segunda-feira, agosto 23, 2010

Basílica de São João de Latrão, Roma

De passagem por Roma, cumpriu o viajante uma visita que havia muito tinha em vista, à Basílica de São João de Latrão. Este templo cristão integra, conjuntamente com São Pedro, Santa Maria Maior e São Paulo Extramuros, o conjunto das quatro basílicas metropolitanas de Roma. Claro que só isso justificaria a passagem por este enormíssimo templo. Mas o objectivo era mais de detalhe, já que nesta basílica pode ver-se o mausoléu de D. Antão Martins de Chaves, que o viajante queria descobrir. E descobriu-o, logo à entrada, do lado esquerdo, na entrada para a nave lateral direito, ao lado do altar de São João Evangelista.

A entrada habitual para esta Patriarcale Arcabasilia del SS.Mo Salvatore e dei Santi Giovanni Battista ed Evangelista é feita pela fachada setentrional. Esta fachada, ao lado do Palazzo del Laterano, dá acesso lateral ao templo, entrando-se directamente na ala transversal. Do lado oposto, fica o altar do Santíssimo Sacramento. À direita de quem entra, fica a abside de topo da basílica, à esquerda, abre-se a nave principal, para lá do altar papal.

A basílica surpreende. Por fora, parece apenas uma enorme igreja, neoclássica, de inspiração renascentista, que em Roma não se destaca de tantas outras. Parece até modesta, ao lado do Palazzo del Laterano. Porém, ao entrar nela, ficou o viajante esmagado perante tanta majestade e riqueza na decoração. Perante a profusão de mármores e dourados. Enfim, perante o ambiente exuberantemente rico.

D. Antão Martins de Chaves foi um alto dignitário da Igreja Católica no século XV. Terá provavelmente nascido em Chaves, Trás-os-Montes, e veio a falecer em Roma a 11 de Julho de 1447. Foi bispo do Porto, entre 1424 e 1439 e cardeal em Roma a partir de 1440. A localização do mausoléu e as inscrições nele gravadas revelam que D. Antão foi, no seu tempo, de um notável dirigente da Igreja de Roma. Talvez um dos mais notáveis de sempre.
Da própria pedra tumular retira-se que aquele é o SEPVLCRVM DOMINI ANTONII CARDINALIS PORTVGALENSIS QVI OBIIT ROME, ou seja, o “sepulcro de Dom Antão Cardeal Português que faleceu em Roma”. No topo do altar onde se insere o túmulo, está um escudo, supostamente com as armas de D. Antão. O brasão contém cinco chaves, as mesmas que integram tradicionalmente o brasão da antiga vila medieval, agora cidade de Chaves. Como se retira também do sarcófago, CVIVS ANIMA IN PACE REQVIESCAT AMEN (que a sua alma descanse em paz, ámen).

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