domingo, junho 08, 2008

Praia do Bom Sucesso, Óbidos

Está por pouco tempo esta praia ainda bastante preservada da selvajaria do turismo moderno. Em breve, várias urbanizações, já em construção, vão despejar aqui o chamado progresso dos guarda-sóis de praia, dos bares com música do Caribe e das loiraças nórdicas encharcadas de protector solar.
Por isso, já não sobra muito tempo para que o viajante continue a imaginar por aqui a inspiração para a “ocidental praia”, de mar revoltado e céu brumoso, a que não falta, ao longe, a miragem da Berlenga, em dias mais claros.

A Praia do Bom Sucesso, em rigor, fica apenas confinada à margem esquerda da Lagoa de Óbidos, entre a água da lagoa e o mar. Porém, onde ela acaba, começa uma das últimas linhas de falésia a que ainda se pode chamar esse nome, na costa portuguesa. Daqui, sem qualquer povoação ou empreendimento turístico, subsiste ainda uma linha de praia, a bordejar a arriba costeira calcária e por vezes o cordão dunar, ao longo de vários quilómetros. A este troço não pode aceder-se por estrada nem ao longo dele se topa com qualquer perturbação humana. É dos últimos sítios que o viajante conhece, em Portugal, para passear longamente na beira do mar selvagem.
Na ponta, na Praia do Bom Sucesso, há lojas de abastecimento e bares. É também aqui que fica o acesso rodoviário, que vem de Caldas da Rainha ou de Óbidos, por uma estrada secundária que deriva da antiga Nacional de Peniche um pouco depois de A-da-Gorda.

terça-feira, junho 03, 2008

Universidade de Harvard, Boston, Estados Unidos da América

Já foi há algum tempo que o viajante foi em peregrinação a Harvard, no Estado norte-americano de Massachusetts. Peregrinação porque calcorreou a pé os três quilómetros que separam Cambridge, na periferia de Boston, do centro da grande capital da Nova Inglaterra. E peregrinação também porque - não esconde -, foi com emoção que procurou uma de entre a meia dúzia de mais prestigiadas universidades do mundo. O percurso de Boston para Cambridge, onde fica Harvard, revela subúrbios muito civilizados de uma das menos antipáticas cidades americanas. O ambiente é quase europeu.

Já a universidade, sem deixar de impressionar, mostrou-se muito diferente daquilo que o viajante, pouco familiarizado com os padrões transatlânticos, esperava de um tão importante nome. Na verdade, a universidade é toda ela formada por um conjunto de pequenos e até discretos edifícios, cor de tijolo, rodeados de jardins e árvores frondosas, sem que deste conjunto se destaque demasiado qualquer deles. Nenhum é solene, imponente ou sequer muito maior que os restantes. O ambiente é por isso marcado pela discrição e pela harmonia. Sem estar à espera de tanta quase modéstia, descobriu aqui o viajante a verdadeira essência da nação americana: para nada importa ter edifícios grandiosos ou obras de fachada imponente. A verdadeira riqueza está no Homem e na sua obra.
A esta filosofia, a mais antiga universidade dos Estados Unidos junta a procura do progresso pelo desenvolvimento do conhecimento, na literatura, nas artes e na ciência, pondo todas ao serviço da educação da juventude, de espírito aberto à inovação e com liberdade de criação e expressão.
Em Harvard confere-se uma vasta gama de graduações universitárias, do direito à medicina, passando pela engenharia ou pela gestão.


Em 1636, John Harvard, um pastor protestante, doou a sua biblioteca e metade das suas propriedades para a criação de um colégio, à imagem dos colégios universitários ingleses da época. Este tomou então o nome de Harvard College, em homenagem ao benemérito fundador. Ocorreu esta fundação apenas 16 anos após o estabelecimento no Massachusetts da segunda colónia de europeus em terras norte-americanas (o primeiro estabelecimento fixo de colonos data de 1607 e ocorreu na Virgínia). A história de Harvard é por isso inseparável da própria história dos Estados Unidos da América.
Aliás, desde então, é possível encontrar antigos estudantes de Harvard em todos os grandes momentos da história do país. Sete dos seus antigos presidentes (com destaque para John Fitzgerald Kennedy) estudaram aqui. De Harvard saíram também, até agora, mais de 40 laureados com Prémio Nobel.
A vida real, em Harvard, não é igual à dos clássicos filmes sobre os elitistas universitários da costa leste e o campus universitário não é tão edílico como se mostra no cinema. Mas não está muito longe.

segunda-feira, junho 02, 2008

Jacarandás em Lisboa

Tal como Garrett, viajando sem sair de casa, faz o viajante todos os anos uma viagem imaginária aos trópicos, levado pela cor magnética dos jacarandás floridos. Ao chegarem os calores generosos da primavera, as muitas árvores desta espécie plantadas nas avenidas de Lisboa, explodem em flores lilás azulado. Estas flores têm vida muito efémera, como o tempo primaveril e rapidamente caem, deixando no chão um tapete vegetal. Esta explosão de cor é, talvez, na paisagem urbana, o mais claro sinal da chegada da primavera.

Uma consulta rápida permitiu perceber que os jacarandás são árvores da família das Bignoniáceas, com origem na América do Sul, embora tenham sido regularmente exportadas e plantadas em todo o mundo desde há mais de 100 anos. À Europa, a existências dos jacarandás terá chegado após as explorações do alemão Alexander Von Humbolt, em meados do século XIX.