quarta-feira, julho 22, 2009

Capela Dourada, Recife, Brasil

No centro da cidade do Recife, no bairro de Santo António, coração do Recife Antigo, fica a Capela Dourada, para a qual todos os guias turísticos apontam. Por essa razão, foi lá o viajante um pouco contrariado, temendo estar a fazer visita para cumprir calendário. Além disso, quando chegou, o aspecto exterior não convidava a entrar. Por fora, o edifício onde está a capela tem o aspecto de mais um dos muitos mosteiros barrocos do Recife, até para mais modesto. O próprio Museu de Arte Sacra que lhe está anexo é modesto (é até modesto no preço do bilhete de entrada, que custou 2 reais – mais ou menos 0,70 €). Tem apesar disso várias peças interessantes, quase todas de origem portuguesa ou do período colonial português. Mas só estas peças não mereceram o desvio.Na saída, porém, estava o viajante orgulhoso da obra que aqui deixaram os compatriotas lusos de há três séculos.

Visitou o viajante a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, que integra o Convento Franciscano de Santo António (de cujo conjunto faz parte a Capela Dourada). Achou-a o viajante interessante, de barroco final, parcialmente revestida a azulejos. Mas a surpresa estava reservada para a capela lateral desta igreja: é toda ela revestida de madeira, em talha dourada, por ser folheada a ouro. Em nichos, há pinturas e retábulos. Nos altares, imagens de santos. No fundo, aquilo que mais impressionou foi o facto de todas as superfícies das paredes e do tecto, com excepção dos lugares onde estão pinturas religiosas, é dourado.
Só esta capela já valeu a visita à grande capital do Estado de Pernanbuco!

Esta capela pretendeu espelhar a grandeza e riqueza de Pernanbuco na época dos ricos comerciantes e dos abastados produtores de açúcar. Pretendeu ser opulenta como o era a cidade do Recife no século XVII, altura da construção da capela – os trabalhos de construção duraram quase trinta anos e terminaram em 1724.

É visitável o conjunto da igreja, da Capela Dourada e dos respectivos claustros, juntamente com o Museu Franciscano de Arte Sacra (de segunda a sexta, das 9 às 11 e das 15 às 17 – ao sábado somente de manhã). Na entrada é fornecido um pequeno guia.

terça-feira, julho 21, 2009

O McDonalds de Estrasburgo, França

Em poucas cidades tem o viajante sentido tanto cosmopolitismo como na cidade francesa de Estrasburgo, capital da Alsácia e sede do Conselho da Europa e do plenário do Parlamento Europeu. A cidade até é pequena e tem perfil provinciano. Não tem excesso de habitantes, multidões nas ruas ou engarrafamentos. Aliás, espanta a eficácia como fluem, nas artérias, no tram ou nos autocarros, as pessoas e, nas ruas e avenidas, os automóveis. Como se nada as impedisse de, tranquila e firmemente, seguir o seu destino.
Além disso, os seus bairros são provincianos: a Petite France revela tudo no seu nome, a Grand Ille, centro histórico, é um dédalo medieval de ruas estreitíssimas e caseiras; a zona germânica, dos grandes edifícios públicos, da Ópera e da Universidade, da Praça da República, parece uma pequena mas digna cidade alemã, com jardins bem cuidados e palacetes nobres. Em conjunto com o bairro europeu, a cidade deu origem a um cadinho de culturas, sem perder o seu espírito pacato e tranquilo, dando origem, no conjunto, a uma diversidade espantosa.

Estrasburgo, cidade pequena, de 300 mil habitantes, é várias cidades numa só cidade. É medieval, é corporativa, é germânica, é europeísta e é internacional. Tem esta riqueza e diversidade nela mesma. É esta a origem do seu cosmopolitismo.
O resto, são os sempre muitos turistas de todas as latitudes que visitam a catedral e a Petite France, os omnipresentes grupos de estudantes italianos ou espanhóis em viagem de fim de curso ou de estudo às instituições europeias que, à noite, animam as praças da zona medieval, os cinzentos e meditabundos funcionários públicos de todos os países que deambulam pelas ruas, após as horas das reuniões da burocracia eurocrata – o resto, apenas dá mais colorido à cidade.
Estrasburgo é assim uma rosa-dos-ventos, virada para todos os pontos cardeais, que aqui convergem, fazendo da cidade uma plataforma onde o leste da Europa encontra o Oeste e onde o Sul se cruza com o Norte.
Foi, talvez, por este contexto que Estrasburgo foi a cidade escolhida para instalar o primeiro McDonalds em terras europeias, no ano de 1979.

segunda-feira, julho 20, 2009

Praga, República Checa

(sem comentários)

domingo, julho 19, 2009

As estátuas de rua de Bratislava, Eslováquia

Não são muitos os turistas que deambulam por Bratislava. Ao contrário do que acontece com as suas irmãs Budapeste, Praga e Viena, a capital eslovaca fica fora das rotas mais habituais. Teve até o viajante dificuldade em encontrar um guia do país e da cidade (e acabou por não encontrar nenhum em português). Talvez seja assim porque não encontrará o visitante nesta pequena cidade a diversidade de Praga, a monumentalidade de Viena ou a magnificência de Budapeste. Os roteiros acabam todos por aconselhar, como visitas interessantes na cidade, pequenos nadas, que apenas no conjunto justificarão o desvio.
Restou a Bratislava procura chamar a atenção de visitas por outras vias. Uma delas foi a da instalação de anónimas estátuas na rua, à laia de mobiliário urbano. Já são algumas e conquistaram o estatuto de verdadeiras curiosidades nas páginas dos diversos guias.

