quinta-feira, janeiro 28, 2010

Olinda, Pernambuco, Brasil

Era uma velha referência, não concretizada, a visita a esta cidade que foi já declarada património cultural da Humanidade, a apenas sete quilómetros de Recife, a enorme capital do Estado Brasileiro de Pernambuco. Na verdade, esta região emblemática da colonização do Brasil foi daqueles locais onde mais sentiu o viajante a dimensão e magnificência da história de Portugal
Olinda foi fundada por holandeses. A tradição diz que Maurício de Nassau, o regente holandês na viragem do século XV para o XVI, altura do colapso do poderio português na região, olhando para este sítio terá dito “ó linda!” Ignora o viajante se o líder da libertação dos flamengos terá vindo aqui alguma vez, mas é sabido que de facto os holandeses controlaram esta região durante a regência espanhola de Portugal.
Porém, aquilo que ficou para a história foi o legado português, em particular na arquitectura religiosa. Olinda é um preservadíssimo conjunto de modestas casas, mas muito interessantes e coloridas, aqui e ali interrompidas por casas burguesas (que em Portugal seguiriam o estilo de “casa de brasileiro”). Mas além disso, contém um imenso conjunto de igrejas e conventos. Na Sé, construída no século XVI, onde está actualmente sepultado o mundialmente famoso D. Hélder Câmara, destaca-se a sacristia, decorada com móveis de madeira escura, de jacarandá. Também chamam a atenção os azulejos portugueses, originais, trazidos na época directamente da Europa.
Porém, o edifício que mais impressionou o viajante foi a Basílica de São Bento, também com origem no século XVI: é barroca e guarda um exuberantíssimo altar de madeira folheada a ouro. O conjunto é majestático e está em belíssimo estado de conservação e manutenção. Infelizmente, não pode dizer-se o mesmo de vários outros conjuntos religiosos, um pouco mais degradados.
Na memória do viajante ficou ainda o pitoresco do contraste do traço formal barroco e neoclássico das alvas igrejas, com a exuberância desalinhada da vegetação tropical que as rodeia. E também a inverosímil sintonia tropical que todo o conjunto de edifícios religiosos encontra com as casas coloridas das ruas inclinadas da cidade. Estas casas, raramente pintadas de cores discretas, manifestam de forma exuberante o mais profundo e alegre gosto de além Atlântico, dos habitantes das terras de Vera-Cruz.
Olinda fica junto de Recife, de cujo conjunto urbano faz parte. Visita-se com tranquilidade a pé, em meia dúzia de horas

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