terça-feira, janeiro 26, 2010

Quinta da Regaleira, Sintra

Veio o viajante da Quinta da Regaleira com a sensação que deverá ter tido Saint-Exupery quando disse que aquilo que é mais importante não se vê com os olhos. De facto, este enigmático recanto da Serra de Sintra é estranho e não se deixa perceber logo à primeira.
O local é muitíssimo fácil de encontrar: fica no percurso que liga a vila de Sintra ao Palácio de Seteais. Aquilo que logo se vê da estrada é o conjunto de edifícios da quinta, que datam do início do século XX.
O palacete, propriamente dito, é neo-manuelino. O mesmo se passa com a capela, que fica muito próxima do palácio. O conjunto, na versão que hoje existe, destinou-se a servir de férias aos proprietários (a família de António Carvalho Monteiro, também conhecido como o Monteiro dos Milhões, por ter regressado do Brasil muito rico – circunstância que, aliás, lhe permitiu comprar em hasta pública esta propriedade). Foi seu principal arquitecto Luigi Manini, que já antes tinha desenhado o Palace Hotel do Buçaco.
Ficou o viajante impressionado com os interiores, nalguns casos mitigados de arte nova. Em particular, ficou-lhe na memória, logo na entrada, a sala da caça.
O jardim é uma espécie de representação cosmogónica, com lugares desconhecidos e inusitados. Por todo o lado se encontram referências à filosofia, à música, à literatura, à religião, à magia e alquimia, de tudo se encontrando representações místicas. Grutas, torres, fontes, pórticos, lagos, cascatas, túneis. Tudo culmina no impressionante poço iniciático, que entra pela terra dentro. Pode descer-se ao fundo dos seus 27 metros por uma escada em caracol, colada às paredes do poço. De lá de baixo partem túneis, cuja saída fica noutras zonas da propriedade.
Há uma enorme variedade de árvores por todo o jardim. Logo na entrada, encontra-se um enorme cipreste e uma gigantesca araucária. Depois, cedros, magnólias, camélias, castanheiros, sobreiros, pinheiros, tílias e várias outras espécies exóticas.
A Quinta da Regaleira pode ser visitada entre as 10 e as 17 horas (última entrada às 18 horas na primavera e outono e às 20 horas no verão). Há visitas guiadas, com hora marcada (no verão será necessário marcar com antecedência). O bilhete de entrada custa 6 €, mas há tarifas reduzidas para crianças, estudantes, reformados e famílias.

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