Entre outros, conseguiu o viajante localizar, na zona antiga, o homem da canalização, talvez a mais famosa estátua de Bratislava. Representa um comum operário municipal, meio saído de um buraco dos esgotos urbanos. Não está exactamente a sair – antes parece estar, do seu buraco, a desfrutar das vistas e a ver quem passa. Fica, no coração da zona histórica, no cruzamento das ruas Panska e Sedlarska.
A muito pouca distância, na praça Hlavné, no meio do lajeado, há um banco de jardim. Não há ali nenhum jardim nem mais bancos. Este banco está isolado e foi aqui colocado de propósito para nele poder apoiar os seus braços um soldado francês, vestido como se fosse Napoleão. Sabe-se que Napoleão passou por Bratislava após a batalha de Austerlitz e que, na cidade, em 1805, assinou um tratado de paz com o imperador Francisco I da Áustria.
A um quarteirão de distância, no cruzamento das pedonais ruas Radnica e Laurinská, escondido pela na esquina, foi instalado um fotógrafo paparazzi , com a sua enorme teleobjectiva. Ao lado abriu um lounge bar, que usa o mesmo nome da estátua.

sexta-feira, julho 17, 2009

Ouzeria Brettos, Atenas

O ouzo é uma bebida pouco usual no ocidente da Europa, mas bem conhecida no Mediterrâneo oriental. Poderia dizer-se que o ouzo é mais popular entre os gregos que, nestas nossas paragens do ocidente, o cheirinho do bagaço após as refeições. Na Grécia e em Chipre é muito consumido, como aperitivo ou bebida ocasional. Bebe-se em todas as partes, a todas as horas do dia.
Procurou o viajante provar ouzo em Atenas. Teve dificuldade em encontrar estabelecimentos onde se bebesse primordialmente esta beberagem tradicional. Com a excepção, claro, desta ouzeria, que se reclama como a mais antiga destilaria da cidade, cumprindo este ano, 2009, um século.
Fica no bairro da Plaka, no coração histórico da Atenas tradicional. É um estabelecimento antigo, hoje em dia, sobretudo, destinado a turistas. Mas ainda assim, um registo diferente, numa zona onde predominam as lojas de souvenirs.
A Ouzeria Brettos fica na Rua Kydathineon, 41,Plaka, Atenas (
www.brettosplaka.com).

quinta-feira, julho 16, 2009

Naturlandia, Andorra

Trata-se de uma espécie de parque temático, com várias diversões que têm como tema comum a neve. À primeira vista, parece ser um plano B para férias na neve, para aqueles que, por acaso do destino, por vocação ou por dinheiro (ou falta dele), nunca puderam iniciar-se nos elitistas e caríssimos desportos de inverno.
O acesso é demorado e exige carro próprio. De Andorra-la-Vella, toma-se a estrada de Espanha, por cerca de 10 quilómetros, até Santa Júlia de Loria. Daqui, inicia-se uma subida de montanha de 17 quilómetros, inicialmente por estrada sinuosa, em zonas habitadas, depois por estrada de floresta de coníferas, lindíssima. Ao longe, avistam-se inúmeros picos nevados dos Pirineos, numa fantástica paisagem aberta, de vistas rasgadas.

O acesso à Naturlandia é livre e aberto. Pelo contrário, cada uma das actividades que pretenda fazer-se será paga. Podem praticar-se variadas modalidades de neve para principiantes, desde as descidas de trenó para crianças (como as que se vêm nos noticiários quando ao fim-de-semana neva na Serra da Estrela) até ao esqui de fundo, ou às caminhadas nórdicas, com raquetes e bastões. O Campo de Neve tem 15 quilómetros de pistas de neve (sobretudo de esqui de fundo). É possível alugar equipamento completo para todas as actividades (por exemplo, botas para esquiar, esquis e bastões custam 15 euros – depois, o acesso às pistas, para esquiar por um dia, custa 12 € - para crianças, 7,5 €).

O Tobotronc é uma das principais atracções da Naturlandia. É uma espécie de montanha russa que atravessa um bosque de pinheiros, em forte descida (entre os 2050 e os 1550 metros de altitude), por um percurso que no inverno está sempre nevado. Anuncia-se como o tobogan de natureza mais comprido do mundo, com um percurso total de 5300 metros. A subida, tal como a de uma montanha russa, é mais lenta (ao longo de 1,7 quilómetros e 11 minutos) e a descida (de 3,6 quilómetros) depende da velocidade que o condutor do tobogan pretenda imprimir ao veículo. A experiência é inesquecível. Uma viagem completa custa 9 € (5,5 para crianças de 5 a 11 anos – menos que isso, não podem ir).

quarta-feira, julho 15, 2009

Bar Obama, Barcelona

Não se cansa o viajante de pensar e dizer que, passando por Barcelona, encontra sempre motivo de surpresa ou admiração. Sem a movida de Madrid, nem o cosmopolitismo de Londres, nem o glamour de Paris, Barcelona tem o calor mediterrânico, a riqueza multicultural de uma cidade em que metade dos habitantes são forasteiros e a patine própria da grande capital da arquitectura.
Pelo caminho, ficam desafios. Como este, com que se topou o viajante na Avinguda de las Corts Catalanas, próximo da Plaça de Catalunya. Será apenas oportunismo político ou a ideia é mais sofisticada e cavalga a onda do marketing moderno?

O local é um banal bar retro, que no seu interior reproduz um suposto ambiente colonial. Pretende apelar ao mercado de turistas anglo-saxónicos que chegam a Barcelona: decor africanista, de pendor inglesado. O próprio perfil é o de um pub inglês, onde se bebe mais do que se come, embora disponha de refeições ligeiras.
Fica a nota e referência web (
www.obamabcn.com).

terça-feira, julho 14, 2009