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A mostrar mensagens de 2013

Castelo de Noudar, Barrancos, Portugal

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  Já há poucos paraísos destes em Portugal. Noudar é daqueles sítios onde o viajante sentiu estar num lugar distante, sem stress nem poluição, onde ainda é possível gozar de alguma quietude, na serenidade campestre. O castelo fica longe e o acesso é difícil. A distância têm-no preservado das hordas de turistas e outros visitantes domingueiros que vão invadindo os highlights do Alentejo, como que colecionando cromos. Barrancos, em si mesmo, é já um enclave, encaixado dentro da linha de fronteira com Espanha. Aliás, os seus ícones locais são meio-andaluzes: touradas de morte e produtos derivados do porco preto. É também o município com menos população em Portugal (apenas 1800 habitantes), se não se considerar o município do Corvo, nos Açores (que tem somente 430 habitantes). Chegar ao castelo de Noudar, a partir de Barrancos, ainda supõe percorrer cerca de mais 10 quilómetros de estrada rural, nem sempre pavimentada, atravessando montados de azinheiras e um que outro sobrei...

Da Casa Branca a Cuba, de comboio

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  Calhou ao viajante ter que ir, num destes tórridos dias de Julho, a Beja. Na previsão do tempo, viu estarem anunciados 38 graus, mas depois os termómetros acabaram por atingir 41. Coisa normal para o verão em Beja. Mas não é este o tema desta crónica. É que decidiu o viajante ir de comboio, que os tempos estão de crise e os combustíveis e portagens a preços incomportáveis. E teve boas e más surpresas: boas, porque os comboios funcionam bem, a horas (apesar de haver poucos), sem congestionamento. Más, porque esses mesmos comboios são pouco amigáveis e dão pouca atenção a quem os usa. Comboios sem bar ou, sequer, uma mísera máquina para comprar água. Estações desertas e sem serviço algum. Ficou o viajante com a memória na estação da Casa Branca, onde é necessário fazer o transbordo, deixando o confortável Intercidades de Évora para passar ao regional de Beja. Deserta, tórrida (e há-se ser gélida no inverno). Nem uma sombra, nem um bar onde beber algo fresco.   E ta...

Monsaraz, Alentejo

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Será o responsável por esta placa, porventura, admirador de automóveis? Na dúvida, não avançou o viajante, porque a sua viatura, nem de perto nem de longe, se pode apelidar de “bela máquina”.

Lisboa, 23 de Junho de 2013

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  Os jornais falavam de um interessante fenómeno astronómico, que apenas voltará a ocorrer dentro de 18 anos. Como o sabes, leitor, continua o viajante a emocionar-se com estes pequenos nadas; por isso, passou boa tarde do serão a viajar até à lua, sem sair da sua varanda citadina. Mas valeu a pena: a lua nasceu enorme e brilhante, como nos filmes de vampiros. Primeiro, apareceu baça, rechonchuda e alaranjada como um gigantesco queijo holandês; depois, tornou-se prateada e luminosa, subindo no céu e espalhando um intenso jorro de luz.   O fenómeno é simples de explicar: por um lado, foi noite de lua cheia no dia do calendário a que corresponde menor período noturno. Ou dito de outra forma, a lua cheia ocorreu na noite mais curta do ano. Mas isso não é tudo nem o principal. É que a Lua descreve, em volta da Terra, uma rota elíptica, afastando-se e aproximando-se no nosso planeta. E esta lua cheia de 23 de Junho ocorreu num momento em que a Lua, por efeito da sua rota, atin...

Klingenthal, Alsácia, França

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  A primeira impressão revelou uma pequena e pacata aldeia, na beira de uma estrada secundária, a caminho da montanha. Congratulou-se o viajante por ter trazido, para este recanto dos Vosges, a meia hora de Estrasburgo, com que se entreter. Alguma leitura depois, percebeu o viajante ter encontrado mais um daqueles sítios que foram importantíssimos num certo período histórico, mas já não o são, porque a razão específica daquele protagonismo deixou de existir. Klingenthal é hoje em dia uma terreola pequena, de talvez uma ou duas centenas de habitantes. Apenas um ou dois dos seus edifícios se destacam, apesar de o conjunto da terra ter o charme habitual dos pequenos povoados franceses: entorno de arvoredo frondoso, ruas muito bem pavimentadas e arranjadas, casas antigas, mas em regra cuidadas. E vasos de flores por todo o lado. Olhando o viajante com mais cuidado, conseguiu descobrir as memórias do tempo em que neste lugarejo existia uma enorme indústria de produção de armas bra...

Braga, Portugal

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Tem o viajante alguma dificuldade em sentir empatia com Braga. A cidade é bonita e a sua gente simpática e acolhedora. A riqueza monumental impressiona. Mas falta-lhe um num sei quê para a tornar atraente. Parece faltar um pouco de charme à sua malha urbana – talvez algo que desse mais harmonia ao enorme conjunto, um pouco desconexo, dos monumentos do centro urbano. A verdade é que alguns destes monumentais edifícios, sobretudo os religiosos, são deslumbrantes, mas o contexto nem sempre afina pela mesma nota. Quanto à sua gente, é muito calorosa e acolhedora. Revela logo, ao primeiro contacto, uma extroversão descomplexadamente provinciana. Os bracarenses circulam pela sua cidade descontraídos e descuidados; ou então, atarefados, a trabalhar ou a comprar coisas nas lojas tradicionais da Rua do Souto. Ao contrário do que dizia o chavão do Estado Novo, a Braga moderna já não reza, enquanto Coimbra estuda e Lisboa manda. Tal como o Porto, a Braga do século XXI trabalha. E foi o trab...