terça-feira, setembro 25, 2007

Itapuã, Bahia, Brasil

O viajante chegou a Itapuã ao anoitecer e foi embora de manhãzinha cedo. Não teve por isso oportunidade de passar uma tarde em Itapuã, ao sol que arde em Itapuã, ouvindo o mar de Itapuã, falar de amor em Itapuã, como na velha canção de Vinicius, cantada por Toquinho e Djaban. Sentiu o arrepio do vento que a noite traz e o diz-que-diz-que macio que brota dos coqueirais, a banhar um mar que não tem tamanho e um arco-íris no ar.

O tempo estava incerto, a chamar o pau, a pedra, e o fim do caminho, um pouco sozinho. Com a inspiração de Tom Jobim, eram as águas de Março fechando o verão. Eram as promessas de vida no teu coração.

Itapuã fica uma dezana de quilómetros a norte de Salvador, no Estado da Bahia, na direcção do Aeroporto Internacional. A partir do centro da cidade, de taxi, é fácil chegar. A oferta hoteleira não é muito abundante, mas pode socorrer-se sempre o viajante da oferta de Salvador, rica e variada.

domingo, setembro 23, 2007

Vale de Chamonix, Alpes Franceses

É um clássico vale glaciário, em forma de U, como muitos outros desta região da Savoy, a que os portugueses se habituaram a chamar Sabóia. A paisagem do vale é feita de montanhas altas, de cenário espectacular. Há glaciares, alguns com vários quilómetros de comprimento. No horizonte, picos gelados e agulhas escarpadas, rodeando o Monte Branco, o mais alto do vale, a 3800 acima dele. No inverno esquia-se, no verão há imensas actividades de ar livre. Sobretudo caminhadas pelos vários trilhos marcados. Durante todo o ano funcionam as subidas mecânicas para os picos das montanhas vizinhas.

No lado oriental do vale há um conjunto alinhado de agulhas e glaciares que culminam a 4808 metros de altitude, no Monte Branco. Do lado ocidental o vale é delimitado por um maciço rochoso, menos nevado que o outro e mais apto a caminhadas de tempo quente. É a cadeia das Aiguilles Rouges, actualmente reserva natural, cujo pico mais alto é o Le Brevént, com 2525 metros de altitude. Este é um dos melhores miradouros do vale, com panorama para o Monte Branco a leste e ainda melhores vistas para oeste e para sul.
O vale de Chamonix é um dos mais emblemáticos dos Alpes franceses. Fica próximo da fronteira da Suíça e tem como melhor acesso o aeroporto de Genebra.


sábado, setembro 22, 2007

Teatro Alla Scala, Milão

O nome é bem conhecido dos que seguem os grandes recitais. O Teatro alla Scala, conhecido tradicionalmente em português como o Scala de Milão, é um templo internacional da música clássica. É talvez, o grande herdeiro da tradição lírica italiana. Foi construído no século XVIII e fica na Piazza della Scala, a dois passos do Duomo, a elegantíssima catedral da capital italiana da moda. Separa os dois edifícios a Galleria Vittorio Emanuele II, o mais antigo centro comercial do mundo.

Ao viajante não causou tanta emoção ver a linha austera de teatro clássico como vem impressionando, desde há muitos anos, o peso do nome e da história do local. Como registo de viagem, fica a nota, evocando, in memoriam, Luciano Pavarotti (1935-2007), o tenor que quis um dia ser guarda-redes numa equipa de futebol, falecido em Modena, que era também a sua cidade natal, a 6 de Setembro.

sexta-feira, setembro 21, 2007

La Défense, Paris

A capital de França tem em vigor rigorosos regulamentos de protecção da sua tradicional malha urbana. Por isso, procurou expandir-se e dar liberdade à criatividade urbanística em zonas periféricas. Ou então em zonas degradadas, a precisar de renovação. Esta circunstância potenciou o desenvolvimento de núcleos localizados de edifícios e conjuntos modernos, que se destacam do contexto envolvente. É o caso de La Défense, a noroeste da cidade, no alinhamento da Avenue Foch e do Arco do Triunfo.

É um conjunto de grandes edifícios, de arquitectura moderna, organizados em volta de uma esplanada central. Fecha esta esplanada o grande arco de La Defense, que está alinhado com o Louvre e o Arco do Triunfo. É um gigantesco cubo oco, em cujas paredes laterais há escritórios, onde funcionam serviços públicos. No topo, há um miradouro visitável, que tem acesso por um fantástico elevador de vidro.
A zona tem serviço de metropolitano (estação “Grand Arche”).

quinta-feira, setembro 20, 2007

Lisboa, 20 de Setembro de 2007, 22h30m

Como se dizia nas crónicas jornalísticas do século XIX, abateu-se sobre a cidade uma violenta tempestade de raios e relâmpagos, seguidos de trovões e varridos por pesadas bátegas de água puxada a vento. A trovoada durou uma hora.

