sexta-feira, março 17, 2006

Estufa Fria, Lisboa

Há sítios na grande cidade onde nos sentimos exploradores de mundos desconhecidos. Ficamos com a impressão de que somos os primeiros a passar num local e de que fomos nós os descobridores do pormenor das folhas de uma planta exótica. E, não obstante, estamos no meio de Lisboa, num sítio de entrada controlada Os passeios são de gravilha cuidada e as plantas são cuidadosamente regadas e adubadas, para que não mirrem.
É um espaço único na capital, onde as crianças se sentem Indiana Jones e os adultos exultam, pela capacidade municipal de manter um espaço tão valioso.

A Estufa Fria fica nas franjas laterais do Parque Eduardo VII, no lado ocidental e tem fácil estacionamento. A entrada custa 1,5€ para adultos e é gratuita para crianças até aos 12 anos. O espaço está aberto das 9 às 17 horas (18 horas, no verão).

Trás-os-Montes no Inverno

No Inverno, em Trás-os-Montes, o tempo força o ritmo do calendário. Está mau tempo e por isso não se pode sair de casa. Chove, por vezes, mas o que marca mais os dias é o frio cortante, que deixa o nariz a pingar e faz deixar de sentir as orelhas. No campo, não se vive, sobrevive-se. Procura-se aguentar o menos mal possível o inverno, esperando que as primeiras andorinhas cheguem depressa.


De manhã cedo e ao entardecer a humidade transforma-se em neblina e nas zonas mais baixas, ou ao longo dos rios, formam-se densos mantos de nevoeiro, que transplantam os lugares e as pessoas para um opaco limbo sereno, onde as preocupações de cada momento terminam um palmo à frente do nariz.


segunda-feira, março 06, 2006

Panteão Nacional – Igreja de Santa Engrácia, Lisboa


A magnífica igreja (para Reynaldo dos Santos o grande monumento barroco de Lisboa) que actualmente existe é a terceira que foi construída no mesmo local, depois das duas anteriores ruírem.
A primeira pedra deste enorme templo foi lançada em 1682, impulsionada por uma irmandade de fidalgos, dos melhores do reino (a Irmandade dos Escravos do Santíssimo Sacramento) que nunca teve rendimentos próprios e por isso atravessou sérias dificuldades para ir desenvolvendo a obra. Trinta anos depois do início, morreu o arquitecto autor do projecto (um tal João Antunes) e a abóbada ainda não estava fechada, tendo as obras parado. Mais de 150 anos depois, quando as ordens e confrarias religiosas foram extintas, em 1834, a igreja ainda não estava acabada e veio a servir de depósito de material militar.


Apesar disso, a igreja veio a ser declarada Monumento Nacional, em 1910. Já na República foi decido convertê-la em Panteão Nacional. Veio a ser inaugurada, como tal, em 1966. É bem adequada a expressão vulgar “obras de santa Engrácia”, aplicável a qualquer processo desmesuradamente demorado.

À parte isso, a visita do Panteão é emocionante, pela grandiosidade e magnificência do edifício. A meio do dia, quando o sol começa a descer e atravessa as entradas de luz da fachada, a cor do interior explode em variações muito harmoniosas. Vale então a pena subir ao coro alto, para ver o conjunto. E vale também a pena continuar a subida, até ao zimbório, e daqui sair para o terraço exterior, de onde a dimensão do edifício se projecta na paisagem de Lisboa.
A entrada custa 2€, mas é gratuita para crianças. É também gratuita para todos aos domingos e feriados, durante a manhã.

Parlamento Autonómico Andaluz, Sevilla

É um óptimo exemplo de recuperação e “reciclagem” de um edifício antigo: era uma igreja abandonada, no imenso pátio de um antigo hospício barroco sevilhano, da época da prata americana. O edifício do hospital, que tinha outros nove pátios, alberga serviços da Região Autónoma da Andaluzia. O amplo espaço do templo serve de hemiciclo ao parlamento autonómico.

A igreja está hoje dessacralizada. Já não tem culto nem nada que se pareça. Mas o lindíssimo altar de madeira policromada continua lá, com representações de figuras evocativas dos evangelhos. É engraçado o pormenor de ter um enorme telão na base, que sobe quando há sessões do órgão representativo do povo. A ideia é cobrir, de forma a ocultar o altar e as suas figuras enquanto decorre a sessão. Em nome da laicidade do Estado e coisas dessas.
Recorde-se que neste órgão colectivo, o Partido Socialista Operário Espanhol ocupa 61 dos 109 lugares…

domingo, março 05, 2006

Gamla Stan, Estocolmo

A Gamla Stan, ou cidade velha de Estocolmo, está construída sobre uma ilha, separada de outras ilhas próximas por canais e braços de mar. É a zona mais antiga e castiça da cidade, com ruelas estreitas e velhos palacetes, revelando ser esta a alma de uma velha capital do mundo. O edifício que mais sobressai na ilha é o do Palácio Real (ou Kungliga Slottet), do qual se diz ter 600 salas. A família real sueca já não vive aqui, mas no pátio ainda se faz um cerimonial de render da guarda.
Além disso, a visita ao bairro, sem trânsito automóvel, com excepção para os moradores, é agradável. Aqui se encontram lojas de artesanato e antiguidades. E também muitos restaurantes com bom ambiente, onde se pode pagar em coroas suecas ou euros.

