domingo, janeiro 13, 2008

Salzkammergut, Áustria

A Áustria central é uma zona de transição. Fica entre as montanhas do Tirol, último bastião, para oriente, dos Alpes, e a planície de Viena, já virada para as suaves terras do Danúbio. As suas montanhas não são tão altas e agrestes como as alpinas e os seus vales não são tão abertos e espraiados como o do grande rio que em Viena, no tempo de Strauss, era azul.
A região de Salzkammergut ocupa esta zona montanhosa, entre Salzburgo e Viena. Está rodeada de montanhas e sulcada por doces vales, onde se formaram ao longo dos séculos 70 lagos. São os lagos que marcam o seu carácter e a fazem tornar num excelente destino de férias.

O viajante descobriu o Salzkammergut de carro, a melhor maneira de o fazer. Nesta região deve passear-se de carro, para poder parar-se onde apetecer. A partir de Salzburgo, a zona central dos lagos fica a menos de uma hora de viagem. As estradas, mesmo sendo de montanha, são boas e não têm demasiado trânsito. De carro foi possível chegar a locais e recantos sem outra forma de acesso. É o caso de Hallstatt, a magnífica aldeia à beira do lago do mesmo nome, onde surgiram há três mil anos as primeiras colónias de exploradores das minas de sal. É também o caso do Mondsee, lago cujas margens o realizador norte-americano Robert Wise escolheu para rodar, em 1965, o filme “Música no Coração”. Nele, a jovenzinha Julie Andrews interpretava uma preceptora enviada por uma abadia próxima para tratar das 7 crianças filhas do viúvo capitão Von Trapp. Nas margens do lago é também visitável a abadia beneditina com o mesmo nome, que aliás deu nome ao lago. A família Von Trapp está no imaginário de toda a região. Tem até uma base verídica, porque efectivamente existiu na data a que se reporta o filme (os anos da Segunda Guerra Mundial) e existe ainda.

O perfil de região de férias de montanha já vem de longa data. Em seu tempo, o Imperador Franz Joseph, que foi senhor do Império Austro-Húngaro entre 1848 e 1916, costumava vir por aqui de veraneio. Chegou até a construir um palácio para o efeito em Bad Ischil, a capital da zona. Mais que o Imperador Francisco José (como a ele se referem os livros de história portugueses…), quem costumava ficar por aqui longas temporadas era a sua bela esposa, a Imperatriz Isabel da Baviera, que o cinema imortalizou como Sissi, por intermédio de Romy Schneider.

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