Já alguém se lembrou de aproveitar a energia descarregada pelos raios?




segunda-feira, setembro 17, 2007

Catedral de Sevilha

A Catedral de Sevilla é uma genial e deliberada raridade, dizia Camilo José Cela (em "Vagabundo ao Serviço de Espanha"). Os clérigos que decidiram levantar a catedral sonharam passar por loucos perante as gerações vindouras. Conclui por isso que descrever a catedral de Sevilha, perante a qual a Notre Dame de Paris é quase ridícula e sem importância, é um infantil intento.
Assumido isso, o viajante sempre dirá que a catedral é um dos inevitáveis pontos de visita para quem vai a Sevilha. É um edifício enorme, gigantesco, mesmo, como aliás o pretendiam os seus construtores. Na sua origem esteve uma decisão declarada: construir uma igreja tão deslumbrante que nenhuma outra se lhe comparasse. Estava-se no início do século XV e Sevilha apenas tinha velhas igrejas arruinadas, depois de vários séculos de cultura muçulmana. A verdade é que o resultado foi – e ainda é – a maior igreja gótica do mundo e o terceiro maior templo da cristandade (logo a seguir à Catedral de São Pedro, em Roma e à Catedral de São Paulo, em Londres). Ergue-se sobre as ruínas de uma mesquita almohada-mudejar mandada construir pelo emir Abu Yacub Yussuf, em 1184. Por isso, sobre a porta do Perdão, continua escrito “o poder pertence a Alá!”


A arquitectura interior é majestosa: tem cinco naves, com mais de 120 metros de comprimento. As abóbadas são polinervadas e muito trabalhadas. É particularmente imponente o coro, de final do século XV, em talha dourada. Para completar uma qualquer visita rápida, impor-se-á ver o túmulo de Cristóvão Colombo (estão ainda aqui os túmulos dos reis Fernando III e Afonso X) e a sacristia dos Cálices, onde estão representadas, em várias pinturas (uma das quais do grande Francisco de Goya), as santas Justina e Rufina, padroeiras da cidade.

A zona tem difícil estacionamento, mas há vários parques pagos próximos.

sexta-feira, setembro 14, 2007

Stresa, Lago Maggiore, Itália

O destino é tão clássico e referenciado por ter interesse turístico que o viajante fica logo desconfiado. Sem ter chegado, a impressão vinda das leituras e pesquisas é a de um conjunto de sucedâneos de praias, outrora chiques e agora decadentes, destino de veraneio de italianos do norte, que têm o mar muito longe.

Quando se chega a Stresa, a má impressão desfaz-se. O lago, é bonito, bordejado por povoações arranjadinhas e envolvido por montanhas sempre verdejantes. As águas são tranquilas. Não há muitos banhistas, mas há muitos barcos de recreio. Na cidade, nas mansões coloridas, está bem representada a imponência clássica. Chalés de férias e hotéis de época, magnificamente conservados e bem frequentados, mantendo a sua imponência majestosa.
Ao largo de Stressa, as ilhas Borromeas (Isola Bella, Isola dei Pescatori e Isola Madre), igualmente cobertas de villas e outras edificações antigas e imponentes. A elas se chega de vaporetto, uma espécie de cacilheiro antigo, do tempo do vapor, a fazer lembrar os livros do Tintim.
Quando se deixa a cidade, leva-se a impressão de ter visitado uma velha senhora, serena na sua dignidade. Não passam por aqui as últimas correntes das modas, mas isso não impede Stressa de continuar a exibir, orgulhosa, as suas jóias. Sem stress.

Esta capital lacustre fica na margem ocidental do Lago Maggiore, a cerca de 80 quilómetros de Milão e a 60 da fronteira da Suíça. De Milão, tem acesso por auto-estrada (E-62) e depois por estrada nacional (SS-33), ambas de trânsito muito intenso.

Copacabana

O nome desta praia brasileira é mítico para qualquer viajante que se orgulhe de o ser. Invocado, nada mais é necessário adiantar para se saber que se fala de uma das referências de destino planetário de eleição.
O que actualmente é um ícone começou por ser uma longa e branca praia deserta, de águas paradas e quentes, nos arredores da antiga cidade história do Rio de Janeiro. No início do século XX, a rica burguesia do Rio, à época capital federal, escolheu estes quase cinco quilómetros de paraíso para instalar as suas casas de lazer e veraneio. Quando o clima e a placidez do local o puseram na moda, surgiram os hotéis, onde se hospedavam estrangeiros ricos. É desse tempo a construção do velho mas muito actual e charmoso Hotel Copacabana Palace, ainda hoje símbolo de glamour e sofisticação.

