quarta-feira, agosto 26, 2009

Los Roques, Venezuela

Há muito poucos destinos onde o viajante tenha sentido vontade de ficar. É certo que há imensos paraísos desconhecidos que se vão encontrando, sem esperar, aqui e ali. Porém, nem todos os ditos paraísos deslumbram. E Los Roques foi especial. É um conjunto de ilhas de areia, acumulada sobre formações de coral, onde entretanto cresceu alguma escassa vegetação tropical, dando origem a um exuberante arquipélago de praias de areia branquíssima, onde batem águas muito quentes, que variam de entre tonalidades verdes esmeralda e azul turquesa.

Chegou o viajante, como toda a gente, de avião, vindo de Caracas. Ia dirigido a uma posada, que encontrou na Internet. Sabem bem os visitantes de Los Roques que o alojamento em Gran Roque, a única ilha povoada, é adequado ao nível de protecção ambiental do local: desde 1972 é proibido construir nas ilhas e, consequentemente, todas as posadas são antigas casas de pescadores, um pouco melhoradas, para acolher turistas. Garantem algum conforto, em alojamento familiar e hospitaleiro, mas estão muito longo dos padrões internacionais de conforto. E hotéis, não há. Esta opção teve, porém, desde logo a vantagem de garantir apoio local, desde o desembarque até à entrada no avião de volta. A posada (http://www.posada-acquamarina.com) encarregou-se de organizar programas e refeições, o que num povoado perdido numa ilha perdida no Caribe não foi nada desprezível.

Deixando os areais brancos, optou o viajante por percorrer algumas das ilhotas, a bordo de um dos muitos barcos que oferecem o transporte para as praias, parando aqui e ali. Isso permitiu-lhe ver sítios dos mais belos onde já passou: mar de tonalidades incríveis e indescritíveis, com peixes a nadar aos pés de quem tomava banho e praias de anúncio de televisão.

Los Roques são mais de 40 ilhas e duas centenas de recifes de coral, dispostos em volta de uma imensa laguna central. Ficam a um pouco menos de uma hora de voo do aeroporto de Caracas, cerca de 170 quilómetros distantes da costa da Venezuela. Vários operadores privados fazem a ligação aérea, a partir do aeroporto nacional de Caracas.

Além de Gran Roque, as ilhas de acesso mais fácil são Franciquí, Madrisquí, y Crasquí, a cinco minutos de barco. Mas o viajante menos turista deverá ir também a Espenky, com excelentes praias desertas, de água verde, a Cayo de Água, no extremo ocidental, com a praia mais bonita ou a Dos Mesquises, onde está baseada a Fundação Científica Los Roques, que desenvolve um interessante programa de protecção das tartarugas marinhas.

Los Roques tem cerca de mil habitantes permanentes, a maior parte dos quais trabalhando em actividades de turismo ou com ele relacionadas. O arquipélago é desde 1972 parque nacional, pela importância e diversidade dos seus corais, pela inúmera variedade de crustáceos (identificaram-se aqui 200 espécies diferentes), moluscos (existem aqui 140 espécies), equinodermes (45 espécies), esponjas (60 espécies) e peixes (nadam por aqui 280 espécies diferentes). Além disso, nidificam no arquipélago mais de 90 espécies de aves e quatro tipos diferentes de tartarugas marinhas, consideradas em risco.

terça-feira, agosto 25, 2009

Pistas de Dinossáurios da Serra de Aire

Há um pouco mais de uma década, o tema dos dinossáurios estava em moda. Depois da saga dos vários episódios de Jurassic Park, de Steven Spielberg, baseado nas histórias de Michael Crichton, surgiram imensas exposições científicas de vestígios de dinossáurios. Em Portugal, calhou descobrirem-se nessa altura vestígios de pegadas que não se conheciam antes, o que impulsionou a protecção e divulgação das outras, já antes conhecidas. Descobriu-se Carenque e a Pedreira do Galinha e ficou a saber-se mais da Lourinhã e da Praia Grande.
Passou o viajante na Pedreira do Galinha, depois destes anos todos de espera, com grande expectativa. E a expectativa foi correspondida pela grandeza do local, bem como o foi pela forma como está organizada a visita. As instalações deste Monumento Natural (assim classificado em 1996) são eficazes, embora modestas. Além da bilheteira, há uma pequena loja, com bebidas frescas e serviços sanitários. Talvez a grandeza do local merecesse renovação e modernização.

