quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Quinta do Vale Meão, Douro

Vale Meão é um nome mítico no moderno vinho português. Desde que surgiu, como unidade autonomizada da histórica casa Ferreirinha, afirmou-se como um dos nomes mais consistentes da produção enológica nacional. O néctar é de excepção e a marca é uma aposta sempre segura. É notável, para um nome que apenas surgiu em 1999!
Meão é o U formado pelo Rio Douro por alturas do Pocinho, qual enorme meandro (o número dois dos vinhos da casa chama-se precisamente Meandro). A quinta fica nas margens do rio, em zona de microclima, muito seco e quente no verão.


A nota histórica mais interessante sobre a quinta diz que esta foi a única verdadeira realização da lendária Ferreirinha, D. Antónia Adelaide Ferreira. De facto, esta emblemática Senhora do Douro, em seu tempo comprou muitas quintas; esta foi a única que construiu de raiz. Aqui não havia nada quando a Ferreirinha comprou o terreno, em 1877. Talvez seja por isso que a adega é enorme e tem uma traça marcada, de paredes de granito e telhado de vigamento de castanho. Igualmente enormes são os lagares, em granito, onde ainda se faz a pisa a pé do vinho.

Mas não se iludam os visitantes: para além dos centenários lagares de granito há outros equipamentos que tratam das uvas e do vinho. Hoje em dia, as uvas que entram na adega sofrem um choque térmico, para que sejam vinificadas à temperatura conveniente. Depois, são pisadas a pé, mas brevemente: logo de seguida são maceradas por um robô e conduzidas para cubas de inox, com temperatura controlada. Mais tarde os mostos serão colocados em cascos de carvalho francês novos, para que o vinho apure adquirindo o travo adstringente da madeira verde. Na quinta produzem-se vinhos tintos e vinhos do Porto.

Em visita à quinta passou o viajante pela adega e pela sala de provas. Mas também pelas vinhas, plantadas em declive suave mas com muita tecnologia. Terminou no edifício da quinta, construído no século XIX, com a traça de mansão senhorial, com capela.
A quinta e a empresa que a exploram têm estrutura familiar. O pater familiae é Francisco Javier de Olazabal, de origem basca. Quem faz o vinho é o seu filho Francisco, enólogo de profissão e residente na quinta. As relações públicas – e não só -, são asseguradas pela Luísa, que abandonou uma carreira na área das relações internacionais para se dedicar à quinta. Esta dimensão encantou particularmente o viajante, que no Douro já viu demasiadas propriedades pertencentes a bancos, companhias de seguros e outras multinacionais, que as compram e vendem ao ritmo da subida ou descida do euro face ao dólar.


A quinta do Vale Meão fica próxima do Pocinho, no concelho de Vila Nova de Foz Côa. É também contactável para a Rua das Macárias, 61, 4410-149 São Félix da Marinha. Por estrada, o acesso pode fazer-se pelo IP2, que vem de Macedo de Cavaleiros na direcção de Foz Côa. Nesse caso, a quinta fica a 10 minutos do Pocinho. De comboio (o acesso mais romântico) o acesso pode fazer-se a partir da estação do Pocinho, terminal da linha do Douro, que tem cinco ligações diárias a partir da Régua (quatro aos fins de semana).

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Mosteiro de Lorvão, Penacova

Há poucos sítios onde o viajante se tenha sentido tão deprimido e oprimido como no lugarejo de Lorvão, a pouco mais de uma dezena de quilómetros a norte de Coimbra.

Talvez a má impressão inicial resulte de a zona ser muito acidentada e de ocupação humana desordenada. Além do vale do Mondego, que corre preguiçoso no seu vale arborizado, há por aqui vários córregos que percorrem vales fundos e muito vegetados. Em tempo, supõe-se, terá havido muitos carvalhos, mas agora a paisagem é dominada por eucaliptos e acácias, que durante o mês de Fevereiro estão cobertas de flores amarelas. Nesta paisagem, não será fácil construir estradas e por isso a chegada a Lorvão é antipática, seja vindo do Mondego e de Coimbra, seja vindo de norte, da região do Luso e do Buçaco, pelo IP3: as estradas são estreitas, íngremes e cheias de curvas e contracurvas. Numa curva da estrada, surge a aldeia, encastoada entre morros verdes e arborizados. Por estar tão encaixadinha, parece que é mínima, reduzida a uma rua que acompanha o ribeiro que corre no fundo do vale.

A má impressão tornou-se desagrado e mesmo choque dentro da aldeia: desde o década de 1950 que o Mosteiro de Lorvão foi adaptado para hospital psiquiátrico, alojando duas centenas de pacientes. Boa parte destes filhos de um deus menor deambula pela povoação, tentado interagir com os transeuntes e em particular com os turistas que vão passando. Mesmo tendo bem presentes os valores da solidariedade e do respeito pela diferença, este autêntico banho de doentes, não é das experiências mais agradáveis.
O que salva a visita é o Mosteiro em si mesmo: uma parte das suas antigas alas foi anexada ao hospital psiquiátrico; é visitável a Igreja, o antigo claustro dos monges e as sacristias.
A igreja é grande e surpreende o desalentado viajante: barroco pujante, com uma só nave mas coroada por um zimbório. Mármores a revestir as paredes e várias figuras nos altares, quase todas elas introduzidas nas reformas do edifício no século XVII e XVIII.
Ao fundo, separado da zona de acesso do público por gradeamento, o cadeiral de coro, referenciado como o maior de Portugal. É espantoso e rico, todo esculpido em jacarandá preto do Brasil e nogueira.

