sexta-feira, março 28, 2008

Mosteiro de Gracanica, Kosovo

Vivem-se dias conturbados no jovem país. As comunidades étnicas e religiosas não se entendem. As igrejas ortodoxas de Pristina foram abandonadas e depois devastadas e pilhadas. A norte, nos enclaves sérvios, as mesquitas estão policiadas e cercadas por arame farpado. As comunidades sérvias foram transferidas da capital para subúrbios rurais, onde tinham algum apoio em comunidades locais. Tudo transpira conflito, deixando os nervos à flor da pele.

O viajante não passou tranquilo pelos arrabaldes de Pristina, quando foi visitar o Mosteiro ortodoxo de Gracanica. É um tempo cristão que está no activo, servindo para culto, localizado numa comunidade sérvia a uma dúzia de quilómetros a sul da capital do Kosovo. Fez o viajante este percurso de 15 minutos em táxi, a partir de Pristina, conduzido por um albanês muçulmano, que rapidamente cobrou 5 € e retirou do local. A estrada era fraca, muito fraca, irregular e de mau piso. Junto dela, ao longo dela, muitas casas inacabadas e muitas outras de muito mau gosto. Ao chegar ao mosteiro, deparou-se o viajante com um muro, protegido do lado de fora por rolos de arame farpado. Na única porta, ao lado de uma bandeira sueca, um loiro soldado gigante com uma farda azul da KFOR, a força de paz das Nações Unidas, guardava a entrada.

O Mosteiro de Gracanica vem referido nos guias turísticos locais pela exuberância da sua decoração interior. As paredes interiores estão completamente cobertas por frescos. É um pequeno edifício de planta bizantina, em cruz de quatro braços iguais, coberto por cinco cúpulas. Terá sido construído no tempo do rei sérvio Milutin, no século XIV, altura em que terão sido também pintados os fantásticos frescos que, só por eles, valem a visita. O recinto murado é relvado e tem árvores seculares. No meio, fica o pequeno e simples edifício do mosteiro, construído em tijolos.Encontrou aqui o viajante a paz que lhe tinha sido retirada ao entrar no Kosovo.

domingo, março 23, 2008

Portugal dos Pequenitos, Coimbra

Para quem foi criança há 30 anos, o Portugal dos Pequenitos era uma referência de visita em família. Na era dos grandes atracções franchisadas por todo o globo, pelas grandes companhias de entretenimento, a popularidade deste específico local de Coimbra caiu a pique. Por curiosidade, anotou recentemente o viajante a curiosa tradução inglesa do sítio, nos guias: “Portugal for the little ones”.

Esta espécie de parque temático foi inaugurada em 1940. A iniciativa da sua realização foi do médico Bissaya Barreto e o projecto do arquitecto Cassiano Branco. No recinto estão representadas em miniatura três realidades diferentes: num primeiro ambiente, estão representados ícones das antigas colónias ultramarinas portuguesas; noutro, estão reproduzidos, em miniatura, os mais significativos monumentos históricos portugueses; na última parte, foram construídas casas representando a arquitectura regional de cada uma das regiões portuguesas. Tudo muito puro e singelo. Com a benção do Estado Novo, claro.

Ainda agora, porém, a visita é interessante. Para miúdos, é como visitar uma cidade de bonecas. O local não é bem igual ao que conhecem da realidade, mas tem traços parecidos. Para graúdos, é um shot de monumentos nacionais, de estilos arquitectónicos regionais e de revivalismo das antigas colónias. Tudo, num ápice.
O Portugal dos Pequenitos fica no Rossio de Santa Clara, 3040-256 Coimbra (telefone 239.801.170 e site web www.fbb.pt). Está aberto das 10 às 17 horas (de Março a Maio, até às 19h e no verão, até às 20h). A entrada custa para adultos, 7 € (6 € na época baixa) e para crianças 3,5 €(3 € na época baixa). É grátis para crianças até aos 5 anos.
O local está sinalizado, à saída do centro de Coimbra, para sul. A não ser em dias de confusão, o estacionamento é razoavelmente fácil.

quinta-feira, março 20, 2008

Parque Nacional de Königsee, Alpes Alemães

A zona faz parte do Parque Nacional Berchtesgaden, nos Alpes. Descobriu-a o viajante em passagem pela ponta sueste da Alemanha, muito próximo de Salzburgo, na Áustria.
Königssee, o lago, é comprido e estreito e está ladeado de montanhas muito altas, algumas das quais chegam próximo dos três mil metros. A zona envolvente do lago, por ser muito escarpada, não permite qualquer acesso rodoviário. Apenas tem acesso pelo lago, em carreiras de barco, que por sua vez dão acesso a trilhos pedestres. Aquilo que por aqui se faz, portanto, será sobretudo passear a pé, subindo as escarpadas margens ou explorando as pequenas povoações aninhadas num ou outro local mais plano. É particularmente procurada a pitoresca St. Bartholoma.
Deixou-se seduzir o viajante pelo ambiente romântico, quase intemporal, a fazer recordar os mais recentes livros do Tintim, passados em zonas montanhosas. Há grande restrição à circulação de carros e os barcos são dos tradicionais modelos, de madeira envernizada. Os hotéis – onde ficam também os restaurantes, como é tradicional na Alemanha rural – são pequenos e familiares. Este não é ambiente de pizzarias nem análogos, mas é possível beber cerveja caseira. Ficou portanto a impressão de Alpes à antiga, tradicionais e desconhecidos. Para voltar um dia.