A jazida de pegadas de dinossáurios da Pedreira do Galinha foi descoberta em 1994. Calcula-se que será do período Jurássico tendo provavelmente 175 milhões de anos. Consiste no registo, na pedra calcárea, de pegadas de saurópodes, que eram dinossáurios herbívoros, quadrúpedes, com a cabeça muito pequena e a cauda muito longa. O seu corpanzil era enorme – poderia medir 30 metros de comprimento e pesar 70 toneladas! Julga-se que os saurópodes terão sido os maiores animais terrestres que já existiram.
Quanto aos trilhos da Pedreira do Galinha, são os mais antigos e mais longos trilhos de pegadas de saurópodes que se conhecem em todo o mundo. A visita consiste num percurso, de 1000 metros, em volta da antiga pedreira. A zona de laje calcária visitável tem cerca de 60 mil metros quadrados e reúne centenas de pegadas, em cerca de duas dezenas de pistas.

Supõe-se que as pegadas terão sido impressas em lama calcária, talvez no fundo de uma lagoa. Depois, essa lama terá sido coberto por outras camadas de sedimentos que, com o decurso do tempo, ao longo de milhões de anos, se converteu na pedra calcária que hoje pode observar-se.

O Monumento Natural fica na vertente oriental da Serra de Aire, virada para a bacia do rio Tejo, no concelho de Ourém, mesmo junto da localidade de Bairro, integrada no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros. A partir de Fátima, chega-se por estradas secundárias, nem sempre bem sinalizadas, e dista 10 quilómetros. De Torres Novas, dista 16 quilómetros e as estradas não são melhores.
Pode visitar-se todos os dias (com excepção das 2ªs feiras), das 10 às 18 horas, mas fecha à hora de almoço (das 12:30 às 14 horas). O bilhete de entrada custa 2 € para adultos e 1 € para crianças. Ver mais em
www.pegadasdedinossaurios.org.

segunda-feira, agosto 24, 2009

Palácio da Música Catalã, Barcelona

Há poucos ícones mais representativos do orgulho catalão do que o Palau de la Musica Catalana, sede do Orfeó Catalá.
O Orfeó foi fundado no fim do século XIX, como forma de dar continuidade ao tradicional canto popular catalão, cantado por músicos amadores, que na época estava em declínio. Escabeçou esta iniciativa o maestro compositor catalão Luís Millet, que conseguiu com o desenvolvimento do Orfeó renovar e dar mais vigor à música vocal regional. Mais tarde, o próprio Orfeó, já próspero, comprou um conjunto de edifícios velhos, no popular bairro de Sant Pére. Para renovaro local, encomendou ao arquitecto catalão Francesc Domenec i Muntaner o projecto de uma nova sala de espectáculos.
Este percurso está pois indelevelmente marcado pelo cunho autonomista e nada poderia dar mais voz a este orgulho que a escolha de um arquitecto de aqui e de um estilo que nasceu na Catalunha. De facto, o Palau, uma impressionante demonstração de criatividade, é uma das manifestações arquitectónicas mais exuberantes que o viajante teve oportunidade de observar. Quiçá ainda mais exuberante e colorida que qualquer das obras de Gaudí.
Impressionou o viajante, sobretudo, o detalhe: por exemplo, milhares de rosas em cerâmica revestem os tectos; colunas em vidro amarelo transparente apoiam os corrimões das escadas de acesso aos pisos superiores; as janelas, todas elas, estão decoradas com motivos florais. Depois, a sala de concertos, com a magnífica cabeceira onde está o palco. Profusa decoração, meia em terracota, meia em ladrilhos, para dar forma às musas inspiradoras. E, cereja em cima do bolo, a clarabóia de vitral colorido, no tecto central da sala, que dá imensa vida e alegria ao recinto.
É verdade que o exterior do velho Palau, as fachadas encaixadas na malha urbana de Sant Pére (e por isso extremamente difícil de fotografar…) já valem a deslocação. Mas a visita ao interior é imprescindível para bem poerceber a essência da arquitectura modernista.
Só é possível visitar o edifício em visitas guiadas, a horas fixas (das 10 às 15h30), sendo recomendável comprar o bilhete com antecedência (é possível fazê-lo na Internet – www.palaumusica.org), porque há sempre grande procura. A entrada custa 12 € (mais 1€ de taxa para marcações na Internet).
O Palau fica no centro de Barcelona, próximo da Via Layetana, a apenas 10 minutos a pé, da Plaça de Catalunya.