Museu Guggenheim, Bilbao

Conhecido projecto de Frank Gerry, a escultura vagamente em forma de peixe do edifício deste museu correu o mundo, como símbolo da arquitectura moderna e globalizada. É também o símbolo duma reconversão urbana, que transformou uma velha cidade estrangulada por um degradado e envelhecido passado marinheiro, numa metrópole da Europa.
Construído em vidro e aço, o edifício foi inaugurado em 1997. Marca-o o brilho das 30 mil placas de titânio que o revestem, simulando escamas de peixe.


Na praça da entrada a atracção mais chamativa é o Puppy, uma escultura viva, de plantas e flores em forma de cão, que foi criado como manifestação temporária e acabou por ficar.
O exterior do edifício é livremente visitável. A entrada, que é paga, é muito concorrida, sobretudo em alturas de férias e pode supor esperar uma hora na fila.


sábado, março 04, 2006

Sweethaven Village (a aldeia do Popeye), Malta.


O que parece acaba por ser mais importante do que é. Esta é uma aldeia artificial, sem habitantes nem vida, construída em Anchor Bay, Mellieka, Malta. Foi feita de propósito, em 1980, para ser o local de rodagem do filme “Popeye”, um lamentável musical cujo personagem principal era o nosso bem amado marinheiro que comia espinafres da lata.
Todos os materiais, supostamente dos mares do norte, vieram do estrangeiro.
Do filme ficou o local das filmagens, uma curiosidade para turistas. Tem uma loja de souvenirs, uma sala de cinema e um bar.
Pode visitar-se das 9 horas às 17 (no verão – Abril a Setembro -, fecha às 19 horas).

sexta-feira, março 03, 2006

Museu Naciona de Arte Antiga de Lisboa


A visita é imprescindível. É um dos grandes museus da Europa.
Não vale a pena referir a Custódia de Belém, do mestre Gil Vicente, ou as Tentações de Santo Antão, de Jerónimo Bosch, ou ainda os Painéis de São Vicente, de Nuno Gonçalves, seguramente aquele que é o mais conhecido ícone do museu. Há muitas outras peças que impressionarão, nas áreas da pintura e da escultura portuguesas e europeias, da ourivesaria, do mobiliário e artes decorativas ou da cerâmica. Para quem goste, é também impressionante o sector de arte oriental.
A visita parece integrada na história de um livro do Tintim e deixa claro que Portugal é um dos grandes da Europa.
O Museu Nacional de Arte Antiga fica na Rua das Janelas Verdes, em Lisboa, frente ao Tejo (telefone 213.912.800 e www.ipmuseus.pt). Sendo um museu público, é visitável de terça a domingo, das 10 às 18 horas. Aos domingos e feriados de manhã (até às 14 horas) a visita é gratuita.

Bairro de Plaka, Atenas

Nas sua ruelas estreitas e (supostamente) sem automóveis, há sempre muita gente, sobretudo turistas. Talvez porque haja muitas lojas de souvenirs, sempre abertas, independentemente do dia semana que seja. Ou então porque por aqui há muitas tabernas, alternadas com pizzarias e restaurantes de comida rápida.
A rua Adrianon é a espinha dorsal deste bairro, transição da Atenas moderna para as zonas de inspiração oriental, muito confusas e desordenadas (sujas mesmo), de Monastiraki e Thissio. É uma espécie de placa giratória entre o mundo ocidental e a tradição mediterrânica oriental. Quem não conheça Atenas não preveria um bairro deste tipo, mesmo no sopé da Acrópole. E por isso uma passagem por lá é imprescindível, para captar a essência dos modernos gregos.

quarta-feira, março 01, 2006

Em busca das estátuas perdidas


De entre os enigmas mais interessantes da história arqueológica do Alto Tâmega, em Trás-os-Montes, sobressai o da explicação do aparecimento das chamadas estátuas castrejas do Lesenho, lugar do concelho de Boticas, distrito de Vila Real. Há quem lhes chame "guerreiros lusitanos", "guerreiros celtas" ou "estátuas galaicas".
Embora poucos arqueólogos as tenham estudado, sobre elas paira uma certa bruma de desconhecimento.
As estátuas encontradas no Lesenho são quatro. Este conjunto é significativo, sobretudo sabendo que em todo o noroeste peninsular, no âmbito das investigações sobre a civilização castreja, apenas se descobriram e são conhecidas 32 destas estátuas. As quatro do Lesenho pertencem ao espólio do Museu Nacional de Arqueologia e Etnologia, actualmente instalado no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa. Uma delas, divide ao meio a porta de entrada daquele museu. Outra, ilustra a sua colecção permanente de joalharia pré-romana. As duas últimas - as acéfalas -, estão encaixotadas na arrecadação do museu.
O texto continua aqui.