segunda-feira, julho 07, 2008

Capela da Granjinha, Chaves

Conhece o viajante o românico de inspiração visigótica das Astúrias, bem como o românico pirenaico, do qual já deu conta por aqui.
Não sabe, porém, como enquadrar neste contexto, do românico rural antigo, a capela da Granjinha, uma das mais antigas igrejas católicas da região de Chaves, em Trás-os-Montes. É um templo muito pequeno, situado no termo da freguesia de Valdanta, a cerca de dois quilómetros a sudoeste de Chaves, que ganhou a classificação de imóvel de interesse público. É pequena e acanhada, toda construída em granito. Julga-se que teve origem visigótica, mas o seu aspecto actual é românico.

Mereceu especial atenção do viajante a traça muito simples e sóbria, apenas cortada na sua singeleza pelo arco da porta principal. Este arco, de volta inteira, como sempre nas igrejas românicas, tem três arquivoltas muito decoradas, apoiadas em colunas cujas bases e capitéis estão também ricamente trabalhados.
Soube o viajante que na zona foram feitas escavações arqueológicas e que, por debaixo do próprio altar da capela foi descoberta uma ara romana. Apontaram então os arqueólogos para a forte possibilidade de, antes da capela, ter aqui havido uma villa romana, de cujo templo faria parte esta ara.
A capela da Granjinha está habitualmente fechada e pode ser complicado visitar o seu interior. Já a visita exterior é mais fácil. Basta ir lá. Chega-se, a partir de Chaves, tomando a estrada de Casas dos Montes e, depois, de Valdanta. Um pouco antes desta povoação deriva-se para sul, na direcção de granjinha, onde fica a capela.

sábado, julho 05, 2008

Catedral de São Pedro, Roma

Esta é daquelas visitas que podem significar muito ou nada. Para o turista de castelos e igrejas, é o maior templo cristão do mundo. É grande, de facto. E majestoso: mármores exuberantes, dimensões esmagadoras e estatuária de dignidade avassaladora. Porém, tudo visto, é mais uma igreja. Ou não. Noutra altura dará o viajante conta de como gostou do edifício, na sua dimensão e majestade.

Desta vez, na visita, tinha o viajante na memória as palavras de um blogger discreto (http://www.cronicasdaboavida.blogspot.com/), que dizia que “a 2 de Abril de 2005 morreu um dos Grandes do nosso tempo. Mudou o Mundo e o Mundo mudou com ele. Seguiu os passos de Cristo. Sempre. Totus Tuus.”
Foi o viajante, como já bem se viu, à procura da memória de Karol Wojtila, que enquanto chefe da Igreja usou João Paulo II.
Rapidamente concluiu que em Roma há mais japoneses do que peregrinos e mais turistas que crentes. A magnífica catedral está cheia de voyeurs de clichés, que vão para tirar fotografias. E o túmulo do Santo Padre, próximo da entrada da basílica, vale tanto como uma estrela num qualquer passeio da fama. Valeu aquela pequena capela, do lado oeste do templo. Um velho padre dizia missa para uns quantos sul-americanos, que respondiam em espanhol do novo mundo, enquanto alguns passantes correspondiam lendo as orações escritas em várias línguas e agrafadas aos espaldares das cadeiras de madeira.