sexta-feira, setembro 30, 2011

Javardair

  Podendo, evita o viajante a Ibéria. Com esta companhia já lhe aconteceu de tudo: aviões velhíssimos, cadeiras avariadas ou partidas, atrasos de muitas horas nunca explicados aos passageiros, overbooking (esta é frequente), perdas de ligações...
Mesmo quando tudo corre bem, o serviço é mau: em geral, as hospedeiras da Ibéria são deselegantes e muito (por vezes mesmo muito) antipáticas. Sobretudo nos voos intercontinentais, para as Américas.

A fotografia seguinte foi tirada no aeroporto de Madrid. Estava calor e o piloto decidiu tapar os vidros do cockpit com jornais, para que o sol não lhe batesse. Poderia ser na Javardair, mas desta nem os rapazes do Gato Fedorento se lembraram
E fica ainda a seguinte história, recente, do verão de 2011: no voo matinal de Lisboa para Madrid, o avião saiu atrasado porque tinha um pneu furado. Mesmo! E no regresso, porque o aeroporto de Lisboa estava congestionado, como o avião da Ibéria não tinha gasolina para fazer um pouco de espera no ar, foi desviado para Badajoz, porque estava a acabar-se-lhe a gasolina. Na mesma jornada, um pneu furado e uma aterragem forçada por falta de gasolina. Se não o tivesse vivido, não acreditaria o viajante.

domingo, setembro 25, 2011

Lago de Ohrid, Macedónia

  A República da Macedónia é um dos sete estados independentes em que se decompôs a antiga Jugoslávia. Nos documentos das instâncias internacionais tem a denominação oficial de FYROM – acrónimo em inglês de Antiga República Jugoslava da Macedónia, já que a Grécia reclama a histórica denominação da Macedónia para uma parte do seu território, no norte – parte essa, aliás, duas vezes maior que a FYROM. Além disso, o reino grego da Macedónia é muito mais antigo que a tradição independentista dos macedónios modernos, eslavos que aqui chegaram, com uma língua e uma cultura diferente, mas apenas no século VII da nossa era – portanto, mais de mil anos depois da morte de Alexandre Magno e do desmembramento o seu reino.
  Esta pequena dimensão da Macedónia e a insipiência da sua economia não têm contribuído para abrir o país ao exterior. Além disso, por exemplo ao contrário do que sucede com a Croácia, ou o pequeno vizinho Montenegro, esta república de apenas 2 milhões de habitantes não tem grandes motivos turísticos que possam atrair massas: não tem costa marítima, a sua capital foi destruída por um sismo, em meados do século XX e as suas montanhas, embora muito selvagens e de rica natureza, não têm estruturas de apoio aos viajantes.
  Nestas condições, o Lago de Ohrid assume o papel “do” local turístico do pais, por excelência e quase em exclusivo. Junto das suas margens há hotéis de perfil internacional, com praias de apoio. Para aqui vêm veranear muitos dos macedónios, durante a temporada de férias estivais. É mesmo o maior destino de férias e de fim de semana da população local: para aqui vêm as famílias, para a praia (de água doce) e para aqui vem a juventude do país, em férias autónomas dos pais, em busca de diversão nocturna.
  A tradição é de tal maneira arreigada que, na década de 1960, o marechal Tito, então presidente da então República Federativa Socialista da Jugoslávia, decidiu mandar construir aqui a casa oficial de férias do Presidente da República. Esta casa, a Villa Biljana, ainda actualmente existe, mas agora é a residência oficial de férias do Presidente da República da Macedónia. Fica na margem do lago, num pequeno promontório que lhe fica sobranceiro, lindíssimo, cerca de dois quilómetros a sul de Ohrid.
Ao lado, na mesma época, foi construído um hotel para funcionários do regime, que ainda agora existe, embora remodelado. Em volta, foi plantado um parque florestal, bordejando o lago, aberto a quem queira por aqui vir. Dele tem o viajante memória por ter aqui dado um passeio a pé de fim de tarde, tão pacífico como já não tem memória, por um caminho estreito e deserto, sobranceiro ao lago, ouvindo a passarada.
  O lago é geologicamente muito antigo. Dizem os locais ter milhões de anos e apenas ser comparável ao lago Baikal, na Sibéria e ao lago Titicaca, nos Andes. Além disso, tem águas muito profundas. Estas características conferiram-lhe grande riqueza de flora e fauna, sendo notável a dimensão e a diversidade das espécies endémicas. A célebre e endémica truta de Ohrid (salmo letnica typicus) é hoje em dia uma espécie protegida, mas bastantes vezes foi o viajante presenteado, por aqui, com truta assada.
  O lago de Ohrid, ao lado da cidade com o mesmo nome, dista 170 quilómetros de Skopje, capital do país e sua porta de entrada (embora Ohrid tenha também um aeroporto, praticamente não tem voos). O percurso desde Skopje leva bem duas horas e meia, por estradas nem sempre confortáveis, atravessando zonas muito montanhosas. A própria Macedónia é difícil de atingir – de Lisboa, há que fazer, pelo menos uma, mas frequentemente duas ligações aéreas, o que demora todo um dia. Se esquecer esta dificuldade de acesso, não hesita o viajante em afirmar que o lago de Ohrid é dos mais tranquilos e interessantes destinos de férias repousadas que tem encontrado.

