sábado, fevereiro 05, 2011

Mechelen, Bélgica

 De vez em quando, inesperadas curvas da estrada revelam ao viajante pérolas escondidas. Assim aconteceu numa ocasional passagem em Malines (em francês), ou Mechelen (em flamengo), uma pequena cidade a meio caminho entre Bruxelas e Antuérpia. Esta pequena cidade, actualmente de província, já foi, em tempos, capital de todos os Países Baixos e é ainda a sede do arcebispado católico da Bélgica.
 Calhou o viajante chegar a Mechelen de comboio, vindo de Bruxelas (breve percurso de 20 minutos) e ficar desiludido com o aspecto vulgar da zona da gare, bem como com o perfil comum da zona pedonal onde passou a caminho do centro histórico. Mas ao chegar ao Grote Markt, a principal praça da cidade, reconciliou-se com a terra. O Grote Markt é uma praça de piso empedrado, bordejada de casas em estilo hanseático, bem conservadas, algumas das quais com origem no século XVI. Foi essa a altura em que Mechelen era a capital, no tempo da regente Margarida de Áustria, tia daquele que viria a ser o imperador Carlos V, que também aqui cresceu.
Num dos topos do Grote Markt fica a magnífica catedral de Sint Rumbold, com uma altíssima torre sineira e ricas pinturas dos séculos XVII e XVIII – uma das mais conhecidas é uma pintura de Anton Van Dijck, representando Cristo Crucificado, no altar de Santa Ana (óleo sobre tela de 1630). Ficou o viajante muito impressionado com a invulgar altivez da torre.
No outro topo, fica o fantástico palácio gótico tardio e renascença onde actualmente está instalada a sede do município local. A toda a volta da praça há cafés e cervejarias (a cidade tem a sua própria cerveja – a Gouden Carolus –, dita a preferida do imperador Carlos V).
Mechelen foi portanto uma interessante paragem. É uma típica cidade flamenga, muito mais tranquila que Bruges ou Gent e sem as hordas de turistas daquelas. É também muito mais modesta, mas valeu a pena fazer o desvio, pelo agrado do passeio pelas ruas pedonais e pelo conjunto de edifícios antigos, muito bem preservados. Valeu também pela evocação histórica: esta cidade que agora tem apenas cerca de 80 mil habitantes já foi um dos mais importantes centros da arte flamenga – em particular assim foi durante o período do renascimento.

Fica a meio caminho entre Bruxelas e Antuérpia, a uma curta distância de ambas. A viagem de comboio, desde Bruxelas, custa 4 € e há 2 a 3 comboios por hora.

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