A fundação do Mosteiro de Lorvão poderá ter resultado da evolução da paróquia sueva de Lurbane, do século VI, o que fará dele dos mais antigos da Europa. Porém, o estatuto e a dimensão que tem serão do século XIII, altura em que para aqui vieram D. Teresa e D. Sancha, filhas de D. Sancho I e netas de D. Afonso Henriques. Desde esta época o mosteiro passou a acolher freiras beneditinas, naquela que foi a primeira comunidade da ordem de Cister em Portugal.
É monumento nacional e tem visitas guiadas. Simbolicamente, o bilhete para adultos custa 1 €.
Está aberto de terça a domingo, das 9:00 às 12:30 e das 14:00 às 18:30. Não há visitas aos domingos, às 11h30, por haver missa.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Estónia, o Báltico desconhecido

De entre os novos Estados da Europa de Leste, os bálticos salientam-se pela aproximação que já têm aos padrões de vida do resto da União Europeia. E não só.
A Estónia é um país pequeno, com cerca de metade do tamanho de Portugal e uma população de 1,3 milhões de habitantes, dos quais 400 mil na capital, Tallinn. Destes, 26 por cento são de origem russa e falam habitualmente russo. Esta circunstância é um desafio para um país que rejeita, embora sem hostilizar, a memória do passado soviético.
Os restantes, os estónios, dizem-se um dos povos mais antigos da Europa, embora somente tenham alcançado a independência política no século XX. São referidos sinais de que um povo desta etnia (da mesma dos húngaros e dos finlandeses, portanto não indo-europeus), já vivia aqui quando as pirâmides do Egipto foram construídas.
São gente muito ligada à sua terra e às suas tradições, mas que acolhe de braços abertos a modernidade. O país tem uma das mais altas taxas de penetração de Internet do mundo. Por outro, se o viajante não estiver atento aos ainda inúmeros sinais na arquitectura urbana, terá dificuldade em imaginar que a independência do ocupante soviético ocorreu há menos de duas décadas.

As três cores da bandeira nacional não foram escolhidas por acaso: o azul é do céu, onde fica o limite, o preto da terra mãe e o branco de neve da esperança. Esta bandeira pertenceu no passado a uma corporação de estudantes de Tartu, cidade que gosta de ser considerada o berço da nação.
Esta simbologia permanentemente evocada não será alheia ao choque de culturas que por aqui se foi dando.
Para rematar, diz-se até que na ilha de Saaremaa, na costa oeste, existe uma cratera com 110 metros de diâmetro (que será única na Europa) provocada pela queda do meteorito Kaali. Este meteorito, caído apenas há alguns milhares de anos, terá sido o último objecto celeste de grandes dimensões a cair na terra.

sábado, fevereiro 02, 2008

Cristo Redentor, Rio de Janeiro

É desde há muito o local mais emblemático da cidade e talvez mesmo do Brasil. É daqueles objectivos incontornáveis no percurso de qualquer viajante e também no dos turistas. Mais ainda desde que foi declarado pelo marketing uma das maravilhas do mundo moderno.

Enquanto monumento é muito simples: trata-se de uma colossal estátua pétrea de quase 40 metros de altura (a altura de um edifício de 13 andares). De resto, à sua volta há varandas em betão, sobre a cidade, onde se apinham sempre centenas de visitantes. É, aliás, a paisagem quem preenche a maior fatia da visita e assume o atractivo principal. Daqui, a mais de 700 metros de altitude, de costas voltadas para matas e rochedos impenetráveis do parque da Tijuca, vê-se a maior parte do Rio de Janeiro.
Lá do alto, há quem apele à mística tradicional da figura e para o seu significado protector e abençoador dos fiéis brasileiros. Mas não o conseguiu o viajante. Aquilo que lhe ocorreu foi que este Cristo Redentor, visível de todos os bairros desta metrópole é a única realidade comum a todos os mundos que sem se tocarem circulam lá em baixo, entre o luxo e a riqueza de Ipanema e as vidas miseráveis da Favela da Rocinha, ou entre a violência e a insegurança das rodovias e o doce amasso de Copacabana.


O projecto do monumento foi desenhado pelo engenheiro brasileiro Heitor da Silva Costa e a estátua foi concebida pelo escultor francês Paul Landowski, em estilo art déco. Foi inaugurado em 1931.
A visita não é das mais fáceis. Pode optar-se por subir no “bondinho”. Para este teleférico, esperem-se filas. Em dias de afluência podem demorar mais de uma hora. A alternativa é subir a encosta por estradas más, em táxis especialmente credenciados, mas nem por isso mais fiáveis. Custará mais caro (a preços de 2007, 40R$ por pessoa), mas a visita será muito mais rápida.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Sagres

Sagres é um local mítico para todos os portugueses. É também conhecido no mundo inteiro pelo seu papel de base operacional no arranque dos Descobrimentos Portugueses.
A Fortaleza de Sagres é monumento nacional. Foi construída no século XV e é gerida actualmente pelo IPPAR. Tem entrada paga e já esteve em estado de conservação melhor.

O conjunto monumental inclui uma pequena muralha que isola o promontório, a monumental rosa dos ventos, um centro de exposições e ainda a Igreja de Nossa Senhora da Graça, que se diz ter sido construída sobre os restos de um anterior templo, dedicado a Santa Maria, fundada pelo Infante Dom Henrique.
Na actualidade, a memória da mais dourada fase da história nacional já lá vai. Sopram agora outros ventos, que atraem surfistas e outros turistas de perfil descontraído, que dão à vila um ar pop, e um ambiente do tempo da televisão a preto e branco.