domingo, abril 20, 2008

Catedral de Estrasburgo, França

Estrasburgo é uma cidade emblemática da nova Europa, da paz e da democracia. Já foi francesa, depois alemã e de novo francesa. Agora é uma cidade da Europa dos povos. Na cidade cruzam-se as religiões e os respectivos templos, num bom exemplo de coabitação religiosa. A maior comunidade é a católica, logo seguida da protestante. A judaica é a terceira comunidade religiosa. Os novos ventos da emigração trouxeram também para aqui grandes núcleos de muçulmanos.Não obstante, a catedral católica, de Notre-Dame de Estrasburgo, é uma referência destacada e necessária no horizonte desta cidade de edifícios baixos. Vê-se de toda a cidade, com a sua flecha pontiaguda dirigida a o céu.

Teve origem numa anterior igreja românica, da qual subsistem a cripta e a abside do coro. O que hoje existe foi construído entre 1277 e 1439, em estilo gótico francês puro. A nave principal é majestosa, com 32 metros de altura. Notou o viajante os maravilhosos vitrais coloridos. E notou também uma das grandes atracções para os turistas que visitam a catedral: o relógio astronómico da catedral, construído entre 1838 e 1842, no lugar um outro do século XVI. Esta fantástica máquina, além de medir o tempo, calcula ainda as festas móveis e os eclipses da lua e do sol. Uma das grandes curiosidades do relógio é o desfile de autómatos que assinala todos os quartos de hora, meias horas e horas – ao meio-dia e meia o desfile é dos doze apóstolos, que passam em frente de Cristo, que os benze.

Porém, aquilo que mais impressionou o viajante foi a subida à torre da catedral. Para se chegar à plataforma superior, na base da única agulha, teve o esfalfado viajante que montar 326 degraus - algo como um edifício de vinte e tantos andares. Mas valeu a pena: lá no cimo, domina-se toda a cidade. Vê-se a cidade medieval e as casas de “colombage”, que parecem formar um imenso presépio urbano. Ao lado, vê-se a “petite france”, com os seus canais. Do lado oposto, vêm-se as germânicas praças magestáticas do século XVIII, a leste da cidade e, ao fundo, avistam-se os novos edifícios das instituições europeias, no “quartier européen”.

A entrada na catedral é gratuita. O acesso à torre custa 4,6 €. O edifício está aberto das 9 às 19 horas (mais cedo no Inverno). Mais informações, aqui.

terça-feira, abril 15, 2008

Castelo de Aguiar, Trás-os-Montes

Com o desenvolvimento das vilas e das cidades, no fim da Idade Média, os castelos roqueiros, outrora poderosos pelo controlo territorial que asseguravam, perderam importância. Foram sendo todos abandonados. Foi isso que aconteceu ao castelo de Aguiar, implantado numa mole caótica de granito, sobranceira ao vale de Aguiar. Actualmente, restam apenas ruínas do que parece ter sido uma alcáçova fortificadíssima e inexpugnável.
Diz-se ter sido um castro, talvez romanizado. Não longe daqui os romanos estabeleceram-se e exploraram as minas de ouro de Jales. Depois, quando os leoneses reconquistaram esta zona, o castelo terá sido construído sobre as ruínas do castro. Foi propriedade da casa real, até que D. João I o doou a um tal D.João Beça, que com ele combateu em Aljubarrota. Este último vem referenciado na qualidade de morgado do lugar por Aquilino Ribeiro, em “A Casa Grande de Romarigães”.
O castelo de Aguiar está localizado nos contrafortes da Serra do Alvão, junto da aldeia de Castelo, na freguesia de Telões, Vila Pouca de Aguiar. Fica 5 quilómetros a leste da Estrada Nacional 2, sempre por estrada asfaltada. A partir da A24, fica a cerca de 10 quilómetros, devendo sair-se na saída de Vila Pouca de Aguiar.
A visita ao castelo supõe deixar o carro a algumas centenas de metros e seguir por veredas estreitas e túneis naturais, formados pela vegetação e pelas rochas. Há escadas metálicas colocadas para facilitar a visita mas, mesmo assim, o acesso não é para todos. Vale a aventura e a silenciosa vista rasgada que se encontra no topo da fortificação.

quinta-feira, abril 10, 2008

As máquinas de Leonardo, Forte do Bom Sucesso, Lisboa

Às vezes, é o viajante surpreendido sem sair de casa. Foi o que aconteceu na visita à exposição “O inventor”, onde se exibem modelos de máquinas desenhadas por Leonardo da Vinci, registadas nos seus muitos cadernos de anotações.
É um conjunto de 20 mecanismos, em madeira, com funções específicas na vida quotidiana. De alguns deles – ou ao menos do seu princípio –, saíram mecanismos e utensílios usados na vida moderna.
Sobre estas linhas, elevadores de obras, em baixo, o escafandro e a máquina voadora.

É banal e pouco imaginativo dizê-lo, mas Leonardo foi um dos maiores génios de todos os tempos. Nasceu em 1452, no advento do renascimento italiano. Durante a sua vida (morreu em 1519), foi pintor, arquitecto, matemático, engenheiro. É esta última faceta que se explora nesta exposição, onde se reproduzem os seus projectos de máquinas, ferramentas, instrumentos de medição, barcos, máquinas voadoras, instrumentos musicais e outros.

Agora em Lisboa, a exposição pode visitar-se no Forte do Bom Sucesso, mesmo ao lado da Torre de Belém, em Lisboa, todos os dias, das 10 às 19 horas.
Abriu em 7 de Fevereiro e fechará a 25 de Maio de 2008. O bilhete de entrada custa 5 € (3,5€ para jovens e grupos).