sexta-feira, julho 15, 2011

Feira de Novembro, Golegã, Ribatejo


Especialidades “scalabitanas”: farturas (estas, não há português que não as conheça) … e o resto lê-se na fotografia.

domingo, julho 10, 2011

Ohrid, Macedónia

  Em habitantes, Ohrid é a quinta ou sexta cidade da Macedónia, país onde vivem 2 milhões de almas, em cuja capital e maior cidade, Skopje, vivem um pouco menos que 500 mil pessoas.
Visitando Ohrid, julgou o viajante estar a sentir o mesmo que sentiam os queirosianos turistas do fim do século XIX que, com o intuito de cultivar o prazer de viajar e descobrir o mundo, acabavam por se deparar com preciosidades desconhecidas e insuspeitadas, em cantos ignorados e fora das rotas já exploradas. Em tais locais, só muito tarde vieram a surgir instalações hoteleiras e similares, assim se tornando possível o turismo moderno.
  O caso é que esta antiga cidade, no sudoeste da Macedónia, reserva muitas e interessantes surpresas a quem a visita. Mas o estádio de desenvolvimento das estruturas locais de apoio, para os parâmetros modernos, é ainda muito incipiente, para não dizer rudimentar. Por isso, Ohrid tem ainda muito poucos turistas estrangeiros.
Não obstante, por entre casas pobres e degradadas, foi o viajante surpreendido pelas ruínas daquilo que foi um fantástico teatro romano, de origem grega, em razoável estado de conservação (onde aliás se realiza um festival de música, no verão). Além disso, impressionou-o o vestígio da fortaleza e das muralhas, medievais
  E não deixa de impressionar o percurso milenar da terra, que tem origem pré-histórica, apesar de os macedónios, povo eslavo, se terem fixado aqui apenas lá para o século VII da nossa era. Pouco depois, no século IX, passou por aqui São Clemente de Ohirid, que veio instalar-se no mosteiro de São Pantelemon, na zona oeste da cidade. Aliás, São Clemente foi sepultado no local da actual igreja. Este mosteiro foi fundado por São Cirilo, de que São Clemente era discípulo e seguidor. E sob a inspiração de São Cirilo e São Metódio, o mosteiro veio a tornar-se num importante centro cultural e difusor da fé - viria mais tarde a ser a mais antiga universidade eslava.
Mas Ohrid foi também capital do fugaz império de um autoproclamado Czar Samuel, um efémero estado independente, na dobra do século X, para o XI. Esta herança levou a que se desenvolvesse aqui, durante toda a idade média, aquilo que veio a consubstanciar a moderna cultura macedónia, que atravessou o longo e poderoso império otomano e chegou aos impérios modernos. Desta época sobraram as igrejas arruinadas de Plaosnik
  No limite da cidade, apenas acessível a pé ou de barco, fica a Igreja de São João Kaneo, um dos maiores ícones da arquitectura medieval macedónia. Esta pequena igreja, construída no século XIII, com traços claramente paleocristãos, encabeça um pequeno promontório, muito escarpado, que cai sobre o Lago de Ohrid. Para lá chegar há que subir à fortaleza e depois descer um estreito carreiro, entre bosques espessos. Ou então, partindo da cidade, percorrer a costa escarpada, caminhando pela beira de pequenas enseadas rochosas, de praias de calhaus e depois escalar o penhasco. Nenhuma das modalidades é difícil, mas desde Ohrid demora bem meia hora. É um local místico, que deve visitar-se ao pôr-do-sol. Foi, talvez, o lugar mais bonito por onde o viajante passou, na República da Macedónia.
  Ohrid fica a 170 quilómetros de Skopje, capital da Macedónia, onde fica o único aeroporto com ligações internacionais. Da capital, o percurso rodoviário não é fácil: são 50 quilómetros de auto-estrada paga e o resto é uma estrada nacional sofrível, com alguns troços de montanha aborrecidos e demorados. Em Ohrid e, sobretudo, ao longo do lago que lhe fica em frente, há alguns hotéis, de nível mais sofrível que o habitual, mesmo para os Balcãs. Há restaurantes e bares, perfeitamente aptos para quem não for muito exigente.
De resto, visitar Ohrid é como visitar Boticas: não há outros turistas na rua, muito menos estrangeiros e cada um fica por sua conta. Mas tem a vantagem da genuinidade.