terça-feira, agosto 14, 2007

Cervejaria Augustiner, Salzburgo

Na Alemanha, e em particular na Baviera, as cervejarias são verdadeiras instituições. Um pouco a sul, na Áustria, a dimensão não é mesma, mas aproxima-se. Em Salzburgo, é incontornável a visita à Cervejaria Augustiner, ou Augustiner Bräustübl. Fica nas instalações de um antigo convento de frades agostinhos, do qual adoptou o nome.
Tem diversas salas, todas elas enormes e abobadadas, com grandes aberturas vidradas para o exterior. Durante o dia, entram jorros de luz e ao fundo vêm-se os Alpes. À noite, o ambiente aquece, pelo efeito da luz morna que dá cor aos antigos salões e, por vezes, pelo calor da música ao vivo, bávara ou tirolesa. A entrada é livre e gratuita e o consumo é personalizado, num regime pouco habitual: há vários locais para comprar comida e um balcão para comprar cerveja; compra-se e leva-se para onde houver lugar, num esquema de self-service. Há apenas que ter em atenção um detalhe importante. A cerveja é de produção local e vende-se à caneca. Durante cada dia são abertos vários novos barris de cerveja. Quando acaba o último dos barris previstos para abertura, não há nada a fazer: apenas será aberto um barril novo na tarde do dia seguinte, para que a cerveja sobrante não perca a força durante a noite.

A Augustiner Bräustübl fica no centro de Salzburgo, na zona ocidental da cidade, próxima da margem esquerda do rio Salzach. Está aberta das 15 às 23 horas (aos sábados, domingos e feriados abre às 14.30). Mas, recorde-se, quando mais se aproxima a hora de fecho, mais provável é que o barril de cerveja esteja para terminar, pelo que convém tomar providências com antecedência.

domingo, agosto 12, 2007

Salinas de Rio Maior

Rio Maior é uma cidade incaracterística, sem notas que chamem em especial a atenção. Se o viajante tiver mais que 40 anos e tiver vivido os tempos agitados de 1975, encontrará na memória um corte de estrada, dinamizado por agricultores da reacção, que dividiram o país em dois, apoiados naquela que ficou desde então conhecida como moca de rio maior.

Neste contexto, não estranha que a cidade invoque as salinas como um dos seus símbolos municipais. Este fenómeno muito pouco corrente em Portugal tem exploração muito antiga, dizendo-se que remonta ao século XII.
Trata-se de uma zona baixa, no fundo de um vale calcário, onde existe um rico filão de sal gema, irrigado por um curso de água, que desemboca num poço. A água que aqui se reúne tem uma densidade de sal que se calcula ser sete vezes superior à da água do mar. Depois, é só retirar a água do poço e despejá-la em salinas, como as da beira-mar, esperando que o sol do verão faça evaporar o líquido, deixando cloreto de sódio.
Além da curiosidade da existência de salinas longe do mar, chama também a atenção o aglomerado de casas que as envolvem, destinadas a armazenar o sal recolhido (que ronda as 1000 toneladas por ano), todas elas num estilo muito rústico, completamente construídas em madeira, para evitar a corrosão salina.

As salinas ficam localizadas um quilómetro a norte de Rio Maior, na direcção das serras de Aire e Candeeiros. Têm acesso fácil e podem percorrer-se livremente. Na aldeia das salinas há vários locais onde se pode petiscar, por preços módicos.

sábado, agosto 11, 2007

Monumentos Megalíticos de Alcalar, Portimão

Portugal é rico em vestígios megalíticos, sobretudo no Norte. São conhecidas várias antas e outro tipo de túmulos. No Algarve, não está identificado nenhum outro vestígio deste tipo para além dos de Alcalar.
Este conjunto de vestígios funerário é muito vasto, mas apenas está disponível para visita, em recinto gerido pelo IPPAR, o conjunto dos chamados túmulos nº 7 e nº 9. O recinto, aberto em 2000, é de visita agradável, ocupado por vegetação mediterrânica. O espólio encontrado no local está espalhado por vários museus, em Lisboa, Figueira da Foz, Lagos e Portimão.
Trata-se de dois conjuntos funerários, do período calcolítico (3000 a 2500 a.C.). Num deles, decorrem presentemente escavações.
O outro está completamente reconstruído: é um conjunto religioso e tumular, com uma grande aglomeração de pedras a cobri-lo e protegê-lo. No centro tem uma pequeníssima câmara, completamente restaurada, de topo aberto, a qual seria de acesso reservado a druidas. Nela se procederia a sacrifícios e, sobretudo, talvez, à incineração de mortos de estratos socialmente superiores. Acede-se ao interior desta câmara por um corredor apto para Indiana Jones, muito baixo e estreito, onde um adulto tem dificuldade em passar. Fica orientado para o sol nascente.