terça-feira, setembro 20, 2011

Buenos Aires

  Dizem os guias que Buenos Aires é a mais europeia cidade da América do Sul: tem uma geometria urbana estudada e cuidada, monumentos e ostenta uma herança patrimonial consistente. No fundo, cultiva o seu aspecto elegante, quase de parisiense do sul, com glamour, livrarias e muitas salas de espectáculos. E não é por acaso, já que com este propósito foi remodelada a partir do final do século XIX.
Além dos clichés, das avenidas traçadas à imagem dos boulevards parisienses, dos cafés nas esquinas, hoje em dia remoçados e convertidos em modernos lounge bar, achou também o viajante graça às pequenas lojas de bairro de nova geração, de design, de vinhos ou de antiguidades. Nessa medida, Buenos Aires é uma cidade muito interessante.
Porém, apesar desta estrutura física europeia, a verdade é que a sua alma é bem latina e do sul: nas ruas circulam autocarros coloridos exuberantes, cada um de sua cor; em geral, as lojas são abertas para a rua. Os argentinos – e em particular os porteños, habitantes de Buenos Aires -, gostam de se arranjar bem e andam impecavelmente vestidos. São exuberantes e comunicativos e gostam de almoçar fora e de beber copos em locais distintos. E essa imagem dos seus habitantes (até quase um pouco presunçosa) marca muito a cidade.
 Mafalda, a menininha inteligente criada por Quino, paira por aqui, muito preocupada e até mesmo um pouco deprimida. Com o seu espírito crítico, bem pode estar a participar numa das várias manifestações que ocorrem diariamente. Na verdade, a consciência cívica dos porteños, gente informada e inconformada, tornou as manifestações políticas em episódios do quotidiano: podem ser motivadas por questões particulares, como pensões de reforma, ou mais gerais, como o estatuto político das ilhas Malvinas, ou ainda por motivos globais, como a situação na Palestina. Mafalda encarna bem o espírito argentino em geral, de sentimentalismo polémico, vocacionado para o protesto vivo e apaixonado. Talvez por isso a cidade lhe deixou uma pequena estátua, na modesta esquina das ruas Defensa e Chile, no bairro de San Telmo
  Bem se percebe que, neste contexto de espírito empolgado e apaixonado, por aqui tenha nascido o tango, na década de 1930. Ou talvez um pouco antes. Também este tema é polémico: os bairros de San Telmo e de La Boca reclamam ambos ser o berço desta selvagem dança sensual, que deixou há muito de pertencer à cidade e escalou o planeta.
Foi também de La Boca que partiu para o mundo El Pibe, o fabuloso Diego Armando Maradona, o menino pobre e prodígio, que deu origem a uma das muitas quedas de anjos de que a história argentina é rica.
A origem de Maradona, o bairro de La Boca, é uma antiga zona portuária, onde tradicionalmente vivem muitos emigrantes e descendentes de emigrantes, sobretudo italianos (genoveses, em particular). Nos dias de hoje continua a ser um bairro pobre e degradado. É excepção a zona conhecida como El Caminito, que explora-se essa vertente, de bairro marginal e viu instalar lojas de artesanato e restaurantes para turistas, que podem até incluir animação por pares a dançar tango.
São em geral casas de madeira e de chapa ondulada – é portanto verdadeiramente um bairro de lata. Desde o início do século XX estas casas passaram a ser pintadas de cores muito garridas, em pequenas parcelas, misturadas. A ideia veio de alguns moradores, que pediam aos pintores dos barcos que aqui aportavam os restos das tintas com que pintavam os ditos.
Do bairro, ficou na mente do viajante uma sensação mista e confusa, que oscila entre a genuinidade do espírito dos habitantes com o kitsch da montagem urbana para turistas. Nessa medida, foi até um pouco desilusão.
  Conceptualmente no hemisfério oposto, fica Puerto Madero, o mais recente bairro de Buenos Aires, que é também o mais cosmopolita e opulento. Foi construído desde há duas décadas e pretende ser um modelo de modernidade, com poucos carros a circular, sem poluição ou ruído, planificação rigorosa, de modo a assegurar harmonia, conforto e funcionalidade. Este bairro é o renascimento das cinzas de um outro, com origem no século XIX, altura em que Eduardo Madero projectou um caríssimo porto marítimo, que demorou mais de 20 anos a construir – de tal forma que quando ficou pronto, já era obsoleto. Apesar disso, chegou a ser o porto mais importante da Argentina, mas acabou por cair em desuso, por ficar antiquando. Foi abandonado e degradou-se.
Na recuperação empreendida a partir da década de 1990 mantiveram-se muitos dos edifícios antigos, em particular os antigos armazéns, agora ocupados por lofts, escritórios ou restaurantes. Puerto Madero é, talvez, a zona mais chique da cidade para jantar. A mais cara é, concerteza.
  Foi aqui construída, segundo desenho de Santiago Calatrava, a pedido de um empresário local, que a doou à cidade, uma moderna ponte, a que foi dado o nome de Puente de la Mujer. Este moderno símbolo de Buenos Aires é uma ponte pedonal, que atravessa a doca – é também giratória, de forma a permitir a passagem de embarcações grandes. O seu nome resultou da zona onde foi construída, já que a todas as ruas desta parte do bairro foram dados nomes de grandes senhoras da história argentina.
  Mas Buenos Aires é também a cidade de Jorge Luís Borges, que aqui nasceu em 1899 e cujo espírito se sente no ar – e em particular no ambiente de alguns cafés mais clássicos. Sentiu-o bem o viajante no ambiente de espelhos e colunas douradas do Café Tortoni, na Avenida de Mayo, que já comemorou 150 anos. Mas é também uma megalópole de mais de 13 milhões de habitantes – a grande Buenos Aires, porque o centro não tem mais que 3 milhões e é uma cidade muito amigável.

