terça-feira, dezembro 01, 2009

A cerveja checa

O povo checo é o maior consumidor de cerveja do mundo. Cada um dos checos bebe, em média, 155 litros de cerveja por ano, o que dá uma média de meio litro por dia! Os checos consomem ainda mais cerveja que os campeões alemães e os super campeões irlandeses

Em plena Boémia, na sua zona mais ocidental, fica Plzen, onde foi inventada a primeira cerveja do tipo Pilsen, ou pilsener. A origem desta produção tradicional está na Idade Média, quando o rei checo Venceslau II outorgou a um conjunto de famílias da cidade o direito exclusivo de fabricar cerveja, usando os métodos tradicionais, ao estilo de Plzen, portanto. Mais tarde, no século XIX, os descendentes destas linhagens, todos pequenos produtores, acabaram por criar uma empresa de dimensão municipal, a que chamaram Plzensky Prazdroj, onde viria a nascer uma mítica cerveja de cor âmbar claro, que agora se vende em mais de 50 países diferentes: a Pilsner Urquell.

Não muito distante, a poucas dezenas de quilómetros, fica Ceske Budejovice, igualmente um antigo centro cervejeiro, tal como o de Plzen, com origem no século XIII. Aqui se produz a mundialmente famosa Budweiser Budvar, que há alguns anos intentou um processo em tribunal contra o seu representante no mercado norte-americano. Em causa estava o direito sobre o nome da marca. Por esta razão, desde então, nos Estados Unidos esta cerveja é produzida com o petit nom de Bud, ficando o original para a casa checa. Será, talvez, a cerveja mais difundida por todo o mundo.

Um pouco mais a sul fica Cesky Krumlov, uma fantástica vila medieval, classificada como Património da Humanidade pela UNESCO e rodeada pelo rio Vltava. Aqui, as tradições cervejeiras são igualmente medievais mas, ao contrário das de Ceske Budejovice e das de Plzen, a industrialização foi muito mais limitada e a Eggenberg, a cerveja local, não alcançou a dimensão das outras marcas cervejeiras. Talvez por isso, em Cesky Krumlov predominam ainda as pequenas cervejarias, que vendem o seu próprio produto, normalmente muito cerealado e espesso, de cor escuríssima e travo agridoce.

De fora, deixou o viajante até agora outras marcas, como a Gambrinus ou a Staropramen (que se produz no centro de Praga, podendo visitar-se e até almoçar na cervejaria), com igual e merecido prestígio mas sem a mesma marca local e histórica.

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