domingo, agosto 23, 2009

Marte em Agosto

Recebeu o viajante uma inflamada mensagem de correio electrónico (como provavelmente tu, leitor), apelando para o seguinte: Marte, o planeta vermelho, está a passar perto da Terra e atinge o ponto mais próximo no dia 27 de Agosto. Por isso, ficará mais brilhante e parecerá, no céu, uma segunda Lua Cheia. Dizia ainda a dita mensagem que, por razões decorrentes da sua órbita, Marte iria passar apenas a 56 milhões de quilómetros da Terra, o que já não acontecia há 60 mil anos, razão pela qual o fenómeno tinha sido visto pela última vez pelos “neandertais”. E mais: só voltaria a ser assim em 2287.
Estranhou o viajante, por não se prever Lua Cheia para esta semana. Pelo contrário, hoje mesmo, lá pelas seis da tarde, conseguiu ver que a Lua saia da fase de Lua Nova e iniciava o percurso para Quarto Crescente (estava ainda bem alta no céu, àquela hora). Por outro lado, daqui a 2287 faltam menos de 60 mil anos…
Virou o viajante o nariz para o céu e viu Marte – ou pelos menos acredita ser Marte -, um pouco acima do horizonte (a foto acima foi tirada a 22 de Agosto, pelas 10 da noite, nos campos do Ribatejo). Estava brilhante, mais que todas as estrelas do firmamento, mas parecia nenhuma segunda lua. Julga tu, leitor, pelo que consegues ver.

Uma pesquisa rápida na Internet permitiu tirar dúvidas: de facto, de vez em quando, Marte passa mais perto da Terra. Mas nem sequer é o caso de 2009. Já foi assim em 2003, ano em que passou aos tais 56 milhões de quilómetros (foi a maior aproximação desde havia muito) e voltou a ser em 2007 (passou a cerca de 88 milhões de quilómetros – o que é muito, comparado como os 100 milhões que se esperam para 2010).
Ficou o viajante com o consolo de, sem Lua, poder ver bem outras coisas: quando tirou a fotografia acima, conseguiu identificar, mesmo no centro, a constelação do Cisne e logo acima, sobre a esquerda, a constelação da Lira (e a sua brilhantíssima estrela Vega). Mais à esquerda, próximo do canto superior, a constelação da Águia. Na margem da fotografia, à esquerda, quase toda a Cassiopeia. E do lado oposto, à direita, o Golfinho. Ao fundo, parte do Dragão.
E se não é assim, assim pareceu ao viajante.

sábado, agosto 22, 2009

Museu da Electricidade, Lisboa

Não saindo de ao pé de casa, em visita de domingo de manhã, descobriu o viajante o Museu da Electricidade de Lisboa, na antiga Central Tejo, à beira-rio. Fica na Avenida de Brasília, entre a linha-férrea de Cascais e o Tejo. O edifício onde está instalado é incontornável, até pela sua dimensão, na frente ribeirinha da capital. O museu está aberto de terça-feira a domingo, das 10 às 18 horas.
O conjunto actual é o resultado de obras de recuperação profundas, que terminaram em 2005 e deixaram ao viajante duas fantásticas visitas: por um lado, à central eléctrica, tal como ela seria em tempos em que ali se produzia energia; por outro, à cave, onde foram instalados equipamentos didácticos, destinados aos mais novos. Estes últimos constituem um museu interactivo, dos modernos, orientado para a percepção do fenómeno da electricidade, para a segurança e para as diversas formas de produzir e de utilizar a electricidade na vida moderna.

Quanto ao edifício, tem a patine dos velhos edifícios da revolução industrial, a fazer recordar Manchester ou os subúrbios de Londres. Fachadas altas e elegantes, em tijolos, rasgadas por enormes janelas envidraçadas. O interior é imponente: grandes galerias e complexas naves, recheadas de sofisticados equipamentos – todos eles já um pouco com perfil vintage.

sexta-feira, agosto 21, 2009

Vale do Reno, Alemanha

Bacharach (www.bacharach.de), Junho de 2009

quinta-feira, agosto 20, 2009

Museu do Ar, Alverca

Aviões, cockpits, viagens aéreas e travessias épicas ou grandes combates aéreos, são temas claramente masculinos. Cheiram a óleo, a fumo e a motores ruidosos, tudo transpirando adrenalina. É este o ambiente que se encontra no Museu do Ar, da Força Aérea Portuguesa, em Alverca, às portas de Lisboa.

