sábado, julho 13, 2013

Castelo de Noudar, Barrancos, Portugal

  Já há poucos paraísos destes em Portugal. Noudar é daqueles sítios onde o viajante sentiu estar num lugar distante, sem stress nem poluição, onde ainda é possível gozar de alguma quietude, na serenidade campestre. O castelo fica longe e o acesso é difícil. A distância têm-no preservado das hordas de turistas e outros visitantes domingueiros que vão invadindo os highlights do Alentejo, como que colecionando cromos.
Barrancos, em si mesmo, é já um enclave, encaixado dentro da linha de fronteira com Espanha. Aliás, os seus ícones locais são meio-andaluzes: touradas de morte e produtos derivados do porco preto. É também o município com menos população em Portugal (apenas 1800 habitantes), se não se considerar o município do Corvo, nos Açores (que tem somente 430 habitantes).
Chegar ao castelo de Noudar, a partir de Barrancos, ainda supõe percorrer cerca de mais 10 quilómetros de estrada rural, nem sempre pavimentada, atravessando montados de azinheiras e um que outro sobreiro ou carrasco. Pelo caminho (e em toda a zona), teve o viajante a ventura de encontrar passarada e pequenos carnívoros. Mencionam os guias saca-rabos, doninhas, javalis, veados, gatos-bravos, lontras, texugos, coelhos bravos e lebres. Contentou-se o viajante com uma raposita e deixou os linces para quem sabe. Passarada, essa sim: muita e variada.
  O castelo, propriamente, fica num morro alto e escarpado, numa zona isolada, muito longe da próxima povoação. Lá no fundo da ravina, caudaloso no inverno e quase seco no verão, corre o rio Ardila, separando Portugal de Espanha. Em cima da escarpa, dominando o horizonte, fica o antigo castelo, bastante arruinado (em virtude deste estado de ruina está oficialmente fechado, mas é possível visitá-lo pela porta das traseiras, que foi vandalizada). São poucas as fontes de informação sobre este monumento. Mas não será difícil reconstruir aqui uma história de castelo de fronteira, com origem no fossado, contra os mouros. E depois, ao longo da Idade Média, um bastião de defesa da fronteira nacional, para fazer face à ameaça espanhola. O resto intui-se: os castelos medievais sucumbiram com o advento da artilharia e da guerra moderna. E ficaram abandonados quando o país pacificou e passou a ganhar a vida de outra forma. 
  A fortaleza fica integrada no chamado Parque de Natureza de Noudar, onde fica também o Monte da Coitadinha, um hotel rural muito simpático e confortável, embora a puxar para o carote. Será, talvez, dos locais de pernoita mais isolados e remotos do país, no meio do montado. À noite, a ausência de povoados e iluminação pública nas redondezas propiciou um céu estrelado lindo.
De Lisboa a Noudar são cerca de 250 quilómetros. Até Évora, o percurso é fácil e conhecido. Depois, é necessário prosseguir para Reguengos de Monsaraz e Mourão, na direção de Amareleja. Nesta típica terra alentejana, que detém vários records de temperatura máxima registada em Portugal, deriva-se para Barrancos, em cuja entrada se vira, por sua vez, para Noudar. A estrada é fraca, mas está sempre bem sinalizada.

quarta-feira, julho 10, 2013

Da Casa Branca a Cuba, de comboio

  Calhou ao viajante ter que ir, num destes tórridos dias de Julho, a Beja. Na previsão do tempo, viu estarem anunciados 38 graus, mas depois os termómetros acabaram por atingir 41. Coisa normal para o verão em Beja. Mas não é este o tema desta crónica. É que decidiu o viajante ir de comboio, que os tempos estão de crise e os combustíveis e portagens a preços incomportáveis.
E teve boas e más surpresas: boas, porque os comboios funcionam bem, a horas (apesar de haver poucos), sem congestionamento. Más, porque esses mesmos comboios são pouco amigáveis e dão pouca atenção a quem os usa.
Comboios sem bar ou, sequer, uma mísera máquina para comprar água. Estações desertas e sem serviço algum. Ficou o viajante com a memória na estação da Casa Branca, onde é necessário fazer o transbordo, deixando o confortável Intercidades de Évora para passar ao regional de Beja. Deserta, tórrida (e há-se ser gélida no inverno). Nem uma sombra, nem um bar onde beber algo fresco.
  E também ficou na memória com a arqueológica estação de Beja, velha e degradada, com todas as portas fechadas e um velho bar deserto, de luzes apagadas e janelas fechadas, para não entrar o calor.
Quanto aos comboios, são em geral confortáveis e a viagem faz-se bem. Cuba, é a última estação antes de Beja. Achou o viajante piada à associação com a Casa Branca.  

segunda-feira, julho 08, 2013

Monsaraz, Alentejo

Será o responsável por esta placa, porventura, admirador de automóveis? Na dúvida, não avançou o viajante, porque a sua viatura, nem de perto nem de longe, se pode apelidar de “bela máquina”.