Os túmulos são monumento nacional desde 23 de Junho de 1910.
Ficam localizados cerca de 4 quilómetros a norte da Mexilhoeira Grande, entre Portimão e Lagos. O acesso faz-se pela antiga EN125, da qual se desvia para norte, por alturas do hotel e do campo de golfe da Penina.
A entrada custa 2 €, mas há descontos para jovens, reformados e famílias – é gratuita aos domingos de manhã. O horário é o normal para os monumentos nacionais. O conjunto está aberto todos os dias, das 10 horas às 16:30 (no verão, até às 18:30). Fecha, como habitual, às segundas-feiras e feriados.

sexta-feira, agosto 10, 2007

A nostalgia romântica de Biarritz

Em meados do século XIX Biarritz era uma modesta aldeia de pescadores, na costa atlântica da Aquitânia, muito próxima da fronteira espanhola. Foi então descoberta por intelectuais parisienses (os guias turísticos locais referem habitualmente Victor Hugo). Mais tarde, quando veranear no mar passou a ser moda, esta praia de águas calmas e quentes (para os parâmetros daquela zona da Europa), tornou-se sinónimo das férias de verão: hotéis requintados, um casino, um passeio marítimo e muito glamour.
A mobilidade e a grande facilidade de viajar para paragens mais distantes fizeram de Biarritz uma velha senhora, nobre e empobrecida mas orgulhosa dos seus edifícios e do seu passado. Efectivamente, tem razões de orgulho no seu passeio marítimo, no Hotel du Palais, no palacete Miramar, no Port-Vieux e nos rochedos que o delimitam.
Conta-se por aqui que na Plage des Basques, em plena zona urbana, foi pela primeira vez utilizada uma prancha de surf em águas europeias.


Em Biarritz é muito fácil circular, quer a pé, quer de automóvel e é fácil estacionar nos vários parques subterrâneos do centro. Há muitos hotéis (além, claro, do caríssimo e exclusivo Hotel du Palais, da rede Relais et Chateaux) e inúmeros cafés e restaurantes.

quinta-feira, agosto 09, 2007

Calçada do Gigante, Irlanda do Norte

É difícil de acreditar que uma obra deste tipo não tenha sido feita por mão humana. São estes os sítios que nos obrigam a concluir que a capacidade criadora da natureza supera toda a imaginação. Na versão lendária, o mítico gigante Finn MacCumhaill, habitante da costa do condado de Antrim, querendo atravessar o estreito que separa a Irlanda da Escócia, para se encontrar com a sua amada, teve que construir uma calçada através do mar. De facto, a Calçada do Gigante abre-se da falésia para o mar, no qual entra por uma ou duas centenas de metros.
Segundo a geologia, há 60 milhões de anos, uma explosão submarina, porventura vulcânica, expeliu para a superfície da crosta terrestre uma grande massa de basalto que, pela elevada temperatura, estava líquido. Ao chocar com a água fresca do mar da Irlanda, o basalto arrefeceu lentamente, solidificando-se. Este processo levou à sua contracção e, consequentemente, à abertura de imensas fracturas na mole mineral. Ao contrário do que acontece com a terra em zonas desérticas, que quando seca abre fissuras desordenadas, o basalto arrefece e contrai-se, solidificando, dando origem a formas hexagonais que se prolongam para a profundidade em prismas. Desta forma, na vertical dá origem a colunas.
A Calçada do Gigante reúne cerca de 37 mil colunas hexagonais, de basalto escuro, oxidadas por efeito da água do mar. O local é património da Humanidade desde 1987.