quarta-feira, março 19, 2008

Reales Alcazares de Sevilha, Espanha

Dizem, os locais, que este é o mais antigo palácio real da Europa, ainda em uso. Ao que parece, a família real espanhola ainda se aloja neste histórico conjunto de edifícios quando visita Sevilha. E a sua origem é anterior à ocupação cristã da cidade, porque remonta ao tempo do califado de Córdova, cujos representantes aqui moravam. O nome original do local é Al-Qsar-al-Mubarak, alcácer da bendição de Al-Mutamid, último rei de Sevilha. Deste monarca se diz ter sido um poeta que, apaixonado por uma florista, fez plantar de amendoeiras as encostas de Córdoba, para que a sua amada não sentisse falta dos montanhosos cumes nevados de Granada.


Os Reales Alcazares são um labirinto de palácios e jardins, que foram sendo edificados ao longo dos tempos, sobretudo entre os séculos IX e XIV, com estilos diferenciados, consoante a época em que foram construídos. Predomina o gosto arabizante e muçulmano. Porém, o conjunto é muito exuberante, com mistura de estilos islâmicos e hispânicos-cristãos. Alguns destes espaços estão abertos ao público e são uma visita impressionante, pela beleza exuberante da arquitectura.

domingo, março 16, 2008

Ponte 25 de Abril, Lisboa

16 de Março de 2008, 10 horas e 30 minutos.
Tem o viajante alguma dificuldade em descrever o que o leva, ano após ano, a correr a mini-maratona da Ponte. Pode ser a vontade de fazer exercício. Pode ser a festa. Pode ser o espectáculo. Será da aventura? Ou da possibilidade – única – de poder ver a cidade, lá do alto, com a tranquilidade e a perspectiva que a passagem de carro normalmente não dão?

Em 2008 percorreram a ponte 30 mil pessoas, que esgotaram o número máximo de inscrições permitido. Galraram o seu tabuleiro metálico de 2.300 metros e as vias de acesso rodoviário a partir de Alcântara, segundo depois para o Mosteiro dos Jerónimos.

Poucos terão recordado a construção da ponte, então uma das maiores do mundo, entre 1962 e 1966. E ainda menos recordarão a inauguração, com o nome Ponte Salazar, a 6 de Agosto de 1966, pelo então Presidente da República, Almirante Américo Tomás.

terça-feira, março 11, 2008

Estação de Atocha, Madrid

Em memória das vítimas
11 de Março de 2004:
191 mortos
1841 feridos.

terça-feira, março 04, 2008

Restaurante D.O.C., Douro

O viajante não é muito frequentador de restaurantes gourmet. Não é que não gostasse, mas na estrada o orçamento recomenda refeições em locais mais abordáveis.
Não obstante, tem o viajante por vezes que reconhecer a sua agradável surpresa e o gosto que tem ao experimentar parar em locais supostamente mais caros.


Foi isso que aconteceu no D.O.C.. DOC, é para os enófilos o acrónimo tradicionalmente usado para Denominação de Origem Certificada. Neste caso, embarca como Degustação de Origem Certificada. Este D.O.C. é nome de um bar e restaurante aberto desde Abril de 2007, por iniciativa do chefe Rui Paula e do seu irmão Pedro Cardoso.
Chegando já fora de horas, em cima das 22h30m, foi ainda permitido ao viajante jantar com calma. Tenha-se em conta que isto aconteceu na pacata região duriense. De entrada, foi servida uma terrina de foie-gras, com tostas de centeio e doce de noz. Depois, seguiu um bacalhau com migas de milho de bacalhau e batatinhas no forno. Culminou a refeição numas bochechas de porco bísaro com legumes estufados e alheira. De sobremesa, um misto de doce de abóbora com requeijão e folhado de chèvre, cortado com gelado de mel.
Os vinhos, evidentemente foram da região.

O edifício onde está instalado o restaurante é novo e de traça modernaça.Foi construído literalmente dentro de água. Aqui, o Douro é um rio de águas calmas, entre a Barragem da Valeira e a de Bagaúste. A paisagem é rasgada e, só ela, valeria a viagem. O D.O.C. é fácil de encontrar. Fica em Folgosa, no concelho de Armamar. Está logo ao lado da Estrada Nacional 222, que liga o Peso da Régua ao Pinhão (telefone 254.858.123), pela margem sul do Douro. No Inverno, fecha ao domingo à noite e segunda-feira todo o dia. No verão não encerra nunca. Abre ao almoço e ao jantar.

domingo, março 02, 2008

Torre de Oro, Sevilha

Por aqui, nesta zona andou Cipião, o general romano que ficou conhecido por o Africano. Mas só muitos séculos depois (no século XII) foi construída aquela que veio a ser revestida a azulejos dourados e por isso a ser conhecida por torre de ouro.
A sua função original era a de ser mais um dos torreões que compunham a muralha da Sevilha. Tem a originalidade de ter doze faces. Actualmente alberga o Museu Naval da cidade.
Fica nas margens do rio Guadalquivir e é uma visita incontornável. O seu contorno exterior, de jardim fluvial, oferece, em regra, bom ambiente para passeio ao fim da tarde.Ficou o viajante maravilhado com a cor do pôr do sol numa tarde de Outubro.