segunda-feira, setembro 12, 2011

Samoa

 
A 3000 mil quilómetros da Nova Zelândia, no Pacífico Sul, as ilhas Samoa são muito isoladas. Por isso, não estão vocacionadas para o moderno turismo de massas. As viagens para aqui são muito caras e longas. Mas nem por isso o país deixa de ter interesse. Nele encontrou o viajante uma das suas melhores e mais profundas experiências. Desde logo, pelo exotismo da paisagem. Apesar de Samoa ter muito menos turistas que outras ilhas do Pacífico, também aqui se repetem abundantemente os clichés habituais, de praias de coqueiros, com areias brancas e águas turquesa.
  Mas esse não foi o único interesse que viu nas ilhas. Surpreendeu o viajante que ainda actualmente a maioria da população viva em aldeias e, dentro delas, em comunidades familiares, de família alargada. Muitas destas famílias vivem ainda em casas tradicionais (a que chamam “fale”), feitas de postes de madeira, com planta oval e cobertas de folhas de coqueiro. Ainda actualmente a maior parte das casas de aldeia não tem paredes (o clima permite-o) e a vida é feita no seu interior, à vista de todos. À noite, ou se fizer muito vento, podem baixar-se cortinas de folhas de coqueiro…
Esta forma de vida é simples, mas muito alegre. Todos os automóveis têm música no máximo, deixando atrás de si uma batida constante. E o mesmo se passa com os alegres autocarros tradicionais, de corres berrantes, de bancos de madeira e sem janelas, que são o transporte público único da ilha.
  Ápia, a capital de Samoa, é uma cidade no campo. Diz-se ter cerca de 30 mil habitantes, que de forma alguma se notam. O ambiente (a origem provinciana do viajante permite-lhe dizer isso) é o de uma relaxada pequena  vila de província. A praça principal, onde até há uma rotunda, é dominada por uma pequenas torre de relógio, onde se ouve a todas as horas a clássica melodia do Big Ben de Londres. Não obstante este toque britânico, a verdade é que a grande marca colonial que Samoa  herdou foi a do curto período em que constituiu um protectorado alemão: sobrevivem ainda muitos edifícios públicos construídos em madeira nessa época.
Da cidade, não se pode dizer ser bonita. Mas é o melhor local das ilhas para observar o castiço da população local – e para esse efeito, o ponto privilegiado é o Maketi Fou, mercado diário de legumes.
  Por aqui passou – e aqui morreu –, Robert Stevenson, o escocês autor de “A ilha do Tesouro”, que veio à procura de bom clima que lhe curasse a tuberculose. A sua fantástica casa, talvez o edifício mais interessante das ilhas, fica a meia dúzia de quilómetros de Ápia e alberga actualmente a sua casa museu. É uma enorme casa colonial, em madeira, construída em 1890, com grandes varandas e jardins impecavelmente tratados.
  Além desta casa museu, a ilha de Upolu, onde fica Ápia, suscita interesse pelas cascatas naturais que vai tendo aqui e ali, sobretudo na época das chuvas, que corresponde ao inverno no hemisfério norte. De resto, o viajante gostou muito das praias. Sobretudo as do leste da ilha de Upolo, onde fica a capital. São soberbas as praias da zona de Aleipata – em particular as praias de Lalumanu e de Saleapaga. Ambas são aldeias pequenas e as suas praias parecem esquecidas. Correspondem ao protótipo da praia deserta – o viajante esteve lá sem que estivesse mais ninguém. Não havia hotéis nem qualquer outra estrutura de apoio. Aliás, em geral, a população local não vai à praia, apesar do fantástico clima – a temperatura do ar nunca baixa de 22 graus (é a mínima, durante a noite…) e raramente sobe dos 36, ao longo de todo o ano.
  No norte da ilha de Upolu há menos praias, embora o mar seja muito tranquilo. Mas desde o tsunami de 2009 que todas elas têm sido guarnecidas com barreiras de pedra, de protecção. O mesmo se passa com uma boa parte da costa de Savaii, a outra ilha de Samoa, que é a maior delas. Apesar destas barreiras, na costa oriental de Savaii, uma que outra das praias ainda têm areia e permite banho.
