, foi a escolhida para nela se instalarem os bares de prostitutas, as sex-shop e outros estabelecimentos similares.

A Karl Marx Haus está na Brückenstrasse, 10, em Trier, Alemanha.Está aberta todos os dias das 10 às 18 horas.

Terça-feira, Outubro 03, 2006

Rómulo e Remo, Roma

A peça originária, do século V a. C., está num dos museus do Capitólio (Campidoglio), em Roma. Mas a mística dos personagens representados leva-os, em cópia, a vários locais da cidade.
A lenda é de todos conhecida desde os primeiros anos do liceu: dois gémeos, Rómulo e Remo, foram abandonados nas margens do rio Tibre (ou Tevere), na planuras do Lácio; terão sido amamentados por uma loba, que assim os salvou da morte. Anos mais tarde vieram a fundar a cidade de Roma, naquele local.
Supõe-se que a estátua original, em bronze, será etrusca. Sabe-se actualmente que os dois meninos foram acrescentados no início do Renascimento.
A reprodução fotografada acima pode ver-se na via de descida do Capitólio para o Foro Romano.

Segunda-feira, Setembro 25, 2006

Aeroporto de Prishtina, Kosovo


A um país, que ainda não é independente e que acabou de passar por uma bárbara guerra étnica, durante a qual vizinhos mataram vizinhos e antigos amigos queimaram casas de antigos amigos e mesquitas e igrejas, não se pode pedir muito. No Kosovo, as feridas da guerra ainda estão abertas e a reconstrução do país atrasa-se, em boa parte por isso.

O único aeroporto de acesso ao país foi destruído na guerra. Os sapadores e engenheiros britânicos da mítica Royal Air Force reconstruíram as pistas, de forma a que ficasse operacional. O resto, tem sido feito pela incipiente administração provisória local.
E nem tão mal, tendo em conta o contexto.


Há voos regulares, quase diários, de Prishtina para Viena (na Austrian Airlines), para Ljubliana (na Adria Airways) e para Budapeste (na Malev). Além destes, há dois ou três voos semanais para Zurique e para várias cidades alemãs, operados por micro companhias, suíças e germânicas.
A única forma viável de ir do aeroporto para a cidade é o taxi. Costuma haver quatro ou cinco taxis parados no aeroporto, na hora de chegada de cada um da meia dúzia de voos que o aeroporto recebe por dia. A viagem, se negociada previamente com o motorista, com o taxímetro desligado, custará 20 € e durará meia hora. Não valerá a pena pedir recibo, claro.

Sábado, Agosto 19, 2006

Vinhos do Condado de Huelva, Espanha


Bollullos del Condado, cidade a meio caminho entre Huelva e Sevilha, é o centro de uma antiquíssima região produtora de vinhos – há registo de que teriam muita fama no século XIV. Porém, a partir do século XVII o sucesso decaiu, com a expansão mundial dos vinhos de Jerez, muito mais sofisticados. Com a crise aqui e a expansão dos vinhos vizinhos, a produção do Condado passou a ser vendida para fazer Jerez. E nunca mais recuperou a sua identidade específica.
Actualmente existe uma Denominação de Origem Condado de Huelva. As vinhas da região estão quase todas localizadas em zonas planas e muito baixas. Apesar de não estarem demasiado próximas do mar, boa parte dos solos é constituído por areias. O clima é aqui caracterizado por verões muito quentes e secos (com frequência as temperaturas ultrapassam os 40 graus, no verão).
Em geral, os vinhos que se produzem são compostos por zalema, uma casta branca fresca e muito frutada, que dá origem ao Vino Dulce, que se vende ao litro nas casas de comidas. Também se produz Pedro Ximenez, muito mais pastoso e concentrado. E, claro, há blends, a que por aqui se chama Mistela (!). Em qualquer dos casos, a granel, este vinho é normalmente muito barato (o preço de referência será 2 € por litro e o vendedor oferece o garrafãozito de plástico). Propicia, ele mesmo, geladinho, uma excelente sobremesa de verão.
Esta é, talvez, a única anotação que vale a pena reter desta velha senhora cidade andaluza produtora de vinho.


Quarta-feira, Agosto 16, 2006

Castelo de São João do Arade, Ferragudo, Algarve

Fica junto da praia, na boca do rio Arade, em frente a Portimão. Terá tido origem no século XV, embora o seu perfil romanesco seja o resultado de obras de adaptação a palacete residencial, no início do século XX. Para trás ficaram obras de fortificação militar, sobretudo dos séculos XVII e XVIII.
Diz-se que é propriedade de um empresário de Lisboa, que o tem andado a recuperar. Comparado o seu estado com o de há meia dúzia de anos, nota-se-lhe a beneficiação.
Lamentavelmente, não tem visitas.

