terça-feira, março 24, 2009

Bratislava, Eslováquia

Em passagem anterior, há mais de 20 anos (portanto antes da queda do célebre Muro e da dissolução dos regimes ditos socialistas), reteve o viajante de Bratislava a impressão de uma cidade cinzenta e triste. Revisitada agora, manteve a impressão.
Embora capital de uma nova república, a principal cidade da Eslováquia continua a ter estrutura de pequena cidade de província: não tem grandes avenidas nem perspectivas urbanísticas rasgadas. A cidade tem imensos edifícios barrocos, dos tempos do império austro-húngaro, que lhe dão um certo ar austríaco e centro europeu. Mas nem todos estão recuperados e em bom estado. Sobretudo, a cidade antiga tem ainda muitas marcas do abandono a que foi votada durante o período socialista. O mesmo pode dizer-se das variadíssimas igrejas, quase todas também do período barroco. Dir-se-ia que a cidade ganhou maioridade no século XVIII, mas as construções nobres ficaram por aí. No horizonte, sobretudo na margem direita do Danúbio (que por sinal, nada tem de azul), ficam ainda as silhuetas dos maciços bairros de betão, ao estilo soviético.
É certo que no centro antigo proliferam os cafés de ambiente moderno, normalmente com grandes janelas vidradas para a rua. E que nas ruas desta mesma zona se vêm estacionados muitos carros de luxo e sobretudo desportivos. Estas duas são notas comuns a muitos outros países da antiga cortina de ferro que, após a respectiva abertura, aderiram ao modelo capitalista e aos respectivos extremos, bem conhecidos. Não chega, porém, Bratislava ao excesso da vizinha Praga. Talvez porque os eslovacos são muito mais conservadores e provincianos que os checos, não chegaram aqui os casinos em massa nem as casas de sexo. Além disso, os omnipresentes eléctricos e a imensa e dominante gente com ar modesto e humilde desfasem as ilusões de se estar numa cidade rica ou mesmo nova-rica. Apesar de herdar a altivez tradicional nos eslavos, a cidade é modesta e provinciana.
Ao passear pelas suas ruas, não diria o viajante que foi provisoriamente (durante três séculos, desde 1541 a 1830, após a ocupação de Budapeste pelos turcos) a capital da Hungria e que na modesta, embora elegante catedral de São Martinho, foram coroados 9 dos reis e 8 das rainhas húngaras.
Bratislava é desde 1993 a capital da República da Eslováquia, que nessa data se separou, por consenso, da República Checa (no chamado divórcio de veludo, que se seguiu à revolução igualmente de veludo, a qual depôs o regime comunista, em1989). Terá entre 400 e 500 mil habitantes – são 5 milhões e meio, os eslovacos de todo o país. Embora tenha aeroporto, há muito poucos voos para Bratislava. A melhor forma de chegar é voar para Viena e, daqui, percorrer em autocarro os 60 quilómetros que separam Bratislava do aeroporto austríaco (sempre em auto-estrada, demora um pouco menos que uma hora).

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