  Em Savaii, além de cascatas como em Upolu, há outros pontos interessantes de visita. Os locais conduziram o viajante para dois, em particular. Por um lado, para um fantástico campo de lava, que chega a ter 100 metros de espessura e fica em Saleaula, no norte da ilha. Foi o resultado de erupções do vulcão do Monte Matavanu, entre 1905 e 1911, que arrasaram uma boa parte da povoação. Por outro, para umas curiosas furnas, na falésia vulcânica da costa sul, perto de Taga a que chamam “blowholes”. É um fenómeno natural provocado pelo rebentamento das ondas, que entra em buracos no interior da falésia, onde existem galerias verticais. Quando o mar está forte, o rebentamento faz subir por estes algares a água da rebentação que, projectada, chega a atingir 30 metros! É um fenómeno curioso.
  A viagem de Portugal a Samoa é longa e cara. A melhor opção é chegar por via de Auckland, na Nova Zelândia, que por sua vez pode ser atingida em voos directos a partir de Londres. Contanto com as ligações, partindo de Lisboa, não será fácil fazer esta viagem em menos de dois dias.

quinta-feira, setembro 08, 2011

Museu de Auckland, Nova Zelândia

  Tem o viajante visitado vários museus muito interessantes. Talvez por estar num país do novo mundo e este museu pretender cobrir a história nacional, achou a este especial graça. O Museu de Auckland está construído num edifício majestoso, de fachada neoclássica, à imagem dos templos gregos. Pretendeu ser marcante, porque o seu propósito inicial foi guardar o espólio e evocar os mortos neozelandeses na Iª Guerra mundial – morreram quase 17 mil soldados da Nova Zelândia, em combate, entre 1914 e 1918.
  Porém, no formato actual, depois de sucessivos melhoramentos, este é um museu moderno e integral, que cobre toda a história da Nova Zelândia, passando também pela participação militar nos conflitos mundiais. Essa, porém, nem sequer é a parte mais interessante do museu. Aquelas que prenderam mais a atenção do viajante e que dificilmente serão melhores nalgum ouro museu do mundo, foram a secção dedicada à cultura maori e a secção dedicada às culturas dos povos do Pacífico. Ambas se relacionam, uma vez que a cultura maori teve origem na civilização polinésia, centrada em Tonga e em Samoa, que cerca de mil anos antes de Cristo se expandiu para todo o Pacífico, incluindo a Nova Zelândia.
  Nota-se neste museu o intuito de ser o repositório, para o futuro, daquilo que foi possível recuperar, quer das culturas do Pacífico, quer da cultura maori, que daquela derivou. E assim, recolhe-se uma impressionante colecção de artefactos, do dia-a-dia, da guerra, de decoração e ornamentação. Além disso, esta colecção é interpretada no contexto da expansão da cultura polinésia. Exibem-se também no museu barcos polinésios, em particular as frágeis canoas duplas, que permitiram aos polinésios empreender as viagens oceânicas de milhares de quilómetros e as canoas de competição, de 45 remadores, que ainda hoje são as embarcações usadas na competição marítima mais popular do Pacífico.
 É também explorada a história natural da Nova Zelândia. Viu o viajante com imenso espanto o esqueleto (e a reconstituição moderna) de uma moa, que antes de extinta foi a maior ave existente sobre a terra – e também a única que até agora se conhece sem asas. E impressionou-o a galeria dedicada ao vulcanismo, onde foi instalada uma sala onde se podem experimentar os efeitos de uma erupção vulcânica, seguida de um tremor de terra e de um tsunami.
  Por último, assistiu o viajante com muito agrado àquilo que o museu chama uma “performance” maori. É, na prática, uma breve exibição – breve, mas vibrante e entretida –, de música e dança, e uma demonstração de jogos tradicionais maoris. Esta “performance”maori repete-se ao longo do dia.
O Museu de Auckland é uma referência essencial na cidade, fácil de encontrar, no meio do parque conhecido como Auckland Domain. Apesar de fácil, está longe do centro da cidade – a pé pode distar perto de uma hora. Está aberto todos os dias das 10 às 17 horas e as “performances” maori ocorrem às 11, às 12 e 13h30m