Revisitou-o agora o viajante, no ano em que faz 40 anos (foi oficialmente inaugurado a 1 de Julho de 1969). Aquilo que encontrou, foi um ambiente modernizado e muito acolhedor. O Museu do Ar é um museu pequeno, caseiro e familiar. Mas nem por isso modesto ou desinteressante.
Além de muita informação histórica sobre o passado da Força Aérea Portuguesa, disponibiliza vários modelos de aviões comerciais e, sobretudo, de combate. Destacam-se réplicas de modelos emblemáticos, como por exemplo o Cruzeiro do Sul (gémeo do Santa Cruz), no qual Gago Coutinho e Sacadura Cabral atingiram o Brasil, depois de atravessarem o Atlântico Sul, partindo de Lisboa.

O Museu do Ar é um destino familiar. Tem visitas das 10 às 17 horas (no verão, até às 18 horas). Está fechado às segundas-feiras, no Natal, Ano Novo e no Domingo de Páscoa.
Fica em Alverca do Ribatejo, a cerca de 15 quilómetros de Lisboa, junto da estação dos caminhos-de-ferro (Linha do Norte). De Lisboa, chega-se pela A1, derivando na saída de Alverca (
http://www.emfa.pt/www/po/musar).

quarta-feira, agosto 19, 2009

Pastéis de nata, República Checa

Cesky Krumlov (www.ckrumlov.cz) é uma fantástica vila medieval, no sul da República Checa, classificada como Património da Humanidade pela UNESCO. Rodeia-a o rio Vltava (que mais abaixo, no seu curso, banhará Praga), o qual contorna as antigas e altaneiras muralhas, modernizadas ao longo da sua história, que remonta ao século XIII. Estas muralhas encerram um altivo Castelo, a evocar o livro escrito por Franz Kafka (embora a propósito de uma cadeia montanhosa um pouco mas a sul, na Roménia). Em frente ao castelo, fica a vila, organizada em volta de uma praça central, como era habitual na Idade Média.

Calhou o viajante escolher um hotel nessa praça (www.dhotels.cz/hotel-grand/en), a Nam. Svornosti. E calhou também tomar o pequeno-almoço na esplanada, que dá para a praça, num radioso dia de sol, que logo lhe deu boa disposição e vontade de perguntar ao empregado checo como raio se chamava, em checo, o bolo que lhe ofereciam, para adoçar a hora matinal.
A aparência era inequivocamente a de um pastel de Belém (que fora da respectiva zona se chama pastel de nata). Mas perguntado sobre isso, em macarrónico inglês, o empregado respondeu apenas que se tratava de “crème brûlée”.

terça-feira, agosto 18, 2009

Obras no aeroporto da Portela, Lisboa

Com eleições à porta, em tempo de crise, andam calados os defensores da urgente construção de um novo aeroporto para Lisboa. Calados, mas não esquecidos. Bem se recorda o viajante de que, além das promessas eleitorais e outras que tais, são vários os lóbis que defendem a decisão rápida do início de esta nova obra do regime. Que será para abrir portas em 2017. Ou quando muito um ano depois.

Compreende o viajante o esmagamento em que vive o aeroporto da Portela. Na verdade, a sua localização é-lhe muitíssimo conveniente, mas percebe que está mesmo na cidade, provoca ruído e poluição e, sobretudo, dizem que está saturado. O que já não compreende, neste contexto, é a razão que terá levado à realização, neste verão de 2009, de vultosas obras de alargamento do terminal de passageiros. Fisicamente, a aparência para quem as vê é a de que duplicarão a dimensão da aerogare. E no site na ANA, nada consta. Ficam as imagens.

sexta-feira, agosto 14, 2009

Ilha Berlenga, Peniche

Atravessou, o viajante, o mar entre Peniche e o arquipélago das Berlengas, em dia claro de sol. Ao longe, logo após sair da barra de Peniche e depois de ter rodeado pelo sul a sua península rochosa, foi fácil avistar a ilha, com a sua cor encarniçada, dada pela proeminência do granito rosa.
Nestas condições, a chegada ao molhe de abrigo brindou o viajante com águas marinhas das mais bonitas de Portugal, de verde-esmeralda intenso e exuberante, límpidas e transparentes, a deixarem-se atravessar pelo sol que atingia o fundo de areia.