Sexta-feira, Julho 14, 2006

Barcelona, Junho de 2006


Não, não são lamentáveis erros de grafia nem é ignorância presunçosa.
É a fotografia de uma livraria de Barcelona, onde fazem questão de falar e escrever em catalão. Correcto, dizem entendidos.

Terça-feira, Julho 04, 2006

O centro histórico de Varsóvia


Varsóvia foi uma das cidades mais martirizadas pelos horrores da IIª Guerra Mundial. A desgraça maior aconteceu em 1944, quando a heróica população polaca se sublevou, desafiando a ocupação dos nazis que, em resposta, pura e simplesmente arrasaram a cidade.
Por isso, o que resta do tempo anterior à guerra são apenas ruínas. Ou então meticulosas reconstruções dos edifícios originais. É o que acontece com a Praça do Castelo, centro principal de acolhimento de turistas, de visita à cidade antiga (imagem acima), onde se destaca o "castelo", pintado em cores avermelhadas.


A cidade antiga é uma rede bem organizada de ruas, encaixadas numa cintura de muralhas de tijolos, do século XVI, bem visível, embora arruinada. Todas as ruas da cidade antiga convergem na Praça do Mercado, coração do bairro desde que foi construída na sua versão original, no início do século XV (imagem em baixo).
A zona está muito bem conservada, o que não admira, porque foi toda ela reconstruída nos últimos 60 anos, pedra sobre pedra, como é explicado aos turistas, utilizando como referência fotografias e gravuras antigas.

Quinta-feira, Junho 08, 2006

Varna, Bulgária


As cidades do sul da Europa costumam ser vivas e movimentadas. E Varna não foge à regra. Porém, o conceito de cidade de férias foi adaptado aos despojos do velho leste europeu. É uma cidade suja e desordenada. As suas avenidas não são muito amplas e o trânsito é pouco intenso. Pelas ruas há centenas de bancas de venda de produtos falsificados: óculos italianos por 10 lev (5 euros), t-shirts do Cristiano Ronaldo por 15 ou perfumes de marcas internacionais por 20 (mas na compra de 2 oferecem o terceiro).

Em visita, vale a pena respirar o ar da cidade e ver dois ou três museus que sobraram do período soviético (sobretudo o Museu de Arqueologia – e em particular as peças encontradas na Trácia). Além disso, apenas vale a pena deter-se na Igreja da Assunção da Virgem, a maior de Varna, construída no fim do século XIX).

Varna é a terceira cidade da Bulgária, em tamanho (tem um pouco mais de 300 mil habitantes). Tem um voo por dia, a partir de Sófia, e meia dúzia de outros, a partir da Áustria e de várias cidades da antiga Alemanha de leste (80 por cento dos turistas que passam por aqui são originários da antiga RDA, vá lá saber-se porquê…).
Na estâncias balneares da costa há muitos hotéis, maioritariamente do período soviético, onde é possível fazer férias baratas, embora modestas.

Segunda-feira, Abril 24, 2006

Munique


A capital da Baviera é uma das maiores cidades da moderna Alemanha unificada.
Fica a sul, muito a sul, já próximo da Áustria e a devastadora destruição da última guerra mundial, não a esmagou tanto. Por isso, tem um centro histórico um pouquito menos pobre que o das outras grandes cidades alemãs.
Durante muito anos, uma das grandes atracções da cidade foi o Estádio dos Jogos Olímpicos de 1972, palco da primeiro grande acto do violento terrorismo moderno. Agora, foi reformado, com a chegada do Campeonato do Mundial de Futebol de 2006.
No século XXI, a cidade preferiria ser conhecida pelas colecções de arte dos seus museus e pelas suas manifestações de arte, sobretudo a música, o teatro e o bailado.
Porém, incontornavelmente, Munique é sobretudo sinónimo das canecas de cerveja de um litro, que aos milhões se bebem na Festa de Outubro. Não será fácil passar nessa altura do calendário pela cidade. Porém, em qualquer outra altura do ano é interessante beber uma caneca ao fim da tarde numa das enormes cervejarias tradicionais da cidade (a Hofbrau ou a Paulaner). Costuma haver música típica ao vivo (aqueles calções tiroleses e os chapéus com penas…) e comida ligeira. A