quinta-feira, janeiro 31, 2008

Castro de Curalha, Chaves


Os castros são das mais singulares manifestações da cultura céltica e pré-romana que ficaram no norte de Portugal. Este castro, fica nas proximidades de Curalha, freguesia rural do concelho de Chaves, a apenas um quilómetro da nova auto-estrada A24, que atravessa o centro do distrito de Vila Real e liga a Espanha. Até por isso tem uma posição privilegiada, que é coisa que já herdou dos fundadores, que escolheram para ele uma localização altaneira, num monte sobranceiro ao Rio Tâmega, a mais de 400 metros de altitude.

Aquilo que o viajante pode encontrar na visita é a ruína de um povoado fortificado, com belíssimas condições de defesa. Pensa-se que será uma fortificação pré-romana, com muitas marcas de ter sido romanizada. Ainda são visíveis vestígios de três linhas de muralhas, das quais duas ainda têm a cerca completa. Para entrar, existem cinco portas de acesso e cinco rampas.
A estrutura urbana é dividida por uma rua central, ao longo da qual existem muitos vestígios de habitações. Ao contrário de outros castros, as casas de Curalha parece terem sido quadrangulares.

Fica também o viajante a saber, por painéis informativos, que aquilo que está visível hoje em dia é o resultado de intensas campanhas de escavação e restauro, que decorreram entre 1974 e 1985 e foram dirigidas por Adolfo Magalhães, Francisco Carneiro e Adérito Freitas, arqueólogos da região e também pelo professor da Universidade do Porto J.R. dos Santos Júnior.
A visita é livre, sem qualquer restrição de dia ou hora e o acesso ao local faz-se por caminhos pavimentados, propositadamente abertos. Aquilo que o viajante mais aprecia quando passa por aqui, para além do peso do significado da história do local, é a paisagem rasgada, aberta para as serranias transmontanas do Brunheiro, do Leiranco e do Alvão.
O castro fica a sete quilómetros de Chaves

domingo, janeiro 20, 2008

Vale de Aosta, Itália

É um nome mítico do turismo de montanha. Corresponde a uma pequena região italiana, encostada aos Alpes e às fronteiras francesa e suíça. A zona é bonita, com predominância de paisagem tipicamente alpina: vales fundos e picos escarpados no horizonte. Por aqui se pode aceder ao monte Cervino, a que os suíços, de Zermatt, chamam Materhorn. É uma das mais emblemáticas montanhas dos Alpes (é bem conhecida por estar representada nas caixas de lápis Caran d’Ache e por ser o logotipo e a imagem de abertura dos filmes da Paramount). Também por aqui se pode aceder ao conhecido Parco Nazionale del Gran Paradiso.
No contexto montanhoso alpino, esta vertente sul não impressiona demasiado. Como montanhas, estas são mais secas e menos verdes que as do norte. Por outro lado, anota-se alguma desordem no território, a fazer recordar que por aqui se fala italiano. Duas coisas chamaram a atenção do viajante. Por um lado, os imensos castelos roqueiros que emergem de várias cristas eriçadas, ao longo do vale do rio Dora Báltea, de Aosta até Ivrea, onde o vale se abre e o rio se espraia na planura lombarda. São marcas de um passado feudal, de tempo anterior ao reino da Sabóia e muito anterior à unificação italiana. Por outro lado, espantou-se o viajante com a densidade e persistência de plantações de vinha, na zona média e superior do vale, ao longo das margens do rio mas também subindo um pouco na encosta. São as vinhas da Denominação de Origem Vale d’Aosta, onde predominam os brancos.

sábado, janeiro 19, 2008

Lagoa dos Salgados, Pêra, Algarve

Fica entre Armação de Pêra e Albufeira, na costa, por detrás do cordão dunar da praia. Chega-se lá a partir da ligação da velha Estrada Nacional 125 a Armação, desviando para leste, três ou quatro quilómetros. Na rotunda de Alcantarilha toma-se a direcção de Armação de Pêra; depois, junto do parque de campismo de Canelas, opta-se pela estrada que segue próximo da costa para Albufeira, na direcção dos Salgados. Meio quilómetro depois desvia-se para a Praia Grande. Até aqui circula-se sempre por estrada asfaltada mas pouco depois o asfalto dá lugar à terra, durante algumas centenas de metros.


Se o viajante fosse turista diria que, como lagoa, o sítio desilude. É um charco grande, com grande probabilidade de secar no verão, onde não se pode tomar banho nem fazer nada mais para além de ver a paisagem e observar aves. Rapidamente perceberá o turista que no local apenas se podem observar aves. Nessa altura o viajante responderá que está num local fantástico – dos melhores locais do Algarve – para observar aves. Deixe o viajante o turista no aldeamento e disponha-se a levantar-se cedo ou a ficar até perto do fim do dia. Poderá observar esta rica zona húmida, protegida do mar pelas dunas. E assistirá à alimentação dos alfaiates, dos flamingos cor-de-rosa, das galinhas de água e, com sorte, de um ou outro caimão.

domingo, janeiro 13, 2008

Salzkammergut, Áustria

A Áustria central é uma zona de transição. Fica entre as montanhas do Tirol, último bastião, para oriente, dos Alpes, e a planície de Viena, já virada para as suaves terras do Danúbio. As suas montanhas não são tão altas e agrestes como as alpinas e os seus vales não são tão abertos e espraiados como o do grande rio que em Viena, no tempo de Strauss, era azul.
A região de Salzkammergut ocupa esta zona montanhosa, entre Salzburgo e Viena. Está rodeada de montanhas e sulcada por doces vales, onde se formaram ao longo dos séculos 70 lagos. São os lagos que marcam o seu carácter e a fazem tornar num excelente destino de férias.

O viajante descobriu o Salzkammergut de carro, a melhor maneira de o fazer. Nesta região deve passear-se de carro, para poder parar-se onde apetecer. A partir de Salzburgo, a zona central dos lagos fica a menos de uma hora de viagem. As estradas, mesmo sendo de montanha, são boas e não têm demasiado trânsito. De carro foi possível chegar a locais e recantos sem outra forma de acesso. É o caso de Hallstatt, a magnífica aldeia à beira do lago do mesmo nome, onde surgiram há três mil anos as primeiras colónias de exploradores das minas de sal. É também o caso do Mondsee, lago cujas margens o realizador norte-americano Robert Wise escolheu para rodar, em 1965, o filme “Música no Coração”. Nele, a jovenzinha Julie Andrews interpretava uma preceptora enviada por uma abadia próxima para tratar das 7 crianças filhas do viúvo capitão Von Trapp. Nas margens do lago é também visitável a abadia beneditina com o mesmo nome, que aliás deu nome ao lago. A família Von Trapp está no imaginário de toda a região. Tem até uma base verídica, porque efectivamente existiu na data a que se reporta o filme (os anos da Segunda Guerra Mundial) e existe ainda.

O perfil de região de férias de montanha já vem de longa data. Em seu tempo, o Imperador Franz Joseph, que foi senhor do Império Austro-Húngaro entre 1848 e 1916, costumava vir por aqui de veraneio. Chegou até a construir um palácio para o efeito em Bad Ischil, a capital da zona. Mais que o Imperador Francisco José (como a ele se referem os livros de história portugueses…), quem costumava ficar por aqui longas temporadas era a sua bela esposa, a Imperatriz Isabel da Baviera, que o cinema imortalizou como Sissi, por intermédio de Romy Schneider.