domingo, setembro 25, 2011

Lago de Ohrid, Macedónia

  A República da Macedónia é um dos sete estados independentes em que se decompôs a antiga Jugoslávia. Nos documentos das instâncias internacionais tem a denominação oficial de FYROM – acrónimo em inglês de Antiga República Jugoslava da Macedónia, já que a Grécia reclama a histórica denominação da Macedónia para uma parte do seu território, no norte – parte essa, aliás, duas vezes maior que a FYROM. Além disso, o reino grego da Macedónia é muito mais antigo que a tradição independentista dos macedónios modernos, eslavos que aqui chegaram, com uma língua e uma cultura diferente, mas apenas no século VII da nossa era – portanto, mais de mil anos depois da morte de Alexandre Magno e do desmembramento o seu reino.
  Esta pequena dimensão da Macedónia e a insipiência da sua economia não têm contribuído para abrir o país ao exterior. Além disso, por exemplo ao contrário do que sucede com a Croácia, ou o pequeno vizinho Montenegro, esta república de apenas 2 milhões de habitantes não tem grandes motivos turísticos que possam atrair massas: não tem costa marítima, a sua capital foi destruída por um sismo, em meados do século XX e as suas montanhas, embora muito selvagens e de rica natureza, não têm estruturas de apoio aos viajantes.
  Nestas condições, o Lago de Ohrid assume o papel “do” local turístico do pais, por excelência e quase em exclusivo. Junto das suas margens há hotéis de perfil internacional, com praias de apoio. Para aqui vêm veranear muitos dos macedónios, durante a temporada de férias estivais. É mesmo o maior destino de férias e de fim de semana da população local: para aqui vêm as famílias, para a praia (de água doce) e para aqui vem a juventude do país, em férias autónomas dos pais, em busca de diversão nocturna.
  A tradição é de tal maneira arreigada que, na década de 1960, o marechal Tito, então presidente da então República Federativa Socialista da Jugoslávia, decidiu mandar construir aqui a casa oficial de férias do Presidente da República. Esta casa, a Villa Biljana, ainda actualmente existe, mas agora é a residência oficial de férias do Presidente da República da Macedónia. Fica na margem do lago, num pequeno promontório que lhe fica sobranceiro, lindíssimo, cerca de dois quilómetros a sul de Ohrid.
Ao lado, na mesma época, foi construído um hotel para funcionários do regime, que ainda agora existe, embora remodelado. Em volta, foi plantado um parque florestal, bordejando o lago, aberto a quem queira por aqui vir. Dele tem o viajante memória por ter aqui dado um passeio a pé de fim de tarde, tão pacífico como já não tem memória, por um caminho estreito e deserto, sobranceiro ao lago, ouvindo a passarada.
  O lago é geologicamente muito antigo. Dizem os locais ter milhões de anos e apenas ser comparável ao lago Baikal, na Sibéria e ao lago Titicaca, nos Andes. Além disso, tem águas muito profundas. Estas características conferiram-lhe grande riqueza de flora e fauna, sendo notável a dimensão e a diversidade das espécies endémicas. A célebre e endémica truta de Ohrid (salmo letnica typicus) é hoje em dia uma espécie protegida, mas bastantes vezes foi o viajante presenteado, por aqui, com truta assada.
  O lago de Ohrid, ao lado da cidade com o mesmo nome, dista 170 quilómetros de Skopje, capital do país e sua porta de entrada (embora Ohrid tenha também um aeroporto, praticamente não tem voos). O percurso desde Skopje leva bem duas horas e meia, por estradas nem sempre confortáveis, atravessando zonas muito montanhosas. A própria Macedónia é difícil de atingir – de Lisboa, há que fazer, pelo menos uma, mas frequentemente duas ligações aéreas, o que demora todo um dia. Se esquecer esta dificuldade de acesso, não hesita o viajante em afirmar que o lago de Ohrid é dos mais tranquilos e interessantes destinos de férias repousadas que tem encontrado.

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