terça-feira, setembro 06, 2011

Atlântico Norte

  Já tinha calhado ao viajante sobrevoar os desertos do nordeste de África, do Sudão e da Líbia, que o deslumbraram pela imensidão. E também, mesmo apercebendo-os desde cima, pela agressividade do seu calor, que se notava nas cores vivas (do ocre ao avermelhado) e na textura vincada dos terrenos. Calhou, desta vez, sobrevoar com céu limpo a imensidão do Atlântico Norte, próxima do Árctico, na rota que cruza a Gronelândia de sueste a noroeste.
  A visão desta gigantesca ilha – apenas ultrapassada em tamanho pela Austrália – deixou-lhe o sentimento de uma imensidão ainda mais esmagadora e ameaçadora. A abordagem é, desde logo muito agressiva: a costa leste da Gronelândia é escarpada e abrupta. Caem dramaticamente no mar negras falésias, a que se seguem montanhas muito escuras, sem qualquer tipo de vegetação. Aliás, a negridão da rocha das escarpas e dos picos montanhosos é apenas quebrada pelos campos de neve, que por completo preenchem os vales e as encostas mais suaves. São neves eternas, que formam um manto muito regular e aplanam o terreno, revestindo-o e quase o uniformizando.
  Nalguns vales mais profundos e íngremes, desde o ar são bem visíveis glaciares que imovelmente descem para o mar. Em geral, ramificam-se em vários braços e espraiam-se por muitos quilómetros, subindo a montanha. No lado oposto, debruçam-se sobre o mar, desfazendo-se em pedaços, dando origem a icebergs.
Os fiordes a que estes glaciares em seu tempo terão dado origem, que se adivinham fundos e de águas gélidas, estão polvilhados por estes blocos de gelo glaciar. Nalguns pontos, concerteza de águas mais tranquilas, chega até a formar-se uma película gelada que cobre por completo a superfície marinha.
  Em volta da ilha, todo o mar está pontilhado de pedaços de gelo que, à deriva, vão vogando ao sabor das correntes. Este é, aliás, um dos grandes viveiros dos terríveis icebergs que aterrorizam os navegadores do Atlântico Norte. Olhando para eles, de cima, questionou-se o viajante sobre se não teria saído daqui aquele que afundou o Titanic.
  Mas a dimensão da Gronelândia não fica apenas nas costas escarpadas, nos fiordes, nos glaciares e nos icebergs: aquilo que mais impressionou o viajante foi o seu interior gelado. Consoante foi avançando para o interior, claramente percebeu que o relevo se ia esbatendo. Pode ter acontecido que as montanhas cedessem à pressão de milénios, feita por gelos eternos. Mas pode também ter acontecido, pura e simplesmente, que a neve e os ventos, de milénios sucessivos de invernos, se tenham encarregado de preencher de branco todas as irregularidades do terreno. A verdade é que, consoante se sobe, para norte e para o interior, a Gronelândia vai-se mostrando mais regular: no início, as montanhas parecem mais baixas e os vales menos escavados; depois, todas as irregularidades se arredondam e pintam de branco. Mais a norte, é a imensidão gelada: o interior da ilha é uma gigantesca planura uniforme de neve imaculada.

quinta-feira, setembro 01, 2011

Trás-os-Montes

Portas avariadas...