A zona está vedada e o acesso apenas pode ser feito por uma única entrada. Está aberta todos os dias, das 10 às 17 horas (no Inverno fecha meia hora mais cedo). O espaço é gerido pelo National Trust e a entrada é paga. Do parque de estacionamento há que percorrer 800 metros para encontrar, junto da praia, a calçada. O passeio é fácil e muito bonito. Em alternativa, há serviço de mini autocarros, para idosos e deficientes. Apesar de o local ser visitado todos os anos por meio milhão de turistas, não se sente o peso da multidão, pela extensão do sítio.
A Calçada do Gigante fica a duas horas, de carro, a norte de Belfast, na Irlanda do Norte. Chega-se, passando por Coleraine e Portrush, na direcção de Bushmills (sim, a localidade da mais antiga destilaria de whisky do mundo, que é também a povoação mais próxima, a dois quilómetros).

quarta-feira, agosto 08, 2007

O novo Reichtag, Berlim

O Reichtag de Berlim, edifício do parlamento, nasceu associado ao poder imperial alemão. O edifício pretendeu chamar para a cidade a efectiva capitalidade do império, proclamado em 1871. O original edifício do Reichstag, na Platz der Republik, foi construído no fim do século XIX, em estilo renascentista italiano. Serviu de sede ao parlamento da República de Weimar e foi praticamente destruindo num incêndio, sabidamente provocado pelo nazis em 1933. O seu interior ficou muito danificado. Posteriormente, as suas ruínas ainda sofreram danos adicionais danificado durante a Segunda Guerra Mundial.

Este passado atribulado tornou-o num dos emblemas da nova Alemanha reunificada, resultante da queda do Muro de Berlim, em1989. Foi escolhido para alojar o novo parlamento federal, nesta cidade que voltou a ser capital nacional em 1990.
Mas o edifício só ganhou nova forma e vida após 1994. Foi reconstruído de acordo com um projecto de intervenção do britânico Sir Norman Foster. Veio a reabrir em 1999, como sede do novo parlamento federal alemão. A nova cúpula de vidro, moderno ícone do edifício, aberta para o vazio celeste, é visitável, mas em alturas de férias, sobretudo no verão, há uma grande afluência e filas imensas.

terça-feira, agosto 07, 2007

Casa Dali, Port Lligat, Espanha

Num lugar de difícil acesso da província de Girona, Espanha, fica a Cala de Port Lligat. É uma típica baía de águas calmas da Costa Brava. Tornou-se conhecida a partir de 1930, altura em que Salvador Dali e a sua mulher Gala começaram a comprar antigas casas de pescadores, para ali se instalarem.
Gradualmente, foram comprando várias pequenas casas, mesmo junto ao mar, que vieram a formar um complexo labiríntico de velhos edifícios que Dali e Gala foram decorando, ao longo de mais de quarenta anos, sobretudo com objectos criados pelo próprio pintor. Salvador Dali e Gala viveram aqui até que esta última morreu, em 1982.Actualmente o local abriu como museu, a cargo Fundação Gala-Salvador Dali, sendo possível visitar o estúdio do pintor, a biblioteca, os quartos e o jardim. A visita é cronometrada e por isso o fluxo de visitantes é pequeno. Por isso, no verão é imprescindível reservar previamente a visita (em regra, quem chega à bilheteira não consegue marcar a entrada senão para dois ou três dias depois…).

A entrada custa 8 €. O local está aberto de 15 de Março a 14 de Junho e de 16 de Setembro a 6 de Janeiro, das 10:30 às 18 horas. De 15 de Junho a 15 de Setembro, abre das 10:30 às 21 horas.

segunda-feira, agosto 06, 2007

Parador de Bielsa, Pirineus.

O sítio é fantástico: está no meio dos Pirinéus, rodeado por um circo montanhoso, de picos de três mil e mais metros. Por outro lado, os paradores, não oferecem dúvidas: são dos mais confortáveis e requintados locais onde se pode ficar em Espanha.
Este, será uma excelente base para expedições de montanha. Mas também pode ser apenas uma paragem num qualquer percurso rodoviário por estas paragens dos Pirinéus espanhóis. Tem uma óptima esplanada para refeições ligeiras no verão e várias salas, revestidas a madeira que serão muito confortáveis no Inverno.

Este parador fica na zona de Bielsa e aparece nos guias como Parador de Ordesa (é contactável no Valle de Pineta, 22350 Huesca - telefone 974.501.011)