Actualmente já não há vestígios dos chalés do início do século passado: toda a faixa costeira está plantada de hotéis e de arranha-céus onde vivem ricos e famosos – Óscar Niemeyer, por exemplo, gosta de ser fotografado no seu apartamento com vista sobre a praia. Porém, visitar Copacabana é mais do que evocar um passado resplandecente e um presente vibrante: é mergulhar numa experiência sociológica imperdível. Copacabana é uma peça imprescindível no mosaico de sensações que compõem a visita ao Rio de Janeiro e ao Brasil. A riqueza de Copacabana está nas pessoas que aqui vivem e que frequentam a praia, às centenas de milhares, percorrendo o calçadão da Avenida Atlântica. São turistas, banhistas, habitantes do bairro e, sobretudo, pessoas das favelas da cidade, que vêm aqui ganhar a vida vendendo de tudo: comida, sumos, água de coco, toalhas de praia, fatos de banho (fios dentais e sungas) ou artesanato. Na areia, joga-se futebol de praia ou futevólei. Basta chegar, manifestar vontade de jogar e logo que houver lugar no time, pode jogar-se. De volta ao calçadão, ouve-se música dos muitos grupos de rua que aqui ganham a vida. Ou bebe-se um chôpe geladinho numa das inúmeras barraquinhas que aqui se chamam quiosques, abertos pela noite dentro.

O bairro e a praia de Copacabana ficam na chamada Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro. É nos hotéis desta zona que costumam ficar os turistas de visita à cidade, longe das maiores favelas e dos bairros violentos da zona antiga, do Flamengo e do Botafogo. Fica a uma hora de táxi dos aeroportos e é servida por uma linha de metrô, que liga ao centro histórico da cidade.

quarta-feira, setembro 05, 2007

Adega Faustino, Chaves

Actualmente, é uma tasca típica. Comem-se aqui pequenos petiscos regionais, cuja máxima sofisticação é atingida na costeleta de vitela barrosã. O vinho, é o da casa, em jarro. O sítio é castiço e vale a pena pela simplicidade dos sabores e do ambiente. E pelo preço módico, também.
O edifício onde está instalada a adega já foi uma garagem de camionagem, construída há um muitas décadas, no advento dos transportes rodoviários de mercadorias.
Quando foi construído, destinou-se a ser armazém de vinhos, com espaço suficiente para nele entrarem as camionetas que transportavam as barricas com o precioso néctar. “o Faustino” veio a ser o maior comerciante local de vinhos, abastecendo boa parte das tabernas locais, numa época em que as versões engarrafadas ainda eram pouco frequentes e esta “mercadoria” sobretudo vendida a granel.
A par deste negócio, a Casa Faustino passou também a vender vinho a copo ao balcão, a bons clientes habituais e frequentes. Nesta época ser cliente do Faustino passou a ser sinónimo de grande consumidor de vinhos a copo de baixa qualidade.

Os tempos mudaram e com eles alterou-se o modelo do negócio do sector dos vinhos. Distribuidores como o Faustino deixaram de fazer sentido. Foi nessa altura que a família dona do espaço e do negócio decidiu reconvertê-lo e criar a Adega Fasutino.
O Faustino fica no centro histórico de Chaves, na Travessa do Olival - qualquer pessoa o saberá indicar (telefone 276.322.142). Está aberto das 12 às 24 horas, todos os dias com excepção dos domingos.

sábado, setembro 01, 2007

As vinhas de Jerez de la Frontera, Espanha

Muito se poderia dizer das vinhas de Jerez, na Andaluzia. É particularmente interessante visitar as vinhas de San Lucar de Barrameda, onde se colhem as uvas para a manzanilla, que se arroga a qualidade de ser o único vinho do mundo com nome feminino.
Os vinhos de Jerez já tiveram melhores dias. Deixaram de ser hegemónicos no mundo anglo-saxónico, como vinhos de aperitivo. Não obstante, os enólogos explicam que, sobretudo as variantes mais secas – quer a manzanilla, quer o fino, são óptimos estimulantes do apetite. A manzanilla é em geral um vinho encrespado, que cria na boca sensação de frescura, tipo água marinha. Tem até um certo travo salgado. A prova é difícil. Nas primeiras vezes, sente-se repulsa por este perfil de bebida antipática. Só com muita insistência se aprende a gostar. As vinhas têm todas um solo calcário muito branco, que reflecte a luz solar e faz atingir mais cedo a maturação das uvas. É o solo de albariza, de uma intensidade luminosa quase insuportável à vista.


Os vinhos de Jerez, como as manzanillas, nunca são datados. Não indicam o ano de colheita nem tem anos bons nem maus. Esta é uma consequência do chamado sistema de solera. Após a produção dos mostos, os vinhos são armazenados e amadurecidos no sistema de solera. Nas caves, os pipos são colocados em três camadas sobrepostas: no pipo do fundo está o vinho mais antigo, enquanto no do topo é posto o vinho mais recente. Logo que o enólogo verifica que o vinho do pipo inferior está suficientemente maduro, é-lhe retirada uma terça parte, para ser engarrafada e vendida. Depois, o espaço desse vinho é enchido com vinho do pipo que está em cima dele. Este, por sua vez, é enchido com vinho do pipo do topo, que será de seguida composto com vinho novo, recém produzido. Assim, o vinho novo vai-se acrescentando ao mais antigo, de modo a produzir-se sempre um vinho com características idênticas.
Quer em San Lucar de Barrameda, quer em Jerez de la Frontera, há muitas adegas de grandes dimensões, que estão abertas a visitas do público, que normalmente terminam com provas.