Mas isto nada significou - nem significa em geral -, quanto à bonomia da meteorologia na ilha. Na curta estadia, de meia jornada em tempo de verão, além do sol rutilante, agressivo e destemperado (não há sombras, na ilha), caiu nas orelhas do viajante uma chuva miudinha, trazida por um banco de neblina que aqui chegou, vindo do mar aberto. No mesmo dia, houve muito calor, chuva e muito frio, com poucas horas de diferença.
As visitas de turistas começam e acabam todas no molhe do Carreiro do Mosteiro, junto ao bairro dos pescadores, onde atracam os barcos que chegam de Peniche. A generalidade dos visitantes sobe o íngreme caminho cimentado até ao farol, na zona mais elevada da ilha, passando ao lado da magnífica paisagem do Carreiro dos Cações (desta espécie de fjord avista-se o outro lado da Berlenga e, ao longe, as Estelas). Os visitantes mais afoitos descerão o difícil trilho que termina na Fortaleza de São João Batista, rodeada de escolhos e pequeníssimas praias, banhadas por água verde transparente, muito limpa, onde se vêem peixes. Há sempre, claro, a possibilidade de contratar a viagem do molhe à fortaleza, utilizando os serviços de um pescador, vindo directamente pelo fotogénico Carreiro da Inês.
Na fortaleza há alojamento, bastante espartano e apoio de bar, um pouco melhor que o alojamento. Além disso, o velho edifício e a sua fantástica localização mais que justificam o percurso.
No entanto, o verdadeiro viajante não ficará por estes clichés turísticos. Poderá mergulhar nas águas costeiras, se souber e tiver como. Dizem que vale muito a pena. Ou então, de forma mais fácil e acessível, partirá para a exploração da Ilha Velha, nome que é dado ao extremo nordeste da Berlenga. Poderá assim ter os melhores panoramas sobre Peniche e o litoral que lhe fica a norte. Além disso, avistará melhor do que de qualquer outro lado as Estelas, a oeste e os Farilhões, a noroeste. No extremo norte da zona explorável, fora de zonas proibidas (sempre caminhando em trilhos marcados, portanto), poderá o viajante ver uma rara colónia de corvos marinhos, lá no fundo, junto ao mar, no Ilhéu Maldito.
Não deverá, no entanto, o viajante esperar encontrar a exuberância normalmente associadas às ilhas de águas verdes e quentes. A Berlenga é quase desértica, muito rochosa e desoladora. A única zona sempre verde é a envolvente do Carreiro do Mosteiro, quase completamente revestido pelo invasor e estranho cacto chorão. Quanto a bicharada, há que contar com a permanente, persistente e incómoda companhia dos milhares de gaivotas que povoam a ilha. Na época da nidificação, estas aves podem tornar-se mesmo agressivas e atacar, com voos rasantes, para defender os seus ninhos e crias. Além delas, dos corvos marinhos e das muitas lagartixas (há por aqui uma espécie endémica, conhecida como lagartixa de Bocage), não teve o viajante o engenho e a arte para detectar mais fauna. Sobretudo, não viu nenhuma pardela nem nenhum airo (a tal ave marinha com aspecto de pinguim, símbolo da Reserva).

Na Berlenga, há alojamento e um restaurante (Pavilhão Mar e Sol). Mas o mais recomendável, para uma visita de um dia, será mesmo levar merenda para piquenique. É possível acampar, se anteriormente se se fizer o pedido aos serviços da Câmara Municipal de Peniche.
O arquipélago das Berlengas (Berlenga, Estelas e Farilhões) integra a Reserva Natural da Berlenga e fica a cerca de 10 quilómetros ao largo de Peniche. Tem acesso por barco, em carreiras regulares, de Maio a Setembro. Recentemente, surgiram vários operadores que fazem a ligação em lanchas rápidas. Porém, a ligação mais tradicional e segura, feita duas a três vezes por dia, é a assegurada pela Viamar, no barco Cabo Avelar, de 180 lugares. A viagem de ida e volta custa 18 € (10€ para crianças até aos 12 anos). Pode ser reservada por telefone ou na página Web da Viamar (
www.viamar-berlenga.com). O barco parte do porto, junto do célebre forte de Peniche.